Anthony Dexter, e a maldição de Valentino


Rudolph Valentino foi o maior astro do cinema mudo. Morto em 1926, com apenas 31 anos de idade, o galã latino tornou-se um dos maiores mitos da história cinematográfica.

Ao longo dos anos, vários estúdios tentaram criar outro latin lover como o mitológico Valentino, porém, sem muito sucesso.

Rudolph Valentino

Em 1951 a Columbia resolveu fazer uma cinebiografia do astro, e fez muita publicidade em torno da produção. Foi feito um teste para escolher o ator principal, do qual participaram 75 mil homens, entre eles, os astros Ricardo Montalban, Fernando Lamas, Jon Hall, John Derek, Guy Madison, Arturo de Córdova e Guy Williams.

Porém, o escolhido foi o novato Anthony Dexter, que protagonizou Rodolfo Valentino (Valentino, 1951). Embora fosse desconhecido, o fã clube do ator vibrou com a escolha, tamanha a semelhança de Dexter com Valentino. George Melford, que havia dirigido o ator em Paixão de Bárbaro (The Sheik, 1921), disse que Dexter tinha "os mesmos olhos, orelhas, boca e a mesma graça na dança", em uma entrevista ao jornal Los Angeles Times.

Rudolph Valentino (a direita) e Anthony Dexter (a esquerda)


Apesar do filme não ter feito o sucesso esperado, foi o suficiente para projetar o nome do ator, que só havia feito um pequeno papel (não creditado) em Pecado Sem Mácula (Side Street, 1950).

Walter Reinhold Alfred Fleischmann nasceu em 13 de janeiro de 1913, em Nebraska. Criado em uma fazenda, ele começou a cantar na igreja, e desenvolveu gosto pela atuação quando estava na escola. Rodolfo Valentino, o filme, foi sua grande chance no cinema, e fez com que o produtor Edward Small lhe oferecesse um contrato a longo prazo, para atuar na Columbia.

Anthony Dexter dançando tango com Patricia Medina em Rodolfo Valentino

Em seguida ele estrelou O Rei Aventureiro (The Brigand, 1952), Flechas Flamejantes (Captain John Smith and Pocahontas, 1953) e Capitão Kidd e a Escrava (Captain Kidd and the Slave Girl, 1954). Os três filmes eram produções capa e espada, filmes de heróis aventureiros, no mesmo estilo dos papéis feitos por Valentino no cinema.


Interpretar Valentino havia feito seu nome, mas o ator, vindo da Broadway, começou a ficar cansado de imitar o ator que retratou nas telas. Ele rompeu com Small, em busca de oportunidades mais desafiadoras, mas percebeu que os outros produtores também o queriam no mesmo tipo de filme, e pagando salários menores.

Dexter só retornou ao cinema em um filme menor, o mexicano The Black Pirates (1954), rodado em El Salvador. E depois, ficou relegado a participações em séries de televisão.

Ele voltou a Hollywood no western Destino Violento (The Parson and the Outlaw, 1957), onde interpretou Billy The Kid. No mesmo ano, interpretou Cristovão Colombo em A História da Humanidade (The Story of Mankind, 1957), dirigido por Irwin Allen. Ao longo de sua carreira, ele interpretou diversos personagens reais da história.


O ator ainda faria pequenos papéis em filmes como O Planeta Fantasma (The Phantom Planet, 1961) e Positivamente Millie (Thoroughly Modern Millie, 1967). Após atuar em um episódio da série Chaparral, em 1967, ele decidiu abandonar a carreira no cinema.

Ele mudou seu nome para Walter Craig, e passou a dar aulas de inglês, teatro e dicção para alunos do ensino médio. Dexter escondeu e negava sua carreira cinematográfica.

Anthony Dexter morreu em 27 de março de 2001, aos 88 anos de idade. Interpretar Rudolph Valentino foi sua entrada para o cinema, mas acabou deixando sua carreira presa a um único personagem.



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2 comentários:

  1. Eu gostei muito de O Rei Aventureiro, onde ele interpreta dois papéis, um rei de um país fictício e o seu sósia. É um filme por demais interessante, além de ter Anthony Quinn como vilão. Nas décadas de 1980 e 1990 foi muito reprisado na Record e está disponível no Youtube sem legenda...

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  2. As fotos, em preto e branco, estão trocadas, Valentino é o da foto à esquerda e Dexter, o da direita.

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