Cantora Angela Maria morre aos 89 anos

 
A cantora Angela Maria, uma das maiores cantoras brasileiras, faleceu na noite do dia 29.
 
Abelim Maria da Cunha, seu nome de batismo, nasceu em Conceição de Macabu, Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1929, na época, distrito de Macaé. Nascida em uma família humilde, Angela começou a trabalhar muito cedo para ajudar nas despesas de sua casa. Foi funcionária em uma fábrica de lâmpadas e de uma tecelagem, e também trabalhou como doméstica.
 
Em 1947, contrariando sua família, começou a cantar a noite, após sair do trabalho.  Ângela ia de rádio em rádio em rádio fazer inscrições para sorteios, até que conseguiu ser premiada e se apresentou aos jurados em uma rádio, e passou no teste. Com isso, começou a apresentar-se como cantora no "Pescando Estrelas", um programa de calouros. Adotou o nome de Angela Maria, para não ser reconhecida por sua mãe, que era evangélica e queria que a filha casasse e formasse uma família, e era contra a vida de artista.
 
 
Ângela então começou a se apresentar famoso Dancing Avenida e depois na rádio Mayrink Veiga. Em 1951, com a família já sabendo de tudo e mesmo a contragosto, acabaram aceitando a vontade da filha, Angela gravou o primeiro disco. Veio assim os sucessos que a consagraram.
 
Entre seus maiores sucessos musicais, em uma carreira que durou mais de 50 anos, estão as canções Babalu, Gente Humilde, Cinderela, Orgulho, Não Tenho Você, Moça Bonita, Vá, mas Volte, Garota Solitária, Falhaste coração, Canto paraguaio, A noite e a despedida, Lábios de mel, etc.
 
Com grande sucesso no Brasil, passou a viajar o mundo com canções belíssimas em sua voz considerada muito harmônica. Além de cantora, fez cursos de teatro, e apareceu em diversos filmes. Angela Maria estreou no cinema no filme Rua Sem Sol (1954). Normalmente aparecia nos filmes como cantora convidada, interpretando algum grande sucesso seu. Angela apareceu em mais de 20 filmes, incluindo O Rei do Movimento (1955) Fuzileiro do Amor (1956), Com Água na Boca (1956), O Feijão é Nosso (1956), Rio, Zona Norte (1957), O Samba da Vila (1957), Rio Fantasia (1957), Quem Roubou Meu Samba (1959), Dorinha no Socity (1959), 007 1/2 no Carnaval (1966), Carnaval Barra Limpa (1967) e Portugal... Minha Saudade (1973). Em Caminho da Esperança (Rumbo a Brasilia, 1961), uma produção mexicana, Angela demonstrou suas qualidades de atriz, protagonizando a obra, ao invés de aparecer apenas cantando.

Angela Maria no filme O Rei do Movimento (1955)

  
 Apelidada de Sapoti pelo presidente Getúlio Vargas, Angela foi eleita Rainha do Rádio em 1955.

Angela Maria, Carmen Miranda e Almirante na Rádio Nacional, em 1955
 
Angela Maria e Marlene Dietrich em 1957
          
A cantora casou-se seis vezes, e teve relacionamentos conturbados, sendo muitas vezes roubada pela maioria dos seus maridos. Ela nunca teve filhos devido a problemas uterinos, descobertos ainda na adolescência.
 
Angela Maria e o cantor Cauby Peixoto, que ela considerava seu melhor amigo
  
Angela Maria estava internada há pouco mais de um mês, e não resistiu a uma infecção bacteriana. A cantora faleceu em 29 de setembro de 2018, aos 89 anos de idade.
 
 
 
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Morreu o ator Leonardo Machado, aos 42 anos de idade


Morreu na noite de sexta-feira, dia 28 de setembro, o ator gaúcho Leonardo Machado.

Nascido em Porto Alegre, em 06 de julho de 1976, o ator foi por mais de dez anos o apresentador do Festival de Cinema de Gramado, e venceu um Kikito de melhor ator por seu trabalho no longa em Teu Nome (2009).


Com uma carreira de mais de 20 ano, Leonardo atuou em 14 peças de teatro e fez inúmeros filmes. Ao todo ele atuou em 36 curta-metragens e 23 longas, incluindo filmes como Lara (2002), Os Senhores da Guerra (2012), O Tempo e o Vento (2013), O Senhores da Guerra 2 - Passo da Cruz (2014) e Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos (2018), onde interpretou o melhor amigo do ator Edson Celulari. Machado também está no elenco de dois filmes que ainda não estrearam, em Legalidade, de Zeca Britto, ele interpreta o político Leonel Brizola e em A Cabeça de Gumercindo Saraiva, de Tabajara Ruas, no papel de Capitão Francisco.

Leonardo Machado como Leonel Brizola

Leonardo Machado atuou em diversas produções da RBS TV, incluindo a famosa Contos Gaúchescos (2011). Na televisão, também atuou em novelas como O Clone (2001), Senhora do Destino (2004) e Viver a Vida (2009-2010) e nas minisséries Na Forma da Lei (2010), sendo o último ator a fazer par romântico com Ana Paula Arósio (antes dela abandonar a carreira) e Se Eu Fechar os Olhos Agora (2018). Também fez participações em Malhação (2007) e na novela Salve Jorge (2012-2013). Ainda atuou na minissérie Segredo (2005), feita pela televisão portuguesa RTP.

Ana Paula Arósio e Leonardo Machado em Na Forma da Lei
 
 
Leonardo Machado lutava contra um câncer de fígado desde 2016, e estava internado no Hospital Moinho de Ventos, em Porto Alegre. Ele faleceu em 28 de setembro de 2018, aos 42 anos de idade.



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Morre o cantor Tito Madi, aos 89 anos de idade


Morreu hoje, dia 26 de setembro, o cantor e compositor Tito Madi, um dos maiores interpretes brasileiros de samba canção, e um dos influenciadores da Bossa Nova.

Nascido Chauki Maddi, em Pirajuí, no dia 12 de julho de 1929, Tito iniciou sua carreira no final da década de 40. Em 1949 compôs sua primeira música, "Eu Espero Você". Em 1952 mudou-se para São Paulo, onde ingressou na Rádio Tupi.

Voltou ao Rio de Janeiro em 1954, para trabalhar como cantor na TV Tupi carioca, além de continuar cantando em boates e casas noturnas. Em 1957 compôs "Chove lá Fora", seu maior sucesso, que chegou a ser gravado pela cantora norte-americana Della Reese e pelo conjunto The Platters, em inglês.

No auge dos musicais brasileiros, apareceu em obras cinematográficas como ele mesmo, interpretando algumas de suas canções mais famosas nos filmes Amor Para Três (1958), É a Maior (1958), Matemática Zero, Amor Dez (1960) e Briga, Mulher e Samba (1960).

Relembre Tito Madi no filme Amor Para Três (1958)

Entre seus grandes sucessos musicais estão "Cansei de Ilusões","Sonho e Saudade", "Carinho e Amor", "Fracassos de Amor", "Gauchinha Bem-Querer", "Não Diga Não" e "Balanço Zona Sul".

Tito Madi estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, onde tratava uma pneumonia. O cantor tinha 89 anos de idade.





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Morre a atriz Laurie Mitchell, de Rebelião dos Planetas (1958), aos 90 anos


 Laurie Mitchell é conhecida pelos fãs de cinema como a Rainha Yllana, no clássico de ficção científica Rebelião dos Planetas (Queen of Outer Space, 1958), estrelado por Zsa Zsa Gabor.
 
Porém, as belas feições da atriz não é visto neste clássico B, já que sua personagem tem o rosto deformado, e passa boa parte do filme coberto com uma máscara.
 
Laurie Mitchell como a Rainha Yllana 
 
Mickey Koren, seu nome verdadeiro, nasceu em 14 de julho de 1928, em Nova York. Muito jovem Laurie começou a participar de concursos de beleza, ganhando alguns títulos. Isto lhe abriu as portas para trabalhos como modelo, e 1954 fez sua estreia como atriz, atuando na televisão.
 
Em 1949 ela havia se casado com o trompetista e mágico Larry White, e fez seus primeiros trabalhos como atriz usando o nome de Barbara White. Sua estreia no cinema foi em um pequeno papel, como uma das namoradas de Ned (personagem de Kirk Douglas) em 20.000 Léguas Submarinas (20,000 Leagues Under the Sea, 1954).
 
Laurie nunca se tornaria uma estrela do primeiro time, e por muito tempo atuou como figurante em filmes como Com Lágrimas na Voz (The Helen Morgan Story, 1957), estrelado por Ann Blyth. Também apareceu em filmes como O Vício Singra o Mississipi (The Rawhide Years, 1956) e Quando as Pistolas Decidem (The Oklahoman, 1957) e na série As Aventuras do Super-Homem (Adventures of Superman), estrelada por George Reeves.
 
Laurie teve sua primeira grande chance no filme de baixo orçamento Attack of the Puppet People (1958), ao lado do ator Kenny Miller. Como Kenny, um ator pouco lembrado, tornou-se uma atriz de filmes chamados "trash", os filmes baratos da década de 50, que a tornaram cult muitos anos após sua aposentadoria. Em seguida atuou em Rebelião dos Planetas (Queen of Outer Space, 1958) e Terríveis Monstros da Lua (Missile to the Moon, 1958).
 
Laurie Mitchel (ao centro) em Attack of the Puppet People,
Kenny Miller é o primeiro homem a direita
 
 Laurie Mitchell e Gary Clarke Terríveis Monstros da Lua
 
Em 1959 foi escalada para atuar em Quanto Mais Quente Melhor (Some Like is Hot, 1959), como a trompetista Mary Lou, uma das muitas garotas da banda onde Jack Lemmon e Tony Curtis se infiltram travestidos de mulher.
 
Marilyn Monroe viu Laurie no camarim e exigiu que ela pintasse os cabelos de um tom mais escuro, pois a estrela exigia que nenhuma outra atriz do filme poderia ter os cabelos tão claro como os seus.
 
Laurie Mitchell em Quanto Mais Quente Melhor
 
Sem muitos trabalhos no cinema, dedicou-se a televisão, atuando em séries como Maverick, Bonanza, Laredo e Surfside 6. No cinema, ainda fez participações em filmes como Carícias de Luxo (That Touch of Mink, 1962) e Fúria de Brutos (Gunfight at Comanche Creek, 1963). Este último, um filme estrelado por Audie Murphy, onde a atriz teve um de seus melhores papéis.
 
Laurie e Audie Murphy em Fúria de Brutos
 
Laurie Mitchell abandonou o cinema em 1971, passando a dedicar-se a sua família. Muitos anos após viver reclusa, foi redescoberta por uma nova geração de fãs, e passou a dar entrevistas e gravar comentários para os DVDs dos filmes de ficção científica que atuou, e assinar autógrafos em convenções e feiras para fãs.
 
 
A atriz faleceu em 20 de setembro de 2018, aos 90 anos. Sua morte foi informada por sua filha ao historiador Tom Waver, que entrevistou Laurie para um livro sobre filmes de baixo orçamento.
 
Leia também: A estrela Ann Blyth
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O ator Kenny Miller, astro de filmes B


Kenny Miller foi um ator coadjuvante de inúmeros filmes adolescentes das décadas de 50 e 60.

Filho de missionários religiosos, Kenny desejava ser ator desde os oito anos de idade, quando assistiu O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939), nos cinemas. Mas o menino escondeu o desejo dos pais, que não o permitiam nem mesmo ir ao cinema (ele fora escondido).

Aos 15 anos fugiu de casa e foi de carona para Los Angeles, para tentar realizar seu sono. Mas ao chegar, descobriu que o pai caiu doente, e voltou para casa. Poucos anos depois, o seu pai faleceu, e ele finalmente pode realizar seu desejo.

Kenny estreou no cinema em um pequeno papel em Meu Amigo, o Leão (Fearless Fagan, 1952), dirigido por Stanley Donen. Após estrear no cinema, precisou deixar seu sonho de lado para prestar o serviço militar obrigatório, retornando às telas dois anos depois.

O ator nunca tornou-se um astro. Geralmente ficou relegado a papéis de delinquentes juvenis membro de gangues. Papel que fez em filmes como Vidas Amargas (East of Eden, 1955), Mocidade Rebelde (The Young Guns, 1956), O Crime Caminha Pela Noite (1957), A Delícia de Um Dilema (1958) e A Marca da Maldade (Touch of By Evil, 1958).

Kenny Miller, o primeiro a esquerda, e a gangue adolescente de A Marca da Maldade

Mas foram nos filmes de baixo orçamento, feitos para adolescentes (geralmente para exibição em Drive Ins) que Kenny teve seus melhores papéis. Ele apareceu em filmes de terror hoje considerado cults, como Eu Fui um Lobisomem Adolescente (I Was a Teenage Werewolf, 1958) e Attack of the Puppet People (1958).

Também atuou em filmes da "turma da praia", como Rockabilly Baby (1957), Going Steady (1958) e Surf Party (1964). Na década de 60, apresentou em turnês pelo mundo como dançarino de Twist.

Teve certo destaque em uma grande produção, atuando em Corsário Sem Pátria (The Bucaner, 1958). Em 1976 deixou a carreira, após atuar no filme de "Terror B" Blood Stalker (1979), seu único trabalho como protagonista. A partir dos anos 2000 passou a ser um ator cult, sendo chamado para diversas conveções de sci-fi e de filmes de terror. Também voltou a atuar em alguns filmes independentes.


Com Michael Landon (O Homem que Veio do Céu) em um Fui um Lobisomem Adolescente

Como um dos "puppet people"

Com Bobby Vinton em Surf Party

Com a cantora Molly Bee, com quem se casou

 Com Anthony Quinn no intervalo de Corsário Sem Pátria

 Cartaz de Bloodstalkers

Kenny Miller faleceu em 08 de maio de 2017, aos 85 anos. Seus filhos pediram para as pessoas não levassem flores em seu funeral, mas que doassem o dinheiro para a fundação de amparo aos animais de Doris Day, seu último pedido em vida.

Morre o ator Jairo Arco e Flexa, aos 81 anos de idade


Morreu o ator, diretor, jornalista, escritor e tradutor paulistano Jairo Arco e Flexa, que atuou em inúmeras novelas, peças de teatro e filmes nacionais.
Nascido em 1937, Jairo iniciou sua carreira como ator na metade da década de 50, estreando como ator aos 18 anos, na peça A Vida Impressa em Dólar (1955), no Teatro Oficina. No Teatro, atuou nos palcos do Teatro de Arena e TBC. Ele participou de montagens lendárias como Liberdade, Liberdade (1965), Arena Contra Tiradentes (1967), e Navalha na Carne (1967) da qual também foi diretor (e por seu trabalho na direção, levou o  Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte).
Jairo Arco e Flexa em Navalha na Carne
A maioria das peças em que atuou tinha cunho político, e tiveram problemas com a censura e a ditadura militar, fazendo com que o ator e diretor se auto exilasse por um tempo nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, retomou sua carreira no começo da década de 80, atuando também no cinema e televisão.
Na televisão, sua estreia foi no Grande Teatro Tupi. Atuou em diversas novelas, passando por várias emissoras. Na  Excelsior fez Sozinho no Mundo (1963) e muitos espetáculos do Teleteatro do 9, na Record atuou e Venha Ver o Sol Na Estrada (1973), na TV Bandeirantes fez Os Adolescentes (1981), Ninho da Serpente (1982) e A Filha do Silêncio (1982), e no SBT atou em Acorrentada (1983). Seu último trabalho na televisão foi na minissérie O Portador (1991), na Rede Globo. A série causou polêmica por ser a primeira obra da teledramaturgia brasileira a retratar a questão da AIDS.
No cinema, estreou em um longa metragem derivado da série O Vigilante Rodoviário, chamado O Vigilante e os Cinco Valentes (1964). Atuou ainda em filmes como Anuska, Manequim e Mulher (1968), Lua de Mel e Amedoim (1971), Independência ou Morte (1972), A Infidelidade ao Alcance de Todos (Segmento A Tuba, 1972) e no polêmico Amor Estranho Amor (1982), de Walther Hugo Khouri, com a futura apresentadora infantil Xuxa. 
Tarcísio Meira, Kate Hansen, Glória Menezes (de costas) e Jairo Arco e Flexa no filme Independência ou Morte

Jairo Arco e Flexa faleceu em 19 de setembro de 2018, aos 81 anos de idade. Sua morte foi divulgada por amigos nas suas redes sociais, mas a causa de sua morte não foi informada.


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Morreu a atriz argentina Reneé Roxana, mãe de Ricardo Darín


Morreu no dia 13 de setembro a atriz argentina Reneé Roxana, uma veterana do cinema argentino e mãe dos atores Alejandra e Ricardo Darín.


Nascida em 28 de janeiro de 1931, Reneé Roxana (também creditada como Roxana Darín), ela estreou como rádio atriz em 1952, na Rádio El Mundo.
 
Em 1955 ela se casou com o ator Ricardo Darín (1925-1989), com quem trabalhou na rádio novela Las Aventuras del Zorro. Eles ficaram casados até 1969, e tiveram dois filhos, inclusive Ricardo, que herdou o nome do pai.

Renné Roxana e Ricardo Darín (pai)
 
Renné estreou no cinema em Miguitas em La Cama (1949), e atuou em filmes como La Edad del Amor (1954), Pimienta (1966), Donde duermen dos... duermen três (1979), Pobre Mariposa (1986), Chechechela, una chica del barrio (1987), Chice bombón (2004) e El Tabarís, Ileno de Estrellas (2012).
 
Em 2012 a atriz recebeu o Prêmio Podestá, entregue pela Asociación Argentina de Actores. No ano seguinte foi premiada pela Sociedad Argentina de Gestión de Actores Intérpretes.
 
A atriz havia caído recentemente, e quebrou o quadril, e se recuperava na casa de seu filho Ricardo Darín. Ela tinha 87 anos, e faleceu em 13 de setembro de 2018.
 
Reneé Roxana com os filhos Ricardo e Alejandra Darín
 
Leia também: A Atriz Eva Perón
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Mary Wickes, de Mudança de Hábito, foi a primeira Mary Poppins


Em 1992 Whoopi Goldberg protagonizou a comédia Mudança de Hábito (Sister Act, 1992), onde interpretava uma mulher que era colocada em convento no programa de proteção a testemunha, revolucionando os hábitos das freiras que a acolhiam.

A comédia fez um enorme sucesso, e ganhou uma bem sucedida sequência no ano seguinte. Além de Whoopi, uma grande estrela na época, suas  coadjuvantes também encantaram o público, incluindo a veterana Mary Wickes, que interpretava a sisuda Madre Superiora Mary Lazarus.

Whoppi Goldberg e Mary Wickes em Mudança de Hábito

Aos 82 anos de idade, Mary Wickes, uma veterana com quase sessenta anos de carreira, retornou ao estrelato, sendo inclusive indicada ao American Comedy Awards no ano seguinte. As novas gerações, entretanto, desconheciam sua longa carreira no teatro, cinema e televisão.


Mary Isabele Wickenhauser nasceu em 13 de junho de 1910, em St. Louis, Missouri. Seus pais eram aficionados por teatro, e desde bebê já a levavam para assistir diversos espetáculos. Excelente aluna, ela pulou dois anos, e formou-se aos 16 anos de idade, ingressando com esta idade na Universidade de Washington, onde ela se formou em 1930, com especialização em literatura inglesa e ciência política.

Mary desejava ser juíza, mas um professor a incentivou a tentar o teatro, e ela acabou mudando os rumos de sua carreira. O mesmo professor convenceu a atriz Kay Thompson, sua colega de classe, a fazer o mesmo.

Em 1934 ela estreou na Broadway, contracenando com Henry Fonda. Ela estreou no cinema em um curta-metragem no mesmo ano. No final da década de 30 ingressou na lendária companhia de Orson Welles em seu programa radiofônico The Mercury Theatre on the Air, participando da famosa irradiação de Guerra dos Mundos (War of Worlds, 1938), que causou pânico na população que creditou ser vítima de um ataque alienígena real.

O primeiro longa-metragem da atriz foi Too Much Johnson (1938), primeiro filme dirigido por Welles.
 Howard Smith, Mary Wickes, Orson Welles, Virginia Nicolson, William Herz, Erskine Sanford, Eustace Wyatt e Joseph Cotten em frente ao Stony Creek Theatre, que exibia o primeiro de Welles
Mary chamou a atenção de Hollywood, que a contratou para viver a enfermeira Preen em Satã Janta Conosco (The Man Who Came to Dinner, 1942), estrelado por Bette Davis e Ann Sheridan. Ela já havia feito este mesmo papel na Broadway anos antes, e em 1972 voltou a fazê-lo em um especial de televisão, onde novamente contracenou com Orson Welles. 

Mary Wickes e Monty Walley em Satã Janta Conosco 

Mary Wickes tornou-se uma coadjuvante requisitada, geralmente em papéis cômicos, que marcaram sua carreira. Ela atuou em filmes com Papai em Apuros (Blondie's Blessed Event, 1942), Private Buckaroo (1942), Que é o Culpado (Who Done It?, 1942), O Prefeito da Rua 44 (The Mayor 44th Street, 1942), Meu Reino Por Uma Cozinheira (My Kingdom for a Cook, 1943) e Filho Querido (Happy Land, 1943). Mas também fez papéis sérios, como a enfermeira que ajuda Bette Davis em A Estranha Passageira (Now, Voyager, 1942). Ela ainda trabalharia com Davis em Noiva da Primavera (June Bridge, 1948). 

Bette Davis e Mary Wickes em  Noiva da Primavera 
Freelancer, ou seja, sem contrato fixo com um estúdio, revessava-se entre o cinema e a televisão, onde estreou em 1948.
Em 1948 estrelou a versão televisiva de Mary Poppins, sendo a primeira atriz a dar vida a babá criada por Pamela Lyndon Travers, em 1934. O especial de TV foi transmitido pelo programa Studio One em 19 de dezembro de 1948, nas celebrações de final de ano. O menino Tommy Rettig, que ficaria famoso na série Lassie, anos mais tarde, fazia o pequeno Michael Banks.



Mary Wickes como Mary Poppins



Equipe fazendo Mary Wickes voar em Mary Poppins (1948)

Outro papel marcante da atriz na TV foi como a Madame Lamound, a professora de balé de Lucille Ball em I Love Lucy, em 1952. Lucille e Mary eram vizinhas, e grandes amigas, e atuariam juntas em diversos episódios de The Lucy Show, Here's Lucy e no telefilme Lucy Calls the President (1977). 

Lucille Ball e Mary Wickes em I Love Lucy

Na televisão, ainda fez um papel regular na série Denis, O Pimentinha (Dennis, The Menace, 1959-1962), estrelada por Jay North. Também atuou em participações especiais em séries como Zorro e Columbo, estrelada por Peter Falk. Também viveu Ida Goff na série Temple Houston (1964), com Jeffrey Hunter.

No cinema, ainda destacou-se em Natal Branco (White Chrismas, 1954) e O Vendedor de Ilusões (The Music Man, 1961) e serviu de modelo de rotoscopia (onde atores reais eram filmados, para servirem de base para os desenhistas) para a personagem Cruella de Vil em Os 101 Dálmatas (One Hundred e One Dalmatians, 1961), de Walt Disney.

Mary Wickes como Cruella

Também grande amiga de Doris Day, contracenou com a atriz em quatro filmes: Meus Braços Te Esperam (On Moonligh Bay, 1951), Sonharei com Você (I'll See You in My Dreams, 1951), Lua Prateada (By the Light of the Silvery Moon, 1953) e A Viuvinha Indomável (It Happened to Jane, 1959). Também participou de um episódio de The Doris Day Show (1968).

Doris Day, Danny Thomas e Mary Wickes em Sonharei com Você

No cinema ainda fez sucesso no papel da Irmã Clarissa em Anjos Rebeldes (The Trouble with Angels, 1966) e sua continuação Diabruras dos Anjos Rebeldes (Where Angels Go Trouble Follows!, 1968), ambos estrelados por Rosalind Russell.  
Mary Wickes em Anjos Rebeldes

Ela voltaria a interpretar uma freira na série Punky, a Levada da Breca (Punky), em 1984.

Na década de 90 interpretou a mãe de Shirley McLaine em Lembranças de Hollywood (Postcards from the Edge, 1990), mas foi novamente como uma freira, em Mudança de Hábito (Sister Act, 1992), que voltou ao estrelato. Mary Wickes voltou a interpretar a rabugenta irmã Mary Lazarus na sequência do filme, Mudança de Hábito 2: Mais Confusões no Convento (Sister Act 2: Back in the Habit, 1993).
  
Kathy Najimy, Wendy Makkena e Mary Wickes em Mudança de Hábito

Após o filme, ela ainda atuou em Adoráveis Mulheres (Little Women, 1994) e começou a dublar a gárgula Laverne na animação O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame, 1996), mas faleceu antes do filme ser terminado, e a antiga estrela mirim Jane Withers foi chamada para terminar a dublagem, mas as gravações de Mary Wickes foram mantidas no filme.

Laverne, de O Corcunda de Notre Dame

Em 22 de outubro de 1995 Mary Wickes faleceu aos 85 anos de idade, devido a complicações cirúrgicas. A atriz sofria de diversas doenças, incluindo insuficiência renal, sangramento gastrointestinal, pressão arterial baixa grave, cardiomiopatia isquêmica, anemia e câncer de mama (que nem havia sido diagnosticado até sua morte). 

Mary Wickes nunca se casou, e nem teve filhos, e deixou todo seu patrimônio para o Fundo da Biblioteca Memorial de Televisão, Cinema e Teatro da Isabella e Frank Wickenhauser na Universidade de Washington em St. Louis. E seu acervo pessoal foi doado para a Universidade de Washington, onde ela estudou. 



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