Zumbi, a Legião dos Mortos (1932), o primeiro filme sobre Zumbis de Hollywood


Nos últimos anos, filmes e série de zumbis tem  fascinado o público e gerado milhões de dólares em bilheterias, mas histórias de mortos renascidos são bastante antigas na história do cinema.

O primeiro filme a retratar zumbis foi Zumbi, a Legião dos Mortos (White Zombi, 1932), dirigido pelo cineasta independente Victor Haplerin.



Histórias de zumbis não eram conhecidas nos Estados Unidos, até a publicação do livro Magic Island, onde William B. Seabrook narrava como os rituais de magia negra feitos no Haiti faziam os mortos voltarem à vida, geralmente para trabalharem como escravos de quem encomendava o feitiço.

O livro fez um enorme sucesso, e despertou a curiosidade dos americanos sobre o ritual maldito. E em 1932 a peça Zombie, escrita por Kenneth S. Webb estreou na Broadway, tendo a antiga estrela do cinema mudo Pauline Starke como atriz principal.

George Sherwood, o diretor da peça (e marido de Pauline), e o escritor Kenneth Webb processaram Victor Haplerin e o produtor Edward Haplerin pela realização do filme, que basicamente havia roubado o roteiro da peça.



Zumbi, a Legião dos Mortos era uma produção independente, de baixo orçamento, e que foi filmada em apenas 11 dias. O diretor alugou o horário noturno de estúdios como Universal e RKO, e usou restos de cenários de clássicos dos estúdios, como os grandes salões de Drácula (Dracula, 1931), a varanda de O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame, 1923), os corredores de Frankenstein (Idem, 1931), as cadeiras de O Gato e o Canário (The Cat and the Canary, 1927) e o castelo de Rei dos Reis (The King of Kings, 1927).



Com um baixíssimo orçamento, o diretor recorreu a atores do cinema mudo que estavam em decadência para compor o elenco, e foi assim que contratou a outrora estrela Madge Bellamy. Joseph Cawthorn, conhecido comediante do passado, acabou ficando com um papel sério, algo raro em sua carreira.

Já o mestre vudu que devolve os mortos à vida foi interpretado por Bela Lugosi, que ainda não estava gozando os louros da fama de Drácula, e aceitou o papel por um pequeno cachê. Algo que ele se arrependeria pelo resto da vida, devido ao sucesso financeiro que o filme obteve.



Ao contrário dos filmes atuais de zumbis, os mortos vivos não tinham origem de algum acidente radioativo ou em algum teste de drogas clandestinos. Eles voltavam à vida graças a rituais de vudu de origem haitianas, mas mesmo assim o filme acabou  ditando alguns dos primeiros elementos usados até o dia de hoje pelo cinema.




O filme foi muito mal recebido pela crítica, mas fez um enorme sucesso com o público, faturando uma pequena fortuna nas bilheterias. Tanto que o diretor Victor Halperin acabou contratado pela Paramount, onde dirigiu alguns filmes, mas logo teve seu contrato rescindido por não repetir o sucesso.

Halperin também não conseguiu repetir o sucesso com a sequência Revolta dos Zombies (Revolt of the Zombies, 1936), que desta vez foi estrelado por Dean Jagger.



Após Zumbi, a Legião dos Mortos (1932), Hollywood começou a ver as primeiras produções sobre zumbis da história, incluindo O Morto Ambulante (The Walking Dead, 1936), estrelado por Boris Karloff.


Boris Karloff em O Morto Ambulante

Filmes como O Castelo Sinistro (The Ghost Breakers, 1940), O Rei dos Zumbis (King of the Zombies, 1941) e A Morta-Viva (I Walked with a Zombie, 1943), são alguns dos exemplos de produções que recorreram ao tema.

Em 1949 o cartunista Carl Barks se inspirou no filme para criar a história Voodoo Hoodoo, protagonizada pelo Pato Donald, e Rob Zombie, cantor de heavy metal, também se inspirou no filme para criar seu nome artístico.


Voodoo Hoodoo de Carl Barks

Foi somente em 1968 que os zumbis cinematográficos perderam a origem na feitiçaria,  quando George A. Romero dirigiu A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968), revolucionando o gênero.

Romero, numa estratégia ousada, nunca registrou os direitos autorais do filme, mas registrou os direitos da palavra "zumbi", que hoje custam uma fortuna para ser usada nas produções, tanto que nos primeiros anos de The Walking Dead os mortos-vivos eram chamados de "walkers".



Por muitos anos, Zumbi, a Legião dos Mortos foi dado como perdido, mas felizmente cópias foram encontradas, e lançadas em outras mídias posteriormente.

Tobe Hooper anunciou que iria dirigir um remake em 2007, mas o projeto foi abandonado.


Assista Zumbi, a Legião dos Mortos







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