A breve Sidney Fox, a estrela que não vingou


Muitos astros surgiram ao longo da história do cinema, e tantos outros artistas nunca tiveram uma grande chance, buscando a fama que nunca veio. Ao mesmo tempo, alguns artistas tiveram grandes oportunidades, mas viram suas carreiras definharem rapidamente, como Barbara Payton, Bella Darvi e Anna Sten. Sidney Fox foi uma dessas estrelas breves, e como algumas destas suas colegas, trágica.


Sidney Fox (na verdade, Sarah Leifer) nasceu em Nova York, em 10 de dezembro de 1907. Ela nasceu em uma família muito rica, mas após a morte de seu pai eles perderam tudo, e Sidney começou a trabalhar muito cedo, como costureira, e depois tornou-se datilógrafa em um escritório.

Com o pouco dinheiro que sobrava, começou a pagar por aulas de interpretação, e em 1928 ela conseguiu seu primeiro papel na Broadway. Em 1930 ela chamou a atenção da crítica ao atuar na peça Lost Sheep.

Carl Laemmle Jr., filho do dono da Universal Studios, também assistiu a peça, e ofereceu a jovem um contrato cinematográfico. Mas ao contrário de muitas novatas, ela não estreou no cinema em um pequeno papel, e sim como protagonista de Garota Rebelde (The Bad Sister, 1931), sendo coadjuvada por Bette Davis (também estreando no cinema), no papel de sua irmã.


Por seu papel de estreia foi eleita uma das WAMPAS Baby Star de 1931, a lista das estrelas mais promissoras do cinema da época. Sidney foi a protagonista de seus filmes seguintes, e fez sucesso em obras como Os Assassinatos da Rua Morgue (Murders in the Rue Morgue, 1931) e Don Quixote (Idem, 1933).

Bela Lugosi e Sidney Chaplin em Os Assassinatos da Rua Morgue

Entretanto, apesar de a Universal lhe reservar os melhores papéis, Sidney não demonstrava um talento excepcional. Ela era uma atriz um tanto limitada, e se repetia em seus papéis. Além disto, todos sabiam que ela era amante de Carl Laemme Jr. (Bette Davis fazia questão de dizer isto aos quatro ventos), e Hollywood podia perdoar o adultério, mas era preciso demonstrar algum talento também.

Dizem que a situação da atriz na Universal tornou-se insuportável quando Laemme Jr. descobriu que a sua amada também tinha um caso com seu pai, Carl Laemme Sr., o dono do estúdio. Vendo seu nome sendo publicado nas páginas dos jornais, mas falando apenas de sua vida pessoal, e não de sua carreira, a atriz casou-se no final de 1932 com Charles Beahan, um produtor da Universal.

O casamento não foi a salvação da atriz. Seu marido bebia, e a agredia constantemente. Sidney Fox, deprimida, também começou a beber, e ficou viciada em remédios para dormir. Sua carreira também declinava rapidamente.

A atriz nunca deixou de estrelar seus filmes, mas passou a atuar em produções de baixo orçamento, pouco expressivas. Na decadente Biograph, estrelou Sede de Justiça (Midnight, 1934) e na RKO fez  seu último filme, O Iate da Fuzarca (Down to Their Las Yatch, 1934). Em busca de emprego, chegou a ir para à Europa fazer uma versão alemã de uma produção maior norte-americana.

Em três anos de carreira, a atriz fez 14 filmes.



A partir de 1934, ela nunca mais recebeu convites para o cinema, e seu último trabalho como atriz foi como substituta da estrela em uma produção da Broadway, em 1935. Desde então, nunca mais atuou.

A uma revista de cinema da época, chegou a declarar: "Minha maior cruz é que meu rosto e corpo não combinam com minha mente e alma. As pessoas esperam que eu seja uma boneca ingênua, e ficam terrivelmente desapontadas quando descobrem que não sou. Em festas, já vi homens pedirem para ser apresentados a mim e sabia que eles me achavam atraente, mas depois de falar comigo por alguns minutos, eles se afastavam consternados. Os homens, especialmente em Hollywood, não gostam de mulheres inteligentes."

Deprimida, Sidney Fox cometeu suicídio em 14 de novembro de 1942. Ela tomou todo um frascos de remédios para dormir, com apenas 34 anos de idade.


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