Joan Collins, a estrela que renasceu na televisão


Ao longo de sua história, Hollywood tentou inventar rivais e concorrentes para as maiores estrelas dos estúdios, Desde os tempos do cinema mudo, surgiam atores que pretendiam ser "o novo Rudolph Valentino", "a nova Greta Garbo", a "nova Marilyn Monroe" ou "o novo James Dean". Porém, foram poucas destas novas promessas a astros que conseguiram obter a fama pretendida.

Na década de 50 Joan Collins ganhou muita promoção devido os estúdios terem tentado fazer dela uma "nova Elizabeth Taylor". Collins chegou a ter muita fama, mas jamais alcançou estrelato equivalente ao de Taylor. E após quase desaparecer por completo das telas, Joan Collins voltou a fama, talvez ainda com mais força, ao estrelar a série Dinastia (Dynasty), na década de 80.


Assim como Elizabeth Taylor, Joan Henrietta Collins é inglesa, tendo nascido em Londres, em 23 de maio de 1933. E como Taylor, estreou como atriz mirim, atuando no teatro aos 09 anos de idade.

Collins era filha da dançarina Elsa Bessant e de Joseph William Collins, um agente de talentos cujos clientes mais tarde incluem Shirley Bassey, os Beatles e Tom Jones.

Aos 17 anos de idade, após vencer um concurso de beleza, Collins foi contratada pela J. Arthur Rank Film Company, um estúdio de cinema britânico. Ela estreou no cinema em um pequeno papel no filme Lady Godiva (Lady Godiva Ridews Again, 1951), estrelado por Diana Doors.

Em 2014 a atriz revelou que logo após ingressar no estúdio, foi estuprada pelo ator Maxwell Reed

Reed, havia sido um astro adolescente na Inglaterra no final da década de 40, e era um dos artistas contratado dos Estúdios Rank. Ele a convidou para um encontro, e a drogou para violentá-la. Joan era virgem até então, quando seus pais descobriram o ocorrido, obrigaram a filha a se casar com o ator. Sete meses depois do casamento, o ator tentou vendê-la a um sheik arabe por 10 mil libras. Em 1957, o casal finalmente se separou.

Eles chegaram a trabalhar juntos em Punhos Traiçoeiros (The Square Ring, 1953), na Rank.

Maxwell reed e Joan Collins em Punhos Traiçoeiros

Na Rank, os papéis de Collins, então quase uma figurante, começaram a aumentar. Ela teve seu primeiro destaque em Acredito em Ti (I Belive in You, 1952). Em Cosh Boy (1953), dirigido por Lewis Gilbert, ela fez sua primeira protagonista.

E após ser dirigida por Gilbert novamente, em Os Bons Morrem Cedo (The Good Die Young, 1954), que ela recebeu convites para atuar em Hollywood. O diretor Howard Hanks a escolheu para estrelar Terra dos Faraós (Land of the Pharaohs, 1955), ao lado de Jack Hawkins e Dewey Martin

O filme era uma super produção, mas sem ter nenhum astro de renome no elenco, foi um fracasso de bilheteria e deu um enorme prejuizo aos estúdios. Porém, ao longo dos anos, o filme alcançou o status de cult, e é defendido por nomes como Martin Scorsese.

Joan Collins em Terra de Faraós

Apesar do fracasso do filme, a beleza da jovem atriz inglesa chamou a atenção dos produtores da Fox, que lhe ofereceram um bom contrato. A Fox queria fazer dela a rival de Elizabeth Taylor, então uma grande estrela na MGM.

Na Fox, ela iria estrelar um filme ao lado de Robert Wagner, mas o filme foi cancelado por falta de interesse dos investidores, que não quiseram arcar com uma produção cara, protagonizada por uma desconhecida, que só havia feito um filme, mal sucedido. Ela então estreou no estúdio ao lado de Bette Davis em A Rainha Tirana (The Virgin Queen, 1955).

Bette Davis e Joan Collins em A Rainha Tirana

Em seu filme seguinte, O Escândaço do Século (The Girl in the Red Velvet Swing, 1955), Collins tornou-se protagonista por acaso. O filme começou a ser rodado com Marilyn Monroe, mas a atriz foi afastada da produção e suspensa do estúdio após constantes atrasos. Sem ter uma estrela a a altura para substituir, o estúdio então testou Collins na obra.


Collins então foi emprestada para a MGM, onde atuou no musical O Belo Sexo (The Opoposite Sex, 1956). de volta a Fox, ela estrelou Ciúme, Tempero do Amor (The Wayward Bus, 1957), ao lado de Jayne Mansfield. Mas o filme recebeu péssimas críticas, e foi muito mal sucedido.

Joan Collins e Jayne Mansfield

Mas no mesmo ano ela atuou no grande sucesso Ilha dos Trópicos (Isalnd in the Sun, 1957), que se tornou o sexto maior campeão de bilheteria daquele ano. Durante as filmagens, Collins, que enfim conseguira o divórcio com Maxwell Reed (embora já não vivessem juntos por muitos anos), teve um romance com o colega de elenco, Harry Belafonte.

Em 1959 ela começou um relacionamento com Warren Beatty, mas ela o deixou devido a infidelidade do ator. Em sua auto-biografia, Collins afirmou que engravidou do ator, mas acabou abortando a criança.

Harry Belafonte e Joan Collins

Na Fox ela ainda faria Escala em Tokyo (Stopover Tokyo, 1957), Estigma da Crueldade (The Bravados, 1958), A Delícia de Um Dilema (Rally 1Round the Flag, Boys!, (1958) e Sete Ladrões (Seven Thieves, 1960). Mas nenhum dos filmes que ela protagonizou obtiveram suceasso, apenas os que ela apareciam em papéis de apoio.

Após atuar em outro filme épico mal sucedido, Esther e o Rei (Esther and the King, 1960), a atriz foi demitida do estúdio.

Richard Egan e Joan Collins em Esther e o Rei

Pouco tempo antes, no final de 1959, Joan fez teste para o papel principal de Cleópatra (Cleopatra, 1963), que acabou sendo estrelado por Elizabeth Taylor, aquela com quem ela nunca conseguiu competir, como planejado. Por este filme, Taylor se tornou a primeira atriz a receber um milhão de dólares de cachê.

Teste de Joan Collins para Cleópatra

Collins só conseguiria retornar ao cinema dois anos depois, atuando em Dois Errados no Espaço (The Road to Hong Kong, 1962), ao lado de Bob Hope e Bing Crosby.

Nas décadas de 40 e 50, Hope e Crosby, ao lado de Dorothy Lamour, haviam feito muitos dos chamados filmes "da estrada" onde viajam para algum lugar, nem sempre real. Todos os títulos originais dos filmes continham a expressão "Road to", que significam "estrada para" na tradução.

Havia dez anos que a dupla havia feito o último destes filmes, e agoram tentavam retornar o sucesso de outrora, em uma produção barata rodada na Inglaterra. E embora Dorothy Lamour estivesse disponível para retornar à série que ela também popularizara, a atriz, então com 48 anos, foi considerada muito velha para o papel, sendo substítuida por Collins. 

Lamour chegou a participar do filme, fazendo uma participação especial, como ela mesma.

Joan Collins e Bob Hope em Dois Errados no Espaço

Em 1963 a atriz se casou com o ator Anthony Newley, e fez uma breve pausa na carreira. Com o ator ela teve dois filhos, e o casamento durou até 1971.

A atriz não recebia muitos convites para o cinema na década de 60, tendo feito seu retorno como convidada em séries de televisão, como Batman & Robin e O Homem de Virgínia (The Virginian). Ela também atuou em um episódio de Jornada nas Estrelas (Star Treck), que é cultuado pelos fãs.

Joan Collins e Burt Ward em Batman & Robin

Joan Collins e Leonard Nimoy em Jornada nas Estrelas

Sem convites para o cinema norte-americano, ela foi fazer filmes na Europa. Na Itália, Collins estrelou Por Um Milhão de Dólares (La Congiuntura, 1965), ao lado de Vittorio Gasmman e Jacques Bergerac, um antigo galã desacreditado em Hollywood, que havia sido casado com Ginger Rogers.

De volta aos Estados Unidos, fez papéis muito pequenos em filmes como O Agente 711 Pede Socorro (Warning Shot, 1967) e Enquanto Viverem as Ilusões (If It's Tuesday, This Must Be Belgium, 1969), estrelado por Suzanne Pleschette. Ela ainda estrelou um filme menor, chamado Subterfugio (Subterfuge, 1968), seus únicos filmes americanos na década de 60.

Na Inglaterra, atuou em Se o Leito Falasse... (Can Heironymus Merkin Ever Forget Mercy Humppe and Find True Happiness?, 1969), ao lado do marido Anthony Newley e fez Lo Stato D'Assedio (1969), na Itália.


Connie Kreski, Anthony Newley e Joan Collins em  Se o Leito Falasse...

Na década de 70 sua carreira parecia estar chegando ao fim. Ela fez algumas comédias eróticas na Inglaterra, como Alfie - O Eterno Sedutor (Alfie Darling, 1975) e A Vida Pitoresca de Tom Jones (The Bawdy Adventures of Tom Jones, 1976) e também alguns filmes de terror no país e na Itália.

Em 1978 ela estrelou o erótico O Garanhão e a Prostituta (The Stud, 1978), baseado no livro escrito por sua irmã mais velha, a escritora de romances sensuais Jackie Collins. O filme fez um enorme sucesso de bilheteria.

Collins então coadjuvou a estrela de As Panteras Farrah Fawcett em A Morte Ronda a Pantera (Subburn, 1979) e estrelou The Bitch (1979), sequência de O Garanhão e a Prostituta.


O sucesso de The Bitch fez com que Collins recebesse um convite para atuar em Dinastia (Dynasty, 1981-1989). A vingativa Alexis Carrington na série, a levou de volta ao estrelado. Collins recebeu diversas indicações ao Globo de Ouro e ao prêmio Emmy pela personagem, e quando recebeu o Globo de Ouro em 1982, agradeceu a Sophia Loren, que havia recusado o papel. Em 1983 ela também foi agraciada com uma estrela na Calçada da Fama.

Então com 50 anos de idade, ela também estampou a capa da revista Playboy norte-americana.

Joan Collins em Dinastia

Em 1982 ela estrelou o terror O Império das Formigas (Empire of the Ants, 1977) e em 1983 ela estrelou o telefilme Criando um Top Model (Making of a Male Model, 1983). A atriz contracenava com o jovem ator Jon-Erik Hexum, com quem teve um namoro durante as filmagens.

Os tablóides fizeram um escandâlo sobre isto, já que Collins ainda era casada com seu terceiro marido, Ronald S. Kass, pai de seu terceiro filho, e também devido ao fato de Hexum ser 25 anos mais novo que a atriz.

Pouco tempo depois, Jon-Erik Hexum morreria em um bizarro acidente de filmagem, com apenas 26 anos de idade (leia sobre ele aqui).

Ronald Kass era produtor dos filmes O Garanhão e a Prostituta e The Bitch. O casal se separou em 1984.

Jon-Erik Hexum e Joan Collins

Em 1985 a atriz voltou a se casar, desta vez com o cantor e produtor Peter Holm, que produziu as minisséries Pecado Original (Sins, 1986) e Monte Carlo (Idem, 1986), ambas estrelas por Collins. Mas o casamento durou somente até 1987.

Em 1989, quando Dinastia foi cancelada, Collins afastou-se da carreira novamente, retornando apenas em 1991, numa minisérie especial de reunião do elenco da mesma.

Desde então, a atriz tem atuado pouco, fazendo participações em séries como Roseanne e The Nanny, e alguns filmes infantis como Annie, Uma Aventura Real (Annie,: A Royal Adventure!, 1995) e O Incrível Livro de Hipnotismo de Molly Moon (Molly Moon and the Incredible Book of Hypnotism, 2015).

Joan Collins e Fran Drescher em The Nanny


Em 1995 Joan Collins atuou em seu primeiro filme importante em muitos anos, Sonhos de Uma Noite de Invero (In the Bleak Widwinter, 1995), de Kenneth Branagh. Neste período, também fez muito sucesso nos palcos do teatro inglês.

Em 2000 Joan Collins, que havia sido lançada, sem sucesso, como uma rival para Elizabeth Taylor, assumiu o papel que havia sido orignalmente de Taylor, substituindo-na na pele de Pearl, a mãe rica e esnobe de Wilma Flintstone, em Os Flintstones em Viva Rock Vegas (The Flintstones in Viva Rock Vegas, 2000).

Joan Collins em Os Flintstones em Viva Rock Vegas

E em 2001 ela e Elizabeth Taylor trabalhariam juntas pela primeira vez em As Damas de Hollywood (These Old Broads, 2001), filme escrito e produzido por Carrie Fischer. No elenco ainda Debbie Reynolds (mãe de Fisher) e Shirley MacLaine, antigos desafetos de Taylor ao longo da carreira.

Já usando uma cadeira de rodas nos intervalos, este foi o último trabalho de Taylor como atriz.

Debbie reynolds, Shirley MacLaine, Elizabeth Taylor e Joan Collins

Joan Collins nunca deixou de atuar, mas teve períodos em que seus trabalhos tiveram pouca expressão. Entre 2015 e 2018 ela fez participações regulares na série inglesa The Royals, interpretando a gran-duquesa Alexandra de Oxford.

Em 2015 ela havia sido condecorada Dama do Império Britânico pela Rainha Elizabeth, da Inglaterra.

Joan Collins em The Royals

E em 2018 a atriz entrou para o elenco da aclamada série American Horror Story.

Joan Collins em American Horror Story

Atualemente Joan Collins está no elenco de Unforgettable, que ainda está sendo produzido. O filme conta ainda com a presença de outros veteranos das telas, como Franco Nero, Marisa Bereson e Tippi Hendren.

Desde 2002 a atriz esta casada com seu quinto marido, o produtor Percy Gibson.

Joan Collins, em 2019



Curta nossa página no Facebook
Se inscreva no nosso canal do Youtube

0 comentários:

Enviar um comentário

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil