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A escandalosa vida de Diana Dors, a "Marilyn Monroe inglesa"


Hollywood teve várias atrizes que tentaram imitar o sucesso de Marilyn Monroe, como Jayne Mansfield e Mamie Van Doren. E na Inglaterra, nomes como Sabrina e Sandra Dorne também tentaram repetir o furacão platinado Monroe, mas foi Diana Dors quem levou o título "A Marilyn Monroe Inglesa".



Diana Mary Fluck nasceu em Swindon, Wiltshire, Inglaterra, em 23 de outubro de 1931. No final da Segunda Guerra Mundial a adolescente Diana Fluck participou de um concurso de beleza promovido por uma revista, e ficou em terceiro lugar.

E mesmo não tendo vencido, ela começou a receber convites para trabalhar como modelo, além de conseguir alguns pequenos papéis no teatro. Na mesma época, também ganhou uma bolsa de estudos para frequentar uma escola de música, onde desenvolveu suas técnicas como cantora.

Em 1947 ela fez teste para o filme Narciso Negro (1947), mas acabou perdendo o papel para Jeann Simmons. Ela não havia ido bem no teste, mas acabou ganhando emprego no estúdio, que a contratou como figurante.

Diana havia adotado o nome artístico de Diana Dors, e estreou no cinema fazendo um pequeno papel em The Shop at Sly Corner (1947). Ela seguiu atuando em papéis pequenos, e ainda em 1947 venceu um concurso promovido pelo estúdio, que a elegeu "como a garota com maior probabilidade de sucesso nos filmes".

Então com 15 anos de idade, ela assinou contrato com o estúdio Rank. Arthur Rank, o dono do estúdio, tinha uma escola para jovens atores contratados, e ele colocou Diana em sua escola (que teve como alunos nomes como Christopher Lee, Claire Bloom e Petula Clark).

Diana Dors ganhou seu primeiro papel de destaque em The Calendar (1948) e no mesmo ano desempenhou o papel de Charlotte no clássico Oliver Twist (1948), dirigido por David Lean.



Ela ganhou um papel maior em Penny and the Pownall case (1948), interpretando o segundo papel feminino da produção. Arthur Rank havia anunciado que ela era uma de suas novas contratadas que ele pretendia promover, ao lado de David Tomlinson, Susan Shaw, Sally Ann Howes e Derek Bond.

Sua carreira foi ascendendo, até que ela estrelou Cidade Tentação (1949). O papel inicialmente seria de Jean Kent, mas ela não gostou do roteiro, e Dors acabou ganhando sua primeira protagonista.


Diana Dors em Cidade Tentação

Em 1951 Dors fez o teste para o filme Lady Godivas Rides Again (1951), mas acabou perdendo o papel principal para Pauline Stround. Mais de 500 atrizes, incluindo Audrey Hepburn, haviam participado dos testes para esta produção.

Porém, Diana Dors ganhou um papel coadjuvante na obra, contracenando com outras futuras estrelas, em começo de carreira, como  a atriz Joan Collins. As beldades viviam candidatas em um concurso de beleza, e entre elas também estão também a escandalosa e trágica Simone Silva e Ruth Ellis, uma atriz que foi condenada à morte, e se tornou a última mulher executada na Inglaterra.


1: Ruth Ellis; 2: Pauline Stroud; 3: Diana Dors; 4: Simone Silva; 5: Joan Collins no filme Lady Godiva


Durante as filmagens, ela conheceu Dennis Hamilton, com quem se casou após cinco semanas de namoro. Nesta época, ela já usava os cabelos loiros, mas ainda não tão platinados.


Diana Dors e Dennis Hamilton

Dors estrelou o noir The Last Page (1952), onde interpretou uma mulher fatal. O filme rendeu a atriz comparações com Marilyn Monroe, e lhe valeu o título de "Marilyn Monroe Inglesa".


Diana Dors em The Last Page

O produtor do filme havia pedido que Dors se divorciasse de Hammilton, para não estragar sua carreira, e em troca lhe colocaria de protagonista de outro filme. Mas Diana Dors recusou a oferta.

Dennis Hamilton, entretanto, fez de tudo para promover a esposa ao estrelato. Ao mesmo tempo promoveu a atriz como um símbolo sexual, fazendo inclusive acordo com os tabloides ingleses, para que eles publicassem fotos de sua esposa.

Nos bastidores, ele oferecia favores sexuais de Dors para diretores, produtores e atores, para que ela conseguisse os melhores papéis. Hamilton também promovia orgias na residência do casal, mas seus convidados não sabiam que os espelhos dos quartos eram falsos, e tinham câmeras que registravam tudo.

As filmagens eram usadas posteriormente para chantagear os convidados, seja para que a atriz conseguisse melhores papéis, ou mesmo para extorsão financeira.

Curiosamente, Hamilton que fazia de tudo para que a esposa virasse uma grande estrela, recusou a oferta para que ela atuasse em Sua Majestade o Aventureiro (1954), uma produção de Hollywood, estrelada por Burt Lancaster, e isto fez com que os convites de Hollywood desaparecessem por um tempo, relegando a atriz a produções inglesas.

O marido que Diana Dors estava muito mais preocupado em vender a imagem sexy de Dors, do que escolher bons papéis, onde ela pudesse demonstrar seu talento artístico. Desta forma, ele também fez ela recusar um convite de Laurence Olivier, para contracenar com o ator no teatro.



Ao invés de atuar com Olivier, ela acabou aceitando um emprego em uma peça em Blackpool, que pagava um salário maior. Porém, em 28 de julho de 1953 a atriz foi dispensada do elenco, e foi presa por roubar várias garrafas de bebidas alcoólicas do apartamento de um colega de elenco.

Dors era uma atriz famosa no cinema inglês, mas começou a aceitar também convites para cantar em boates, fazendo shows individuais, que pagavam altos cachês. Nesta época, ela também gravou alguns discos.



Em 1955 Dors atuou em A Rua da Esperança (1955), que fez um enorme sucesso de bilheteria, e passou a ser considerada uma das 10 maiores estrelas do cinema inglês.

Ao mesmo tempo que sua carreira decolava, seguiam-se os escândalos. Ela quase foi presa novamente, por declarar a compra de um casaco de peles caríssimo como despesa de trabalho, na sua declaração de imposto de renda. 

Ela também foi duramente criticada por usar um vestido muito sensual ao ser apresentada a Rainha da Inglaterra.

As escolhas erradas de seu marido fizeram ela recusar boas ofertas com estúdios, porque o casal achava que ela poderia ganhar mais trabalhando como freelancer.




Como atriz, ela recebeu boas críticas por seu desempenho em Meu Amor, Minha Ruína (1956), filme inspirado na vida da atriz Ruth Ellis, que havia trabalhado com Diana em The Lady Godivas Strikes Again. Ellis foi condenada por assassinato, e executada na época em que a Inglaterra ainda tinha pena de morte.


Diana Dors em Meu Amor, Minha Ruína

O filme foi aclamado em Cannes, e valeu um convite para Diana Dors ir para Hollywood, contratada pela RKO. Ela contracenou com Rod Steiger em A Vergonha de Ser Profana (1957)


Rod Steiger e Diana Dors em A Vergonha de Ser Profana

Em Hollywood, foi anunciando que ela faria um filme chamado Blondes Prefer Gentlemen, uma alusão a um dos maiores sucesso de Marilyn Monroe, mas o projeto nunca foi iniciado. Outros projetos, como um filme com Bobo Hope e um filme dirigido por Robert Aldrich também foram anunciados, mas nunca saíram do papel.

Mas a carreira de Diana Dors em Hollywood nunca deslanchou, novamente por culpa de Dennis Hamilton. O casal estava negociando a compra da mansão de Lana Turner, e a atriz era vista como uma grande aposta entre os estúdios. 

Porém, pouco tempo depois de sua chegada na cidade, o casal deu uma festa para promover a atriz. O evento foi na mansão do cabelereiro Mr. Teasey-Weasy, que convocou toda a imprensa hollywodiana, incluindo Hedda Hopper e Louella Parsons, as temidas fofoqueiras do cinema.

Astros como Doris Day, John Wayne, Zsa Zsa Gabor, Liberance, Lana Turner, Ginger Rogers e Eddie Fisher também estavam presentes. A festa estava lotada, e Diana Dors e Hamilton acabaram empurrados, sem querer, para dentro da píscina.

Os fotógrafos se aproximaram para registar o fato, e Hamilton agrediu um fotógrafo que tirava retratos. A agressão não pegou bem, e no dia seguinte as manchetes dos jornais diziam "vá embora Diana Dors, e leve embora o Sr. Dors".




Lana Turner então se recusou a vender a sua casa, e os convites desapareceram. O filme A Vênus da Carne, que já estava pronto, ficou na gaveta até 1958, quando a atriz já havia voltado para Inglaterra, após ser demitida da RKO.



Diana Retornou à Inglaterra, onde fez O Longo Trajeto (1957), ao lado de Victor Mature. Ela havia se separado de Dennis Hamilton, e começou um relacionamento com Tommy Yeardye, o dublê de Mature na produção.



Diana Dors e Tommy Yeardye

Diana descobriu que Hamilton havia roubado todo seu dinheiro, e que ainda estava muito endividada por causa do ex-marido. Sem ter como pagar as dívidas deixadas por Hamilton, ela processou a RKO por quebra de contrato.

Sem dinheiro, ela voltou a trabalhar em cabarés, ao lado do comediante Dick Dawson. A atriz ganhou muito dinheiro, mas Yeardye, com quem ela ainda namorava, roubou todo o dinheiro da bilheteria, e depois vendeu a história do casal  para uma revista de fofocas, aumentando os escândalos na conta de Diana.

Para piorar a sua situação, Dennis Hamilton morreu em 1959, e logo veio a público que ele havia morrido por causa de complicações de sífilis. Diana Dors compareceu no enterro do ex-marido ao lado de mafiosos famosos, e tudo isto em nada ajudava a sua carreira.

Diana voltou aos Estados Unidos, desta vez para se apresentar na televisão, e em Nova York se casou com o colega Richard "Dickie" Dawson.


Diana Dors e Richard Dawson

Em 1960 a atriz teve seu primeiro filho, e passou a se apresentar em cassinos em Las Vegas, e em 1961 conseguiu um novo emprego em Hollywood, agora sem Dennis Hamilton.

Ao lado de Danny Kaye, ela apareceu na comédia O Homem de Duas Cabelas (1961) e também fez As Cartas Marcaram a Sua Morte (1961), ao lado de David Janssen. A atriz também fez alguns trabalhos para a televisão, como um episódio para o programa Alfred Hitchcock Presents, que foi considerado tão ruim, que ficou anos engavetado sem ser exibido.

Dors também ganhou um pequeno papel em O Terror das Mulheres (1961), uma comédia estrelada por Jerry Lewis, porém foi demitida no primeiro dia de filmagens.


Dean Martin, Diana Dors e Jerry Lewis

Diana então publicou suas memórias, e recebeu 140 mil dólares pelos direitos do livro. Ela também passou a fazer turnês, fazendo muito sucesso durante suas apresentações na Austrália, em 1963.

Dors se divorciou de Dawson em 1966, e voltou para o Reino Unido, deixando os dois filhos com o pai, nos Estados Unidos. Com mais de 40 anos, e com sua popularidade em baixa, ela passou a se apresentar em casas de reputação duvidosa, com cachês cada vez menores.

Em seus shows, cantava e fazia strip-tease, nesta época ela chegou a decretar falência, por não conseguir mais pagar as suas dívidas.



Diana ainda apareceria no cinema, em papéis coadjuvantes em filmes de terror e comédias eróticas de baixo orçamento.

Na década de 1970 as orgias e chantagens promovidas em sua antiga mansão tornaram-se públicas, e a imprensa comentou o assunto até a exaustão. Sem ter muito o que perder, Diana Dors passou a frequentar programas de televisão para comentar o assunto, tentando ganhar alguma popularidade.

Ela escreveria mais três biografias, contando os escândalos (principalmente sexuais) de sua vida.

No começo da década de 1980, a atriz engordou muito, mas conseguiu emagrecer posteriormente. Ela então passou a vender produtos para dieta e vídeos de exercícios em canais de venda da televisão inglesa.




Dors havia se casado novamente, desta vez com o ator Arthur Lake (em 1968). Eles ficaram juntos até 04 de maio de 1984, quando a atriz morreu vítima de câncer de ovário, com apenas 52 anos de idade.

Poucos meses depois da morte de Diana Dors, Arthur Lake cometeu suicídio, aos 43 anos de idade.


Diana Dors e Arthur Lake



Um ano após a sua morte, estreou no cinema o filme Determinação Vitoriosa (1985), seu último trabalho como atriz.


Diana Dors em Determinação Vitoriosa




Veja também: Tributo a Cary Grant


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