A Superação do Ator Harold Russell, o Soldado que Perdeu as Mãos na Guerra e Venceu Dois Oscars


Em 1947 Harold Russell tornou-se a única pessoa da história a receber dois Oscars pela mesma atuação e também tornou-se o primeiro ator não profissional agraciado com um Oscar. Veterano da Segunda Guerra Mundial, Russell havia perdido as duas mãos no conflito, e recebeu protéses rudimentares (garras mecânicas) no lugar das mãos, para poder fazer suas atividades rotineiras.




Harold John Avery Russell nasceu em Sydney, Nova Escócia (Canadá), em 14 de janeiro de 1914. Ele se mudou com a família para os Estados Unidos em 1921, após a morte de seu pai.

Em 07 de dezembro de 1941 os Estados Unidos sofreram o ataque a Pearl Harbor, que fizeram o país ingressar na Segunda Guerra Mundial. Russell, que trabalhava como caixa em um super mercado, foi logo se alistar para servir o exército.

Harold Russell tornou-se instrutor do exército, e em 1944 um fusível defeituoso detonou explosivos TNT que ele estava manipulando. Russell perdeu as mãos na explosão, e ficou vários meses internados.

Durante sua recuperação, ele recebeu garras mecânicas de ferro para poder fazer atividades rotineiras, e em 1945 ele foi tema do documentário Diary of a Sargent (1945), que mostrava a sua história e recuperação.

No filme, era possível ver Russell usando os ganchos para atender um telefone, manuseando uma caneta, fazendo suas refeições, e outras atividades cotidianas. Ele logo tornou-se um exemplo de superação que comoveu os Estados Unidos.


Harold Russell em Diary of a Sargent

O cineasta William Wyler estava produzindo um drama sobre o retorno dos veteranos da Segunda Guerra Mundial, que tinham dificuldades de se encaixarem na rotina da vida normal que haviam deixado para trás.

Ele assistiu o documentário, e convidou Harold Russell para viver o exigente Homer Parish, um marinheiro que perdeu as mãos no conflito, no clássico Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, 1946).



Cathy O'Donnell em Harold Russell em Os Melhores Anos de Nossas Vidas


Cathy O'Donnell em Harold Russell em Os Melhores Anos de Nossas Vidas

Russell foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel. Mas temendo que ele não ganhasse, pois era um azarão no páreo, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas iniciou a cerimônia de 1947 oferecendo um Oscar Especial para Harold Russell, um prêmio honorário por "trazer ajuda e conforto  aos veteranos deficientes através do cinema".

Mas na hora de anunciar o vencedor da categoria de Melhor Ator Coadjuvante, a plateia veio abaixo aplaudindo a vitória de Harold Russell, que aparentemente não tinha grandes chances de vencer. Mais tarde, o diretor William Wyler diria que Russell "teve uma das melhores performances que ele já vira nas telas".

Ele também ganhou um Globo de Ouro por seu desempenho.



Russell tinha 2 Oscars na estante, mas não haviam muitos papéis para ele em Hollywood. Então ele foi para a Universidade, e formou-se em administração em 1949.

Ele foi nomeado um dos dirigentes de uma associação de veteranos de guerra, e cumpriu três mandatos seguidos. Na década de 1960, também trabalhou em uma organização governamental que buscava a inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência. 

Na década de 1980 ele voltou a aparecer no cinema, quando foi convidado pelo diretor Richard Donner para atuar no filme Bar Max (Inside Moves, 1980).


Harold Russell em Bar Max

Mesmo com novas tecnologias, Russell nunca quis trocar suas próteses por outras mais modernas, permanecendo com as mesmas que recebeu em 1944. Ele dizia já estar acostumado demais para fazer a substituição.

Ele ainda apareceria na série Traper John, M.D. (1981) e em China Beach (1989), onde atuou em dois episódios. Também foi um dos apresentadores do Oscar de 1988.


Harold Russell em China Beach

Harold Russell em Farah Fawcett na entrega do Oscar de 1988

Russell escreveu duas autobiografias, Victory in My Hands (1981) e The Best Years of My Life (1981). Em 1992, ele voltou a mídia quando vendeu uma de suas estatuetas (seu Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) para pagar as despesas médicas de sua esposa. A notícia repercutiu bastante, e seu Oscar foi arrematado por um colecionador particular (que mais tarde o doou de voltara para a Academia).



Ele ainda atuaria no filme Dogtown (1997), e em 1998 foi homenageado na cerimônia do Oscar daquele ano, fazendo sua última aparição pública.


Harold Russell em Dogtown





Harold Russell morreu em um asilo em Massachusetts, em 29 de janeiro de 2002. O ator sofreu um ataque cardíaco, falecendo aos 88 anos de idade.






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Um comentário:

  1. Os Melhores Anos de Nossas Vidas é o melhor dos filmes que tratam do retorno de ex-combatentes. E o Russell, de fato, atuou como se fosse um veterano no cinema...

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