A triste vida de Gary Coleman, o pequeno gigante atormentado


Gary Coleman ficou conhecido como o esperto Arnold Jackson na série Arnold (Diff'rent Strokes, 1978-1986). Com suas bochechas rechonchudas e uma maturidade espantosa, Coleman era na verdade mais velho do que aparentava, graças há uma doença renal hereditária que limitou seu crescimento. Ao longo de sua breve vida, o ator teve que fazer dois transplantes de rins (o primeiro em 1976), e dependeu de hemodiálise por toda a sua vida.

Com apenas 1,42 metros de altura na fase adulta, Coleman desencadeou um comportamento agressivo defensivo a medida que crescia em Hollywood, e teve uma vida pessoal muito infeliz.


Gary Wayne Coleman nasceu em 08 de fevereiro de 1968, em Zion, Illinois. Sua mãe era uma moradora de rua, que fugiu do hospital alguns dias após dar à luz, abandonando o menino na maternidade. Coleman acabou sendo adotado por uma das enfermeiras do hospital.

Com quatro anos de idade, foi descoberto por um agente, e começou a fazer comerciais para a televisão, e aos seis, fez seu primeiro trabalho em uma série de televisão, atuando em Medical Center.

Em 1977 ele fez um telefilme baseado na série Os Batutinhas (The Little Rascals), e no ano seguinte ganhou o papel do pequeno Arnold Jackson. Gary tinha dez anos de idade, mas interpretava um menino de oito. 

A série fez muito sucesso, e lhe valeu muitos prêmios dedicados a artistas mirins.

Gary Colleman no colo de Muhamad Alli em Arnold

Durante a série, ele se tornou uma as estrelas mirins mais populares da indústria do entretenimento, e participou de muitas outras séries, também interpretando Arnold Jackson. Também fez uma participação em um dos últimos trabalhos feitos para a televisão da veterana comediante Lucille Ball.

Gary Coleman e Lucille Ball

Mas o jovem ator não repetiu o sucesso nos cinemas. Ele estrelou Gary Coleman Está na Pista Certa (On the Right Track, 1981), que lhe rendeu uma duas indicações ao Framboesa de Ator, nas categorias de Pior Ator e Pior Ator Revelação. O filme foi um fracasso de bilheterias, tanto que seu segundo filme, Jimmy The Kid (1982), não gerou interesse dos exibidores cinematográficos brasileiros.


Mas apesar de não ir bem nas telas de cinema, ainda fazia sucesso na TV, e ganhou seu próprio desenho animado, Andy, o Anjinho da Guarda (The Gary Coleman Show, 1982), exibido no Brasil pela TV Manchete.


Mas a medida que envelhecia, os produtores não sabiam o que fazer com Coleman. Ele tinha 18 anos quando a série foi cancelada, e seu rosto já demonstrava a sua idade, mas o corpo não, o que causava estranheza do público, que não o achava mais um garotinho "fofo". Além disto, sua saúde inspirava cuidados, e ele precisou de um segundo transplante de rim em 1984, enquanto ainda gravava Arnold.

Com o fim da série, todos os astros mirins tiveram dificuldades ao encontrar trabalho, e tiveram graves problemas pessoais. Todd Bridges, que interpretava seu irmão Willis, tornou-se viciado em drogas, e foi preso por tentativa de homicídio em 1989 (ele deu oito tiros em um traficante, e ficou alguns meses presos, antes de ser absolvido). Bridges foi preso outra vez por porte de drogas, e ficou dez anos sem atuar. Recuperado, voltou a atuar e participou de outra série de sucesso, Todo Mundo Odeia o Cris (Everbody Hates Cris), onde interpretou Monk, o militar meio paranoico, sobrinho de Doc.

Todd Bridges em Todo Mundo Odeia o Cris


Dana Plato, a Kimberly, também teve problemas com drogas, e chegou a fazer filmes adultos. Ela cometeu suicídio em 1999. Leia mais sobre Dana Plato aqui.

Todd Bridges, Gary Coleman e Dana Plato

Coleman nunca mais conseguiu recuperar o antigo sucessos, e acabou relegado a pequenas participações em séries de televisão, ou como ator convidado em programas de polêmicas.

No auge da carreira, ele acumulou um patrimônio de 18 milhões de dólares, mas adulto, processou seus pais e seu empresário, que haviam roubado todo seu dinheiro. Após uma longa briga judicial, ele conseguiu recuperar 1 milhão, mas precisou pagar impostos atrasados, que consumiu quase todo o dinheiro. O resto foi gasto em tratamentos médicos devido a sua saúde fragilizada.

Coleman fez participações em séries como Um Maluco no Pedaço (Fresh Prince of Bellair), onde ao lado de Conrard Bain voltou a interpretar o personagem Arnold, e em Eu, A Patroa e as Crianças (My Wife and Kids), também trabalhou em  animações como Os Simpsons e Frango Robô (Robot Chiken).

Gary Coleman em Os Simpsons

Gary Coleman, Will Smith e Conrard Bain em Um Maluco no Pedaço

Completamente falido, o ator foi trabalhar como segurança de um shopping em 1999. No mesmo ano, foi preso por agredir uma fã que pediu um autógrafo. Coleman cresceu amargurado, e sofrendo graves dores físicas, precisando por muitas vezes utilizar uma cadeira de rodas. Também tentou o suicídio por duas ocasiões, na década de 1990. 

No cinema, ainda fez pequenos papéis em Ameaça Nuclear (Fox Hunt, 1996), Dickie Roberts, O Pestinha Cresceu (Dickie Roberts: Former Child Star, 2003), A Mente que Mente (The Great Buck Howard, 2008) e Corra que Tem Loucos por Aí! (An American Carol, 2008).

Gary Coleman na estreia de Corra que Tem Loucos por Aí!

Em 2003 ele concorreu ao governo da Califórnia, mas perdeu para outro ator, Arnold Schwarzenegger. E em 2004, durante uma entrevista na TV sofreu uma convulsão ao vivo, e precisou ser hospitalizado.

Gary Coleman, candidato a governador

Em 2007 Gary Coleman se casou com a atriz Shannon Price, com quem atuou na comédia Church Ball (2006). Mas logo o casamento ganhou os tabloides devido as constantes brigas e agressões, e o casal se divorciou no ano seguinte.

Mas eles voltaram a morar juntos após o divórcio, e em 2009 Shannon chegou a ser presa por agredir o ator.

Shannon Prince e Gary Coleman

Sofrendo de convulsões constantes, Gary Coleman caiu da escada de sua casa em 27 de maio de 2010. Ele bateu a cabeça e sofreu uma hemorragia craniana, falecendo no hospital no dia seguinte, com apenas 42 anos de idade.

Shannon e os pais do ator travaram uma batalha judicial pelo direito de seu corpo, que ficou retido até junho de 2010. Por fim, um juiz decretou que o fosse cremado, como havia pedido em seu testamento.


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