O inesquecível Jardel Filho


Jardel Filho fez da arte de representar a sua vida. Um dos maiores atores brasileiros, ele representou a sua morte repentina e prematura, deixando seus fãs enlutados com sua partida, aos 55 anos de idade.



Jardel Frederico de Bôscoli Filho nasceu em São Paulo, em 24 de junho de 1927. Vindo de uma família de artistas, seu pai era o empresário teatral Jardel Jercólis e sua mãe a atriz Lódia Silva

Jardel Filho nasceu em São Paulo porque sua mãe entrou em trabalho de parto quando estava fazendo uma temporada teatral na cidade, e por dificuldades financeiras, a atriz e o menino tiveram que ficar por um mês na maternidade, até que seu pai conseguisse levantar o dinheiro para quitar as contas hospitalares.

Ele também era sobrinho do teatrólogo Geysa Bôscoli e primo do radialista Heber de Bôscoli e do compositor Ronaldo Bôscoli.


Jardel Jercólis

Lódia Silva e Jardel Filho

Jardel Filho foi aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde desenvolveu seu porte atlético. Mas o sangue de artista falou mais alto, e convidado por Ziembinski, ele ingressou no teatro aos 16 anos de idade, atuando na companhia de Dulcina de Moraes.


O jovem Jardel Filho

Em 1946, quando atuou na peça A Rainha Morta, o belo rapaz loiro e forte, passou a ser uma sensação do teatro brasileiro, onde desenvolveu uma sólida e respeitada carreira de ator.


Jardel Filho no teatro, 1947

Trabalhando ao lado de grandes nomes como Bibi Ferreira, Maria Della Costa e Henriette Morineau, o ator foi consagrado com a Medalha de Ouro da ABCT (Associação Brasileira de Críticos de Teatros) por seu desempenho em Jezabel (1952), onde contracenava com Madame Morineau.


Jardel Filho e Henriette Morineau

Paralelamente a sua carreira teatral, que incluiu uma bem sucedida temporada de um ano em Portugal (entre 1956 e 1957), o ator também teve uma importante presença no cinema brasileiro. Seu primeiro filme foi Dominó Negro (1949), mas Jardel atuou em quase 40 filmes até a sua morte, em 1983.

Em 1953 ele fez seu primeiro protagonista nas telas, atuando em Santa de Um Louco (1953). No ano seguinte, ao lado da atriz Vida Alves, protagonizou o filme Paixão Tempestuosa (1954).


Ângela Fernandes e Jardel Filho em Santa de um Louco


Vida Alves e Jardel Filho em Paixão Tempestuosa


Mas sua consagração no cinema brasileiro veio com o bem sucedido, e hoje um clássico nacional, Floradas na Serra (1954), onde contracenou com a lendária atriz Cacilda Becker, em um raro trabalho nas telas de cinema. O filme foi rodado nos lendários estúdios da Vera Cruz.



Cacilda Becker e Jardel Filho em Floradas na Serra


Cacilda Becker e Jardel Filho nos intervalos de filmagens de Floradas na Serra


O ator fez outros filmes na sequência, como Leonora dos Sete Mares (1955), que tinha no elenco o astro mexicano Arturo de Córdova (que havia feito Por Quem os Sinos Dobram, em Hollywood) e Sonho de Outono (1955).

Sua carreira brasileira foi brevemente interrompida em 1955, quando o ator ganhou uma bolsa de estudos para estudar atuação e direção nos Estados Unidos. Após concluir o curso, ele já emendou uma bem sucedida temporada teatral em Portugal.





Sua estada internacional, também o afastou da televisão brasileira momentaneamente. Jardel Filho havia estreado na TV Paulista em 1953, como parte do elenco do Teatro Cacilda Becker.



Lika Soares, Jardel Filho e Cacilda Becker na TV Paulista


De volta ao Brasil, o ator seguiu sua bem sucedida no teatro e regressou a televisão, atuando agora nos teleteatros da TV Tupi. Na TV Rio, além de atuar, foi apresentador dos programas Rio, Gosto de Você (1958) e La Reveu Chic (1959).



Jardel Filho e Margarida Rey em um teleteatro da TV Tupi (Rio de Janeiro)


Ele também voltou ao cinema, onde fez  Moral em Concordata (1959), Cidade Ameaçada (1960) e Esse Rio Que Eu Amo (1960). 


Jardel Filho em Esse Rio que Eu Amo


Com a atriz argentina Susana Freyre, ele fez Meus Amores no Rio (1959), que chamou a atenção dos produtores argentinos, que o levaram para o país, onde ele fez diversos filmes.


Jardel Filho e Susana Freyre em Meus Amores no Rio


Na Argentina ele fez seu primeiro filme, Plaza Huincul (Pozo Uno) em 1960. Por lá, ele ainda atuaria em Pedro e Paulo (1961), que marcou a estreia do ator brasileiro João Carlos Barroso no cinema. Jardel também fez, ao lado de Pablito Calvo (o menino astro de Marcelino Pão e Vinho), Barcos de Papel (1962); Buscando Mónica (1962) onde contracenou com a espanhola Carmen Sevilla (estrela de Violetas Imperiais); Sócio de Alcova (Carnival de Crime, 1962) onde atuou com o astro Jean Pierre Aumont; Setenta Vezes Sete (Setenta Vieces Sete, 1962) onde contracenou com a musa argentina Isabel Sarli e Racconto (1963).

Ele também filmou Tecer Mundo em 1962, mas o filme só foi lançado em 1973.

Jardel Filho e João Carlos Barroso em Pedro e Paulo




Jardel Filho e Carmen Sevilla em Buscando Mónica


Jardel Filho, Isabel Sarli e Blanca Lagrotta em Setenta Vezes Sete


De volta ao Brasil, passou a atuar com mais frequência na televisão, onde até então havia feito apenas teleteatros e programas. Jardel estrelou, na TV Tupi, a série O Acusador (1964), ao lado da atriz Márcia de Windsor, com quem se casou.



Rogério Cardoso e Márcia de Windsor


No ano seguinte, fez muito sucesso como o repórter policial Márcio Moura da série 22-2000 Cidade Aberta (1965), primeiro seriado produzido pela Rede Globo. A série fez tanto sucesso que virou um filme, com mesmo nome e ano de produção.

A série também gerou uma história em quadrinhos, com os traços de Jardel Filho como Márcio Moura.

O personagem retornaria ao cinema no filme A Um Pulo da Morte (1969).



Jardel ainda faria a novela Ana (1967), na TV Record. Paralelamente, ele continuava muito ativo no cinema brasileiro, tendo inclusive atuado na co-produção franco-brasileira Arrastão (1965), ao lado da atriz Iolanda Braga.

No cinema, ele ainda atuaria em Crônica da Cidade Amada (1964), Paraíba, Vida e Morte de Um Bandido (1966), Terra em Transe (1967), As Três Mulheres de Casanova (1968), O Homem Que Comprou o Mundo (1968), Antes, o Verão (1968), Macunaíma (1969), Sete Homens Vivos ou Mortos (1969), Os Devassos (1971), Roleta Russa (1974), A Viúva Virgem (1974), Tangarela, a Tanga de Cristal (1976), A Menor Violentada (1977), A Batalha dos Guararapes (1978), O Mundo Mágico de Poty (Narrador, 1980), Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981), Rio Babilônia (1982), O Segredo da Múmia (1982) e O Bom Burguês (1983).


Jardel Filho em Terra em Transe


Jardel Filho em Macunaíma


Jardel Filho em Pixote, a Lei do Mais Fraco


Jardel Filho em O Bom Burguês



A partir de 1969, quando atuou na telenovela A Ponte dos Suspiros, na Rede Globo, Jardel Filho se tornou um astro também da televisão, atuando em diversas produções da emissora. Com exceção de O Espantalho (1977), que ele fez na Record (em parceria com a recém inaugurada TVS), o ator fez 14 novelas praticamente seguidas na emissora.



Jardel Filho e Yoná Magalhães em A Ponte dos Suspiros



O ator atuou em Verão Vermelho (1970), Assim na Terra Como no Céu (1970), O Homem Que Deve Morrer (1971), O Bofe (1972), O Bem Amado (1973), Fogo Sobre Terra (1974), Sinal de Alerta (1978), Memórias de Amor (1979), Olhai os Lírios do Campo (1980), Coração Alado (1980), Brilhante (1981) e Sol de Verão (1982-1983).



Jardel Filho, Arlette Montenegro, Claudio Cavalcanti e Dary Reis em O Homem Que Deve Morrer


Com Dina Sfat, em Fogo Sobre a Terra


Sandra Bréa, Jardel Filho e Paulo Gracindo em O Bem Amado


Milton Moraes, Vera Fischer e Jardel Filho em Coração Alado


Em 1982 Jardel Filho começou a protagonizar a novela Sol de Verão (1982-1983), escrita pelo seu amigo pessoal Manoel Carlos. Ele vivia o simpático mecânico Heitor, e a novela fazia um enorme sucesso junto ao público.

Programada para ter 155 capítulos, a produção de Sol de Verão foi pega de surpresa em 19 de fevereiro de 1983, quando o ator faleceu vítima de um um ataque cardíaco fulminante, aos 55 anos de idade.


Beatriz Lyra e Jardel Filho em Sol de Verão


Irene Ravache e Jardel Filho em Sol de Verão


Tony Ramos e Jardel Filho em Sol de Verão






Manoel Carlos ficou tão abalado, que pediu para deixar a novela, e Lauro César Muniz e Gianfrancesco Guarnieri ficaram encarregados de terminar a obra, que estava no capítulo 120. Juca de Oliveira, Paulo Autran, Paulo Goulart e Carlos Eduardo Dolabella foram cotados para assumir o papel de Jardel, mas uma pesquisa com o público indicou que eles não queriam outro ator.

A Globo chegou a pensar em encerrar a novela sem final, mas foram gravados mais 17 capítulos, as pressas, com o personagem de Jardel Filho viajando repentinamente para a Holanda. O elenco também ficou muito abalado pela morte do colega querido, chegando a se recusarem a gravar algumas cenas.

No auge da fama e do sucesso da novela, Jardel Filho partiu repentinamente, deixando o público bastante consternado. Uma homenagem ao ator foi exibida nos capítulos finais da novela.





Jardel Filho foi casado com a espanhola Aurora Bréa (1952-1959), tornando-se padrasto da atriz Sandra Bréa. Ele também foi casado com a atriz Myriam Pérsia (1958-1969), mãe de sua filha, a também atriz Tânia Boscoli.

O ator também foi casado com as atrizes Márcia de Windson Glauce Rocha e com Elizabeth "Betty" Lopez Drummond Martins, com quem teve outra filha, a produtora Adriana Bôscoli.



Myriam Pérsia, Jardel Filho e Tânia Boscoli



A atriz Tânia Boscoli, filha de Jardel





Margarida Rey, Jardel Filho e Tônia Carrero




Jardel Filho e Maria Luisa Splendore



Grande Otelo, Jardel Filho, Oscarito e Margot Louro

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