Constance Smith, a atriz que virou mendiga


Hollywood teve na atriz Maureen O'Hara, a sua maior estrela irlandesa. Mas na década de 50, a 20th Century Fox, com grande alarde publicitário, contratou outra bela atriz de cabelos vermelhos chamada Constance Smith, que também vinha da Irlanda. Darryl F. Zanuck, o chefão da Fox, chegou a anunciá-la como "A Nova Grace Kelly".


Constance Smith nasceu em Limerick, na Irlanda, em 22 de janeiro de 1928. Ela era a primeira de onze filhos de uma família humilde, e seu pai morreu quando ela tinha onze anos de idade. Desamparada, e sem ter como cuidar das crianças sozinhas, sua mãe a enviou para viver em um convento.

Aos 16 anos, a jovem que não tinha vocação para freira, participou de um concurso em Dublin que escolhia a garota mais parecida com a atriz Hedy Lamarr, e venceu. Suas fotos no concurso chamaram a atenção de um produtor cinematográfico, que convidou a garota para um teste de câmera.



Ela então mudou-se para Londres, e assinou contrato com os Estúdios Rank. Ela estreou no cinema no filme Jassy, A Feiticeira (Jassy, 1947), em um pequeno papel. Nos anos seguintes, atuou em diversas produções inglesas, geralmente filmes de baixo orçamento.

Em 1950 a Fox filmou O Garoto e a Rainha (The Mudlark, 1950) na Inglaterra, tendo como astros os atores Alec Guinnes e Irenne Dunne. Smith fazia um papel de apoio, como uma das amas da rainha, mas apesar do papel pequeno, sua beleza impressionou Darryl Zanuck, o todo poderoso do estúdio.

Cena de O Garoto e A Rainha, Constance Smith é a segunda mulher à direita

Zanuck lhe ofereceu um longo contrato, e a levou para Hollywood. Foi anunciado que ela seria a estrela de Jamais Te Esquecerei (The House in the Square, 1951), ao lado de Tyrone Power, mas os investidores acharam que era arriscado por uma desconhecida em uma produção tão cara, e o papel acabou ficando com a já famosa Ann Blyth.

Sua estreia em Hollywood foi no drama Cartas Venenosas (The 13th Letter, 1951), estrelado por Linda Darnell e Charles Boyer. Ela interpretava o segundo papel feminino da produção


Michael Rennie e Constance Smith em Cartas Venenosas

Depois ela estrelou Montanhas Ardentes (Red Skies of Montana, 1952), onde fazia par romântico com o ator Jeffrey Hunter. Ela trabalharia com Hunter novamente em Um Grito no Pântano (Lure of the Wilderness, 1952).


 Constance Smith e Jeffey Hunter em Um Grito no Pântano

Em 1952 ela foi uma das apresentadoras da cerimônia do Oscar, em uma das muitas estratégias para promover sua carreira feitas pela Fox. Foi ela quem entregou o Oscar de Melhor Atriz Para Vivien Leigh, naquele ano.

Em 1953 ela estrelou A Perdida (Taxi, 1953), ainda na Fox. Mas apesar dos esforços do estúdio, ela nunca atingiu o status de estrela pretendido. Em 1951, ela havia se casado com o ator e diretor inglês Bryan Forbes e em 1953 ela engravidou dele, mas o estúdio a obrigou abortar a criança, para não atrapalhar sua carreira. Ela cumpriu as ordens, mas mesmo assim, foi dispensada da Fox pouco tempo depois.

Após o aborto, Constance Smith nunca mais conseguiu engravidar.

 Constance Smith e Bryan Forbes

Antes de ser demitida, ela ainda O Tesouro do Condor de Ouro (Treasure of the Golden Condor, 1953) e O Estranho Inquilino (Man in the Attic, 1953), filmes menores do estúdio.

 Cartaz de O Tesouro do Condor de Ouro

Deprimida com a sua situação, Constance começou a beber, e posteriormente também viciou-se em drogas. Ela retornou a Inglaterra, onde fez alguns filmes como O Diário Delator (Tiger by the Tail, 1954) e Impulse (1954).

Em 1955 ela e Forbes se divorciaram, e a atriz resolveu tentar a sorte em Hollywood novamente, sem sucesso. Sem contrato, participou de um único filme, The Big Tip Off (1955), feito em um estúdio menor, e apareceu em alguns poucos programas de televisão. Com a empreitada fracassada nos Estados Unidos, aceitou atuar em Desde Que Ele Partiu (Un po' di cielo, 1955), um filme italiano.

Na Itália também, fez um papel de apoio em Fúria Bárbara (Giovanni dalle bande nere, 1956), estrelado por Vittorio Gasmann e Anna Maria Ferrero. Após dois anos sem atuar, a atriz voltou a mídia ao tentar o suicídio com uma overdose de barbitúricos, em 1958.

Ela ainda protagonizaria mais três produções italianas, Addio per sempre! (1958), La congiura dei Borgia (1959) e Il cavaliere senza terra (1959), todos pouco expressivos.


Depois disto, afastou-se definitivamente das telas. Em 1962 ela voltou aos holofotes novamente, quando foi sentenciada a três meses de prisão por esfaquear seu namorado, o diretor de documentários Paul Rotha.

Em 1968 ela foi novamente condenada por agredir Rotha, outra vez com uma faca. Apesar disto, eles se casaram em 1974 e ficaram juntos até 1984, quando ele faleceu.

Durante o casamento conturbado do casal, a atriz tentou tirar a própria vida diversas vezes, e constantemente foi internada em hospitais por problemas psiquiátricos.  As últimas notícias sobre ela davam conta que ela estava fazendo faxinas para sobreviver.

Em 30 de junho de 2003, o corpo de uma moradora de rua foi encontrado nas ruas de Islington, em Londres. Após checarem alguns registros médicos e dentários, foi concluído que o corpo pertencia a Constance Smith, a mulher que um dia foi chamada de "a nova Grace Kelly".

Constance Smith tinha 75 anos de idade.

Constance Smith e Jack Palance em O Estranho Inquilino

Em 208 sua vida foi contada no documentário Constance Smith - Hollywood Tragedy (2018), feito na Irlanda.




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