Margareth O'Brien, a pequena grande estrela da MGM


Na década de 1940 Shirley Temple começava a entrar na adolescência, e perdia o posto de estrela mirim preferida do público. Muitas meninas atrizes surgiam para tentar ocupar o posto de Temple, e foi Margareth O'Brien quem supriu o posto deixado pela antiga bonequinha do cinema.



Angela Maxine O'Brien nasceu em San Diego, Califórnia, em 15 de janeiro de 1937. Seu pai, Lawrence O'Brien era um artista de circo, que morreu enquanto sua mãe estava grávida. A mãe, Gladys Flores, era uma dançarina de flamenco, que se apresentava em dupla com a irmã, Marissa.

Margareth tinha quatro anos de idade quando estreou no cinema, fazendo figuração em Calouros na Broadway (Babes on Broadway, 1941), filme estrelado pela dupla Mickey Rooney e Judy Garland, na MGM.

No ano seguinte, ganhou um papel de destaque no filme Sublime Alvorada (Journey for Margaret, 1942). A menina era basicamente a protagonista da obra, interpretando a pequena Margaret, do título original em inglês. Após o sucesso do filme, o estúdio trocou seu nome Angela para Margaret, aproveitando a fama alcançada na produção.


Sua incrível capacidade de chorar facilmente fez de Margaret uma estrela do estúdio, que a aproveitava em diversos melodramas. Ela era chamada de "a torre de chorar da MGM". June Allyson, outra estrela do estúdio também tinha um choro fácil. Para fazer Margaret chorar em cena, sua mãe dizia "June Allyson choraria melhor que você", levando a filha às lágrimas de imediato.

Margaret esteve em diversos filmes da MGM que precisavam de uma criança delicada. Ela atuou em Sublime A Volta da Noiva (Dr. Gillespie's Criminal Case, 1943), A Filha do Comandante (Thousands Cheer, 1943), Madame Curie (Idem, 1943), Jane Eyre (Idem, 1943) e O Fantasma de Canterville (The Canterville Ghost, 1944). 

Margaret O'Brien em Jane Eyre

Em 1943 o estúdio produziu O Anjo Perdido (Lost Angel, 1943), outro filme melodramático, feito especialmente para ser estrelado por O'Brien.


Mas sem dúvida o melhor momento de sua carreira foi no musical Agora Seremos Felizes (Meet Me in St. Louis, 1944), onde interpretou Tootie Smith, a frágil mas corajosa irmã mais nova de Judy Garland. Margaret tem momentos antológicos no filme, em especial nos números de canto ao lado da estrela Garland.


Por seu trabalho memorável no filme, ela ganhou um Oscar especial juvenil, o "Oscarette", categoria que premiava crianças, que hoje já não existe mais. Leia mais sobre este prêmio aqui.

Margareth O'Brien e seu Oscar (era uma miniatura do prêmio)

A menina seguiu atuando como estrela na MGM, fazendo a protagonista em diversas produções. Ela apareceu em Música Para Milhões (Music for Millions, 1944), O Roseiral da Vida (Our Vines Have Tender Grapes, 1945), Vence a Coragem (Bad Bascomb, 1946), Três Tolos Sabidos (Three Wise Fools, 1946), A Dança Inacabada (The Unfinished Dance, 1947), Rua dos Sonhos (Tenth Avenue Angel, 1948) e A Mascote da Cidade (Big City, 1948).


Em 1949 ela interpretou a frágil Beth em Quatro Destinos (Little Women, 1949), uma versão do livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. O elenco do filme contava alguma das mais promissoras jovens estrelas do estúdio, como Elizabeth Taylor, Janet Leigh e sua rival de choro June Allyson. A veterana Mary Astor interpretava a mãe das garotas.

Margaret O'Brien, Elizabeth Taylor (loira), Janet Leigh, June Allyson e Mary Astor em Quatro Destinos

Ainda em 1949, aos 12 anos de idade, Margaret estrelou O Jardim Encantado (The Secret Garden, 1949), baseado em outro livro clássico da literatura, O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett.

Margaret O'Brien em O Jardim Encantado

Em 1950 a MGM dispensou sua antiga estrelinha, que começava a crescer, e já não era mais tão graciosa como antes. Margaret O'Brien via seu estrelato se esvanecer, e encontrou dificuldade para conseguir novos papéis.

Na Columbia, deu seu primeiro beijo nas telas em Her First Romance (1951), o escolhido foi o ator Allen Martin Jr., que não deu continuidade em sua carreira.


Sem convites em Hollywood, a jovem atriz foi para o Japão, onde atuou em Futari no Hitomi (1952). Depois, ela só retornaria ao cinema em 1956, aos 19 anos de idade, em Sangue Selvagem (Glory, 1956), um filme feito em um estúdio menor, que fez toda a publicidade da obra em torno de Margaret agora ser adulta.

Margaret O'Brien em Futari no Hitomi

Margaret O'Brien em  Sangue Selvagem

Margaret O'Brien não fez uma boa transição para a carreira adulta, e teve que recorrer a televisão para continuar trabalhando. Em 1958 ela chegou a posar para a Revista Life, num ensaio que explorava sua beleza, para mostra que havia crescido, mas isto pouco fez pela sua carreira.


Nas duas décadas seguintes só conseguiu dois papéis no cinema, fazendo um papel de apoio no western O Pistoleiro e a Bela Aventureira (Heller in Pink Tights, 1960), estrelado por Sophia Loren e Anthony Quinn, e no terror Annabelle Lee (1977), feito no Peru. Mas continuava aparecendo em diversas séries de televisão, como atriz convidada.

Em 1981 ela teve um papel de destaque no drama infantil Amy - Uma Vida Pelas Crianças (Amy, 1981), mas praticamente se aposentou depois deste trabalho. Mas em 1991 ela foi convidada pela antiga colega de MGM Angela Lansbury para participar de um episódio da série Assassinato por Escrito (Murder She Wrote). No elenco do episódio também estavam outras veteranas de seu tempo.

Angela e Margaret haviam contracenado juntas em Rua dos Sonhos (Tenth Avenue Angel, 1948).

Mary Windsor, Margaret O'Brien, Terry Moore, Angela Lansbury, Betty Garrett e Janet Blair em Assassinato Por Escrito

George Murphy, Margareth O'Brien e Angela Lansbury em Rua dos Sonhos

Em 1996 Margaret O'Brien retornou ao cinema, trabalhando em Sunset After Dark (1996), uma produção independente de baixo orçamento. Desde então tem feito alguns filmes, a maioria de terror, feitos por diretores independentes. Em 2017 fez Dr. Jekyll and Mr. Hyde (2017), ao lado do antigo astro mirim da MGM Mickey Rooney, em seu último trabalho no cinema.

Durante as filmagens, Rooney e O'Brien anunciaram que estavam namorando.

Margaret O'Brien e Mickey Rooney em Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Também esteve no natalino This is Our Christmas (2018) e em Love Is in Bel Air, que deve ser lançado em 2021.

Margaret O'Brien foi casada duas vezes, e tem uma filha.

O Oscar Roubado

Em 1954 o Oscar de Magaret O'Brien foi roubado por uma empregada que trabalhava em sua casa. Na mesma época, sua mãe adoeceu, e veio a falecer, e ela acabou não procurando mais pelo seu prêmio. Vários anos depois, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que outorga o Oscar, lhe deu uma estatueta substituta, mas em 1995 um fã encontrou-o a venda em um mercado de pulgas, e devolveu o prêmio a antiga estrela mirim.

Margaret O'Brien recebendo seu Oscar em 1995, muitos anos depois de ter sido roubado


Margaret O'Brien atualmente

Margaret O'Brien e Judy Garland

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