Relembrando o talentoso Alan Rickman


Geralmente lembrado por interpretar vilões icônicos do cinema, o ator inglês Alan Rickman interpretou uma grande variedades de personagens, e deixou sua marca na história do cinema como um dos mais talentosos atores de sua geração.



Alan Sidney Patrick Rickman nasceu em Hammersmith, Inglaterra, em 21 de fevereiro de 1946. De origem humilde, seu pai morreu quando ele tinha 8 anos de idade, deixando sua mãe com quatro filhos para criar.

Ainda na escola, Rickman demonstrou talento para a caligrafia e desenho, que lhe rendeu uma bolsa de estudos para uma renomada escola particular inglesa, onde ele acabou tendo seu primeiro contato com o teatro.


O jovem Alan Rickman


Após deixar a escola, ele ingressou num curso de design, e mais tarde começou a trabalhar como designer gráfico para o jornal Notthing Hill Herald. Mais tarde, ele abriu sua própria empresa de design. E apesar de sonhar com a carreira de ator, Alan Rickman considerava que estava em uma carreira mais estável que a vida de ator.

Porém, em 1974, aos 25 anos de idade, o chamado dos palcos foi mais forte, e ele fechou sua empresa e inscreveu-se na tradicional Royal Academy of Dramatic Art (RADA), onde ficou estudando atuação nos três anos seguintes. Para se sustentar neste período, trabalhou como assistente de guarda-roupas dos atores Nigel Hawthorne e Ralph Richardson.

Após terminar os estudos na RADA, ele ingressou no teatro e em 1978 estreou na televisão, interpretando o Tebaldo em Romeu e Julieta, em uma adaptação feita pela TV inglesa BBC.



Rickman desenvolveu uma sólida carreira teatral, e eventualmente trabalhava também na televisão. Mas seu primeiro papel de relevo na TV foi na série britânica The Barchester Chronicles (1982), também na BBC.



Em 1985 ele estreou no cinema, atuando em um pequeno papel não creditado em Sombras do Passado (Wetherby, 1985). Mas apesar do modesto trabalho cinematográfico, 1985 marcou sua consagração nos palcos, quando foi escolhido para viver Vicomte de Valmont na peça As Relações Perigosas (Les Liaisons Dangereuses).

A peça fez muito sucesso, e em 1987 a companhia teatral foi para os Estados Unidos, para apresentar-se na Broadway. O papel valeu a Rickman uma indicação ao prêmio Tony e ao Drama Desk Award.



O sucesso da peça na América chamou a atenção dos produtores de  Duro de Matar (Die Hard, 1988), que convidaram o ator para viver o icônico vilão Hans Gruber, papel que tornou Rickman internacionalmente famoso.


Alan Rickman em Duro de Matar

Para gravar a famosa cena onde Hans Gruber cai de um prédio, o diretor John McTiernan convenceu o ator a fazer a cena real, sem dublês, caindo sobre um grande colchão de ar. O próprio McTierman pulou primeiro para mostrar para Rickman que não havia perigo, e combinou que sua queda seria acionada após contar até três.

Porém, o diretor soltou o ator para a queda no 2, fazendo que seu olhar de espanto nas telas fosse real.



O sucesso do filme garantiu ao ator diversos convites para atuar em filmes como O Calendário da Morte (The January Man, 1989), Contratado Para Matar (Quigley Down Unde,r 1990) e Um Romance de Outro Mundo (Truly Madly Deeply, 1990).

Em 1991 o diretor Kevin Reynolds convidou o ator para viver o Xerife de Nottingham em Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves, 1991), mas Rickman recusou o papel por duas vezes, alegando que não estava interessado em interpretar outro vilão. Reynolds então lhe escreveu uma carta dizendo que ele teria carta branca para construir o personagem como quisesse.

Alan Rickman então aceitou o papel, que se tornou outro trabalho icônico de sua carreira.


Kevin Costner e Alan Rickman em Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões

Ele se tornou um dos mais requisitados atores da década de 1990, destacando-se em papéis como o do Coronel Brandon em Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 1995), dirigido por Ang Lee e também foi o Jaime em Um Romance de Outro Mundo (Truly, Madly, Deeply, 1990), o primeiro filme dirigido por Anthony Minguella.

Novamente interpretando um vilão, ele interpretou o monge russo em Rasputin (Rasputine, 1996), feito para a televisão e produzido pela HBO. O papel lhe rendeu um prêmio Emmy e um Globo de Ouro de Melhor ator.


Alan Rickman em Rasputin

Na década de 1990 também teve papéis notáveis em filmes como Bob Roberts (Idem, 1992), Dr. Mesmer - O Feiticeiro (Mesmer, 1994), Michael Collins, o Preço da Liberdade (Michael Collins, 1996), O Beijo da Traição (Judas Kiss, 1998), Ilha do Medo (Dark Harbor, 1998) e foi o anjo Metradon, o porta voz de Deus, em Dogma (Idem, 1999), de Kevin Smith. Rickman encerrou a década vivendo o Alexander Dane em Heróis Fora de Órbita (Galaxy Quest, 1999).


Alan Rickman em Dogma


Alan Rickman em Heróis Fora de Órbita

Foi então que a escritora J. K. Rowling escreveu o papel do professor Severus Snape nos livros do bruxinho Harry Potter. A autora se inspirou na imagem de Alan Rickman para o personagem, mas quando a obra foi adaptada para o cinema, os produtores queriam o ator Tim Roth no papel.

Com a recusa de Roth, Rickman foi chamado, e viveu o personagem pela primeira vez em Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcer's Stone, 2001). O filme deu início a uma das mais bem sucedidas sagas cinematográficas recentes, e Rickman repetiu o papel nos próximos 7 filmes de Harry Potter feitos nos dez anos seguintes, ganhando assim uma nova legião de fãs.

Rickman era o único ator do elenco dos filmes que ficava sabendo do final, pelas mãos da autora, antes de todo mundo.


Alan Rickman como Severus Shape

Além de atuar nos filmes de Harry Potter, ele ainda pode ser visto no elenco de filmes como Simplesmente Amor (Love Actually, 2003), O Filho de Nobel (Nobel Son, 2008) e Quase Deuses (Something the Lord Made, 2004), que lhe rendeu uma segunda indicação ao Emmy.

Em 2007 ele interpretou outro vilão notável, o Juiz Turpin em Sweeney Todd, o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007), de Tim Burton. O filme foi muito bem recebido pela crítica e público.


Johnny Depp e Alan Rickman em  Sweeney Todd, o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet 

Também diretor, Rickman assinou os filmes Momentos de Afeto (The Winter Guest, 1997) e Um Pouco de Caos (A Little Caos, 2014).

Em 2010 ele voltou a trabalhar com o diretor Tim Burton, dublando a Lagarta Azul em Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010). Ele repetiria o papel Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass, 2016), que acabou sendo seu último trabalho no cinema. 

Outra dublagem notável do ator foi como o robô Marvin no cult O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhilker's Guide to the Galaxy, 2005).


A Lagarta Azul de Alice, com voz de Alan Rickman

Sua filmografia também inclui títulos como Perfume: A História de Um Assassino (Perfume: The Story of a Murder, 2006), O Julgamento de Paris (Bootle Shock, 2008), Um Golpe Perfeito (Gambit, 2012), O Mordomo da Casa Branca (The Butler, 2013), CBGB: O Berço do Punk (CBGB, 2013) e Decisão de Risco (Eye in the Sky, 2015), entre outros.


 

Jane Fonda como Nancy Davis (Reagan) e Alan Rickman como Ronald Regan em O Mordomo da Casa Branca


Alan Rickman foi casado com Rima Horton, sua primeira namorada, que ele conheceu aos 18 anos. Eles viveram juntos desde 1969, embora só tenham se casado oficialmente em 2012. O casal permaneceu unido até a morte do ator.

Em 2015 o ator sofreu um AVC, e durante o tratamento descobriu um câncer no pâncreas. Ele manteve o diagnóstico em segredo da imprensa e dos fãs, que ficaram chocados quando Alan Rickman faleceu em 14 de janeiro de 2016, com 69 anos de idade.






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