Por Onde Anda? Leonard Whiting, o eterno Romeu


Em 1968 o diretor Franco Zefirelli lançou o filme Romeu & Julieta (Romeo and Juliet, 1968), que fez um enorme sucesso, e que hoje é considerado um dos grandes clássicos do cinema.

Para contar a trágica história dos jovens amantes de Verona, cujas famílias se odeiam, Zefirelli lançou dois jovens atores, Olivia Hussey (então com 16 anos) e Leonard Whiting (com 17 anos de idade). O belo casal encantou ao público, e até hoje, passados cinquenta anos do lançamento do filme, ainda fazem parte do imaginário de muita gente.


Por seu desempenho, Whiting ganhou um Globo de Ouro como "O Ator Relevação Mais Promissor" em 1969. Porém, nem Leonard nem Olivia eram tão estreantes assim. Ela havia iniciado no cinema em um pequeno papel em Vila Fiorita (The Batlle of the Villa Fiorita, 1965) e ele já havia feito alguns trabalhos na televisão, também começando em 1965.


Leonard Whiting nasceu em 30 de junho de 1950, em Londres, na Inglaterra. Filho de operários ingleses, ele tem ascendência inglesa, irlandesa e cigana. Aos 12 anos de idade, ele tinha uma boy band que cantava músicas pop. 

Um dia, a banda de Whiting estava se apresentado em um casamento, quando um agente o viu cantando e o sugeriu para que tentasse o papel de Lionel Bart no espetáculo teatral Oliver!. Whiting conseguiu o papel, substituindo Davy Jones, que partia com o mesmo espetáculo para se apresentar em Nova York. Jones, mais tarde, faria parte do conjunto The Monkees.

Leonard Whiting atuou em Oliver! por 18 meses, e depois atuou na peça Love For Love, ao lado de Laurence Olivier. Com este trabalho, excursionou por Moscou e Berlin, e permaneceu em cartaz por outros 13 meses.

Em Oliver!

Em 1965 ele estreou na televisão, atuando na série inglesa A Poor Gentleman. Fez mais alguns trabalhos na TV britânica e em 1966 foi para os Estados Unidos atuar em The Legend of Young Dick Turpin, um especial de longa metragem, feito pelos estúdios Disney, para a televisão.

David Weston e Leonard Whiting em The Legend of Young Dick Turpin

O jovem ator então entrou em uma seleção com outros 300 rapazes para tentar o papel de Romeu. Zeffirelli ficou encantado com sua beleza e talneto e declarou "Ele tem um rosto magnífico, uma suave e melancolia, é doce, e é o tipo de jovem idealista que Romeu deveria ser!". Leonard começou a gravar o filme uma semana após se formar no secundário.

Após Romeu & Julieta, Whiting recebeu muitos convites para o cinema. Seu filme seguinte foi Real Caçador do Sol (The Royal Hunt of the Sun, 1969), ao lado de Christopher Plummer. Depois atuou em As Primeiras Experiências Amororas de Casanova (Infanzia, vocazione e prime esperienze di Giacomo Casanova, veneziano, 1969). Ambos os filmes pouco contribuíram para a continuidade de sua carreira.

Whiting, Chritopher Plummer e Robert Shaw em Real Caçador do Sol 

Em 1971 Leonard Whiting se casou com a modelo Cathee Dahmann, com quem teve uma filha (eles se separaram em 1977). Nesta mesma época, gravou a faixa The Raven no disco Tales od Mystery and Imagination, de Alan Parson. Também atuou em Recorda Teu Passado (Say Hello to Yesterday, 1971), ao lado da veterana Jean Simmons.

 Ao mesmo tempo, ele já começava a demonstrar o seu descontentamento na carreira no cinema. Após atuar em Na Guerra... Nem Tudo é Guerra (à La Guerre comme à la Guerre, 1972), começou a atuar com menos frequência. 

Em 1973 ele fez A Verdadeira História de Frankenstein (Frankenstein: The True Story, 1973), um filme feito para a televisão,
onde interpretava o Dr. Victor Frankenstein.


Depois ainda fez mais dois telefilmes, e abandonou as telas em 1975. Passando a se dedicar ao teatro e posteriormente, tornou-se autor teatral. Em 1995 ele voltou a se casar, desta vez com Lynn Presser, sua assistente, com quem está casado até os dias de hoe.

Em 1992 deu uma entrevista a revista People, onde declarou: "Eu fui empurrado instantaneamente para o estrelato internacional. Quando isto acontece, as pessoas pessoas querem que você repita esse sucesso de novo e de novo. Orson Welles disse certa vez: 'Comecei no topo, e depois comecei a descer!' Eu eu me identifico com isto!".

Em 1990 Leonard Whiting retomou brevemente a carreira de ator, emprestando sua voz para o desenho animado A Pedra dos Sonhos (The Dreamstone, 1990-1995).

E em 2015 o diretor Bruce Webb convenceu o ator a retornar às telas em Social Suicide (2015). Levemente inspirado em Romeu e Julieta, o filme mostra uma investigação policial sobre o suicídio de dois jovens amantes.

Social Suicide é estrelado por India Eisley, filha da atriz Olivia Hussey (a Julieta), que também atua na obra. Hussey e Whiting se reencontraram nas telas em 2015, 47 anos depois de estrelarem juntos o maior sucesso da carreira de ambos os atores.

India Eisley em Social Suicide

Leonard Whiting e Olivia Hussey em Social Suicide

Leonard Whiting em 2018


Relembre Romeu & Julieta

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Susan Hayward e a luta para viver



Susan Hayward nasceu com o nome Edythe Marrenner em 30 de Junho de 1917, no Brooklyn, em Nova York. Após fazer muitos testes para a Broadway, sem sucesso, começou a trabalhar como modelo. David O. Selznick viu uma fotografia sua em 1937, e a convidou para fazer um teste para o filme que estava produzindo: ...E O Vento Levou (Gone With the Wind). Susan fez o teste para Scarlet O'Hara, mas não se saiu muito bem.

Susan como Scarlet

Apesar de não ganhar o papel, conseguiu algumas pontas em filmes, estreando em Hollywood Hotel (1937), como figurante. Teve sua primeira grande chance quando ganhou o primeiro papel feminino em Beau Geste Idem, 1939), ao lado de Garry Cooper.


Em 1947 ela recebeu sua primeira indicação ao Oscar pelo filme Desespero (Smash-Up: The Story of a Woman, 1947). Ela ainda seria indicada mais quatro vezes ao prêmio. Na segunda metade da década de cinquenta estava meio decepcionada com os rumos de sua carreira, e muito abalada com o divórcio com o ator Jess Parker. Parker era abusivo e batia constantemente na atriz. Em 1953 ele a jogou dentro da piscina e tentou afogá-la, por ela se recusar a lhe comprar um carro novo. O caso ganhou a capa de todos os tablóides da época.

Com Jess Parker

Mesmo após o divórcio o ator continuou a importuná-la. Alegando que iria visitar os filhos gêmeos que teve com Susan. Constantemente ia até sua casa, e sempre acabava pedindo dinheiro e que ela lhe arrumasse papéis, já que sua carreira não decolava. Jess Parker se recusava a trabalhar em outra área que não no cinema. Susan não aguentou e tentou o suicídio, tomando um frasco de remédios para dormir, mas foi salva por sua mãe que estranhou a voz da filha ao telefone e chamou o socorro.

O conturbado casal e seus filhos

Novamente estampando as colunas de fofocas, a atriz entrou em colapso. Internou os filhos em um colégio interno e deixou a vida artística, vivendo reclusa. Acabou tornando-se alcoólatra.

Algum tempo depois o produtor Walter Wanger foi procurá-la, levando um roteiro que queria que ela filmasse, o drama real sobre a vida de Barbara Graham, Quero Viver (I Wanto lo Live, 1958), uma prostituta condenada à câmara de gás por assassinato. Susan aceitou o desafio, e emfim recebeu seu  merecido Oscar.

Trailer de Quero Viver


Mas seu retorno não duraria muito. Ela continuou atuando, mas sem conseguir grandes papéis. Durante as filmagens de Charada em Veneza (The Honey Pot, 1967) recebeu uma ligação que seu novo marido havia falecido, vítima de cirrose. Susan deixou a Itália, onde rodava o filme, e foi para os Estados Unidos. A atriz se internou em um sanatório, e após fazer exames para saber o que lhe causava fortes dores de cabeça descobriu que tinha um tumor cerebral, inoperável.

Em 1956, durante as filmagens de Sangue de Bárbaros (The Conqueror, 1956), ela (e todo elenco e equipe do filme) foi exposta a radiação de testes nucleares. O governo norte-americano testara bombas atômicas no mesmo lugar no deserto onde a equipe rodava o filme. Praticamente todos os participantes de Sangue de Bárbaros morreram de câncer nos anos seguintes, incluindo John Wayne, Agnes Moorehead e o diretor Dick Powell.

Em 1974 ela apareceu na cerimônia do Oscar, e aparentava estar bem. A imprensa cogitou que ela estivesse curada, mas na verdade ela já estava bastante debilitada. Susan subiu ao palco após horas de maquiagem e com uma peruca, para esconder as marcas de seu tratamento. Foi sua última aparição pública.

Ela faleceu em 14 de março de 1975, com apenas 57 anos.

Susan no Oscar de 1974


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Morre a atriz Eudósia Acuña



Eudósia Acuña Quintério nasceu em 10 de janeiro de 1944, na cidade do Rio de Janeiro. Eudósia Acuña trabalhava como professora primária ao mesmo tempo que conciliava o seu tempo atuando em um grupo de teatro amador, que lhe valeu o ingresso no Conservatório Nacional de Teatro.

Começou a trabalhar profissionalmente como atriz, nos palcos, rádio e em dublagens, até ser contratada pela TV Tupi do Rio de Janeiro. Na Tupi, estreou na novela Super Plá (1969), e atuou em novelas como Sangue do Meu Sangue (1969), Ídolo de Pano (1974), O Velho, O Menino e o Burro (1975), A Viagem (1975), O Profeta (1977) e muitas outras.

Yara Lins com Laura Cardoso, Glauce Graieb, Carmem Silva
e Eudosia Acuña em Ídolo de Pano

Com Eva Wilma em A Viagem


Atuou ainda em Música ao Longe (1982) na TV Cultura e Fernando da Gata (1983) na TV Globo. Em 2007, após muitos anos afastada da televisão, atuou em Maria Esperança (2007), no SBT.

No cinema, estreou em Cléo e Daniel (1970), e atou nos seguintes filmes: Quando Elas Querem... E Eles Não (1975), Passaporte para o Inferno (1976), Presídio de Mulheres Violentadas (1977), Belas e Corrompidas (1977), As Trapalhadas de Dom Quixote e Sancho Pança (1977) e O Gênio do Sexo (1978).

Formada bacharel em canto e fonoaudiologia, era diretora, escritora, mestre e doutora formada pela ECA-USP, onde lecionou Estética da Voz, no departamento de artes cênicas. Também publicou diversos livros sobre técnicas vocais.



Eudósia Acuña faleceu vítima de câncer, aos 74 anos de idade. A atriz morreu em 03 de abril de 2018, mas sua morte só foi divulgada no final de junho do mesmo ano.

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Morreu Liliane Montevecchi, a bailarina francesa que encantou Hollywood


Liliane Montevecchi foi uma bailarina e cantora franco-italiana, que conquistou Hollywood na década de 50. Nesta época, no auge dos musicais, os grandes estúdios desenvolveram um súbito interesse em bailarinas europeias como Leslie Caron, Zizi Jeanmaire, Colette Marchand e Moira Shearer. Liliane Montevecchi também fez parte deste time.

De família italiana, Liliane nasceu em Paris, França, em 13 de outubro de 1932. Aos oito anos começou a ter aulas de dança com Pierre Duprez, primeiro bailarino da Ópera de Paris. Estreou no balé na companhia de David Lichine. Depois trabalhou em Léonide Massine e dançou em Monte Carlo para a coroação de Rainier III, Príncipe de Mônaco, em 1949. Nesta época, também começou a se apresentar no Cassino de Paris.

Ela estreou no cinema em Mulheres de Paris (Femmes de Paris, 1953), uma produção francesa. Em 1955 assinou contrato com a Metro Goldwyn Mayer e mudou-se para Hollywood. Na MGM estreou nas telas em O Sapatinho de Cristal (The Glass Slipper, 1955), estrelado pela também francesa Leslie Caron.

Michael Wilding e Liliane em O Sapatinho de Cristal

Em seguida, atuou em Papai Pernilongo (Daddy Long Legs, 1955), também estrelado por Caron, ao lado de Fred Astaire. Seus papéis iniciais na MGM foram pequenos, mas o estúdio lhe ofereceu melhores papéis.

Ela teve um dos principais papéis femininos em O Tesouro de Barba Rubra (Moonfleet, 1955), estrelado por Stewart Granger. E teve destaque também em Viva Las Vegas (Meet Me in Las Vegas, 1956), estrelado por Cyd Charrise.

Stewart Granger e Liliane em O Tesouro de Barba Rubra

Em 1957 ela estrelou O Ídolo Vivo (The Lingin Idol, 1957), uma aventura exótica dirigida por Albert Lewin e René Cardona. Liliane vive Juanita, filha de um pesquisador que é possuída por um feitiço Asteca durante uma expedição no México.

Liliane no cartaz de O Ídolo Vivo

O filme não foi bem sucedido, e a bailarina foi dispensada da MGM. Ela ainda atuou em pequenos papéis em filmes O Bamba do Regimento (The Sad Sack, 1957), estrelado por Jerry Lewis e em Os Deuses Vencidos (The Young Lions, 1958), ao lado de Marlon Brando e Montgomery Clift. Apareceu também em  Eu e o Coronel (Me and the Colonel, 1958), e foi uma das garotas em Balada Sangrenta (King Creole, 1958), estrelado por Elvis Presley.

Liliane, Carolyn Jones, Elvis, Dolores Hart e Jan Shepard em Balada Sangrenta

Descontente com os rumos de sua carreira, afastou-se do cinema, passando a atuar na televisão. Participou de muitas séries de TV, e matriculou-se no Actor's Studio, onde foi colega de classe de Marilyn Monroe.

Em 1958 estreou na Broadway, substituindo a atriz Colette Brosset na revista La Plume de Ma Tante. Ela então deixou Los Angeles e mudou-se para Las Vegas, para estrelar no Folies Bergerè da cidade. Em 1982 estrelou Nine, na Broadway, ao lado de Raúl Julia. Por este papel ganhou o prêmio Tony de melhor atriz em um musical. Em 1990 ela foi novamente indicada pelo seu papel em Grand Hotel. Sem muito destaque no cinema, Liliane Montevecchi tornou-se uma estrela da Broadway.

Liliane nos palcos

De volta a França, retornou ao  de cinema em seu país. Interpretou grandes personalidades francesas na grande tela. Foi Musidora em no filme de mesmo nome, feito em 1973. Também foi a grande atriz Sarah Bernhardt em Of Penguins and Peacocks (2000) e viveu Mistinguett em Mistinguett, la Dernière Reveu (2001).

Ela retornou a uma grande produção de Hollywood, atuando em Como Perder um Homem em 10 Dias (How to Lose a Guy in 10 Days, 2003), estrelado por Kate Hudson e Matthew McConaughey. Seu último trabalho no cinema foi no francês Jours de France (2016).
Com Matthew McConaughey em Como Perder um Homem em 10 Dias 

Liliane Montevecchi em 2018

Liliane Montevecchi faleceu em 29 de junho de 2018, aos 85 anos de idade.

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O galã Bradford Dillman


Bradford Dillman nasceu em 14 de abril de 1933, em São Francisco, Califórnia (EUA). Ainda na escola, Bradford (seu nome verdadeiro) começou a atuar em peças escolares, que despertaram seu interesse em tornar-se ator. Ao terminar os estudos primários, ele foi aceito na Universidade de Yale, onde estudou teatro e drama, mas deixou os estudos para alistar-se na Marinha em 1948.

Ele ingressou no corpo dos fuzileiros navais em 1951 e lutou na Guerra do Coréia até 1953. Mas, ao dar baixa das forças armadas, ingressou no famoso Actor's Studio, em Nova York. Em 1956, ele protagonizou Longa Jornada Noite Adentro (Long Day's Journey in Night), de Eugene O'Neill, fazendo muito sucesso e ganhando diversos prêmios.

Jason Robards e Bradford Dillman em Long Day's Journey in Night (1956).

Na televisão, Dillman já atuava desde 1953, fazendo papéis na série de televisão Kraft Television Theatre, que exibia episódios de teleteatro. Em sua peça de estréia, Keep Our Honor Bright, atuou ao lado do também iniciante James Dean.

Em 1958, ele estreou no cinema, contratado pela 20th Century Fox. Dillman fez par romântico com Christine Carère no filme Um Certo Sorriso (A Certain Smile, 1958), estrelado por Rossano Brazzi e Joan Fontaine. Por este papel, ele ganhou o Globo de Ouro de ator revelação do ano.

Christine Carère e Bradford Dillman em Um Certo Sorriso (A Certain Smile, 1958).

Em seguida, a Fox o escalou para atuar em Três Encontros com o Destino (In Love and War, 1958), ao lado de dois outros jovens promissores astros, Robert Wagner e Jeffrey Hunter. 

No ano seguinte, ele atuou em Estranha Compulsão (Compulsion, 1959), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator em Cannes (divido com os colegas de elenco Orson Welles e Dean Stockwell). Ainda na Fox, atuou em Tragédia num Espelho (Crack in the Mirror, 1960), Círculo de Decepção (A Circle of Deception, 1960) e Santuário (Sanctuary, 1961).

Bradford Dillman e Dean Stockwell em Estranha Compulsão


Em 1961, ele protagonizou São Francisco de Assis (Francis of Assisi, 1961), ao lado de Dolores Hart, a atriz que abandonou Hollywood para se tornar freira. Foi seu último trabalho na Fox.

Bradford Dillman e Dolores Hart

Ao deixar a Fox o ator passou a dedicar-se mais à televisão, atuando em séries como Carava e Ben Casey. Ele também fez parte do elenco fixo da série O Jovem Dr. Kildare (Dr. Kildare), interpretando o revendendo Andrew Webb. No cinema, ele faria ainda filmes como Obsessão de Amar (A Rage to Live, 1965), Respondendo à Bala (The Plainsman, 1966), A Noite Convida ao Crime (Jigsaw, 1968), Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes, 1971), Nosso Amor de Ontem (The Way We Were, 1973). e Piranha (Idem, 1978), entre outros. Neste último, atuou com a atriz Heather Menzies, de A Noviça Rebelde.

Bradford Dillman e Suzane Pleschette em Obsessão de Amar

Bradford Dillman e Robert Redford em Nosso Amor de Ontem

Kim Hunter, Bradford Dillman e Roddy McDowall em Fuga do Planeta dos Macacos

Em 1995, Bradford Dillman se aposentou da carreira de ator. Seu último trabalho foram participações regulares na série Assassinato Por Escrito (Muder She Wrote), estrelada por Angela Lansbury. Em 1963, ele se casou com a atriz e modelo Suzy Parker, que ele conheceu nas filmagens de Círculo de Decepção (A Circle of Deception, 1960). Eles permaneceram casados até a morte dela em 2003.

Bradford Dillman e Suzy Parker em Cículo da Decepção (A Circle of Deception, 1960).

Fã de baseball, ele lançou um livro sobre o time dos Giants, além de uma autobiografia contando sua carreira. Nos últimos anos, dedicou seu tempo a arrecadar dinheiro para pesquisas médicas, em especial para doenças renais, causa da morte de sua esposa.

Bradford Dillman morreu em sua casa, em consequência de uma pneumonia, nessa terça-feira, dia 16 de janeiro de 2018, aos 87 anos.


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Os filmes esquecidos de James Dean


Em 30 de março 1955 a Warner Brothers lançou o filme Vidas Amargas (East od Eden, 1955), uma grande aposta do estúdio, dirigida por Elia Kazan e filmado em Cinemascope.


O filme contava algumas jovens promessas do estúdio, como a atriz Julie Harris e Richard Davalos, mas a maior estrela desta nova geração era sem dúvida James Dean, que se tornaria uma das maiores lendas do cinema.

Dean fazia o jovem frágil e perturbado (papel recorrente em sua carreira) Cal Trask, que luta pelo afeto do pai que só da atenção para seu irmão Aron (papel de Davalos), seu filho favorito. Para agradar ao pai, e salvar a fazenda da família da falência, ele então procura sua mãe, uma prostituta que abandonara a família quando os filhos ainda eram pequenos.

James Dean em Vidas Amargas

A Warner fez muita publicidade em torno de James Dean, alegando que lançava um ator estreante, que ele era um novo astro que surgia no firmamento. Dean faleceria em um acidente de carro naquele mesmo ano, em 30 de setembro de 1955, apenas seis meses depois do lançamento de seu filme "de estréia". Ele tinha apenas 24 anos de idade.

Ele faleceu antes de ver lançado nos cinemas os outros dois trabalhos que havia deixado pronto, Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955) e Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956). Também não veria as duas indicações, póstumas, que recebeu ao Oscar de Melhor ator, por seus trabalhos em Vidas Amargas e Assim Caminha a Humanidade. Dean tornou-se o primeiro ator indicado ao prêmio após sua morte, 26 anos após a indicação da atriz Jeanne Eagles, a primeira atriz (e até o momento única) atriz que faleceu antes de ver sua indicação ao Oscar (leia mais sobre Jeanne Eagles aqui).

Dean, tornou-se um mito. E muito de sua história foi construído, para aumentar o mito. Oficialmente, ele teve uma meteórica carreira, com apenas três filmes, todos eles grandes sucessos. Mas isto não é bem verdade. 

Como era comum em Hollywood, os departamentos de publicidade muitas vezes forjavam biografias de seus artistas, e por vezes omitiam coisas de sua carreira. Para promover Dean como a estrela revelação de seu filme, a Warner apagou seu passado cinematográfico, pouco expressivo é verdade, de sua carreira.

Apesar da pouca idade, já tinha uma sólida carreira no teatro. E foi um amigo, o ator James Whitmore, recomendou que ele tomasse aulas de interpretação no lendário Actors Studio.

James Dean também já tinha uma longa carreira na televisão, na chamada "era de ouro da televisão norte-americana". Dean estreou na televisão em um papel inusitado, atrás das câmeras. Em 1950 ele era o dublê de testes do programa Beat the Clook, um game show onde os participantes eram submetidos a provas físicas. O então aspirante ator era contratado da produção para testar previamente as provas, para ver se elas eram possíveis de serem realizadas e se não apresentavam riscos para os concorrentes.

Após um começo difícil, e muitos testes, ele faria sua estréia diante das câmeras no ano seguinte.

James Dean e Ruda Michelle fazendo teste para um programa de televisão

Seu primeiro papel na televisão foi interpretando o apóstolo São João, no telefilme Hill Number One: A Story of Faith and Inspiration (1951), um especial (o equivalente aos teleteatros da televisão brasileira) exibido no programa Family Theatre, um programa produzido pela Igreja Católica, que também era exibido em escolas e eventos religiosos. No elenco ainda o atro Roddy McDowall, antigo ator mirim e colega de classe de Dean no Actor's Studio.

No episódio, era retratada a vida dos apóstolos nos três dias seguintes após a ressurreição de Cristo.

James Dean em sua estréia na TV

O belo São João Batista de Dean, fez muita adolescente católica perder a cabeça, ao ponto de chamar a atenção dos produtores. Ainda em 1951, ele ganhou papéis importantes em episódios das séries The Stu Erwin Show e The Bigelow Theatre. Neste mesmo ano fez sua estréia no cinema, atuando em uma produção da Twentieth Century Fox, chamada Baionetas Caladas (Fixed Bayonets, 1951), um filme de guerra escrito por Samuel Fuller, e estrelado por Richard Basehart, Gene Evans, Michael O'Shea e Skip Homeier.

Dean aparecia nas cenas finais do filme, interpretando um soldado adolescente e assustado no campo de batalha. Ele não foi creditado por este papel.

James Dean em Baionetas Caladas

No ano seguinte Dean atuou em O Marujo Foi na Onda (Sailor Beawere, 1952), quinto filme estrelado pela dupla Jerry Lewis e Dean Martin. No elenco ainda Skip Homeier, como quem Dean atuara em seu primeiro filme. Lewis interpretava um marinheiro, que como sempre, se envolvia em muitas confusões. Em uma delas, acabava por disputar uma luta de boxe, e Dean aparecia como um dos preparadores físicos do seu adversário.


Veja James Dean contracenando com Jerry Lewis em O Marujo Foi na Onda

Em 1952 Dean estrelou Forgoten Children (1952), um filme feito para a televisão, ao lado de Barbara Bolton e Cloris Leachman. Neste mesmo ano, na Columbia, apareceu em Sinfonia Prateada (Has Anybody Seen My Gal, 1952). Dean aparece poucos segundo, interpretando um cliente para quem Charles Coburn serve um milk-shake.


James Dean em Sinfonia Prateada


Em 1953 Dean fez sua estréia na Warner Bros, no filme Atalhos do Destino (Trouble Along the Way, 1953), filme estrelado por John Wayne. Sua participação no filme não teve menor destaque, ele apenas engrossou o coro de figurantes em um estádio durante uma partida de futebol americano.

Se no cinema o ator não tinha grandes oportunidades, na televisão continuava estrelando diversos teleteatros, tendo atuado em quase 30 deles antes de atuar em Vidas Amargas. Nesses programas, atuou ao lado de astros como John Carradine, Ben Gazzara, Rod Steiger, Carol Channing (estreando na TV), Hume Cronyn, Jessica Tandy, Bradford Dillman, Robert Montgmery, Dorothy Gish e Mary Astor.

James Dean e Mary Astor em The Thief (1955)

James Dean e Natalie Wood em I'm a Fool (1954)

Na TV também atuou com o futuro diretor George Roy Hill (vencedor do Oscar de Melhor Diretor por Golpe de Mestre, The Sting, de 1973) e com o futuro presidente norte-americana Ronald Reagan (por duas vezes). Em I'm a Fool (1954), espetáculo exibido no programa General Electric Theater, além de contracenar com Reagan, ainda atuou ao lado de Natalie Wood, sua parceira em Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955).

Dean também contracenou duas vezes nas telas da televisão com a atriz Betsy Blair, sua antiga amiga dos tempos de infância.

Dean e Betsy Blair em Death is My Neighbor (1953)

James Dean nunca deixou a televisão. Após o sucesso com a estréia de Vidas Amargas, ele retornou ao veículo algumas vezes. Seu último trabalho na TV foi ao em um peça chamada Broadway Trust, vinculada no programa Crossroads (1955), que foi ao ar em 11 de novembro de 1955, alguns meses após a sua morte. Ao lado de Dean o ator Lloyd Bridges. Dean também estava escalado para atuar no programa Playwrights '56, na peça The Batler, mas acabou sendo substituído por Paul Newman, que ficou com muitos dos papéis que eram destinados a novos projetos com James Dean.

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Daniel Pilon, o ator que disse não a James Bond para trabalhar com Buñel


Em 1967 o ator Sean Connery disse adeus ao personagem James Bond, após atuar em cinco filmes da saga. Connery deixou o papel após atuar em Com 007 Só se Vive Duas Vezes (You Only Live Twice, 1967).

Albert Broccoli, o produtor dos filmes, partiu então em busca de um novo ator para substituir Connery. Mais de 400 atores foram testados, incluindo Michael Caine, Terence Stamp, Adam West, Thimothy Dalton (que anos mais tarde interpretaria Bond nas telas) e até mesmo Dick Van Dyke. Broccoli gostou de um jovem ator canadense, que havia feito poucos trabalhos no cinema, chamado Daniel Pilon, e que estava entre os finalistas.

Porém, para a sua surpresa, Pilon recusou continuar os testes, preferindo partir para à Europa, para atuar em um pequeno papel em O Estranho Caminho de São Tiago (La Voie Lactée, 1969). Ele preferiu o papel menor, por ser uma obra do diretor espanhol Luis Buñel, cuja obra ele admirava. O ator George Lazenby então interpretou Bond, mas este não agradou o público.


Daniel Pilon, a esquerda, em O Estranho Caminho de São Tiago

Connery ainda retornaria ao personagem em 007 - Os Diamantes São Eternos (Diamonds Are Forever, 1971), sendo depois substituído por Roger Moore. Antes de Moore aceitar o papel, ele foi novamente convidado para ser Bond, e novamente recusou.

Daniel Pilon nasceu em 13 de novembro de 1940, em Montreal, Quebec, no Canadá. Em 1968 ele participou de um concurso que iria eleger "O Homem Mais Bonito do Canadá", ficando entre os finalistas. Apesar de não vencer o pleito, chamou a atenção do diretor Giles Carle, que o chamou para estrelar, junto com seu irmão Donald Pilon, o filme Terna e Violada (Le Viol D'Une Jeune Fille Douce, 1968). Apesar de ser um ano mais novo, Donald interpretava seu irmão gêmeo.




No ano seguinte, o ator estreou no cinema norte-americano, interpretando um pequeno papel em Inferno no Deserto (Play Dirty, 1969), dirigido por André De Toth e estrelado por Michael Caine.

Nigel Davenport, Daniel Pilon e Harry Andrews em Inferno no Deserto

Foi então que surgiu o teste para o agente secreto 007, mas Pilon preferiu trocar o sucesso por um filme de arte. Após filmar com Buñel, voltou para o Canadá, e atuou em Red (1970), novamente com o diretor Giles Carle.

Com Geneviève Robert em Red

Ainda no seu país natal, atua em Après-Ski (1971), uma comédia de teor erótico, parecida com as "pornochanchadas" brasileiras. Em 1971 retornou à Europa, filmando Malpertuis (1971) na Bélgica, o filme tinha no elenco um já decadente Orson Welles.

Pilon e Susan Hampshire em Malpertuis

Depois retornou ao seu país, onde fez muitos filmes, alguns deles, novamente ao lado de seu irmão.

Daniel Pilon e Louise Laparé em Les Smattes (1972)

Em 1975 atuou em A Morte Segue Seus Passos (Brannigan, 1975), um dos últimos filmes do ator John Wayne. E atou com Robert Vaughn e Christopher Lee em Invasão Extra-Terrestres (Starship Invasion, 1977).

Com Lesley Ann- Dow em A Morte Segue Seus Passos

Na década de oitenta, dividiu sua carreira entre produções canadenses e norte-americanas. Passou também a atuar com frequência na televisão, em séries como Casal 20 (Harto to Hart) e na versão televisiva de Casablanca (Idem, 1983). Também atuou na novela Days of Our Lives, em 1992.

Entre 1984 e 1985 interpretou o vilão milionário Renaldo Marchetta, na série Dallas (Idem).

Em Dallas

Nos anos seguinte, sem muito sucesso, atuou em filmes de baixo orçamento, alguns destinados diretamente para o vídeo e distribuição doméstica. Embora tenha atuado em Mandando Bala (Shoot 'Em Up, 2007), ao lado de Clive Owen e Monica Bellucci.

Como o senador em Mandando Bala

Participou de obras como Scanners III - O Duelo Final (Scanners III: The Takeover, 1991), Marcados Pela Traição
(Suspicious Minds, 1997), Deixados Para Trás
(Left Behind,  2000), e Jogos Estratégicos
(Krach, 2010), que foi seu último trabalho
no cinema.

Daniel Pilon faleceu em 26 de junho de 2018.
 Sua morte foi divulgada nas redes sociais
pelo seu irmão Donald Pilon, que não
 divulgou a causa da morte, mas revelou
que o irmão já sofria de uma doença há
três anos. Ele tinha 77 anos de idade.

Daniel e Donald Pilon



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