Bella Darvi, a trágica Cinderella de Hollywood


A história de vida de Bella Darvi talvez seja mais interessante que a sua própria carreira cinematográfica. Descoberta por Darryl F. Zanuck e sua esposa Virginia Fox em um cassino em Monte Carlo, Darvi foi levada a Hollywood para ser uma "nova Ingrid Bergman", mas foi uma das muitas beldades européias que fracassaram na terra do cinema.


Bayla Weigier nasceu em Sosnowiec, na Polônia, em 23 de outubro de 1928. Filha de uma família judia, de origem pobre, ela foi enviada para um Campo de Concentração quando jovem, onde sofreu torturas e perdeu um irmão executado na câmara de gás.

Libertada em 1943, ela casou-se com um homem de negócios em 1950, e com ele mudou-se para Monte Carlo. De origem humilde, Bella Darvi tornou-se uma frequentadora do jet set europeu. Em Monte Carlo porém, começou a beber e apostar, acumulando muitas dívidas de jogo. Em 1952 seu marido pediu o divórcio e ela se viu numa situação financeira complicada, mas não abandonou os cassinos.

No mesmo ano Virginia Fox, a esposa de Darryl F. Zanuck (o todo poderoso executivo da Twentieth Century Fox), a viu em uma mesa de jogos num cassino, e indicou a bela mulher ao marido. Zanuck se encantou com ela, e lhe ofereceu um contrato cinematográfico, além de pagar suas dívidas de jogo.

Virginia Fox, Zannuck e Bella Darvi

Como seu nome não era muito sonoro, a atriz inventou um nome artístico, Darvi é a junção dos nomes de DARryl Zannuck e VIrginia Fox, seus padrinhos e mentores. Ela não só ganhou um contrato cinematográfico, mas mudou-se para a residência do casal. Virginia a apresentava como sua sobrinha, e ambas tornaram-se melhores amigas, indo frequentemente almoçar juntas e indo as compras, enquando a atriz tomava aulas de inglês para perder seu forte sotaque.

Em 1954 ela finalmente estreou no cinema, como protagonista de Tormenta Sob os Mares (Hell and High Water, 1954), onde fez par romântico com Richard Widmark.

Richard Widmark e Bella Darvi em Tormenta Sob os Mares

Em seguida ela foi escalada para viver a cortesã Nefer na super produção O Egípcio (The Egypytian, 1954). Mas o filme que era a grande aposta do estúdio foi um grande fracasso. Marlon Brando havia sido escalado para protagonizar a obra, e o estúdio já havia gasto uma fortuna confecionando os figurinos do ator. 

O papel de Nefer seria originalmente de Marilyn Monroe, mas Zannuck a tirou do papel para dar oportunidade a sua nova protegida. Brando não gostou disto, e abandonou as filmagens se recusando a contracenar com Darvi, que era uma atriz inexperiente que havia tido um fraco desempenho em seu filme de estréia. Jean Simmons, sua colega de elenco, também não gostava dela, e declarou publicamente que ela era "a melhor pessoa para interpretar uma cortesã".

Após abandonar o filme, o jovem Edmund Purdom assumiu o papel. Porém, ele foi escolhido por ser não por seu grande talento ou fama, mas por ser o único ator da Fox que cabia perfeitamente no caro figurino feito inicialmente para Brando. Para promover Purdon a Fox investiu muito em publicidade para o ator, e conseguiu que ele colocasse suas mãos na calçada da fama. Mas o filme foi um fracasso, e Purdom tornou-se um ator problemático. Demitido da Fox, teve sua calçada da fama destruída a britadeiras, para dar lugar as mãos da nova estrela Debbie Reynolds (ele foi o único artista cuja homenagem na calçada da fama foi removida).

Cartaz de O Egípcio


A atuação de Darvi foi duramente criticada, e seu forte sotaque polonês não ajudou em nada a sua carreira. Sua vida pessoal conturbada fazia a festa dos tablóides, mas também pouco a favoreceram artisticamente. Ela teve relacionamentos amorosos com Jean-Pierre Aumont, Alexandre D'Arcy, Robert Stack, o príncipe Aly Khan, Brad Dexter, Erich Maria Remarque, Renato Grassi, Marc Michel, Jerry Haskell, Philippe Lemaire, John Ireland. Também se envolveu rapidamente com Robert Wagner, o novo galã da Fox, mas Zannuck tratou logo de terminar o romance.

Mas o caso amoroso mais famoso da atriz foi mesmo com seu descobridor, Darryl Zannuck. Susan, a filha do produtor com Virginia Fox, descobriu o caso, e contou para sua mãe. Virginia empacotou as malas da atriz, e a mandou embora de sua casa. Darvi ainda estrelou Caminhos Sem Volta (The Racers, 1955), ao lado de Kirk Douglas, e depois sua carreira em Hollywood chegou ao fim.

Kirk Douglas e Bella Darvi em Caminhos Sem Volta

De volta à Europa, passou a estrelar uma série de filmes inexpressivos na Itália e França. Seu primeiro trabalho após o retorno ao velho continente foi em Eu Sou Um Sentimental (Je Suis un Sentimental, 1955), feito na França.

Zannuck foi atrás dela, e viveram alguns meses juntos, mas após descobrir traições da atriz, inclusive com mulheres, voltou a viver com Virgina Fox.

Seus papéis foram se tornando cada vez menos importantes. A atriz também voltou a beber e perder dinheiro nas mesas de jogos.

John Hudson e Bella Darvi no filme Caminhos Sem Volta

Em 1959 ela sofreu um acidente de carro, e ficou gravemente ferida. Ela ficou três meses internadas em um hospital, e precisou controlar ainda mais seus gastos, já que seu dinheiro havia acabado.

Para sobreviver, Bella Darvi penhorou suas jóias, casacos de peles, roupas e móveis. Ela chegou mesmo a entregar seus dois cães poodles para abater do valor de suas dívidas de jogo.

Apesar de ter se casado novamente, e ter tido relacionamentos com outros homens ricos, Zannuck continuou lhe enviando dinheiro até 1970. Seu último trabalho no cinema foi em um pequeno papel em Les Petites Filles Modèles (1971). 

Após pedir novo socorro a Zannuck, e ter seu pedido negado, a atriz cometeu suícidio 11 de setembro de 1971. Bella Darvi ligou o gás de cozinha, e colocou a cabeça dentro do forno. Seu corpo só foi descoberto após duas semanas, quando os vizinhos chamaram os bombeiros devido ao cheiro de seu apartamento em Monte Carlo.

Bella Darvi tinha apenas 42 anos.



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