Morre a atriz Jane Withers, aos 95 anos de idade


A atriz Jane Withers, estrela mirim da década de 1930 e 40 morreu em seu sítio em Burbank, Califórnia, aos 95 anos de idade. Jane, que rivalizava com Shirley Temple, morreu de causas naturais, cercada por seus filhos e netos.

Enquanto Shirley Temple, com seus cabelos loiros e encaracolados personificava a menina doce e educada, Jane Withers era a menina morena traquinas e espevitada, ambas contratadas pelos estúdios Fox. Após a morte de Oliva de Havilland, em 2020, Jane Withers era uma das últimas grandes estrelas da década de 1930 ainda viva.



Jane Ruth Withers nasceu em Atlanta, Georgia, em 12 de abril de 1926. Sua mãe, desde o seu nascimento, decidiu que faria da filha uma estrela do entretenimento, e aos 2 anos de idade a menina já tinha aulas de canto, dança e atuação.

Eram os tempos da Grande Depressão pós Quebra da Bolsa de Valores de 1929, e artistas infantis faziam grande sucesso entretendo um país em crise e devastado de problemas. Após o grande sucesso de Shirley Temple nas telas, todos os estúdios queriam ter a sua própria criança prodígio, e Jane Withers tornou-se outra campeã de bilheterias, embora seus filmes fossem produções menores, os chamados "filmes B".

Aos 4 anos de idade, ela já tinha seu próprio programa de rádio, e fazia sucesso no teatro imitando astros da época, como WC Fields, Marie Dressler e Charles Chaplin. Quando Jane mudou-se para Hollywood, aos 6 anos de idade, já era considerada uma veterana.

A atriz estreou no cinema em Handle With Care (1932), e fez pequenos papéis nos anos seguintes, tendo atuado até no clássico Imitação da Vida (Imitation of Life, 1934). Sua grande chance nas telas ocorreu quando ela foi escalada para viver Joy Smythe, a menina levada destruidora das bonecas, e que aterrorizava Shirley Temple com sua bicicleta em Olhos Encantadores (Bright Eyes, 1934).


Shirley Temple e Jane Withers em Olhos Encantadores

A Fox gostou do desempenho da criança peralta, e a manteve sob contato nos 7 anos seguintes, onde a menina estrelou cerca de 50 filmes neste período. Enquanto Temple era fofa e angelical, Jane era divertida, atrevida, indisciplinada e cheia de energia. Uma moleca desajeitada que batia nos garotos que a irritassem.

Seu primeiro grande sucesso de bilheteria foi A Travessa (Ginger, 1935). Os títulos nacionais de seus filmes entregam o perfil criado para a atriz, que estrelou obras como Adorável Traquina (Little Miss Nobody, 1936), Pimentinha (Pepper 1936), Sempre em Apuros (Always in Trouble, 1938), Travessura de Alta Escola (High School, 1940), Garota Ruidosa (Girl From Avenue A, 1940) e Pesadelo da Família (Small Twon Deb, 1942).


Jane Withers em A Travessa


Jane Withers em Adorável Traquina 


Outros sucesso de Jane incluem Perdida na Metrópole (Paddy O'Day, 1936) e Anjo em Férias (Angel's Holliday, 1937), que foi uma das maiores bilheterias de 1937, sendo o décimo filme mais visto do ano.


Jane Withers cantando em Perdida na Metrópole


Rita Hayworth e Jane Withers em Perdida na Metrópole



No final da década de 1930 começou a surgir a dúvida se a carreira de Jane Withers sobreviveria a puberdade, transição que assombrava todas as estrelas infantis de sucesso. Aos 13 anos ela ganhou seu primeiro beijo nas telas, no filme O Namorado de Jane (Boy Friend, 1939).






A Fox tentou fazer dela uma comediante, atuando ao lado dos Ritz Brothers em Três Capacetes de Aço (Pack Up Your Troubles, 1939), mas o público já não achava mais graça nas palhaças da garota, fazendo com que o estúdio perdesse o interesse nela. Assim como Shirley Temple, Jane Withers sofreu a pressão de Darryl Zanuck, o dono do estúdio, para não crescer.

Em 1942, ela foi demitida da Fox, e assinou contrato com o pequeno estúdio da Republic, especializada em filmes Westerns, que a colocou de protagonista do filme Estrela do Norte (The North Star, 1943).






Jane Withers ainda fez mais 4 filmes, mas após atuar em Rua do Perigo (Danger Street, 1947), se aposentou do cinema aos 21 anos de idade. Ela estava desiludida de sua carreira, e sentia fortes dores devido a uma artrite reumatoide que lhe afligia desde a adolescência.

Ainda em 1947, ano de sua aposentadoria, ela se casou com seu primeiro marido, William Moss, um milionário do petróleo do Texas. Com William, ela teve três filhos, mas o casamento durou apenas 6 anos.

Em 1955 ela voltou a se casar, e teve outros 2 filhos. No mesmo ano de suas segundas núpcias, ela sentiu falta de Hollywood, e estava determinada a voltar ao cinema. Sem convites, ela se matriculou na faculdade de cinema de Los Angeles, acreditando que poderia fazer novos contatos.

Foi na UCLA que ela conheceu o diretor George Stevens, que a convidou para retornar as telas em Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956), clássico estrelado por Elizabeth Taylor, James Dean e Rock Hudson.



Jane Withers e James Dean em Assim Caminha a Humanidade


Ela conseguiu retornar discretamente, aparecendo em filmes como O Canalha (The Right Approach, 1961) e Pavilhão 7 (Captain Newman, M.D., 1963). Também fez muitas participações em séries de televisão, até a década de 1980.



Jane Withers e Gregory Peck em Pavilhão 7


Jane Withers e Al Lewis na série Os Monstros


Na década de 1960 ela também se tornou uma popular garota propaganda de uma linha de produtos de limpeza, que fez com que ela ganhasse uma pequena fortuna na publicidade, ao ponto de comprar o rancho de Burbank que havia sido de Lucille Ball.




Em 1996 ela retornou novamente a Hollywood, desta vez como dubladora. Ela substituiu Mary Vickers (que havia falecido) na voz da Gárgula Laverne, em O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame, 1996). A atriz então dublou outras produções da Disney, até se aposentar definitivamente após dublar a sequência de O Corcunda de Notre Dame II (The Hunchback of Notre Dame II, 2002).





Contudo, a atriz ainda era bastante ativa em ações sociais e eventos de caridade, sempre esbanjando sua natureza alegre e divertida, altamente contagiante.









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