Relembrando o breve ator e cantor Bobby Darin


Sua breve existência, ele viveu apenas 37 anos de idade, foi marcada por luta e superação, desde o seu nascimento. Bobby Darin viveu intensamente, numa trajetória que renderia (e rendeu um filme). Dono de Hits como Dream Love e Splish Splash, além de ser um bem sucedido cantor, além de fazer uma brilhante carreira no cinema, que inclusive lhe valeu uma indicação ao Oscar. Muitos de seus filmes foram feitos ao lado de sua esposa, a estrela juvenil Sandra Dee.





Walden Robert Cassotto nasceu no Bronx, Nova York, em 14 de maio de 1936. Poucos dias após nasceu, Bobby Darin sofreu uma grave febre reumática, que fragilizou seu coração. Sua mãe foi avisada que ele teria uma vida curta, e fez com que ela fizesse de Bobby um menino superprotegido. Anos mais tarde, ele descobriria que aquela que acreditava ser sua mãe, e que o havia mimado e incentivado, na verdade era sua avó, e ele era filho da mulher que foi criado chamado de irmã.

Sabendo que não teria uma vida longa, ele sonhou em se tornar famoso antes dos 25 anos de idade, e recebeu todos os incentivos familiares para estudar música, e composições e aprendeu a tocar bateria, piano e guitarra. Logo ele já estava enviando suas fitas demos para diversos produtores.

Ainda adolescente, ele conheceu o produtor musical Don Kirshner, e começou a gravar jingles para ele. E foi Kirshner quem o ajudou a conseguir seu primeiro teste em uma gravadora. Precisando de um nome artístico, ele escolheu o Darin ao ler um letreiro de um restaurante chinês, onde leu a palavra "Mandarim".

Após algumas gravações sem muita repercussão, ele começou a aparecer na televisão, a partir de 1956, mas foi em 1958,  quando cantou Splish Splash, no programa de Dick Clark (um famoso disk jockey que promoveu a carreira de muitos cantores de rock das décadas de 1950 e 1960) que ele se tornou um fenômeno.

Ainda em 1958, Darin se mudou para Hollywood, e fez uma figuração no filme Sombras (Shadows, 1958), do grande diretor John Cassevetes.

Em 1959,  seu disco seguinte, Mack the Knife, vendeu mais de um milhão de cópias, ganhou dois Grammys, e ficou 52 semanas no top 10 das paradas de sucesso, sendo 9 delas na posição número 1.



No começo de sua carreira musical, Bobby conheceu a cantora Connie Francis, com quem namorou. Ele a pediu em casamento, mas seu pai foi contra a união, e fez o casal se separar.


Bobby Darin e Connie Francis


Sonhando também com o cinema, Bobby apareceu cantando um número musical no filme Pepe (Idem, 1960), estrelado por Cantinflas e Shirley Jones.


Bobby Darin em Pepe



Mas o sucesso cinematográfico viria com seu filme seguinte, Quando Setembro Vier (Come September, 1961), onde ele conheceu a estrela adolescente Sandra Dee, que fazia muito sucesso na época. Sandra tinha apenas 16 anos de idade, mas ela e Darin se apaixonaram, e se casaram um dia depois do termino das filmagens. Um ano depois, eles tiveram um filho, Dodd Darin, nascido em 1961.


Sandra Dee e Bobby Darin em Quando Setembro Vier

O filme, que tinha música composta por ele, fez um grande sucesso, fazendo com que o cantor alcançasse o tão sonhado estrelato, aos 25 anos de idade. Ele recebeu muitos convites para cantar em boates e casas noturnas importantes, como a Copacabana (um antigo sonho de infância) e recebeu outros convites para atuar no cinema.

Bobby queira muito ter protagonizado Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961), mas perdeu o papel para Richard Beymer. Curiosamente, ele, Breymer e Warren Beatty (que também tinha feito teste para o papel), receberam juntos o Globo de Ouro de Ator Revelação do Ano.

Bobby havia provado que era mais que um cantor teen que aparecia nos filmes, mas era também um bom ator, e atuou no drama Canção da Esperança (Too Late Blues, 1961), de John Cassavetes. Ele recebeu outra indicação ao Globo de Ouro por este trabalho.


Stella Stevens e Bobby Darin em Canção da Esperança

Depois estrelou o musical Feira de Ilusões (State Fair, 1962), ao lado dos astros musicais Pat Boone e Ann-Margret. Ele fazia par romântico com a atriz Pamela Tiffin neste filme.


Pamela Tiffin e Bobby Darin em Feira de Ilusões

Em seguida, ele atuou no drama de guerra O Inferno é Para os Heróis (Hell is for Heroes, 1962), dirigido por Don Siegel, e estrelado por Steve McQueen. E com Sidney Poitier fez Tormentos D'Alma (Preasure Point, 1962). Bobby Darin recebia boas criticas por seu trabalho de ator, e a medida que sua fama crescia, ele ofuscava Sandra Dee, o que afetou o relacionamento dos dois. Além disto, a mãe da atriz era contra o casamento deles, o que deixou as coisas ainda mais difíceis.


Bobby Darin e Sidney Poitier em Tormentos D'Alma


Ele tentou promover a carreira da esposa, contracenado com ela novamente na comédia Se O Marido Atender, Desligue (If a Man Answers, 1962), que não fez tanto sucesso.


Sandra Dee e Bobby Darin no cartaz de  Se O Marido Atender, Desligue

As coisas não melhoraram para o casal quando Bobby foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme Pavilhão 7 (Captain Newman, M.D., 1963). Bobby não ganhou, perdendo para o veterano Melvyn Douglas, mas provou ser um ator respeitável.


Gregory Peck e Bobby Darin em  Pavilhão 7


Bobby afastou-se um pouco do cinema, retornando somente em 1965, quando fez outro filme com Sandra Dee, Na Boca do Lobo (That Funny Feeling, 1965), que também não fez sucesso.


Bobby Darin, Donald O'Connor e Sandra Dee no cartaz de Na Boca do Lobo

Em 1966 ele voltou ao topo das paradas de sucesso, com a canção If I Were a Carpenter, escrita pelo ator Ty Hardin. Foi também Bobby Darin quem promoveu a carreira do cantor Wayne Newton, e inclusive seria ele quem gravaria primeiro o sucesso Danke Schoen.




Em 1967 Bobby estrelou o western Pistoleiros em Duelo (Gunfight in Abilene, 1967) e em março do mesmo ano, pediu o divórcio de Sandra Dee.


Bobby Darin no cartaz de  Pistoleiros em Duelo


Com Geraldine Chaplin e James Mason ele ainda fez o filme Gerações em Conflito (Stranger in the House, 1967), depois afastou-se um pouco da carreira artística. Em 1968 ele dedicou-se muito para ajudar a eleger o presidente John Kennedy, e após este ser assassinado, Darin ficou desiludido de tudo. Foi no mesmo ano que ele havia descoberto quem era a sua verdadeira mãe.

Bobby Darin vendeu tudo que tinha, afastou-se da mídia, e foi morar em um trailer, onde viajava pelo país. Mas em 1969 ele voltou ao mundo musical, fundou uma gravadora, e lançou um novo disco, mas a sua carreira já estava entrando em declínio.


Bobby Darin fazendo campanha para John Kennedy

Ainda cantando, e eventualmente aparecendo em algumas séries de televisão, Bobby Darin sofreu um ataque cardíaco em 1971, e foi submetido a uma cirurgia para implementar duas válvulas cardíacas. Ele passou um bom tempo cuidando de sua saúde fragilizada , mas foi retomando a sua carreira gradativamente, cantando em boates e em shows em Las Vegas.

Em junho de 1973 ele se casou novamente, mas a união durou apenas quatro meses. Ainda em 1973 ele atuou em seu último filme, Happy Mother's Day, Love George (1973), e apresentou o programa de variedades The Bobby Darin Show (1973). Mas logo as suas válvulas, implantadas em 1971, começaram a falhar e ele precisou se internar para substitui-las. 

O cantor passou por uma cirurgia de 6 horas, que foi parcialmente bem sucedida e ele foi para a sala de recuperação. Ainda inconsciente ele morreu minutos depois de sair da sala de cirurgia, em 20 de dezembro de 1973, com apenas 37 anos de idade.


Bobby Darin em 1973







Um comentário:

  1. Tive dúvidas sobre o trecho "Em 1968 ele dedicou-se muito para ajudar a eleger o presidente John Kennedy, e após este ser assassinado, Darin ficou desiludido de tudo." Se o ano é 1968, não seria o então senador Robert Kennedy, irmão de John Kennedy, que foi assassinado no Ambassador Hotel (Los Angeles) quando buscava a indicação para concorrer à presidência? John Kennedy morreu em 1963, em Dallas.

    ResponderExcluir

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil