Selma Lopes, a rainha da dublagem brasileira



Selma Lopes é uma atriz, comediante, cantora e dubladora brasileira. Ela foi casada com o comediante Zacarias, e é mais lembrada como a dubladora de Whoppi Goldenberg e Marge Simpson no Brasil.
Selma Lopes, em 1951
Maria de Carvalho Lopes nasceu em Iguape, São Paulo, em 10 de setembro de 1928.
Selma Lopes iniciou-se na carreira artística na Rádio Atlântica de Santos. Ela acompanhava o irmão cantor em programas infantis radiofônicos, até que um dia foi convidada para cantar também. Selma, ainda chamada Maria de Carvalho Lopes, cantava músicas populares, fazia locução e apresentava programas na rádio do litoral paulista.
Foi Dindinha Sinhá (Alaíde Ferraz de Camargo) quem a rebatizou Selma, dando seu nome artístico.
Em 1948 teve uma breve passagem pela Rádio América, onde trabalhou ao lado de Saulo Ramos, que se tornaria jurista e foi assessor de Jânio Quadros. Mas a experiência não foi boa. Dispensada, ainda em 1948 ela mudou-se para o Rio de Janeiro, onde participou de um concurso para locutores da Rádio Mauá (antiga Rádio Ipanema). Selma tinha 18 anos, e foi vencedora do primeiro lugar do concurso promovido pelo locutor e produtor Hélio Thys.
Mas não ficou muito na Mauá, sendo contratada pela Rádio Mayrink Veiga em 16 de agosto de 1948.

Selma Lopes, na Rádio Mayrink Veiga

Na rádio, Selma fazia de tudo, cantava, atuava no rádio teatro, apresentava programas e gravava jingles. Na Mayrink, participou de programas cômicos, que marcariam a sua carreira, como Levertimentos, Turbilhão de Risos (de Manoel de Nóbrega), Alegria de Rua e A Pensão da Dona Emília, entre outros.
Mas também atuava como rádio atriz em novelas como Ainda Resta Uma Esperança (1951) e O Homem da Casa Vermelha (1956). Também fez números cômicos, ao lado de Zé Trindade, no programa Musical Antônio Maria. E como Mariela Alves apresentou o programa feminino Seu Lar e Você. Todos, na PRA9 Rádio Mayrink Veiga, onde permaneceu até 1964, quando a emissora foi fechada pelo golpe militar.
Em 1956 Selma Lopes estreou na dublagem, um dos trabalhos mais marcantes de sua carreira. Selma dublou a personagem Querida, dona da cadelinha Lady no desenho animado A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp, 1955). Lady, a personagem principal foi dublada pela cantora Rosina Pagã, enquanto o Vagabundo era dublado por Aloysio Oliveira, antigo membro do Bando da Lua de Carmen Miranda.
Selma viria a se tornar uma das atrizes mais requisitadas da dublagem brasileira. No começo, era normalmente escalada para fazer vozes de meninos, tendo inclusive dublado o Pinóquio (Pinocchio, 1940), em um número musical na redublagem da década de 60.


Entre as diversas personagens para quem emprestou sua voz, estão a atriz Whoopi Goldenberg, a Marge Simpson, a Madame Patolina em Ducktales, A Vovozinha Gummy em Os Ursinhos Gummy, A Vassourinha em A Feiticeira Faceira, Vovó Fa em Mulan, Vovó Willow em Pocahontas, e muitos outros. Também dublou a estrela Libertad Lamarque em novelas mexicanas como A Usurpadora, onde deu voz a Vovó Piedade, e as hollywoodianas Olivia de Havilland em A Dama Enjaulada, Angela Lansbury em Se Minha Cama Voasse e Bette Davis em A Carta, Meu Reino por Um Amor e Perigo na Montanha Enfeitiçada.
Em 1957 estreou na televisão. A TV Rio, Canal 13 do Rio de Janeiro, montou uma parceria com a Mayrink Veiga, levando os produções radiofônicas para a TV. Com produção de Haroldo Lobo, o programa Lá Vem a Dona Isaura tinha além de Selma Lopes no elenco os comediantes Ema D'Ávila, Zé Trindade, Altivo Diniz, Geraldo Alves e Terezinha Moreira.

Depois Selma Lopes fez parte do programa Alegria de Rua, novamente com o elenco da Mayrink, na TV Rio. Os roteiros eram do novato produtor Francisco Anysio de Paulo, o Chico Anysio.

O elenco da Mayrink Veiga, da esquerda pra direita: Haroldo Barbosa, Terezinha Moreira, Antônio Carlos, Zé Trindade, Braga Jr., Macedo Neto, Selma Lopes, Ema D'Avila, Sérgio de Oliveira, Estellita Bell, Francisco Anísio, Nancy Wanderley. Sentados: Sérgio Porto, Mário Sena e Mattinhos. 

Em 1958, durante uma apresentação em Mina Gerais, conheceu o locutor e comediante Mauro Faccio Gonçalves, o Zacarias de Os Trapalhões. Eles se casaram e tiveram uma filha, Maria Lucia. Selma foi grande responsável por levar Zacarias ao Rio de Janeiro e por alavancar sua carreira na capital fluminense.

Selma Lopes e a filha Maria Lucia

Sem contrato de exclusividade com a TV, trabalhou também na TV Tupi carioca, atuando no TV de Comédia, sob direção de Victor Berbara. Entre os teleteatros que fez, destacou-se na comédia O Barão da Cutia (1961), ao lado de Hamilton Ferreira e Theresa Amayo.
Em 1961 retornou a São Paulo, atuando no show Um Carioca no Oásis, que o cantor Wellington Botelho apresentava na tradicional Boate Oásis. De volta o Rio de Janeiro, gravou seu primeiro disco como cantora, pela Magisom.
Em 1963 retornou as rádios novela, atuando em Fronteira do Inferno, de Edgar G. Alves, e ganhou o prêmio de Melhor Rádio Atriz Cômica, escolhida pela Revista do Rádio.
Em 1964 regressou a televisão, ingressando no elenco do programa de humor Manda-Brasa, escrito pelo novato Renato Aragão. Selma fazia dupla com o ator Atíla Iório. Depois foi para a TV Continental, onde estrelou Humor em Bossa 9 (1969), ao lado de Tutuca, Gordurinha e Jannete Jane. Nesta época, Selma Lopes interpretou "Ofélia, a que só fala besteira", e Altivo Diniz interpretava seu marido. O papel se popularizaria porém com a atriz Sonia Mamede.

Selma Lopes e Altivo Diniz

Em 1972 Selma Lopes estreou nas novelas, interpretando uma fofoqueira em Uma Rosa com Amor (1972), fazendo dupla com a também veterana Henriqueta Brieba.

Henriqueta Brieba e Selma Lopes em Uma Rosa com Amor

Selma Lopes com Zacarias e a filha

Selma faria poucas novelas, entre elas Anjo Mau (1976), Dancing Days (1978) e Cama de Gato (2009), mas fez muitos programas de humor na Rede Globo, como Balança Mais Não Cai, Os Trapalhões, Chico City, Chico Total, Zorra Total e Escolinha do Professor Raymundo. Mais recentemente, fez participações especiais em Pé Na Jaca, Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, A Favorita, Ciranda de Pedra, Tapas & Beijos, Sol Nascente, Rocky Story e mais recentemente em O Tempo Não Para (2018). 

No cinema, estreou em Tô na Tua, ô Bicho (1971). Depois atuou em Piranha de Véu e Grinalda (1982), e ficou muitos anos sem atuar. Retornou às telas em Lúcia e a Mala (2007) e fez ainda os filmes Depois das Nove (2008), Direita é a Mão que Escreve (2009), A Menina e o Monstro (2011),  S.O.S Mulheres ao Mar 2 (2015) e Crô em Família  (2018).

Selma Lopes e Rafael Primot em Depois das Nove

Selma Lopes atualmente


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