Irene Papas, da Grécia para o Mundo


O crítico de cinema norte-americano Roger Ebert escreveu certa vez "há muitas garotas bonitas no cinema, mas poucas mulheres". Tal comentário fazia referência a atriz grega Irene Papas, atriz dona de um talento como poucas na história do cinema.


Irini Lelekou nasceu na região do Peloponeso, na Grécia, em 03 de setembro de 1926. Filha de uma professora primária e de um professor de teatro, ela foi educada na Royal School of Dramatic Art em Atenas, onde aprendeu interpretação, dança e canto.

Em 1943 ela se casou com o ator e escritor Alkis Papas, de quem adotou o sobrenome artístico. Eles ficaram casados até 1947.

Irene Papas estreou como atriz em um pequeno papel no filme Hamenoi Angeloi (1948), feito em seu país natal. Em 1953 ela começou a chamar a atenção do mundo cinematográfico ao atuar na produção franco italiana As Infiéis (La Infedeli, 1953), estrelado por Gina Lollobrigida. Era o terceiro filme da careira de Papas, e foi dirigido por Mario Monicelli e Steno.

Irene Papas em As Infiéis
          
Irene seguiu filmando na Itália, atuando em filmes como Uma Mulher Daquelas (Uma d Quelle, 1953), estrelado pelo cômico Totó, e Voragem (Vortice, 1953), estrelado por Silvana Pampanini. Na Itália ainda, atuaria em Teodora, Imperatriz de Bizâncio (Teodora, imeratrice d Bisanzio, 1954) e A Invasão dos Bárbaros (Atilla, 1954).
 
Anthony Quinn e Irene Papas em A Invasão dos Bárbaros
 

A Invasão dos Bárbaros era uma produção franco italiana, estrelada por Sophia Loren e Anthony Quinn, com quem Papas trabalharia ainda em outros seis filmes. O cineasta norte-americano Elia Kazan assistiu ao filme, e se encantou pela atriz, e fez de tudo para levá-la para Hollywood.
 
Chegando a terra do cinema, ela e o diretor não se deram muito bem. Irene não estava interessada em fazer fotos publicitárias explorando sua beleza, e tampouco se interessou pelos projetos que o diretor tinha para ela. Eles também divergiram ideologicamente por questões políticas, e acabaram nunca trabalhando juntos.
 
Sob a tutela de Robert Wise, ela atuou em Honra a Um Homem Mau (Tribute to a Bad Man, 1956), uma produção da MGM onde contracenou com James Cagney, e retornou para à Itália.
 
Cartaz de Honra a Um Homem Mau
 
Irene continuou filmando na Itália, e retornou a Grécia para estrelar Bouboulina (1959), filme biográfico sobre Laskarina Bouboulina, a heroína da independência grega. Ela buscava papéis de mulheres fortes, algo marcante em sua carreira, e não desejava ser apenas mais uma beleza exótica de Hollywood.
 
Porém, Hollywood a queria de volta. E se Irene Papas não ia a Hollywood, Hollywood iria até Irene Papas. O diretor J. Lee Thompson queria ela no filme de guerra Os Canhões de Navarone (The Guns of Navarone, 1961) e incumbiu Anthony Quinn de convence-la a aceitar o papel. O filme, foi rodado na Inglaterra.
 
Além de Quinn e Papas, o elenco ainda contava com Gregory Peck e David Niven, e Jonathan Harris, o Dr. Smith e Perdidos no Espaço, em um pequeno papel. Os Canhões de Navarone foi indicado a vários Oscars, incluindo melhor filme e direção.
 
Irene Papas e Gregory Peck em Os Canhões de Navarone
 

Apesar do sucesso, ela continuou recusando papéis em superproduções hollywoodianas, preferindo atuar em papéis mais desafiadores. Em 1961 estrelou Antigona (Antigoni, 1961), dando vida ao mito grego descrito na obra de Sófocles. Em seguida deu vida a outra personagem da mitologia grega, atuando em Electra, a Vingadora (Ilektra, 1962), dirigido pelo cineasta grego Michael Cacoyannis. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e também a Palma de Ouro, em Cannes.
 
Irene Papas em Electra, a Vingadora
 
Novamente Hollywood foi atrás de Papas, que aceitou atuar em O Segredo das Esmeraldas Negras (The Moon-Spinners, 1964), uma aventura dirigida pelos Estúdios Disney. Rodado na Grécia, o filme aproveitava da popularidade da estrela mirim (agora adolescente) Hayley Mills, e tinha ainda no elenco Eli Wallach e a antiga estrela do cinema mudo Pola Negri, retornando as telas após 21 anos afastadas (este foi o último filme de Negri, que depois aposentou-se definitivamente).
 
Eli Wallach e Irene Papas em O Segredo das Esmeraldas Negras
 
Em seu filme seguinte voltou a atuar com Michael Cacoyanis, estrelando o sucesso Zorba, o Grego (Alexis Zorba, 1964), novamente ao lado de Anthony Quinn. O filme fez um enorme sucesso mundial, e recebeu três Oscars, além de ter sido indicado a melhor filme e melhor diretor.
 
Irene Papas em Zorba, o Grego
 
Novamente Papas recebeu convites para filmar nos Estados Unidos, mas preferiu ir trabalhar na Alemanha, Itália e Espanha. Ela voltaria a trabalhar em uma produção norte-americana (rodada na Itália) em Sangue de Irmãos (The Brotherhood, 1968), onde fez par romântico com Kirk Douglas.
 
Ela enfim retornou aos Estados Unidos, para atuar ao lado de seu amigo Anthony Quinn em Sonho de Reis (A Dream of Kings, 1969), mas logo retornou à Europa para filmar Z - A Orgia do Prazer (Z, 1969), dirigido pelo cineasta grego Costa-Gravas. O filme fez um enorme sucesso mundial, e ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas Costa-Gravas teve seu visto negado para ir a premiação devido a sua ligação com o partido comunista.
 
Irene também não era muito bem vinda no país por sua ligação com o Partido Comunista Grego. Em 1967 ela usou a sua popularidade para pedir um boicote cultural ao seu país, devido a forte ditadura militar que a Grécia se encontrava.
 
Irene Papas em Z
 

Em seguida ela atuou ao lado de Richard Burton e Geneviève Bujold em Ana dos Mil Dias (Anne of the Thousand Days, 1969) e de Katherine Hepburn e Vanessa Redgreave em As Troianas (The Trojan Women, 1971), novamente sob a direção de Cacoyanis. Ela e Katherine Hepburn tornaram-se amigas, e a veterana dizia que Papas era "uma das melhores atrizes da história do cinema".
 
Com Katherine Hepburn em As Troianas
 
Na década de setenta concentrou sua carreira na Itália, embora tenha atuado com Richard Burton em A Quinta Ofensiva (Sutjeska, 1973) e  com Anthony Quinn em Maomé - O Mensageiro de Alá (The Message, 1976), ambos rodados na Líbia. Também trabalhou ao lado de Audrey Hepburn em A Herdeira (Blodline, 1979), que teve filmagens na Alemanha. Também atuou em El Aseninato de Julio César (1972), rodado no México, novamente ao lado de Quinn.
 
Ela e Anthony Quinn se reuniriam ainda mais uma vez, em O Leão do Deserto (Lion of the Desert, 1980), também rodado na Líbia.
 
Em 1983 trabalhou com o cineasta Ruy Guerra, que há muitos anos vive no Brasil, no filme Erêndira (Eréndira, 1983), uma produção rodada no México, França e Alemanha, e também estrelada pela brasileira Claudia Ohana.
 
Claudia Ohana e Irene Papas em Erêndira
 
Nos anos seguintes, continuou atuando em diversos países, e passou a fazer participações frequentes também em minisséries na televisão italiana. Também trabalhou com o cineasta português Manuel de Oliveira, com quem atuou em filmes como Party (1996) e Inquietude (1998).
 
Em O Capitão Corelli (Captain Corelli's Mandolin, 2001), contracenou com Nicolas Cage e Penélope Cruz.
 
Irene Papas com John Hurt em O Capitão Corelli
 
O último filme de Irene Papas foi Um Filme Falado (2003), de Manoel de Oliveira.
 

A atriz que é fluente em grego, inglês, francês e italiano, era grande musa de Federico Fellini, mas nunca tiveram oportunidades para trabalharem juntos.
 
Assim como Melina Mercouri, outra grande estrela grega, ela também se dedicou a carreira de cantora, gravando alguns discos, inclusive com o também grego Vangelis.
 
Irene Papas, cantora
 
 Certa vez, perguntada sobre nunca ter sido indicada ao Oscar respondeu: "Não fui eu quem nunca ganhou um Oscar, o Oscar que nunca ganhou Irene Papas!
 
Irene Papas, atualmente
 
 
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