Relembrando Robert Guillaume, o 'Poderoso Benson'



Na década de 80, a Rede Globo de Televisão exibia, no final da tarde, a Sessão Comédia, na qual eram apresentadas sitcoms norte-americanas, e O Poderoso Benson (Benson) era uma delas.

Criada pela ABC, a série foi produzida entre 1979 e 1986, mas chegou no Brasil somente após o seu término, no ano de 1987. A história da série girava em torno do mordomo Benson DuBois, que trabalhava para a família Tate. Muito irônico, Benson despreza o patrão Chester, mas era muito querido pela sua esposa Jessica e seu filho Billy.

A série falava de temas polêmicos para a época, como infidelidade ou homossexualidade.


O personagem na verdade surgira em outra série, Tudo em Família (Soap, 1977-1981). Quando esta foi cancelada, Benson foi reaproveitado em seu próprio programa.

O Poderoso Benson foi produzida entre 1979 e 1986. Em 1987 a série não foi renovada, e acabou sem nunca ter tido um final. Por seu trabalho, ele foi indicado a três globos de ouro e cinco vezes ao prêmio Emmy. Em 1985 ele tornou-se o primeiro ator negro a vencer o Emmy em um papel de protagonista.


Robert Guillaume, o protagonista, nasceu em Robert Peter Williams, em 30 de novembro de 1927, em St. Louis, Missouri. Ele começou a atuar ainda na escola e em 1959 entrou para o elenco de Free and Easy, na Broadway. Chegou a ser indicado ao Tony em 1977, por seu papel no espetáculo Guys and Dolls. Sua estreia na televisão foi no telefilme Porgy in Wien (1966). No cinema, sua primeira participação foi em Superfly TNT (Super Fly T.N.T., 1973).

 Robert Gullaume e Ron O'Neal em Super Fly T.N.T

Mas apesar de trabalhar em muitas séries, só passou a ser reconhecido por seu trabalho em Tudo em Família, que lhe valeu um prêmio Emmy de ator coadjuvante em série de comédia.

 Katherine Helmond, Cathryn Damon, Robert Guillaume, Robert Mandan, e Richard Mulligan em Tudo em Família (Soap, 1977).


A série lidava com a questão do racismo, falando abertamente sobre um tema até então tabu na televisão norte-americana.

Guilhame inclusive havia sido alvo de forte campanha racista quando substituiu Michael Crawford no musical da Broadway O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera), de Andrew Lloyd Webber. Mesmo antes da peça estrear, centenas de ingressos foram devolvidos quando o público soube da escalação de um artista negro para o papel.

 Robert Guillaume em O Fantasma da Ópera

Dono de uma voz potente, ele também era cantor, e gravou alguns discos e dublou o sábio Rafiki em O Rei Leão (The Lion King , 1994).


No cinema, ainda atuou em filmes como Parece Que Foi Ontem (Seems Like Old Times, 1980), Exterminador Implacável (Wanted: Dead or Alive, 1987), Homem Meteoro (The Meteor Man, 1993) e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, 2003). Também fez inúmeras participações em séries de televisão, a última delas em Wanda Sykes Presents Herlarious, em 2013.

Robert Robert Guillaume e Will Smith em
Um Maluco no Pedaço (Fresh Prince of Belair)


Robert Guillaume era pai do ator Kevin Guillaume. Ele faleceu em 24 de outubro de 2017, aos 89 anos, vítima de complicações de um câncer na próstata.

Assista a um trecho de O Poderoso Benson 
com dublagem clássica 

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Morre Gloria Katz, roteirista de Star Wars e Indiana Jones, aos 76 anos


Morreu no dia 25 de novembro a roteirista Gloria Katz, responsável por criar a personalidade da Princesa Lea em Star Wars.

O primeiro roteiro de Gloria foi para o filme Zumbis do Mal (Messiah of Evil, 1973), que ela também dirigiu e atuou em uma pequena ponta.

Em seguida ela escreveu Loucuras de Verão (American Graffiti, 1973), escrito junto com seu marido Williard Huyck. O casal foi indicado ao Oscar pelo trabalho.

Loucuras de Verão foi dirigido por George Lucas, que chamou o casal para reescrever o roteiro de Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança (Star Wars, 1977). Lucas havia escrito o roteiro, e o casal acrescentou humor ao filme, lançado inicialmente como Guerra nas Estrelas.

Foi Gloria quem moldou a personalidade da Princesa Lea. Anos mais tarde, em uma entrevista ela declarou "Lea era apenas uma princesa linda esperando para ser salva. Eu a transformei em uma mulher no comando, que não leva desaforo para casa e não precisa ser salva".

Apesar das alterações, o casal não foi creditado na obra.

Com Lucas ela ainda trabalharia em E a Festa Acabou (More American Graffiti, 1979) e em Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, 1984). Este último dirigido por Steven Spilberg, mas produzido por George Lucas.

Entre os trabalhos da roteirista também estão os filmes A Melhor Defesa é o Ataque (Best Defense, 1984), Howard, o Super Herói (Howard the Duck, 1986) e Assassinatos na Rádio WBN (Radioland Murders, 1994), último trabalho que ela escreveu.

Gloria lutava há muitos anos contra um câncer no ovário, e faleceu no dia em que ela e o marido completavam 49 anos de casados.

Gloria Katz e George Lucas

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Ed Evanko, o ator que virou padre, morre aos 80 anos



Ed Evanko, o ator e cantor canadense, mais conhecido por seus trabalhos na Broadway, e que largou a carreira para se tornar padre, morreu no dia 18 de novembro, aos 80 anos.


Edward Danylo Evanko nasceu em Winnipeg, Manitoba (Canadá) em 19 de outubro de 1938. Filho de imigrantes ucranianos, e desde pequeno demonstrou talento musical, e aos treze anos de idade ganhou um importante concurso musical em Manitoba.

Em 1961 ele começou a treinar na Escola de Teatro Old Vic, em Bristol, na Inglaterra. Evanko cantou com duas companhias de ópera, antes de retornar ao Canadá. De volta ao seu país natal, estrelou o programa de televisão The Ed Evanko Show (1967).

Após atuar em diversos teleteatros na tv canadense, Evanko estreou na Broadway, atuando em Canterbury Tales (1969).

 Ed Evanko e Barbara Shuttleworth em The Best of All Possible Worlds (1968), CBC TV Toronto

Sandy Duncan e Ed Evanko em Canterbury Tales (1969)

Sua estreia na Broadway lhe rendeu um prêmio de teatro teatral, um prêmio New Jersey Drama Critics e uma indicação ao Los Angeles Ovation Award. Ele gravou álbuns da Broadway para a Capitol, RCA, um álbum para a Decca e três para a Destiny Records. 

Sua carreira de cantor o trouxe ao Brasil, como um dos jurados internacionais do Festival Internacional da Canção,  realizado pela Rede Globo em 1970. Entre os convidados internacionais do festival estavam a cantora Amália Rodrigues, o cantor Paul Simon e as atrizes Joan Collins e Carmen Sevilla.


Ed Evanko e o ator Paulo Goulart visitando a redação da Revista Intervalo

Entre 1976 a 1977 ele interpretou o Dr. Alex McLean na série Ryan's Hope, e posteriomente dedicou sua carreira para a música e o teatro. Evanko só retornarnia a televisão apenas na década de 90, atuando em séries como La Femme Nikita, Chicago Hope e Night Visions.

Evanko estrou no cinema em Morte Subita (Sudden Death, 1995), estrelado por Jean Claude Van Damme.  Ele ainda atuou nos filmes Destruição Iminente (Dark Planet, 1997), Risco Duplo (Double Jeopardy, 1999), Navegando no Coração (Navigating the Heart, 2000) e Sequestro nas Alturas (Cabin Pressure, 2002). Seu último filme foi You're Killing Me... (2003), estrelado pela antiga estrela pornô Traci Lords.

Ed Evanko e Craig Sheffer em Sequestro nas Alturas

Em 2005 o ator completou seu Mestrado em Artes em Teologia. E em 2008, aos 70 anos, ingressou no sacerdócio, passando a trabalhar como padre da Igreja Greco-Católica Ucraniana, fazendo trabalhos itinerante na zona rural de Manitoba.


Em 2016 ele sofreu um derrame, que o deixou debilitado. Edward Evanko faleceu em 18 de novembro de 2018, em consequências do derrame e de um cancês que sofria. O ator que virou padre, tinha 80 anos de idade.


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Stephen Hillenburg, criador do Bob Esponja, morre aos 57 anos


Morreu no dia 26 de novembro, aos 57 anos, Stephen Hillenburg, criador do personagem Bob Esponja Calça Quadrada (SpongeBob SquarePants). Em março de 2017 ele havia sido diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

"Estamos incrivelmente tristes com a notícia de que Steve Hillenburg faleceu após uma batalha contra a ELA", escreveu a Nickelodeon Internacional num comunicado. 

Quando criança, Stephen era fascinado pelos filmes do explorador Jacques Costeau. Em 1984 ele se formou a Universidade do Estado de Humboldt, onde cursou Administração e Interpretação de Recursos Naturais, com especialização em recursos marinhos.
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Começou então a dar aulas de biologia marinha na Califórnia, função que combinou com o seu talento artístico e amor às criaturas do mar. Decidiu, por isso, começar a escrever e ilustrar histórias como ferramentas de ensino com personagens que mais tarde se deram vida à série Bob Esponja.

Começou a sua carreira de animação em 1987 e realizou ainda o mestrado em Belas Artes em 1992. Nesse mesmo ano ganhou o prémio de melhor conceito de animação no Festival Internacional de Animação de Ottawa pela sua curta-metragem de animação 'Wormholes'.

De 1993 a 1996 trabalhou em televisão como diretor e escritor da série A Vida Moderna de Rocko ('Rocko's Modern Life') da Nickelodeon. A partir de então, começou a trabalhar na série Bob Esponja Calça Quadrada. O primeiro episódio foi para o ar a 1 de maio de 1999. 

Stephen Hillenburg escreveu, animou,dirigiu, produziu e compôs músicas para diversos desenhos da série. Ele também dublava o papagaio Potty, que aparecia em alguns episódios.

O papagaio Potty

 Em 2004 ele dirigiu o longa metragem Bob Esponja - O Filme (The SpongeBob SquarePants Movie, 2004). Sua produtora chamava-se United Plankton Pictures.
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Jay Sebring, o cabeleireiro das estrelas, morto no assassinato de Sharon Tate

Jay Sebring cortando o cabelo de Paul Newman

Jay Sebring era um cabeleireiro famoso em Hollywood, responsável pelos cortes de cabelos de astros como Frank Sinatra, Paul Newman e Steve McQueen. Também ator, ele infelizmente entrou para a história do cinema como uma das vítimas mortas na casa da atriz Sharon Tate, em agosto de 1969.

 Jay Sebring e Julie Newmar em Batman


Thomas John Kummer nasceu em 10 de outubro de 1933, em Birmingham, Alabama. Na adolescência ele alistou-se na Marinha, e acabou servindo por quatro anos na Guerra da Coreia. Durante sua estada na Marinha, Sebring tornou-se cabeleireiro dos soldados na Guerra, descobrindo uma profissão que o faria famoso.

De volta aos Estados Unidos, adotou o nome artístico de Jay Sebring (Sebring era um carro de corrida famoso na época), e montou seu salão para cortes masculinos em Los Angeles. O ator Kirk Douglas era seu cliente, e exigiu que ele fosse responsável pelo seu cabelo durante as filmagens de Spartacus (Idem, 1960), trabalho que lhe abriu as portas em Hollywood.

Logo ele se tornaria o cabeleiro favorito de astros como Marlon Brando, Frank Sinatra, Robert Vaughn, Henry Fonda, George Peppard, Paul Newman e Steve McQueen. Sebring trabalhou em diversos filmes, como cabeleireiro.

Ele também foi o responsável pelo penteado rebelde do cantor Jim Morrison, líder da banda The Doors.

 Eddie Albert cortando o cabelo com Jay Sebring

O diretor Richard Quine então o convidou para atuar no filme Os Ressuscitados (Syananon, 1965), estrelado por Stella Stevens e Chuck Connors, um de seus clientes. No filme, ele interpretava um barbeiro.


Jay Sebring e Alex Cord no filme Os Ressuscitados

Gozando de imensa popularidade nos estúdios, Sebring levava uma vida de playboy. Ele andava com estrelas de cinema, participava de corridas de carros e fazia aulas de artes marciais com Bruce Lee. Foi Sebring quem apresentou o lutador para o produtor William Dozier, que o convidou para viver Kato na série O Besouro Verde (The Green Hornet, 1966-1967).

Dozier, que também produzia a série Batman (1966-1968), ficou tão satisfeito com a sugestão do amigo, que o chamou para viver o vilão Mr. Oceanbrin, em um episódio de Batman, estrelado por Adam West e Burt Ward. Na série, Sebring vivia um famoso cabeleireiro do mal que trabalhava para a Mulher Gato de Julie Newmar.

 Jay Sebring em Batman

Sebring ainda atuaria em um episódio da série The Virginian, em 1967.

Em 1960 ele havia se casado com a modelo Cami, que passou a usar o nome de Cami Sebring. Ela apareceu como atriz  no filme O Feiticeiro da Floresta Encantada (The Gnome-Mobile, 1967), uma produção dos estúdios Disney. O filme era estrelado por Matthew Garber e Karen Dotrice, os astros mirins de Mary Poppins (Idem, 1964). 

Sebring e Cami se separaram oficialmente em 1965.
Cami Sebring e Tom Lowell em O Feiticeiro da Floresta Encantada

Em 1964 Jay Sebring conheceu a atriz Sharon Tate, e se apaixonou por ela. Ele largou a esposa e ele e Tate começaram a namorar. Ficaram noivos e Sebring a pediu em casamento, mas ela disse que não aceitaria se casar até se estabelecer na carreira de atriz, ainda no começo.

Sharon também alegou que não se casaria com ele por achar a casa em que ele morava muito mórbida. Jay Sebring havia comprado uma mansão em Easton Drive, localizada em Benedict Canyon,a mesma que pertencerá a antiga estrela Jean Harlow, e onde seu marido, o produtor Paul Bern, havia se suicidado em 1932.

Sharon Tate e Jay Sebring

Sharon Tate então viajou para a Inglaterra, para filmar A Dança dos Vampiros (Dance of The Vampires, 1967), onde conheceu o diretor Roman Polanski, com quem se casou. Sharon ligou para Sebring, para informar que havia se casado, e o cabeleireiro disse que queria conhece-lo, para ver se ele estava a altura da atriz.

Porém, Sebring já conhecia Polanski, eles haviam sidos alunos de artes marciais de Bruce Lee. Ele aprovou o marido de sua antiga paixão, e tornou-se um grande amigo do casal. Mais tarde, Polanski disse em sua autobiografia que Jay, apesar de ser muito bem relacionado com todos, era um homem um tanto solitário e que este considerava ele e Sharon como sua segunda família.

Em 1969 a socialite Abigail Folger abriu para Sebring o salão Sebring International, que também passou a vender produtos para cabelo masculino internacionalmente.  

Abigail, herdeira de produtores de café, morava em uma mansão em Hollywood, que havia pertencido a Mama Cass Elliot, do gurpo The Mamas & The Papas.

Em 09 de agosto de 1969 Sebring levou Sharon Tate, Abigail e seu namorado Wojciech Frykowski para jantarem. Depois, eles foram para a casa da atriz, que estava grávida de oito meses. Nesta fatídica noite, Charles Mason e seu bando invadiram a casa.

Sebring foi o primeiro a morrer. Segundo o testemunho dos assassinos, ao perceber a invasão, ele teria dito para Mason roubar o que quisesse, mas que tivesse cuidado com Tate, em estado avançado de gravidez. Mason se irritou e baleou o cabeleireiro na barriga. Ao cair no chão, ele foi chutado pelos membros do bando, e esfaqueado diversas vezes. Em choque, Sharon foi assassinada em seguida. 

O bando então matou Wojciech Frykowski, e atacou Abigail, que mesmo esfaqueada correu para o quintal. Os gritos dela acordaram o caseiro da mansão, que estava hospedando um amigo. Eles foram assassinados em seguida, enquanto Abigail, ainda viva, suplicava para não morrer. Ela foi a última pessoa assassinada pelo bando. 

Dias depois eles atacaram uma casa vizinha, matando mais duas pessoas. Mason não havia entrado na casa para roubar, mas para se vingar de Terry Melcher, um produtor musical que havia se recusado lançar Charles Mason como cantor.  Melcher, que era o dono da casa, e filho de Doris Day, havia morado na residência até poucos meses antes do assassinato.

Charles Mason morreu na cadeia em 2017.

Em 1975, o cabeleireiro bon vivant interpretado por Warren Beatty no filme Shampoo (Idem, 1975), foi inspirado em Jay Sebring. 

Warren Beatty e Carry Fischer em Shampoo

Sebring foi vivido pelo ator Patrick Fabian, no filme Helter Skelter (2004). Em 2013 o ator James Franco anunciou que iria dirigir e estrelar Beatiful People, sobre a vida do famoso cabeleireiro, mas o projeto não teve contínuidade.

O diretor Quentin Tarantino prepara no momento o filme Once Upon a Time in Hollywood, sobre o assassinato de Sharon Tate, que será lançado em 2019. O ator Emile Hirsch (de Na Natureza Selvagem, 2007) interpretara Sebring.

Tarantino também participa do filme Sebring (2018), um documentário dirigido por Anthony diMaria, sobrinho de Jay Sebring. 

Anthony diMaria e Quentin Tarantino nas filmagens de Sebring

Sua companhia, Sebring International, é mantida até hoje por seus amigos próximos.




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Bruce Lee, além do mito


Bruce Lee entrou para a história do cinema como astro de filmes de artes marciais, embora o ator tenha feito muito mais filmes como ator mirim, ainda em Hong Kong. Lee, que era norte-americano de nascimento, faleceu com apenas 32 anos de idade, numa morte envolta de muitas conspirações e mistérios.


Bruce Lee nasceu Lee Jun-fan, e embora muitas pessoas acreditem que ele fosse chinês, Lee nasceu no bairro de Chinatown, em São Francisco, Califórnia, em 27 de novembro de 1940. Filho de Lee Hoi-Chuen, astro da Ópera cantonesa. Lee era membro de uma das famílias mais ricas da China.

Bruce Lee, com seus pais

Lei Hoi Chuen havia viajado para os Estados Unidos em turnê com a ópera cantonesa, e já finalizava a viagem quando o Japão invadiu Hong Kong (sua terra natal), durante a Segunda Guerra Mundial. Lei Hoi resolveu ficar nos Estados Unidos, para proteger sua família da guerra, e Bruce Lee, quarto filho do casal, acabou nascendo em solo norte-americano.

Porém, após o ataque a Pearl Harbor, os asiáticos passaram a sofrer perseguição racial e começaram a ser enviados para campos de concentração nos Estados Unidos (atores como Pat Morita e Tura Satana passaram suas infâncias nesses campos), e Lee Hoi resolveu retornar para casa. Bruce tinha apenas poucos meses quando mudou-se para Hong Kong. Seu nome de batismo (Lee Jun-fan) em Chinês, significa "retornar de novo", escolhido por sua mãe que acreditava que o filho retornaria aos Estados Unidos quando fosse mais velho.

Por influência do pai, que também era astro de cinema em seu país, o pequeno Bruce estreou no cinema ainda bebê. Com apenas seis meses de idade, ele participou do filme Golden Gate Girl (1941), um filme chinês, falado em cantonês.

Bruce Lee em Golden Gate Girl

 Aos seis anos de idade ele retornou ao cinema, atuando em The Birth of Mankind (1946), e logo tornaria-se um dos mais populares astros mirins do cinema chinês. Entre a infância e adolescência, Lee atuou em vinte filmes na China, alguns muito populares em seu país.

Bruce Lee, aos 10 anos de idade, em Xi lu xiang (1950)

A medida que crescia, Bruce Lee continuava no cinema, tornando-se ídolo das adolescentes de seu país. Ao mesmo tempo, desde cedo ele treinava artes marciais com seu pai. Aos treze anos, ele foi aluno do famoso mestre Yip Man. Tradicionalmente, os alunos eram treinados por por alunos mais avançados, e não por grandes mestres, mas seus colegas se recusavam a treiná-lo por Lee ser mestiço. Lee nascera nos Estados Unidos, e seu avô materno era alemão. Vendo a recusa de seus discípulos em ensinar o jovem Bruce, Yip Man assumiu seu treinamento, quebrando uma tradição secular.

Bruce Lee, aos 16 anos, em Zha dian na fu (1956)

Mas a Hong Kong do pós guerra era um lugar difícil para se crescer, mesmo para as famílias mais abastadas. Dominada pelo Japão, havia muitas gangues pelas ruas da cidade, e Bruce, astro adolescente do cinema era alvo delas. O jovem acabou se envolvendo em muitas brigas, e tornou-se membro de uma gangue também.

Em 1959 ele se envolveu em uma briga, e espancou um oponente que era membro da Tríades, uma perigosa sociedade secreta chinesa. Lee chegou a ser preso, mas foi solto após a polícia checar a ficha criminal de seu oponente. Com medo de represália, e com o fraco desempenho escolar do filho, seus pais resolveram enviá-lo para os Estados Unidos, para viver com sua irmã, que já morava por lá.

Lee chegou aos Estados Unidos com 18 anos de idade, levando no bolso apenas 100 dólares e dois títulos de campeão de boxe obtidos em Hong Kong (em 1957 e 1958). Ele já estava na América quando Ren hai gu hong (1960), seu último filme feito na China, estreou nos cinemas.

Bruce Lee em Ren hai gu hong 

As coisas não foram fácil em seu começo norte-americano. Lee morou de favor na casa de amigos de seus pais, e o antigo astro do cinema de família abastada, precisou trabalhar como garçon e lavador de pratos para sobreviver. Ele terminou o ensino médio nos EUA, e em 1961 matriculou-se na Universidade de Washington, onde estudou filosofia. Foi na Universidade que ele conheceu Linda Emery, com que se casou em 1964.

Lee abriu sua primeira escola e artes marciais, com o nome de Lee Jun Fan Gung Fu Institute, em Seatle. A escola criou polêmica entre os lutadores orientais tradicionais, por aceitar alunos não orientais . Lee era um mestiço revelando segredos milenares do oriente aos ocidentais.

Em 1964 ele mudou-se com a esposa para Oakland, onde montou sua segunda escola, a Jun Fan. Foi lá que ele conheceu o lutador Ed Parker (considerado o introdutor do karatê nos Estados Unidos). Parker era organizador do Torneio Internacional de Karatê em Long Beach, e foi neste torneio que Lee foi descoberto por um produtor de Hollywood.

Em 1965, ano em que nasceu seu primeiro filho, o também ator Brandon Lee, Bruce derrotou o lutador Wong Jack Man, que era contra a ideia de Lee de ensinar artes marciais a não orientais. A luta durou apenas três minutos (o que Lee considerou longa demais). O produtor William Lee Dozier assistiu a luta, e através de um amigo em comum, o cabeleireiro Jay Sebring , o convidou para viver o personagem Kato na série O Besouro Verde (The Green Hornet, 1966-1968). Jay Sebring, que fez alguns trabalho como ator, era seu aluno, e foi assassinado junto com Sharon Tate, em 1969.

Bruce Lee, que havia desistido de ser ator, logo tornou-se o astro da série. Kato, o fiel assistente do Besouro Verde, logo começou a ofuscar Van Willians, o protagonista da série.


Bruce Lee e Van Williams em O Besouro Verde

A série, apesar da curta duração, fez muito sucesso. Os personagens chegaram a aparecer na lendária serie Batman, estrelada por Adam West e Burt Ward. Em Batman, Kato lutou com o menino prodígio Robin, interpretado por Burt Ward. Ward havia sido aluno de Lee, e era seu vizinho e grande amigo.

Bruce Lee enfrenta Robin em Batman

Ao todo Bruce Lee (e Van Willians) apareceu em três episódios das série, inclusive aparecendo nas famosas cenas das janelas, onde celebridades faziam participações especiais em Batman.

Bruce Lee, Van Williams, Burt Ward e Adam West em Batman

Apesar do sucesso, a série tinha um alto custo, e os estúdios resolveram cancelá-la após a primeira temporada, para investir em produções como Batman, que dava mais lucro.

Bruce Lee então fez algumas participações em séries como Blondie e Ironside, e em 1969 fez sua estreia no cinema norte americano atuando em Detetive Marlowe em Ação (Marlowe, 1969).  Lee tinha um pequeno papel, interpretando um capanga que destruia o escritório do detetive Marlowe (papel de James Garner), para intimidá-lo.

Bruce Lee e James Garner em Detetive Marlowe em Ação

Em 1971 Bruce Lee apresentou para a Warner Brothers um projeto de uma série de televisão chamada The Warior, que se passava no velho oeste. Os estúdios gostaram da ideia, mas acharam que um protagonista chinês não agradaria ao público. Lee foi dispensado do projeto, e a Warner rebatizou a serie como Kung Fu, tendo David Carradine como astro. Bruce Lee não ganhou nem ao menos créditos pelo projeto.

Desgosto com a atitude do estúdio, e com os papéis que Hollywood lhe destinava, retornou a Hong Kong. Lee não sabia que a serie O Besouro Verde havia passado por lá, sendo rebatizada de O Show de Kato. Novamente astro em seu país, ele mal podia andar na rua tamanho era seu sucesso.

O produtor Raymond Chow então o convidou para atuar em dois filmes produzidos por sua produtora, a Golden Harvest. Bruce Lee então estrelou O Dragão Chinês (Tang shan da xiong, 1971), e o filme fez um grande sucesso, batendo recordes de bilheterias em toda a Ásia.

Em seguida foi lhe dado o controle completo de produção do filme O Vôo do Dragão (Meng long guo jiang, 1972). Bruce Lee além de astro do projeto, foi o escritor, diretor e coreógrafo das cenas de lutas. O filme novamente fez um enorme sucesso, batendo os recordes de seu filme anterior. O Vôo do Dragão também fez sucesso, agora internacional, projetando seu nome mundialmente.

Em uma das cenas, Lee enfrenta Chuck Norris em uma luta realizada no Coliseu, em Roma. A cena é consierada uma das mais icônicas cenas de luta no cinema.

Norris havia conhecido Bruce Lee em Long Beach, em 1964, mas foi somente em 1967, quando Lee coordenou as cenas de cenas de Karate em Arma Secreta Contra Matt Helm (The Wrecking Crew, 1968), que eles ficaram amigos.

Bruce Lee e Chuck Norris em O Vôo do Dragão

Lee ainda faria A Fúria do Dragão (Jing wu men, 1972), outro grande sucesso em sua carreira. O ator então começou a filmar Jogo da Morte (Game of Death), tendo no elenco o astro do basquete Kareem Abdul-Jabbar, de 2,18 metros de altura (Lee media apenas 1,71), outro ex-aluno famoso do ator. Porém, após filmar mais de 100 minutos do filme, Bruce Lee abandonou o projeto para atuar em Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973).

Filmado em Hong Kong, o filme foi produzido pela Warner Brothers (mesmo estúdio que roubara sua idéia para um seriado poucos anos antes). Esta e foi a primeira produção hollywoodiana sobre kung fu. Dirigido por Robert Clouse, o filme tinha um orçamento milionário, e contava com o astro John Saxon no elenco.


Bruce Lee e John Saxon em Operação Dragão

Lançado em 26 de julho de 1973, o filme chegou aos cinemas seis dias após a morte do ator, em 20 de julho daquele ano. A morte de Lee, com apenas 32 anos de idade, foi envolta por mistérios e conspirações.

Em 10 de maio daquele ano, o ator havia desmaiado no estúdio Golden Harvest, quando dublava cenas de Operação Dragão. Lee sofreu convulsões e foi imediatamente levado ao Hospital, onde diagnosticaram um edema cerebral. O ator foi medicado e liberado após a diminuição do inchaço.

No dia de sua morte Bruce Lee havia marcado um encontro com o ex-James Bond George Lazenby e outros atores, para tratar da finalização de Jogo da Morte, no qual Lazenby também atuava.

Mais tarde, o ator queixou-se de dor de cabeça, e a atriz Lee Betty Ting lhe deu um analgésico chamado Equagesic, um misto de aspirina e relaxante muscular. Lee resolveu ir dormir um pouco antes do jantar.  Quando seus colegas foram chamá-lo para comer, o ator estava inconsciente na cama. Eles chamaram uma ambulância, mas ele já chegou sem vida ao hospital.

Seu cérebro estava inchado, e chegou-se a divulgar que ele teria morrido vítima de uma alergia a haxixe, mas a única substância encontrada em seu corpo foi a do remédio Equagesic. A autópsia declarou que o ator sofreu uma anafilxia ao relaxante muscular presente do remédio. Mas seu médico pessoal veio a público declarar que o remédio não estava relacionado com sua morte.

Logo começaram a surgir rumores que sua morte havia sido encomendada pela Tríades, organização com a qual Lee teve problemas na adolescência. Outros diziam que ele havia sido morto por um cabal secreto de mestres de artes marciais, por ter revelado os segredos das lutas para não orientais. Os rumores voltaram quando seu filho Brandon Lee foi morto em um acidente estranho durante as filmagens de O Corvo (The Crow, 1993). Leia mais sobre Brandon Lee aqui.


Bruce e o pequeno Brandon Lee

Autopsias posteriores, entretanto, revelaram que o ator morreu por um grave edema cerebral, agravado com o remédio tomado pelo ator e pelo uso excessivo que Bruce Lee fazia de cortisona, devido a uma hérnia de disco que sofria a três anos. Lee também sofria de uma insuficiência renal, devido ao uso de esteróides.

A morte do ator fez de Operação Dragão um grande sucesso de bilheteria mundial. Todas as especulações sobre sua morte geraram uma enorme publicidade para o filme. Após sua morte, Bruce Lee tornou-se um grande ícone da cultura pop.

Robert Clouse, o diretor de Operação Dragão, foi chamado para finalizar Jogo da Morte (Game of Death, 1978), o filme deixado inacabado pelo ator. Bruce Lee havia atuado e dirigido boa parte do filme, e Clouse contratou um dublê para finalizar a obra. No roteiro, Bruce Lee simulava sua morte, e as cenas em que ele aparece no caixão, na verdade são imagens reais de seu funeral. O filme foi lançado em 1978, cinco anos após a morte do ator.

O filme ainda reaproveitava cenas de Operação Dragão, e tinha muitos problemas na sua finalização, devido a morte do protagonista, mas mesmo assim também fez muito sucesso. O traje amarelo, com listras pretas, que o ator usava no filme serviu de inspiração para a roupa de Uma Thurman em Kill Bill (Idem, 2003), de Quentin Tarantino.


 Bruce Lee em Jogo da Morte e Uma Thurman em Kill Bill

Entre os alunos famosos de Bruce Lee estão o cineasta Roman Polanski, o lutador Joe Louis, e os atores Burt Ward, Chuck Norris, James Gardner, James Coburn, e Steve McQueen. Norris e McQueen inclusive carregaram seu caixão quando o corpo do ator foi transportado para os Estados Unidos. Em 1993 Brandon Lee foi enterrado ao lado de seu pai.


Steve McQueen, Bruce Lee e o instrutor e ator Fumio Demura

Em 1993 Jason Scott Lee protagonizou Dragão: A História de Bruce Lee (Dragon: The Bruce Lee Story, 1993). Jason e Bruce Lee, apesar do mesmo sobrenome, não são parentes. O filme foi lançado em maio de 1993, dois meses após a morte de Brandon Lee.

Jason Scott Lee em Dragão: A História de Bruce Lee 

Shannon Lee, a filha de Bruce (nascida em 1969), estreou como atriz neste filme. Ela é a cantora que aparece cantando California Dreamin (sucesso do The Mammas and the Papas), nas cenas que mostram o sucesso de seu pai em Hollywood. Shannon tinha apenas quatro anos quando o pai morreu. Ela também atuou em alguns filmes, mas hoje preside (junto com sua mãe) a Bruce Lee Fudation, uma ONG que ajuda pessoas e ensina artes marciais e filosofia.

Sharon Tate: a estrela interrompida


No dia 9 de agosto de 1969, o mundo ficou estarrecido com o brutal assassinato da atriz Sharon Tate, grávida de quase nove meses, cometido por Charles Mason e sua seita de seguidores. Sharon tinha apenas 26 anos e foi morta em sua casa, enquanto recebia amigos (que também foram assassinados).
 

A trajetória da atriz

Sharon Marie Tate nasceu em 24 de janeiro de 1943, em Dallas, Texas. Ainda criança, ganhou seus primeiros concursos de beleza, algo que seria constante nos anos seguintes de sua vida. Também foi a rainha do baile de formatura de sua escola.


Filha de um oficial do exército dos Estados Unidos, a menina morou em várias cidades devido as transferências de seu pai

Aos 16 anos, mudou-se com a família para a Itália, onde também chamou a atenção por sua beleza. Fez alguns trabalhos como modelo e conseguiu uma figuração em As Aventuras de Um Jovem (Hemingway’s Adventures of a Young Man, 1962), que estava sendo filmado em Verona. Durante as filmagens, chamou a atenção do protagonista, o ator Richard Beymer, e começaram a namorar. Ele a incentivou a investir na carreira de atriz, e ela fez em seguida outra figuração em uma produção norte-americana rodada na Itália, Barrabás (Barabbas, 1961).

 Sharon Tate como figurante em Barrabás (Barabbas, 1961).

Tate então disse para os país que queria voltar para a América, para terminar seus estudos. Na verdade, ela voltou ao seu país para tentar carreira em Hollywood. Na terra do cinema, procurou o agente de Beymer, que disse que ela era tão linda que ele não sabia o que fazer com ela. Tate voltou para a publicidade, trabalhando em muitos comerciais.

Ainda menor de 21 anos, seus pais tiveram que assinar uma autorização que a permitia atuar. Começou a fazer pequenos papéis em séries, como Mister Ed e O Agente da UNCLE (The Man From U.N.C.L.E) e fez aparições regulares na série A Família Buscapé (The Beverly Hillbillies). Nesta época, começou a namorar com Jay Sebring, o cabeleireiro das estrelas de cinema (que trabalhou algumas vezes como ator). Ele a pediu em casamento em 1964, mas ela recusou.

 
 Jay Sebring e Sharon Tate

Sharon dizia que iria deixar a carreira quando se casasse, mas primeiro queria se consolidar na carreira que ainda engatinhava. Ambicionando projetos maiores, fez teste para o papel da filha mais velha em A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965). Também tentou fazer par romântico com Steve McQueen em A Mesa do Diabo (The Cincinnati Kid, 1965), mas Sam Peckinpah a considerou muito inexperiente e ela perdeu o papel para Tuesday Weld.

Mas o produtor Martin Ransohoff, que a estava agenciando, resolveu apostar alto em sua promissora estrela. Gastou cerca de um milhão de dólares em preparação e divulgação da atriz. Sharon na época ganhou o apelido de “A Million Dolar Baby”.

Seu tutor conseguiu o primeiro papel importante para ela em O Olho do Diabo (Eve of the Devil, 1966), com David Niven e Deborah Kerr.

 Deborah Kerr e Sharon Tate em O Olho do Diabo

O filme foi rodado em Londres, e ao término das filmagens, a atriz permaneceu na Inglaterra para rodar outro filme, A Dança dos Vampiros (Dance of the Vampires, 1967), dirigido por Roman Polanski.

O diretor não a queria no elenco e insistiu em contratar Jill St. John, mas devido a insistência de Ransohoff, aceitou conhecê-la. Polanski não só se impressionou com a atuação da moça, como acabou se apaixonando por ela.

Tate e Jay Sebring ainda namoravam e estavam noivos. Mas ela o deixou para ficar com Polanski, com quem se casou em 20 de janeiro de 1968. Porém, ela e Sebring continuaram grandes amigos.

 Roman Polanski e Sharon Tate se casando em 1968

A Dança dos Vampiros foi um grande sucesso e abriu as portas definitivas de Hollywood para a atriz. Em seguida, ela atuou com destaque em Não Faça Onda (Don’t Make Waves, 1967), agora rodado nos Estados Unidos.

Sharon Tate então foi escalada para atuar em O Vale das Bonecas (Valley of the Dolls, 1967), que também fez sucesso e lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro de atriz revelação.

 Barbara Parkins, Sharon Tate e Patty Duke em O Vale das Bonecas

Mas após este filme começou a ficar insatisfeita com sua carreira, que só explorava sua beleza física, com trabalhos pouco desafiadores. Sharon e Polanski retornaram à Londres, onde ficaram uma temporada. Nesta época, ela tentou romper o contrato com Ransohoff, pois queria ter uma vida mais caseira e se dedicar menos à Hollywood.

No verão de 68, Sharon Tate começou a atuar em Arma Secreta Contra Matt Helm (The Wrecking Crew, 1968), uma paródia dos filmes de James Bond, estrelada por Dean Martin. Após as filmagens, ela descobriu que estava grávida.

Sharon Tate e Dean Martin em Arma Secreta Contra Matt Helm

O casal procurou uma casa maior, para criar a sua nova família. Alugaram então uma mansão pertencentea Terry Melcher (filho de Doris Day). Sharon disse que era a “casa dos seus sonhos”. Durante a gravidez da atriz, Polanski foi para a Europa filmar The Day of the Dolphin. Tate, já com a gravidez adiantada, ficou em Los Angeles.

Há 15 dias de ganhar o bebê, a atriz estava hospedando alguns amigos. Com ela estavam Jay Sebring (seu antigo noivo), Abigail Folger e Wojciech Frykowski. Na casa também estavam o caseiro William Garretson e seu amigo Steven Parentt.

Na madrugada do dia 9 de agosto, a mando de Charles Manson, um grupo de seus seguidores invadiu a casa e matou Sharon e seus convidados, em rituais com excesso de crueldade. Tate levou 16 facadas, muitas delas na barriga, onde carregava seu filho. Com o sangue da atriz escreveram a palavra “pigs” (porcos) em uma das portas. No dia seguinte, o mesmo grupo atacaria outra residência, matando mais duas pessoas.

O grupo da “família Mason” foi descoberto e condenado à morte, em um dos julgamentos mais famosos da história dos Estados Unidos. Devastado com o crime, Dean Martin se recusou a fazer os próximos filmes de Matt Helm que já estavam programados. Christopher Jones, protagonista de A Filha de Ryan (Ryan’s Daughter, 1970), abandonou a carreira de ator, sem mesmo terminar a dublagem final do filme (o diretor David Lean quem dublou o ator para poder lançar o filme). Pouco tempo antes de morrer, em 2014, Jones revelou que teve um breve relacionamento com Sharon anos antes.

O grupo de Mason, e ele próprio, não foram executados, mas Mason permaneceu preso até sua morte em 2017. Nunca ficou esclarecido totalmente o motivo do massacre, mas uma teoria afirma que na verdade eles estavam no lugar errado. Meses antes, Mason enviara uma fita demo com suas canções (ele queria ser um astro musical) para Terry Melcher, que era produtor musical. Melcher, além de nem responder, perdeu as gravações originais e não as devolveu quando ele as pediu de volta. Alguns investigadores acreditam que o grupo entrou na casa buscando se vingar de Melcher (que morou na residência antes da atriz), mas acabaram encontrando Tate e seus amigos.

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