O triste fim de Samantha Smith, a menina que queria a paz no mundo, virou atriz, mas não teve tempo para aproveitar

Samantha Smith e Robert Wagner

No auge da Guerra Fria a menina Samantha Smith, de dez anos de idade, no auge de sua inocência teve a coragem que muito adulto não teria. Ela questionou uma grande autoridade perguntando por que ele queria a guerra, e foi respondida.

Samantha foi chamada de "A Mais Jovem Embaixadora dos EUA", pelo seu país natal, e foi nomeada "embaixadora da boa-vontade", na União Soviética. Seu feito foi mundialmente noticiado, e fez da garota famosa, rendendo inclusive convites para se tornar atriz.

Infelizmente, Samantha morreria com apenas 13 anos de idade, sem poder aproveitar a nova carreira que surgia em sua vida.



Samantha Reed Smit nasceu no Maine, Estados Unidos, em 29 de junho de 1972. Filha de um professor de literatura e de uma assistente social, Samantha Smith ficou famosa após escrever uma carta para Yúri Andropov, então Secretário-Geral do Partido Comunista da antiga União Soviética, que lhe respondeu.

Andropov acabará de chegar ao poder, e a mídia norte-americana fez uma extensa e negativa cobertura, com expectativas pessimistas onde falavam que sua ascensão representava um risco real de uma guerra nuclear.

Samantha acompanhava todas essas notícias, e após ver uma matéria na revista Time sobre Adropov, perguntou para a mãe porque ninguém lhe escrevia uma carta perguntando se ele quer a guerra ou não? E sua mãe respondeu "por que você não faz isso?"



A menina então escreveu para o político russo, e sua carta acabou sendo publicada no jornal soviético Pravda, mas não teve resposta inicialmente. A menina então escreveu para o embaixador soviético nos Estados Unidos, perguntando se Andropov a responderia, e em 26 de abril de 1983 ele respondeu a sua carta.

A Carta Enviada

"Prezado Sr. Andropov,

Meu nome é Samantha Smith. Tenho dez anos de idade. Parabéns pelo seu novo emprego. Eu estou preocupada sobre a Rússia e os Estados Unidos estarem se preparando para iniciarem uma guerra nuclear. O senhor votará para que haja uma guerra ou não? Se não, por favor diga-me como o senhor vai ajudar a não haver uma guerra. O senhor não precisa responder esta pergunta, mas eu gostaria de saber por que o senhor quer conquistar o mundo ou pelo menos nosso país. Deus fez o mundo para nós vivermos juntos em paz e não para brigarmos.

Sinceramente,

Samantha Smith"


Samantha Smith e a carta resposta de Andropov

A Carta Recebida

"Prezada Samantha Smith

Eu recebi a sua carta, que é como muitas outras que me chegaram recentemente vindas do seu país e de outros países ao redor do mundo.

Parece-me, eu posso dizer pela sua carta, que você é uma menina corajosa e honesta, assemelhando-se a Becky, a amiga de Tom Sawyer no famoso livro de seu compatriota Mark Twain. Este livro é bem conhecido e amado no nosso país por todos os meninos e meninas.

Você escreve que está ansiosa sobre se vai haver uma guerra nuclear entre os nossos dois países. E vocês perguntaram o que nós estamos fazendo alguma coisa para não haver a guerra.

Sua pergunta é a mais importante de todos aquelas que colocam o homem a pensar. Eu vou responder-lhe de forma séria e honesta.

Sim, Samantha, nós da União Soviética estamos fazendo de tudo para que não haja guerra na Terra. Isso é o que todos soviéticos querem. Isso é o que o grande fundador do nosso estado, Vladimir Lenin, nos ensinou.

Os soviéticos sabem bem que a guerra é uma coisa terrível. Quarenta e dois anos atrás, a Alemanha nazista, que atentou à supremacia sobre todo o mundo, atacou o nosso país foi, queimou e destruiu milhares de nossas cidades e aldeias, mataram milhões de soviéticos: homens, mulheres e crianças.

Nessa guerra, a qual terminou com a nossa vitória, nós estávamos em aliança com os Estados Unidos: juntos nós lutamos para a libertação de muitas pessoas dos invasores nazistas. Eu espero que você saiba sobre esta história das suas aulas na escola. E hoje nós queremos muito mais viver em paz, para negociar e cooperar com todos os nossos vizinhos nesta terra, com os distantes e os próximos. E certamente com um grande país como os Estados Unidos da América.

Na América e no nosso país existem armas nucleares, armas terríveis que podem matar milhões de pessoas em um instante. Mas nós não queremos que elas sejam sempre utilizadas. Essa é precisamente a razão pela qual a União Soviética solenemente declarou por todo o mundo que nunca, nunca, irá utilizar primeiro as armas nucleares contra qualquer país. Em termos gerais, nós propomos interromper a produção delas e ainda a proceder à supressão de todo o seu estoque existentes na Terra.

Parece-me que esta é uma resposta suficiente à sua segunda pergunta: “Por que vocês querem uma guerra contra o mundo inteiro ou, pelo menos, contra os Estados Unidos?”. Nós não queremos nada disto. Ninguém em nosso país, tampouco os trabalhadores, os camponeses, os escritores, nem os médicos, muito menos os adultos ou as crianças, nem os membros do governo, de modo idêntico queremos uma grande ou “pequena” guerra.

Nós queremos a paz, há algo maior para nos ocuparmos como: o cultivo de trigo, construindo e inventando, escrevendo livros e voar para o espaço. Nós queremos a paz para nós mesmos e para todos os povos do planeta. Para os nossos filhos e para você, Samantha.

Eu convido você, se seus pais a permitirem, para vir ao nosso país, nesta melhor época, o verão. Você terá informações sobre o nosso país, encontrará com seus contemporâneos, visitará um acampamento internacional para crianças, o Artek, que fica perto do mar. E verá por si própria: que, na União Soviética, toda mundo é a favor da paz e amizade entre os povos.

Obrigado pela sua carta. Eu desejo-lhe as maiores felicidades na sua vida.

Y. Andropov"


O líder russo não só respondeu a Samantha, mas também a convidou para, junto com seus pais, conhecer a União Soviética. A notícia se espalhou pelos Estados Unidos, e Samantha Smith foi entrevistada por grandes jornalistas, como Ted Koppel e Johnny Carson, e foi matéria de várias reportagens por toda imprensa americana.

E em 07 de junho de 1983 ela foi para Moscou com seus pais, onde passou duas semanas com honras de Chefe de Estado.


Samantha Smith na capa de uma revista russa

Samantha Smith com seus pais, em Moscou

A menina, entretanto, recusou-se a ficar no alojamento oficial, destinado a políticos importantes, ficando hospedada em Artek, um acampamento soviético para crianças, onde ficou junto com outras meninas do país.


Samantha Smith e as meninas do Artek

A menina entretanto não chegou a se encontrar com Yuri Andropov, que ficou gravemente doente na época, e não quis ser fotografado nestas condições. Eles chegaram a conversar por telefone, com ajuda de  tradutores. Ela também conversou por telefone com Valentina Tereshkova, a primeira mulher astronauta do mundo, mas não sabendo quem era ela, desligou a ligação rapidamente.

Após voltar de viagem, ela escreveu um livro contando sua experiência, onde exaltava a simpatia do povo russo. Novamente ela foi manchete dos principais veículos da imprensa norte-americana. No Maine, sua terra natal, foi recebida com tapete vermelho e desfilou de limosine pelas ruas de sua cidade.

Considerada "a mais nova embaixadora dos Estados Unidos", ela também foi convidada para uma viagem oficial ao Japão. E a popularidade da menina, uma celebridade pacifista, só aumentava.


Samantha Smith no Japão

Em 1984 ela foi a estrela de um especial da Disney, Samantha Smith Goes to Washington: Campaign '84 (1984), onde entrevistou diversos candidatos a presidência dos Estados Unidos.


Samantha Smith em Samantha Smith Goes to Washington: Campaign '84

Ela também atuou em um episódio da série Charles in Charge (1984), estrelada por Scott Baio.


Julianne McNamara, Scott Baio e Samantha Smith

O veterano ator Robert Wagner era um dos fãs da menina, e havia ligado para ela após ver uma entrevista sua em um programa de televisão, e a convidou para interpretar a sua filha em uma nova série de televisão.

Samantha Smith então ganhou o papel de Elizabeth Culver na série Culver, Agente de Alto Nível (Lime Street, 1985-1986).


Robert Wagner, Samantha Smith, Maia Brewton e Lew Ayres em Culver, Agente de Alto Nível

Samantha gravou cinco episódios da série, mas não chegou a ver o programa ir ao ar. Em 25 de agosto de 1985 ela voltava para casa com seu pai, durante uma folga nas gravações, a bordo de um avião, que teve problemas na aterrisagem no aeroporto do Maine.

A aeronave acabou se chocando no solo, e explodiu, provocando a morte de todos os passageiros e tripulantes. Samantha Smith morreu com apenas 13 anos de idade.

A menina recebeu diversas homenagens na União Soviética, e uma estátua sua foi construída em frente a escola que ela estudava. Os produtores continuaram a gravar o programa, e alegaram que a sua personagem havia ido morar com a mãe em Paris.

Foram gravados outros três episódios, sem Samantha, mas logo em seguida Culver, Agente de Alto Nível foi cancelada. 

Apesar da curta duração, a série foi exibida no Brasil, em 1986, pela TV Globo, e era anunciada como "o novo programa de Robert Wagner", que fazia muito sucesso graças a série Casal 20 (Hart to Hart).





Selo russo com o rosto de Samantha Smith


Estátua de Samantha Smith







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