Relembrando o ator Gene Wilder



Gene Wilder emplacou diversos sucessos no cinema, muitas vezes em parceria com o lendário diretor Mel Brooks, mas talvez seja mais lembrando pelo icônico Willy Wonka em A Fantástica Fábrica de Chocolates (Willy Wonka & the Chocolate Factory, 1971).





Jerome Silberman nasceu em Milwaukee, Wisconsin, em 11 de junho de 1933. Aos 11 anos de idade ele viu uma aula de teatro de sua irmã e se interessou pela atuação. Ele pediu a professora da irmã para tomar aulas, e ela disse que ele poderia ser seu aluno se aos 13 anos ainda tivesse interesse em aprender.

No dia que ele completou 13 anos, ele ligou para a escola e pediu para se matricular, e fez o curso durante 2 anos. Sua mãe não gostou de ver o filho querendo ser ator, e o enviou para uma escola militar, onde ele era agredido e foi abusado sexualmente, como relatou em sua biografia, publicada anos depois. Após deixar o colégio militar, ele retornou para a sua cidade natal, e começou a atuar em um grupo de teatro local.

Em 1955 ele ganhou uma bolsa para estudar na Inglaterra, onde foi aceito no Bristol Old Vic Theatre School, onde ficou por 6 meses. De volta aos Estados Unidos, conheceu o ator Charles Grodin, que o convenceu a frequentar o Actors Studio, e após o curso, estreou na Broadway, no começo da década de 1960. Foi na Broadway que Wilder acabou conhecendo Mel Brooks, na época, namorado de Anne Bancroft, com quem o ator contracenou em uma peça, em 1963.

Gene Wilder  estreou na televisão em 1961, atuando em uma série de TV. Ele fez muitas participações na TV até fazer seu primeiro filme, onde foi um dos reféns em Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967).




Gene Wilder em  Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas


No mesmo ano o ator fez seu primeiro grande papel, o de Leopold Bloom no filme Primavera Para Hitler (The Producers, 1967), seu primeiro trabalho com o diretor e roteirista Mel Brooks. Wilder dizia que se considerava um ator dramático até descobrir sua veia cômica através de Mel Brooks, e foi indicado ao Oscar por este trabalho.



Gene Wilder em Primavera Para Hitler


Apesar do sucesso, o ator só voltaria ao cinema três anos depois, em Mercenários de Um Reino em Chamas (Start the Revolytion Without Me, 1970), e no ano seguinte fez o excêntrico e bondoso Willy Wonka em A Fantástica Fábrica de Chocolates (Willy Wonka & the Chocolate Factory, 1971), que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro, e fez dele um dos maiores astros do cinema, além de ser o interprete de um personagem clássico e cultuado por gerações de fãs.

Gene Wilder não foi a primeira opção para o papel, que foi oferecido antes para os atores Fred Astaire e Joel Grey.


Gene Wilder como Willy Wonka


Mas apesar de hoje A Fantástica Fábrica de Chocolate hoje ser cultuado, a produção não foi muito bem de bilheterias na época. Aliás, nenhum de seus filmes haviam tido bons retornos financeiros, e em busca de atuar em sucesso, aceitou o convite de Woody Allen para atuar em Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar (Everything You Always to Know About Sex * But Were Afraid to Ask, 1972), que foi muito bem nas bilheterias.

Wilder então começou a trabalhar no roteiro do filme O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein, 1974) e ligou para Mel Brooks oferecendo parceria. Inicialmente Brooks não se interessou muito pelo projeto.

Mike Medavoy, agente de Wilder, perguntou para ele se tinha algum roteiro que pudesse incluir seus novos clientes, Peter Boyle e Marty Feldman, e Wilder imediatamente criou personagens para eles. Medavoy também convenceu Mel Brooks a dirigir a produção, e o diretor também ajudou na elaboração final do roteiro.


Marty Feldman, Gene Wilder, Madeline Kahn e Peter Boyle em O Jovem Frankenstein



O filme foi muito bem nas bilheterias, e rendeu a Brooks e a Wilder uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original

Brooks gostou tanto de trabalhar com Wilder novamente, e logo após o termino das filmagens, eles trabalharam juntos em outro filme, a comédia Banzé no Oeste (Blazing Saddles, 1974). Ao mesmo tempo, Gene Wilder também filmou outro sucesso de sua carreira, o musical da Fox O Pequeno Príncipe (The Little Prince, 1974), baseado no livro clássico de Saint Exupéry.

Gene Wilder interpretava a raposa.



Cleavon Little e Gene Wilder em Banzé no Oeste


Gene Wilder em O Pequeno Príncipe


Durante as filmagens de O Jovem Frankenstein, Wilder teve outra ideia de roteiro, uma comédia musical romântica sobre um irmão de Sherlock Holmes. Marty Feldman e Madeline Kahn aceitaram participar do projeto, e Wilder desenvolveu a história. Ele também acabou estreando como diretor da comédia O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes (The Adventures of Sherlock Holmes' Smarter Brother, 1975).


Gene Wilder e Marty Feldman em O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes

Em 1976 o agente do ator enviou um roteiro para Gene Wilder, que gostou do texto, mas disse que o único ator que poderia estrelar sem deixar o texto ofensivo seria Richard Pryor. Pryor aceitou o convite, e a dupla fez seu primeiro filme juntos, O Expresso de Chicago (Silver Streak, 1976). O filme foi muito bem sucedido, e Pryor e Wilder se tornaram a primeira dupla de comédia inter-racial de sucesso em Hollywood.


Richard Pryor e Gene Wilder 

Wilder dirigiu seu próximo filme, O Maior Amante do Mundo (The World's Greatest Lover, 1977), no qual ele contracenou com Carol Kane. Mas o filme foi um grande fracasso.



Gene Wilder e Carol Kane em O Maior Amante do Mundo


Depois, o ator aceitou ser dirigido por Robert Aldrich na comédia O Rabino e o Pistoleiro (The Frisco Kid, 1979), onde iria contracenar com o veterano ator John Wayne. Mas Wayne acabou desistindo do projeto, e foi substituído pelo jovem Harrison Ford.



Gene Wilder e Harrison Ford em O Rabino e o Pistoleiro

Em 1980 o ator voltou a atuar com Richard Pryor em Loucos de Dar Nó (Stir Crazy, 1980), dirigido por Sidney Poitier. As filmagens foram complicadas, principalmente devido a dependência de Pryor em cocaína na época. Mas apesar dos problemas, o filme tornou-se um enorme sucesso, e muitas vezes é considerado uma das melhores comédias de todos os tempos.




Poitier então chamou Wilder para atuar em outra comédia que estava dirigindo, Hanky Panky, Uma Dupla em Apuros (Hanky Panky, 1982). Durante as filmagens, Wilder conheceu sua colega de elenco, a atriz Gilda Radner, com quem se casou em 1984.

Os dois trabalhariam juntos novamente em vários outros projetos.



Gilda Radner e Gene Wilder em Hanky Panky, Uma Dupla em Apuros


Em 1984 o ator estrelou e dirigiu a comédia A Dama de Vermelho (The Woman in Red, 1984), ao lado da atriz Kelly LeBrock. O filme foi um dos maiores sucessos do ano, e a canção I Just Called to Say I Love You, de Stevie Wonder, levou o Oscar de Melhor Canção.








Gilda Radner também estava no elenco de A Dama de Vermelho, e com o marido também estrelou Lua de Mel Assombrada (Haunted Honeymoon, 1986), novamente sob direção de Gene Wilder.

A TriStar Pictures convenceu Wilder e  Pryor a fazer um novo filme, Cegos, Surdos e Loucos (See No Evil, Hear No Evil, 1989). Mas desta vez o filme não agradou.

Em maio de 1989, Gilda Radner faleceu, vítima de um câncer de ovário, com apenas 42 anos de idade. O ator então desacelerou a sua carreira, passando a dedicar-se a pintura, escrevendo livros (sua biografia e alguns romances) e tornou-se muito ativo em causas sociais de combate ao câncer. 



Gilda Radner e Gene Wilder



Gene Wilder atuou ainda em As Coisas Engraçadas do Amor (Funny About Love, 1990) e fez um último filme com Richard Pryor, Um Sem Juízo, Outro Sem Razão (Another You, 1991). Este acabou sendo também o último filme dos dois atores. Pryor sofria de esclerose múltipla, e a doença já era perceptível no filme.

Gene Wilder ainda faria a série Somenthing Wilder (1994-1995) e apareceria em alguns telefilmes, como Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 1999).


Gene Wilder em Alice no País das Maravilhas



Seu último trabalho como ator foi em dos episódios da série Will e Grace (Will & Grace), em 2003. Ele interpretou o advogado Stein, chefe de Will Truman, e acabou ganhando um prêmio Emmy de Melhor Ator Convidado em série de comédia.



Eric McCormack e Gene Wilder em Will e Grace



Depois, Gene Wilder se aposentou. O ator sofria de Mal de Alzheimer, o que limitava seu trabalho no cinema. Ele então se afastou, falecendo em 29 de agosto de 2016, aos 83 anos de idade.

Wilder escondeu sua doença do público, para não causar tristeza em seus fãs, principalmente por causa de seus trabalhos dedicados as crianças.






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