Leila Diniz, a rebelde inesquecível


Leila Diniz foi uma mulher revolucionária, transcendendo a carreira de artista. Além de uma grande estrela, era uma  mulher a frente do seu tempo, engajada e livre, ela chocou a sociedade brasileira e revolucionou a vida das mulheres brasileiras. Como cantou Rita Lee, "toda mulher é meio Leila Diniz".


Leila Roque Diniz nasceu em Niterói, em 25 de março de 1945. Ela formou-se em magistério e foi professora de Jardim de Infância, em Ipanema.

Aos 17 anos de idade, conheceu o cineasta Domingos de Oliveira, com quem se casou em 1962. E embora o casamento só tenha durado três anos, foi ele quem a levou para o teatro. Seu primeiro papel foi na peça O Preço de Um Homem (1964), estrelado por Cacilda Becker.

Nos palcos, surgiu o convite para fazer televisão, atuando em novelas da recém inaugurada Rede Globo, onde Leila estreou na novela Ilusões Perdidas (1965), a primeira telenovela produzida pela emissora.

Leila Diniz e Reginaldo Farias em Ilusões Perdidas

Após uma breve passagem pela TV Paulista, onde atuou em Paixão de Outono (1965) e Um Rosto de Mulher (1965), Leila retornou a Globo, onde estrelou Eu Compro Esta Mulher (1966), O Sheik de Agadir (1966), A Rainha Louca (1967) e Anastácia, A Mulher Sem Destino (1967).


Em 1965 Leila Diniz havia se separado de Domingos de Oliveira, e casado-se com o também cineasta Ruy Guerra. Em 1967, Leila estreou no cinema, atuando em quatro filmes: Mineirinho, Vivo ou Morto (1967), O Mundo Alegre de Helô (1967), Juego Peligroso (1967) e Todas as Mulheres do Mundo (1967), dirigido por Domingos de Oliveira.

Leila Diniz e Paulo José em Todas as Mulheres do Mundo

Leila Diniz falava abertamente sobre sua vida, o que incomodava a ala conservadora da época. Ousada e contra as convenções sociais, a artista era bastante criticada. A Rede Globo então demitiu a artista, alegando "razões morais" e declarando publicamente que "não haveriam mais prostitutas em suas novelas". 

Contratada pela TV Excelsior, Leila estrelou a novela O Direito dos Filhos (1968), ao lado de David José, antigo ator mirim da TV Tupi. Na Excelsior, ainda faria Vidas em Conflito (1969), A Menina do Veleiro Azul (1969) e Dez Vidas (1969).

David José e Leila Diniz em O Direito dos Filhos

No cinema, brilhava em filmes como Edu, Coração de Ouro (1968), O Homem Nu (1968), A Madona de Cedro (1968), Fome de Amor (1968), Corisco, o Diabo Loiro (1969) e Os Paqueras (1969).


Leila Diniz era a estrela do momento. E enquanto interpretava a freira Irmã Amparo, na novela Os Acorrentados (1969), da TV Rio, ela deu a famosa entrevista ao Pasquim, jornal satírico do Rio de Janeiro.

Leila Diniz, Leonardo Villar e Dina Sfat em Os Acorrentados


A entrevista polêmica e cheia de palavrões causou um grande furor no país, e tornou-se o exemplar mais vendido da história da publicação. Porém, o artigo incomodou os militares brasileiros, nos tempos de repressão.

Após a chegada da entrevista as bancas, o governo militar decretou a censura prévia a imprensa, que ficou conhecida como Decreto Leila Diniz. Leila passou a ser perseguida pela ditadura, e precisou se esconder em um sítio de Flávio Cavalcanti.


A atriz já era monitorada pelos militares desde que participara da Passeata dos 100 Mil, em 1968.


Eva Todos, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Benguel na passeada dos 100 Mil. Cortada na foto, de mãos dadas com Benguel está a atriz Cacilda Becker.

Em 1970 Leila Diniz foi contratada pela TV Tupi, onde estrelou a novela E Nós Aonde Nos Vamos (1970), co-estrelada por Theresa Amayo. Foi seu último trabalho na televisão.


No cinema ela ainda estrelou Azyllo Muito Louco (1970), O Donzelo (1970) Mãos Vazias (1971) e Amor, Carnaval e Sonhos (1972).

Em 1970 Leila Diniz estrelou o espetáculo Tem Banana na Banda (1970), que foi um grande sucesso do teatro de revista brasileiro, já em decadência na época. Escrita por Millôr Fernandes, Luiz Carlos Maciel, José Wilker e Oduvaldo Viana Filho, a peça marcou a estréia de Lígia Diniz, sua irmã, na carreira artística. (leia mais sobre Lígia Diniz aqui).

Leila Diniz em Tem Banana na Banda

Mas durante a temporada, Leila engravidou. A hoje icônica foto da atriz, grávida, de biquíni na praia, foi outro escândalo na época. Leila deixou o elenco da revista nos meses finais da gravidez, sendo substituída por Tânia Scher.

Janaína Diniz Guerra, sua filha, nasceu em 19 de novembro de 1971.


No dia 14 de junho de 1972, a atriz retornava de um festival de cinema em Nova Delí, na Índia, quando seu avião caiu, matando 89 pessoas, inclusive a nossa estrela libertária Leila Diniz, de apenas 27 anos de idade.

Nos destroços, foi achado o diário da atriz, e as últimas inscrições diziam "Está acontecendo alguma coisa muito es...."

A pequena Janaína foi criada pelo casal Marieta Severo e Chico Buarque. Em 1977, cinco anos após a morte da atriz, foi lançado seu último filme, O Dia Marcado (1977), e em 1987 chegava às telas de cinema sua cinebiografia, Leila Diniz (1987), estrelada por Louise Cardoso.




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