Tyrone Power, o astro que morreu no set de filmagem




Nas décadas de 1930 e 1940 Tyrone Power era um dos campeões de bilheterias de Hollywood. Considerado um dos maiores galãs da história do cinema, ele se especializou em filmes de aventuras estilo capa e espadas, como A Marca do Zorro (The Mark of Zorro, 1940) e  de Sangue e Areia (Blood and Sand, 1941).




Tyrone Edmund Power Jr. nasceu em Cincinnati, Ohio, em 05 de maio de 1914. Ele era descendente de uma longa linhagem de artistas. Sua avó materna era a atriz Ethel Lavenu e sua mãe Helen Reaume também era atriz. Seu bisavô paterno era o comediante irlandês Tyrone Power (1795-1841) e seu pai, Tyrone Power Sr (1869-1931). era um famoso ator de teatro, que depois também migrou para o cinema.

E sua irmã, Anne Power, chegou a fazer um filme em 1916.


Tyrone Power Sr. com o filho Tyrone Power

Tyrone Power era uma criança com uma saúde frágil, e um médico recomendou que sua família se mudasse parra a Califórnia, onde o clima era mais quente e ameno. Seus pais se separaram em 1921, quando ele tinha sete anos de idade.

Foi nesta época também que ele estreou no teatro, trabalhando ao lado da mãe na peça La Golondrina. Quatro anos depois, ele estreou no cinema, fazendo um pequeno papel no filme mudo Escola Para Esposas (School for Wives, 1925).

No verão de 1931 Tyrone se reaproximou do pai. Eles haviam perdido o contato após o divórcio, mas a reconciliação durou pouco, pois em 23 de dezembro de 1931 Tyrone Power Sr. sofreu um ataque cardíaco fulminante, morrendo nos braços do filho. Ty, como era chamado pelos amigos, jurou honrar a carreira do pai, e decidiu que seria realmente um ator.

Ele bateu de porta em porta em busca de trabalho, mas não conseguiu grandes papéis. Ele fez figuração nos filmes Cadete de Honra (Tom Brown of Culver, 1932) e Miss Generala (Flirtation Walk, 1934), até que um amigo o aconselhou a ir para Nova York, em busca de experiência teatral.


Tyrone Power (no fundo a esquerda) em Cadete de Honra 

Em Nova York ele conheceu a atriz teatral Katharine Cornell, que o indicou para substituir Burgess Meredith na pela Flowers of the Forest. Depois ela conseguiu para um papel secundário na peça Romeu e Julieta.

Ele recebeu convites para ir para Hollywood, mas Cornell o aconselhou a recusar para adquirir mais experiência na atuação. 

Em 1936 ele recebeu uma nova oferta, da Fox, e Cornell disse que agora ele estava pronto, e deveria aceitar. Creditado como Tyrone Power Jr. ele estreou no estúdio em Dormitório de Moças (Girls' Dormituory, 1936), fazendo um papel pequeno. Alice Faye, uma grande estrela da Fox o queria como seu interesse romântico em Novos Ecos da Broadway (Sing, Baby, Sing, 1936), e Tyrone chegou a começar a rodar o filme, mas o diretor Sidney Lanfield o demitiu, dizendo que ele "nunca se tornaria um ator".

Alice então fez campanha no estúdio para que ele obtivesse uma chance, e convenceu Hedda Hopper a falar dele em suas colunas, gerando o interesse as fãs. Mesmo quase desconhecido, ele se tornou um dos artistas da Fox que mais recebiam cartas, e o estúdio lhe deu um papel melhor em Mulheres Enamoradas (Ladies in Love, 1936) e o testou como galã nos filmes Quem Ama... Castiga! (Love Is News, 1937) e Ela e o Príncipe (Thin Ice, 1937).


Sonja Heine e Tyrone Power em Ela e o Príncipe

Com poucos filmes no currículo, o ator já era um grande astro em Hollywood. Em 1938 ele finalmente contracenou com sua apoiadora Alice Faye no grande sucesso Na Velha Chicago (In Old Chicago, 1938). O público adorou a combinação, e Power e Faye ainda atuariam juntos A Epopéia do Jazz (Alexander's Ragtime Band, 1938) e O Meu Amado (Rose of Washington Square, 1939).


Tyrone Power e Alice Faye em Na Velha Chicago

Ele foi emprestado para a MGM, onde fez Maria Antonieta (Marie Antoinette, 1938), mas Darryl Zanuck ficou (o diretor da Fox) ficou furioso quando viu seu maior astro fazendo um papel coadjuvante, e resolveu nunca mais emprestá-lo a outro estúdio. Com isto, ele perdeu a chance de fazer o papel de Rett Butler em ...E O Vento Levou (...Gone With the Wind, 1939).


Tyrone Power e Norma Shearer em Maria Antonieta


Na Fox o ator seguiu estrelando sucessos como Suez (Idem, 1938), Jesse James (Idem, 1939) e As Chuvas Chegaram (The Rains Came, 1939). Jesse James foi seu primeiro filme colorido, e fez muito sucesso, mas foi duramente criticado por enaltecer um fora da lei.



Tyrone Power e Nancy Kelly em Jesse James


Em 1939 o ator era o segundo astro que mais faturava nas bilheterias, perdendo apenas para Mickey Rooney. Ainda em 1939 ele se casou com a atriz francesa Annabella.


Annabella e Tyrone Power em Suez


Eles haviam trabalhados juntos em Suez, e se apaixonaram nos bastidores. Annabella era uma grande estrela do cinema francês, e Zanuck a havia trazido para trabalhar na Fox. Porém, o chefão do estúdio ficou furioso com o relacionamento, e tentou impedir o casamento.

Zanuck acreditava que seu maior galã perderia as fãs se não continuasse solteiro. Para impedir a união, Zanuck escalou a atriz para diversas produções rodadas fora do país, e como ela se recusou e desafiou o estúdio se casando com o galã, ela foi punida severamente, não sendo mais escalada para nenhum filme. Annabella então dedicou-se ao teatro, para satisfazer seu desejo em atuar.

Tyrone, entretanto, não sofreu nenhuma punição. Ele foi escalado para estrelar a aventura O Filho dos Deuses (Brigham Young, 1940), primeiro filme que ele fez ao lado de Linda Darnell. A dupla atuaria novamente em A Marca do Zorro (The Mark of Zorro, 1940) e  de Sangue e Areia (Blood and Sand, 1941), alguns dos maiores sucessos da carreira de ambos os atores.

Tyrone Power se tornou um dos mais famosos Zorros da história do cinema.



Linda Darnell e Tyrone Power

Tyrone Power em Sangue e Areia


O ator fez outros filmes de capa e espada, como Ódio no Coração (Son of Fury: The Story of Benjamin Blake, 1942) e O Cisne Negro (The Black Swan, 1942). Mas sua carreira foi interrompida após atuar em Mergulho no Inferno (Crash Dive, 1943), pois o ator foi convocado pelo serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial.

Seu casamento com Annabella também acabou em 1943.


Tyrone Power e Maureen O'Hara em O Cisne Negro


Tyrone Power no exército



Após o final da guerra ele retornou a Hollywood. Seu filme de retorno foi o drama O Fio da Navalha (The Razor's Edge, 1946) e em seguida fez O Beco das Almas Perdidas (Nightmare Alley, 1947). Zanuck ficou relutante em por seu maior galã em um filme sombrio, com medo que a imagem sombria prejudicasse a imagem charmosa do ator. O filme não fez sucesso de bilheterias, mas rendeu a Tyrone as melhores críticas de sua carreira.



Tyrone Power em O Beco das Almas Perdidas



Mas sua experiência em filmes sérios, com teor dramática foi curta, e logo ele retornou as aventuras coloridas onde podia demonstrar suas habilidades de espadachim, atuando em Capitão de Castela (Captain From Castile, 1947), O Favorito dos Borgia (Prince of Foxes, 1949) e A Rosa Negra (The Black Rose, 1950).


Tyrone Power em O Favorito dos Borgia


Na década de 1950, o ator estava infeliz com os filmes que o estúdio reservava para ele. Power queria papéis mais desafiadores, mas era escalado para filmes como Guerrilheiros das Filipinas (American Guerrila in the Phillippines, 1950) e O Correio do Inferno (Rawhide, 1951), que pouco exploravam seus talentos de atuação.


 O Correio do Inferno 

Tyrone então resolveu ir para à Inglaterra, onde assumiu o papel principal na pela Mister Roberts (1952), em uma temporada de 23 semanas no London Coliseum. A Fox mandou chamá-lo, oferecendo para ele o papel principal no bíblico O Manto Sagrado (The Robe, 1953), e ele voltou para Hollywood

Mas foi Richard Burton que estrelou o filme. 


Desanimado com a falsa promessa, ele voltou para a o teatro. Ele renovou com a Fox com a garantia de poder atuar em outros estúdios, e ele fez O Aventureiro do Mississippi (The Mississippi Gambler, 1953), na Universal. O filme fez um grande sucesso, e rendeu 1 milhão de dólares para Tyrone, que tinha direito a porcentagem das bilheterias.


O Aventureiro do Mississippi


Sua velha amiga Katharine Cornell o chamou de volta para o teatro, e ele fez bem sucedidas e elogiadas temporadas nos palcos. E após dois anos afastado dos cinemas, ele fez seu último filme na Fox, Duelo de Paixões (Untamed, 1955).

Na Columbia, ele foi dirigido por John Ford em A Paixão de Uma Vida (The Long Gray Line, 1955), que também foi um grande sucesso. Felizes com o resultado, o estúdio o escalou para para viver o músico Eddy Duchin (que havia falecido recentemente, com apenas 41 anos de idade) em Melodia Imortal (The Eddy Duchin Story, 1956). O filme foi aclamado pela crítica e pelo público.

No filme Tyrone Power tocava Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, no piano. Anos antes, em 1944, Barroso havia se tornado o primeiro brasileiro indicado ao Oscar. (Veja mais sobre isto aqui).


Tyrone Power tocando Aquarela do Brasil em Melodia Imortal



Tyrone ainda atuaria em Barco Sem Rumo (Seven Waves Away, 1957), e E Agora Brilha o Sol (The Sun Also Rises, 1957), este último, novamente na Fox.



Ava Gardner e Tyrone Power em Agora Brilha o Sol


Seu último trabalho nas telas talvez seja o seu melhor papel, embora pouco lembrado quando falamos de sua carreira. Sob direção de Billy Wilder, ele esteve brilhante em Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution, 1957), que era baseado em um livro de Agatha Christie.

Tyrone interpretava Leonard Vole, um homem acusado de assassinato. 



Tyrone Power e Marlene Dietrich em Testemunha de Acusação

Depois o ator foi para a Espanha rodar o épico Salomão e a Rainha de Sabá (Solomon and Sheba, 1959), ao lado de Gina Lollobrigida. O filme era dirigido por Henry King, com quem o ator havia feito 11 filmes anteriormente.

Tyrone novamente empunhava uma espada em suas cenas, e já havia gravado 75% do filme, quando sofreu um ataque cardíaco no estúdio, enquanto gravava uma cena de duelo ao lado de George Sanders

Ele morreu em 15 de novembro de 1958, com apenas 44 anos de idade.


O ator Yul Brynner foi chamado para refazer as suas cenas, mas muitas das cenas que ele havia gravado foram reaproveitadas, e um espectador mais atento é capaz de perceber a presença de Tyrone Power no filme.



Ultimas imagens de Tyrone Power, pouco antes de morrer

Na época de sua morte, o ator estava casado com Ann Montgomery Minardos, com quem havia se casado sete meses antes. ela estava grávida quando o ator faleceu, e seu filho Tyrone Power IV nasceu no dia 22 de janeiro de 1959.

Antes disto, o ator havia se casado com a atriz Linda Christian, em 1949. Linda é mãe de duas filhas de Tyrone Power, a cantora e atriz Romina Power (nascida em 1951) e Taryn Power (nascida em 1953).


Linda Christian e Tyrone Power


Sua neta, Ylenia Carrisi (filha de Romina Power com o cantor Al Bano), também era atriz. Mas em 06 de janeiro de 1994 ela desapareceu durante uma viagem a Nova Orleans. Ela tinha 23 anos, e nunca foi descoberto o seu paradeiro. E 2018 um caminhoneiro confessou ter matado a jovem e levou a polícia ao local do corpo, mas o exame de DNA provou que a vítima não era ela. (leia mais sobre isto, e outros casos de desaparecimentos no cinema, aqui).


Tyrone Power



Leia também:  Morre a atriz Taryn Power, filha de Tyrone Power e Linda Christian

Leia também:  Os misteriosos casos de desaparecimentos no cinema

Leia também:  O trágico final de Linda Darnell

Leia também:  O enigmático Yul Brynner

Leia também:  Gareth Jones, o ator que morreu diante das câmeras em uma transmissão ao vivo

Veja também: O Primeiro Brasileiro Indicado ao Oscar


Curta nossa página no Facebook
Se inscreva no nosso canal do Youtube
Siga também nosso Instagram


2 comentários:

  1. Quem dirigiu SALOMÃO E A RAINHA DE SABÁ foi King Vidor e não Henry King.

    ResponderExcluir
  2. Quem dirigiu SALOMÃO E A RAINHA DE SABÁ foi King Vidor e não Henry King

    ResponderExcluir

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil