Os Bastidores de Quo Vadis (1951)


Em 1951 a MGM lançou Quo Vadis (Idem, 1951), um dos primeiros filmes épicos, com temática religiosa. A super produção, estrelada por Robert Taylor e Deborah Kerr, era baseada no romance de mesmo nome, publicado pelo polonês Henryk Sienkiewicz, no ano de 1895.


A história mescla personagens fictícios com nomes históricos reais, como o ególatra, inconsequente e megalomaníaco imperador Nero, interpretado magistralmente pelo ator Peter Ustinov. Nero, movido por uma vaidade delirante, incendeia Roma, e acaba culpando os cristãos  pela destruição da cidade. Os praticantes da fé cristã são condenados a morte na arena dos leões, e São Pedro, o primeiro apóstolo de Cristo, é crucificado (de cabeça para baixo), por comandar os devotos romanos.

A expressão latina "Quo Vadis?" significa "Para Onde Vais?", e segundo o Evangelho apócrito, conhecido como "Atos de Pedro", teria sido dita para o apóstolo por Jesus (durante uma visão), quando este fugia da execução em Roma.


Conheça um pouco mais sobre a história por trás deste clássico do cinema.



A produção da MGM foi a quarta adaptação do livro para as telas do cinema, mas foi a primeira versão sonora. Antes, havia sido produzidos o francês Quo Vadis? (1901), e dois filmes feitos na Itália, em 1913 e 1924.

Quo Vadis? de 1913


Em 1943 o produtor Arthur Horblow anunciou que faria a primeira adaptação do livro em Hollywood, tendo Laraine Day no papel de Lygia. Mas tal produção nunca foi inciada.

A MGM iniciou as filmagens em 1949, tendo John Huston como diretor. Porém, Louis B. Mayer, ultra conservador, considerou que o diretor estava fazendo das cenas de perseguição aos cristão uma analogia com a caça aos comunistas em Hollywood, durante o período do Machartismo. Huston, que já filmava na Itália, foi demitido. O roteiro foi reescrito e Mervin LeRoy assumiu a direção.

Lygia e Marcus Vinicius, no filme de Huston, eram interpretados por Gregory Peck e Elizabeth Taylor. Depois, foram substituídos por Robert Taylor e Deborah Kerr.



John Huston não queria Elizabeth Taylor no papel principal, e sim Ava Gardner, que foi vetada pela MGM. O estúdio também vetou Walter Huston, pai de John, no papel de São Pedro.

Várias atrizes fizeram teste para o papel de Lydia. Entre elas a inglesa Kathleen Byron e Janet Leigh. Audrey Hepburn, recém chegada em Hollywood, também foi testada para o filme.


A personagem Lygia era da Polônia. Região chamada pelos antigos romanos de Lygia.

Clark Gable recusou o papel de Marcus Vinicius, por consideram o figurino do filme ridículo. Stewart Granger queria muito interpretar o papel principal, mas se recusou a assinar um contrato de longo prazo com a MGM. Por fim, Robert Taylor foi escalado para dar vida ao romano.

Porém, o ator teve seu peito depilado, pois os produtores consideram que pelos no peito seriam muito sensual, e portanto, desrespeitoso em um filme religioso.

Claude Rains e Fredric March foram considerados para o papel de Petronius, o tio de Marcus Vinicius, que acabou sendo feito por Leo Genn. Apesar de Genn interpretar um personagem mais velho, ele tinha apenas seis anos a mais que Taylor.

Leo Genn

Marlene Dietrich foi cotada para o papel de Poppaea, e Orson Welles e Charles Laughton para o papel do Imperador Nero. No final, Patricia Laffan e Peter Ustinov ficaram com os personagens.

Patricia Laffan

Peter Ustinov recusou o papel por meses, recebendo diversos telegramas da MGM insistindo. Quando finalmente ele aceitou, os produtores acharam que ele era muito novo para o personagem. Ustinov então disse que Nero morreu aos 30 anos de idade, a mesma idade do ator na época. Ustinov foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo trabalho, e recebeu o Globo de Ouro, na mesma categoria.

Peter Ustinov, como Nero

O filme contou com trinta e dois mil figurantes. Alguns deles, ficariam famosos posteriormente. Rodado nos estúdios italianos da Cinecitá, o filme contou com Sophia Loren como figurante. Sua mãe, Romilda Vilanni, também estava entre os extras.

Sophia Loren em Quo Vadis

Bud Spencer também fez figuração, como um guarda pessoal de Nero.

Bud Spencer em Quo Vadis

Adrienne Corri, em começo de carreira, interpretou umas das cristãs na arena dos leões. Já Al Ferguson e Helena Makowska, antigos astros do cinema mudo, também trabalharam como figurantes.

Mas a figurante mais famosa do elenco é sem duvida Elizabeth Taylor. Taylor, que havia sido demitida da versão de 1949, estava de férias na Itália, e foi visitar as filmagens. Ela achou engraçado fazer figuração, e Mervin LeRoy acatou a ideia.

Elizabeth Taylor em Quo Vadis

Buddy Baer, o fiel Ursus, o protetor de Lygia que luta contra o touro para salvá-la na Arena, era lutador de boxe profissional, antes de se tornar ator. Ele era irmão do também lutador Max Baer, e é tio do ator Max Baer Jr., O Jetrho da série A Família Buscapé.

Deborah Kerr e Buddy Baer

O veterano Walter Pidgeon é o narrador do filme, mas não foi creditado pelo trabalho. No elenco do filme ainda Finlay Currie, como São Pedro e Marina Berti, como Eunice.

Apenas o ator Alfredo Varelli ainda está vivo dos atores principais, estando com 105 anos de idade. Peter Miles, o menino Nazarius, morreu em 2002, aos 64 anos de idade. Já falamos de Varelli em uma matéria sobre os artistas centenários ainda vivos (que poder lida aqui).

Peter Miles e Finlay Currie

Alfredo Varelli

Alfredo Varelli era um dos atores favoritos do ditador Mussolini. Junto com o produtor de comédias americanas Hal Roach, Benito Mussolini criou a Cinecitá em 1924, para fazer da Itália um polo cinematográfico. Eles também montaram a produtora RAM (Roach and Mussolini). A parceria com o fascista, fez com que a MGM rompesse o contrato de distribuição com Roach.

A Cinecitá, onde também foi rodado outros épicos de Hollywood (e diversos filmes de Federico Fellini), não tinha capacidade elétrica que suportasse as exigências da super produção. Foi preciso alugar geradores de diversos estúdios ingleses, e o gerador de um navio de guerra italiano também foi usado para suprir a necessidade.




Outro problema ocorrido durante as filmagens, foi que os leões não queriam sair das jaulas, devido ao excesso de calor que fazia nos dias de filmagens. A solução para os animais saírem foi espalhar carne crua pelo chão da arena, para atraí-los.

Nas filmagens da versão de 1924, um dos leões atacou e matou o figurante Augusto Palombi.

Quo Vadis, de 1924

E apesar de a versão de 1951 não ter nenhum incidente grave envolvendo os leões, as cenas dos animais mastigando a carne foi considerada muito violenta pela censura, que classificou o filme apenas para maiores de 18 anos. Para não perder público, a MGM reeditou o filme após a pré-estreia, removendo algumas cenas, para obter certificação livre.


O diretor italiano Sergio Leone trabalhou como diretor assistente do filme, mas em suas memórias disse que nunca chegou a conhecer o diretor Mervyn LeRoy ou dirigir nenhum dos atores principais da produção. Anthony Man também dirigiu algumas cenas. Nenhum dos cineastas foi creditado pelo trabalho de assistente.

Considerado o maior orçamento da MGM até então, o filme gastou 7 milhões de dólares, e o alto custo causou a demissão de Louis B. Mayer. Porém, o filme fez um enorme sucesso, sendo a maior bilheteria do cinema de 1951, e salvando o estúdio da falência.

O filme foi indicado a oito prêmios Oscar, mas não levou nenhum. Leo Genn e Peter Ustinov disputaram na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, mas perderam para o ator Karl Malden, por Uma Rua Chamada Pecado. O filme ainda foi indicado a melhor fotografia, melhor direção de arte em cores, melhor cenário em cores, melhor figurino em cores, e melhor trilha sonora.

Miklós Rózsa, compositor da trilha indicada ao Oscar compôs a Marcha de Galba usando trechos de antigas melodias romanas. Ele usaria a música novamente na trilha de Ben-Hur (1959), na abertura da cena da corrida das bigas.




Quo Vadis também teve outras versões cinematográficas posteriores. Em 1985 virou uma minissérie, tendo Klaus Maria Brandaur, Max Von Sydow e Francesco Quinn como protagonistas e em 2001 foi adaptado em um filme Polonês, considerada a versão mais próxima ao romance original.

No Brasil, a obra nunca ganhou uma versão cinematográfica, mas foi encenada no teatro diversas vezes, e adaptada também para o rádio outras tantas. Em 1940, foi irradiada no rádio dentro do Programa do Casé, na Radio Mayrink Veiga (no Rio de Janeiro) e em 1944 foi transmitida pela Rádio Difusora de São Paulo. Dirigida por Octávio Gabus Mendes, esta adaptação é hoje famosa por revelar a jovem atriz Lia Borges, mais tarde conhecida como Lia de Aguiar. No elenco ainda Cacilda Becker, Dayse Fonseca e o menino Cassiano Gabus Mendes, filho de Octávio, na época, com 14 anos de idade.

 Octávio Gabus Mendes dirigindo o elenco radiofônico de Quo Vadis

Alguns dos astros brasileiros de Quo Vadis, diante do microfone



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3 comentários:

  1. Depois de lançado com sucesso no Brasil, anos depois foi relançado com cópias novas. Assisti no cinema Metro Boavista - RJ uma cópia divulgada como de 70mm embora o formato da imagem fosse a original.

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