A trágica e cinematográfica morte de Lupe Velez, o furacão mexicano


Lupe Velez foi uma das primeiras estrelas latinas do cinema sonoro produzido em Hollywood. Com um temperamento explosivo, que era reproduzido nas telas, foi apelidada de The Mexican Spitfire (algo como a Mexicana explosiva, em uma tradução não literal).

Sua morte, com apenas 36 anos de idade, até hoje, ainda abala a comunidade cinematográfica.


Nascida Maria Guadalupe Villalobos Vélez em San Luis Potosí, no México, em 18 de julho de 1908. Filha de um coronel das forças armadas do ditador Porfirio Diaz e de uma cantora de ópera, a atriz nasceu em uma família muito rica e católica, e Lupe e suas irmãs foram enviadas para estudarem em um convento no Texas, onde ela aprendeu a falar inglês.

Aos 15 anos de idade seu pai foi morto na Revolução Mexicana, e a família ficou sem dinheiro. Lupe deixou o convento e retornou ao México, e uma amiga de seus país indicou a garota para um teste como corista no teatro de revista. Logo ela ganharia notoriedade no vaudeville mexicano, com direito a uma excursão a Paris com a companhia Bataclan.

A comediante norte-americana Fanny Brice a levou para Nova York, e a apresentou a Florenz Ziegfeld, que a contratou como dançarina e logo ela receberia um convite para fazer um teste na MGM.

Sua estréia no cinema foi na comédia curta What Women Did for Me (1927), dirigida por Hal Roach. Em seguida Roach a escalou para atuar em Cuidado com os Marujos (Sailors Bware, 1927), uma comédia curta da dupla O Gordo e o Magro.

Oliver Hardy, Stan Laurel e Lupe Velez, na década de 30

Mas a fama veio quando ela foi escolhida para o principal papel feminino em O Gaúcho (O Gaucho, 1927), ao lado de Douglas Fairbanks. O sucesso do filme a transformou em uma estrela.

Lupe Velez e Douglas Fairbanks em O Gaúcho

A atriz segiu atuando em filmes importantes, sempre no papel de protagonista, e conseguiu fazer uma transição tranquila durante a chegada do cinema falado. Em 1929 ela atou em A Canção do Lobo (The Wolf Song, 1929), onde contracenou com o novato Gary Cooper. O casal se apaixonou durante as filmagens, e Cooper, agora promovido a astro, mandou buscar a mãe e as irmãs da atriz no México. Eles chegaram a anunciar um noivado, mas romperam o relacionamento devido as constantes brigas conjugais. A família de Cooper era contra o casamento, e influenciou muito na separação dos dois.

Lupe Velez afirmava que o ator havia sido o grande amor de sua vida.

Gary Cooper e Lupe Velez

Lupe tinha um temperamento explosivo, e começou a dar trabalho para os diretores com quem trabalhava. Os escândalos e brigas envolvendo seus relacionamentos amorosos (com atores como Gilbert Roland, Errol Flynn, John Gilbert e Arturo de Córdova) também não ajudaram a sua carreira, que começou a declinar a partir de 1932.

Em 1933 ela se casou com o astro Johnny Weissmuller, o mais famoso Tarzan do cinema. O casal também brigava muitoe, e constantemente anunciavam sua separação. Em 1935 Weissmuller chegou a fugir da esposa, indo passar férias sozinho na Argentina. Lupe Velez foi atrás dele, com direito a uma breve e tumultuada passagem pelo Brasil. (Leia esta história aqui). 

Lupe Velez e Johnny Weissmuller

Com a carreira em baixa, a atriz começou a atuar em comédias de baixo orçamento. Em 1939 ela estrelou De Cabelinho nas Ventas (The Girl From Mexico, 1939), na RKO. O filme, apesar de barato, fez muito sucesso, e rejuvenesceu sua carreira.

Lupe Velez cantando em De Cabelinho nas Ventas

Lupe interpretava uma Carmelita Fuentes, uma latina amalucada, que perdia a paciência e causava um verdadeiro rebuliço. A irriquieta personagem foi rebatizada de Carmelita Lindsay, na sequência Quando a Mulher Vira Bicho (Mexican Spittfire, 1940). Este filme deu uma origem a uma série de  outras produções com a mesma personagem, que fizeram muito sucesso até 1943.

Neste período, Lupe fez outros filmes, mas sempre repetindo o mesmo estilo, o que acabou cansando o público e a tornaram uma caricatura estereotipada. Novamente em decadência, e como medo de ficar estigmatizada, ela retornou ao México, onde estrelou o drama Naná (Idem, 1944), baseado no clássico de Emile Zola. Por seu desempenho, ela recebeu bons elogios da crítica.


Seis meses após o lançamento do filme, que seria o último de sua carreira, a atriz cometeu suicídio, em 13 de dezembro de 1944.

Apesar de ter apenas 36 anos (na época, afirmando ter 33), a atriz já era considerada velha em Hollywood, e não tinha mais o apelo popular de outrora. Mas o seu derradeiro final teve como motivo um novo relacionamento amoroso, também fracassado.

Lupe Velez havia se divorciado de Johnny Weissmuller em 1939, e agora estava namorando com o ator Harald Ramond, um jovem galã austríaco de 28 anos de idade, recém chegado em Hollywood.

Ramond havia feito alguns filmes em seu país de origem, e havia sido contratado pela Paramount para atuar em Gaivota Negra (Freenchman's Creek, 1944).

Harald Ramond e Lupe Velez

Lupe engravidou do ator, e pediu para ele se casar com ela, mas o ator recusou-se, dizendo que não se casaria com uma velha. Ele ainda exigiu que ela interrompesse a gravidez, para não atrapalhar sua carreira que começava a despontar. 

Mas Lupe se recusou a fazer um aborto. Ela já havia feito um anteriormente (obrigada pelo estúdio), no começo de sua carreira, e seu médico disse que devido a sua condição de saúde e idade, não conseguiria engravidar novamente.

Traumatizada pelo primeiro aborto, com medo de não poder mais ser mãe, e renegada por sua família católica, por ter engravidado fora do casamento, a atriz entrou em desespero. Ela então mandou fazer um vestido de cetim branco, encomendou flores para decorar seu quarto e chamou um cabeleireiro e um maquiador do estúdio. Lupe Velez se vestiu e se arrumou, deitou na cama entre as flores, e tomou um frasco de remédios para dormir. Ela queria se despedir de Hollywood e da própria vida de forma glamurosa.

Porém, ao que parece, a atriz desistiu da ideia, correndo para o banheiro para tentar vomitar as pílulas ingeridas. Tonta com a medicação, acabou perdendo o equilíbrio. A atriz foi encontrada com a cabeça dentro do vaso sanitário, afogada. 

Harald Ramond compareceu ao seu funeral, e cumprimentou sua família. Pouco tempo depois, foi encontrado o bilhete suicida, onde a atriz escreveu: "Que Deus te perdoe e perdoe à mim também, mas eu prefiro me matar e matar nosso bebê à trazê-lo na vergonha ou matança. Como você pode Harald? Fingir sentir grande amor por mim e nosso bebê quando você nunca nos quis! Eu não vejo outra saída para nós, então adeus e boa sorte para você. "


Harald Ramond no funerald e Lupe Velez


Depois disto, a tão sonhada carreira de Harald Ramond em Hollywood acabou. A Paramont o demitiu, e ele retornou à Europa, onde continuou trabalhando, usando o nome de Harald Maresch. Mas sua carreira nunca mais foi a mesma, trabalhando em papéis menores ou em produções baratas de terror. Ele chegou a trabalhar em Hollywood novamente, no filme O Inferno Nº 17 (Stalag 17, 1953), clássico de Billy Wilder. O filme, também da Paramount, foi rodado na Alemanha, e tinha Harald (agora Maresch) como figurante.

Harald Ramond atuou até 1968, e faleceu em 17 de dezembro de 1986, aos 70 anos de idade.






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