O fracasso de Anna Sten


Em 1934 o produtor Samuel Goldwyn lançou sua grande aposta em Hollywood, a atriz russa Anna Sten, anunciada como "a nova Greta Garbo".Goldwyn ficou dois anos promovendo sua "estrela", antes de lançar ela nas telas de cinema norte-americano, no filme Naná (Nana, 1934).

Anna e Phillips Holmes em Naná

Dirigido por Dorothy Arzner, o filme era baseado em um romance de Émile Zola, e mostrava Naná, uma estrela dos palcos franceses durante a Bellé Époque, que apesar de ter muitos homens aos seus pés, só tinha olhos para um soldado francês. 

O filme foi feito para promover Anna e seu galã nas telas, Phillips Holmes, uma grande promessa da MGM. Porém, Naná foi um grande fracasso de bilheteria, e chegou a ser ridicularizada na música Anything Goes, de Cole Porter.

A letra da música, em certo momento diz: "If Sam Goldwyn can with great conviction, Instruct Anna Sten in diction, Then Anna shows, Anything goes." (Se Sam Goldwyn puder, com grande convicção, instruir Anna Sten em dicção, então mostra Anna, vale tudo!").

O trecho fazia referência ao fato de Anna não falar inglês direito, o que prejudicou muito o filme.



Annel Stenskaya Sudakevich nasceu em Kiev, Império Russo (hoje Ucrânia), em 03 de dezembro de 1908. Filha de pai russo e mãe sueca, ela estudou  Russian Film Academy e se juntou ao Moscow Art Theatre. Extremamente bela, estreou no cinema em seu país atuando em Predatel (1926). Em seu filme seguinte, Miss Mend (1926), conheceu o cineasta Fydor Otsep, com quem se casou em 1927.

Ela passou a ser protagonista de muitos filmes mudos russos, como A Moça da Caixa de Chapéus (Devushka s korobkoy, 1927) e O Filho do Outro (Moy Son, 1928). Em 1930 mudou-se para à Alemanha, após receber convites para atuar no cinema do país.

Em O Filho do Outro

Em 1931 ela estrelou o filme alemão Karamazoff (1931), dirigido por seu marido. Era o começo do cinema falado, e os estúdios não sabiam como fazer dublagem nem legendagem dos filmes, perdendo muito público no mercado internacional. Nesta época, o mesmo filme era feito em várias versões, faladas em idiomas diversos, geralmente com outros atores. Anna Sten também protagonizou Os irmãos Karamazoff (Les Frères Karamazoff, 1931), versão francesa da mesma obra.

Com Fritz Kortner em Karamazoff

O filme fez grande sucesso na Europa, e o produtor norte-americano Samuel Goldwyn viu sua foto em uma revista. O produtor então correu para ver o filme, e após assistir alguns minutos, enviou um contrato para a atriz, querendo trazê-la para Hollywood. Ele queria fazer da artista russa um novo fenômeno como as europeias Greta Garbo e Marlene Dietrich.

Goldwyn começou imediatamente a fazer publicidade da sua nova estrela, chamando-a de "a nova Greta Garbo". Porém, não se atentou a um pequeno detalhe, a atriz não falava uma palavra em inglês. Durante um ano, enquanto posava para exaustiva publicidade, a atriz teve muitas lições para apreender o idioma.


Anna estreou em Naná, que foi um grande fracasso. Goldwyn então a escalou para atuar com o astro Fredric March em Tornamos a Viver (We Live Again, 1934), que também não agradou, saindo de cartaz poucos dias após a sua estréia. O produtor ainda tentou valer seu investimento, a escalado para A Noite Nupcial (The Wedding Night, 1935), ao lado de Gary Cooper. Novamente, o filme naufragou nas bilheterias.

Gary Cooper, Anna Sten e Ralph Bellamy em A Noite Nupcial

Goldwyn então rompeu o contrato com a atriz, que passou a ser chamada pelos acionistas de Hollywood como Anna "Stench" (fedor, em inglês). 

Ela então foi procurar trabalho no cinema inglês, atuando no filme Noite de Fogo (A Woman Alone, 1936). Após alguns anos afastada, retornou aos Estados Unidos atuando em Expresso do Exílio (Exile Express, 1939), uma produção de baixo orçamento.

Na 20th Century Fox atuou em Casei-me com um Nazista (The Man I Married, 1940), ao lado de Joan Bennett. O filme foi rodado em 1938, mas só foi lançado dois anos depois.

Seus papéis foram ficando cada vez menores, e ela se revesava entre filmes americanos e ingleses. Fez um papel menor em Náufragos (So Ends Our Night, 1941), um filme de guerra que promovia o jovem Glenn Ford.

Publicidade de Náufragos

Fez mais alguns filmes na Fox, geralmente destinados aos esforços de Guerra. Voltou a um papel principal em Três Heroínas Russas (Three Russian Girls, 1943),  dividindo os créditos com Mimi Forsythe e Kathy Frye. O filme, uma produção menor norte-americana, foi dirigido por Fyodor Otsep, seu antigo marido, de quem ela se separara em 1931, para mudar-se para Hollywood.

Cartaz de Três Heroínas Russas 

Anna então ficou cinco anos sem atuar, retornando às telas em Por Causa de Um Beijo (Let's Live a Little, 1948). Ela ainda faria mais alguns filmes esporadicamente, atuando em um pequeno papel em O Aventureiro de Hong Kong (Soldier of Fortune, 1955), estrelado por Clark Gable e Susan Hayward, e em algumas séries de televisão.

Em O Aventureiro de Hong Kong

Seu último trabalho no cinema foi em O Sargento e a Freira (The Num and the Sergeant, 1962), uma produção de baixo orçamento. Depois, abandonou o cinema definitivamente.

Em O Sargento e a Freira

Anna Sten desapareceu da mídia, não dando entrevistas e nem comparecendo a eventos ligados ao cinema. Ela permaneceu casada com o produtor Eugene Frenke (com quem se casou em 1932), até a morte dele em 1984.



Anna Sten faleceu em 12 de novembro de 1993, aos 84 anos de idade.

Leia também: Phillips Holmes, o galã que não teve tempo para de virar astro                                 


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