David Prowse, o ator que interpretou Darth Vader, morre aos 85 anos de idade


David Prowse, o homem por trás da máscara de Darth Vader nos três primeiros filmes da saga Star Wars morreu no dia 29 de novembro, aos 85 anos de idade. Sua morte foi divulgada por seu agente Thomas Bowington, através das redes sociais.


Nascido em Bristol, Inglaterra, em 01 de julho de 1935, David Prowse não se considerava ator. Diagnosticado com tuberculose na infância, ele começou a fazer musculação para melhorar sua respiração, mas acabou tomando gosto por malhar e tornou-se fisiculturista, chegando a participar do concurso de Mr. Universe, em 1960.


Alto, bonito e forte, ele começou a ser convidado para atuar em séries de televisão, e estreou no cinema interpretando Fankenstein na comédia Cassino Royale (1967), um filme de James Bond, não oficial. Ele interpretaria Frankenstein novamente em dois filmes do estúdio inglês Hammer: O Horror de Frankenstein (The Horror of Frankenstein, 1970) e Frankenstein e o Monstro do Inferno (Frankenstein and the Monster from Hell, 1974).


Em 1977 David foi convidado por Stanley Kubrick para interpretar o criado musculoso em Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1977). George Lucas assistiu o filme, e mandou chamar o ator para conversar.

David Prowse em Laranja Mecânica

Lucas ofereceu a Prowse dois papéis em Star Wars, o de Chewbacca e o de Darth Vader. O ator não gostou do nome Chewbacca, e preferiu viver o icônico vilão. Ele chegou a usar a sua voz no personagem, mas seu forte sotaque do interior fez com que George Lucas o chamasse de "Darth Farmer" (Darth Fazendeiro), e James Earl Jones, com sua voz grave, foi chamado para dublar o personagem.

Peter Cushing, George Lucas, Carrie Fisher e David Prowse, nos bastidores de Star Wars


Prowse atuou nos três primeiros filmes da saga, feitos entre 1977 e 1983. Ele também foi o treinador de musculação de Christopher Reeve, quando ele se preparava para filmar Super-Homem: O Filme (Superman: The Movie, 1978).

David Prowse continuou atuando em 2016, aparecendo em diversas séries de televisão, e em filmes independentes. Também costumava frequentar convenções de fãs de Star Wars. A causa da morte do ator não foi divulgada.



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A trágica vida de Florence Lawrence: a atriz que inventou a seta e a luz de freio dos carros


Nos primeiros anos do cinema os atores não tinham seus nomes nos créditos dos filmes, e atuavam em centenas de produções em poucos meses. Com mais de 300 filmes em sua carreira, Florence Lawrence foi uma das primeiras estrelas do cinema, nos tempos dos filmes mudos. Sua vida renderia um bom filme em Hollywood.

Florence utilizou-se mirabolantes estratégias publicitárias para atingir a fama, mas teve um triste e decadente fim. Além disto, a pioneira estrela das telas também era dona uma mente muito criativa. Ela foi uma das primeiras mulheres que possuiu um automóvel próprio, e inventou os sistemas que deram origem ao sinal de sete a a luz de freio, tal como conhecemos hoje.

Florence Lawrence

Florence Annie Bridgwood nasceu no Canadá, em 02 de janeiro de 1886. Ela era filha de Charlotte A. Bridgwood, uma atriz de Vaudeville conhecida como Lotta Lawrence. Florence começou a atuar nos palcos ainda criança, ao lado da mãe, e era chamada de "Baby Florence, the Kid Wonder".



Em 1906 a atriz se mudou para Nova York com a mãe. Elas buscavam emprego nos filmes, que começavam a fazer sucesso comercialmente. No mesmo ano, por saber cavalgar, conseguiu um papel em Daniel Boone (1907), dirigido por Thomas Edison, porém o filme só foi lançado no ano seguinte.

O primeiro filme de Florence a chegar nos cinemas foi The Automobile Thieves (1907), feito na Vitagraph Studios. Em menos de dois anos, ela já havia estrelado 38 filmes na estudio, mas naquele tempo os artistas de cinema não tinham seus nomes mencionados nos créditos, e o público praticamente não sabia nada sobre suas vidas privadas. Porém a atriz começou a ficar popular e famosa, e passou a ser chamada de "The Vitagraph Girl" (A Garota da Vitagraph).

Florence Lawrence

Na Vitagraph Florence conheceu o ator Harry Solter, que lhe contou que o estúdio da Biograph estava procurando uma atriz bonita que soubesse cavalgar, para estrelar The Girl and the Outlaw (1908), dirigido por D. W. Griffith. Florence procurou o estúdio, que lhe ofertou cindo dólares a mais por semana de salário, e ela assinou o contrato. Na Biograph, Lawrence atuou em outros 60 filmes dirigido por Griffith, todos feitos em 1908.

O público escrevia cartas perguntando quem era a "Biograph Girl", e assim ela passou a ser creditada em seus filmes. Os estúdios não usavam o nome dos artistas estrategicamente, para que eles não ficassem famosos a ponto de reivindicarem melhores salários. Ainda em 1908, Florence Lawrence e Harry Solter se casaram.

Na Biograph ela estrelou diversos filmes da série Mrs. Jones, que aumentaram ainda mais sua popularidade. Ela também fez muito sucesso nas bilheterias nos dramas The Ingrate (1909) e Ressurrection (1909). Mas buscando melhores condições de trabalho, Lawrence e Solter enviaram uma carta para a Essanay Studios, oferecendo seus serviços como atores. A Essanay não os contratou, e os denúnciou para seus patrões, que os demitiram de imedianto.

O casal então foi contratado por Carl Laemmle, dono da Independent Moving Pictures Company of America, mais conhecida como Estúdios IMP (que mais tarde viria a ser os Estúdios Universal). Marcada pela carreira na Biograph, Laemmle promoveu um grande golpe publicitário para criar uma marca para a sua nova estrela.

Foi divulgado que Florence Lawrence havia morrido, atropelada por um carro. Após uma grande comoção, a atriz reapareceu, desta vez chamada de "A Garota IMP".



Logo a atriz estava estrelando The Broken Oath (1910), dirigido por seu marido. Mas a mentira não pegou bem com o público, que não gostou de ser enganado. Laemme então inventou outra mentira de sucesso, dizendo que quem inventou o boato foi a atriz Florence Vidor, a nova "Garota Vitagraph".

A publicidade em torno de toda essa confusão revelou o nome da Florence Lawrence junto ao público, e ela passou a ser primeira estrela de cinema a ter seu nome nos créditos. 

Gozando de grande fama, Florence também levou sua antiga amiga canadense para Mary Pickford para a IMP, anos mais tarde Mary se tornaria a atriz mais popular do cinema, sendo chamada de "A Namoradinha da América".


A atriz entretanto ficou apenas onze meses no estúdio, onde fez 50 filmes. Mas ela voltaria a trabalhar com Carl Laemme, quando em 1912 fundou com ele a Victor Films, da qual seu marido também fazia parte. Ganhando 500 dólares por semana, numa época em que uma estrela ganhava cerva de 75 dólares, Florence Lawrence ficou rica, e seu patrimônio aumentou ainda mais quando o seu estúdio foi vendido para a Universal, que também se fundiu a IMP.



Em 1912, após Solter brigar feio com sua mãe, Florence Lawrence deixou o ator. Ele foi para à Europa, mas lhe escrevia diariamente, e dizia inclusive que queria se matar. Florence o aceitou de volta, e anunciou sua aposentadoria, que de fato, não aconteceu. Mas o casamento com Harry Solter acabou em 1913.

Florence continuou filmando, desta vez como contratada da Universal. Mas em 1914, quando filmava Pawns of Destiny, a atriz sofreu um grave acidente. Ela sofreu diversas queimaduras, e quebrou uma perna. O estúdio se recusou a pagar suas despesas médicas, e a atriz precisou ficar afastada do cinema por dois anos, até se recuperar. Mas durante as filmagens de seu novo filme, em 1916, o seu estado de saúde piorou, e ela ficou impossibilitada de andar por anos, se recuperando apenas em 1921.

Ao retornar as telas, a indústria do cinema já havia mudado muito, e Florence Lawrence já não era mais a estrela de outrora. Haviam surgido novos nomes, e o público já havia a esquecido. Acostumada a fazer mais de cinquenta filmes por ano, a atriz fez apenas outros nove nos dez anos seguintes. Os personagens também haviam diminuído, e o estrelato já era algo distante em sua carreira. A partir de 1924, ela nunca mais seria creditada em um filme.

Desde 1920, ela também passou a se dedicar a fabricação de cosméticos, junto com seu segundo marido.

Florence Lawrence, a Inventora


Em 1914, quando estava se recuperando do acidente nos sets, a atriz inventou um acessório que revolucionaria as leis mundiais de trânsito. Ela adorava dirigir, e foi uma das primeiras mulheres a possuir um automóvel, algo ainda muito raro e caro na época.


Vendo que os acidentes com veículos começavam a se tornar um problema, ela desenvolveu o braço sinalizador automático, uma placa de indicava a direção em que o carro iria virar (se para a direita ou esquerda). A engenhoca foi o embrião da luz de seta, hoje um item obrigatório.

Ela também criou um outro sistema de segurança, uma placa escrita STOP (pare) que aparecia na traseira do carro, quando este freava. Este sistema hoje foi substituído pela luz de freio.


Em 1917 a mãe da atriz obteve a patente de outro invento automotivo, o limpador elétrico de para-brisas. As duas montaram uma fábrica que produzia e comercializava os acessórios, que não fizeram sucesso na época. A empresa fechou após a Quebra da Bolsa de Valores em 1929, quando Lawrence perdeu toda a sua fortuna.

Sua mãe também faleceu no final de 1929.



Em 1933 Florence Lawrence se casou pela terceira vez. Henry Bolton, seu novo marido, era violento e abusivo e batia muito na atriz, que pediu o divórcio cinco meses depois do matrimônio.

Lawrence ainda atuava, mas desde a chegada do cinema falado, havia se tornado uma mera figurante nos corredores da MGM. Ela teve todas as suas cenas cortadas do filme A Noite Tudo Encobre (Night Must Fall, 1937), seu último trabalho no cinema. Falida, deprimida, e sofrendo com dores crônicas pela mielofibrose, uma rara doença da medula, a atriz fez seu ato final.

Aos 52 anos de idade, ela tomou um forte inseticida para matar formigas. A atriz foi socorrida e levada para o hospital, mas morreu poucas horas depois, em 28 de dezembro de 1938. 

Em seu bilhete de despedida escreveu "estou cansada!"

Morando em um quarto de pensão, ela foi enterrada em uma vala comum, sem identificação.


Em 1991 o ator Roddy McDowall não mediu esforços para encontrar seus restos mortais, e a levou para o Hollywood Forever Cemitery, onde hoje ela repousa com uma lápide que diz "A Garota Biograph, a primeira estrela do cinema".

Por Onde Anda? Stefan Arngrim (de Terra de Gigantes) e Alison Arngrim (de Os Pioneiros), atores mirins e irmãos na vida real


Stefan Arngrim tinha 12 anos de idade quando se tornou um astro da televisão na série Terra de Gigantes (Land of Giants, 1968-1970). Sua irmã mais nova, Alison Arngrim tinha a mesma idade quando ingressou no elenco de outra série clássica Os Pioneiros (Little House on the Prairie, 1974-1983).

Ambos fizeram muito sucesso em seus respectivos papéis, mas poucos fãs sabem que eles são irmãos na vida real. Os dois são são filhos do ator Thor Arngrim (que depois se tornou agente de elenco) e da atriz Norma MacMillan, que ficou mais famosa como dubladora (ela é dona da voz original do Gasparzinho).

Norma MacMillan

Stefan Arngrim (23 de dezembro de 1955)



Stefan Thor Arngrim nasceu no Canadá, e começou a atuar em 1965, participando de séries de televisão. Estreou no cinema ao lado de Kirk Douglas e Robert Mitchum em Desbravando o Oeste (The Way West, 1967), mas ficaria famoso apenas no ano seguinte, quando interpretou o jovem Barry Lockridge em  Terra de Gigantes (Land of Giants, 1968-1970), série produzida por Irwin Allen.




Após o cancelamento de Terra de Gigantes, sua carreira não emplacou. Já adulto, apareceu em filmes como A Classe do Demônio (Fear no Evil, 1981) e Os Donos do Amanhã (Class of 1984, 1982). Entre 1986 e 1993 também teve uma banda chamada The Knights of the Living Dead, que chegou a ter ofertas para gravar com a Capitol Records, mas infelizmente as negociações não foram para frente.

Stefan Arngrim (o primeiro a esquerda), em  Os Donos do Amanhã


A banda foi desfeita após um terremoto atingir Los Angeles, fazendo com que ele voltasse a residir no Canadá, embora o ator ainda atue.

Stefan Arngrim fez pequenos papéis em séries como Arquivo X (The X Files), V: Visitantes (V) Sobrenatural (Supernatural) e Arrow, e também apareceu na versão cinematográfica de Esquadrão Classe A (The A Team, 2010). Seu último trabalho como ator foi na série Fargo, em 2015.

O ator é casado, mas não tem filhos.

Stefan Arngrim em V: Visitantes 

Stefan Arngrim em convenção de fãs de Terra de Gigantes

Alison Arngrim (18 de janeiro de 1962)




Alison Arngrim nasceu em Nova York, e é irmã mais nova de Stefan Arngrim. Começou a atuar no filme Throw out the Anchor! (1974), mesmo ano que foi escalada para viver a desprezível Nellie Oleson, a menina vilã de Os Pioneiros (Little House on the Prairie, 1974-1983), que junto com sua mãe Harriet (papel de Katherine MacGregor) infernizavam a vida da família Ingalls.

Inicialmente Alison havia feito o teste para viver a mocinha Laura Ingalls, e depois sua irmã Mary, mas acabou ficando com o papel da intrometida menina do armazém. Seus cabelos cacheados na verdade era uma peruca, que de tão apertada, fazia sua cabeça sangrar.



Assim como o irmão, não conseguiu muitos papéis quando a série acabou. Ela chegou a trabalhar como modelo, posando de biquíni para calendários, antes de parar de atuar, em 1986.


Ainda em 1986, Steve Tracy, que interpretou seu marido em Os Pioneiros, faleceu vítima do HIV.  Desde então ela começou a trabalhar como voluntária em diversas instituições de pesquisa e prevenção a AIDS. Ela apresentou por anos um programa na televisão educativa com informações sobre a doença, ainda um tanto desconhecida.

Alison Arngrim e Steve Tracy

Mais tarde, Alison começou a lutar pelas crianças infectadas pela doença, e fundou uma instituição para tratamento infantil. Além de ser porta voz de uma instituição contra o abuso sexual de crianças.

Em 2010, em uma polêmica entrevista, ela declarou que foi vítima de abuso sexual dos 06 aos 12 anos de idade, e seu agressor era o próprio irmão Stefan, que só parou de violenta-la após ela ingressar na série. Alison contou que se sentiu acolhida e protegida pelo Michael Landon, que aconselhava muito. Ela também afirmou que o irmão a fez experimentar maconha e álcool, quando ainda era muito pequena.

E embora não ainda esteja com as relações cortadas com Stefan Arngrim, a atriz disse entender seu agressor. Segundo ela, Stefan também foi abusado sexualmente por produtor de Terra de Gigantes, dos 12 aos 16 anos de idade.

Em 2002 ela começou a fazer stand up, e contava nos palcos suas experiências como Nellie Oleson, a vilão que todos amavam odiar. Mais tarde, ela transformou a peça em um livro chamado "Confessions of A Prairie Bitch: How I Survived Nellie Oleson and Learned to Love Being Hated", que ficou na lista dos mais vendidos do Jornal New York Times. Alison ainda atua em produções independentes.

A atriz é casada, mas não tem filhos.





Alison e Stefan Arngrim

Veja o Antes e o Depois
do elenco de Terra de Gigantes



A impressionante história e o triste fim do ator Lou Tellegen, "O Homem Mais Bonito do Mundo"


Hoje esquecido, Lou Tellegen foi um grande astro nos primeiros dias de Hollywood. Holandês, de descendência grega, ele chegou a ser considerado "o homem mais bonito do mundo". Elevado ao estrelado pela lendária Sarah Bernhardt, sua vida cheia de histórias e aventuras, mas com um final trágico, parece um enredo de alguns dos dramas que estrelou ao longo de sua carreira.

Foto mais antiga conhecida do ator Lou Tellegen, nos anos de 1910

Isidor Louis Bernard Edmond van Dommelen nasceu na Holanda, em 26 de novembro de 1881. Filho ilegítimo do tenente Isidoro Louis Bernard Edmond Tellegen, um famoso e condecorado militar holandês.

Lou Tellegen era um aventureiro, e muito jovem, resolveu viajar pela Europa, e teve diversas profissões antes de se tornar ator. Ele lutou boxe em competições amadoras por dinheiro, dirigiu um táxi em Bruxelas, foi trapezista em um circo em Berlim e em Moscou, ficou um mês na cadeia após ser preso distribuindo panfletos sobre métodos contraceptivos. 

Depois viajou para o Brasil, em busca de tesouros nos garimpos da floresta Amazônica, e retornou para à Europa após conseguir emprego abastecendo o carvão em um navio cargueiro francês. Na França, foi novamente preso, após se envolver com uma rica mulher casada.

Na prisão, escreveu uma carta para o amigo ator Édouard de Max, pedindo que ele pagasse sua fiança. Sem dinheiro, Max conseguiu para ele trabalhos no teatro francês, pois Tellegen já havia atuado nos palcos holandeses.

Eleonora Duse, uma lendária estrela do teatro italiano acabou o contratando para sua companhia, onde ele era figurante. Para complementar a renda, o ator começou a posar nu para diversos artistas, e foi o modelo da escultura Eternal Spring, de Auguste Rodin.

Eternal Spring

No ateliê de Rodin, Tellegen foi apresentado para a francesa Sarah Bernhardt, a atriz mais famosa do mundo na época. Sarah era 37 anos mais velha que o ator, e caiu de amores pelo belo rapaz. Ela o contratou para sua companhia, promovendo ele a protagonista masculino de suas peças.

Ela também levou Lou Tellegen para morar na sua casa, e escandalizou a sociedade ao anunciar que iria se casar com o jovem ator (embora isto nunca tenha acontecido). Ela tinha 66 anos de idade, e ele 27. Bernhard não fez de Tellegen apenas um homem famoso, mas garantiu para ele contratos que o deixaram rico.

Em 1910 ela o levou junto em sua turnê pelos Estados Unidos, e em 1912 Tellegen estreou no cinema no papel de Armand Duval, contracenando com Sarah Bernhard no filme La Dame Aux Camélias (1912). O ator faria os principais papéis masculinos nos filmes seguintes da esrela: Les Amours de la Reine Élizabeth (1912) e Adrienne Lecouveur (1913).

Lou Tellegen e Sarah Bernhardt em Les Amours de la Reine Élizabeth

No final do ano de 1913 o ator foi convidado para estrelar a peça O Retrato de Dorian Grey, em Londres. Ele então abandonou Bernhard, e partiu para à Inglaterra, almejando novos rumos em sua carreira.


Ao fim da temporada, foi convidado por Samuel Goldwyn para ir para Hollywood, onde estreou no filme The Explorer (1915). A crítica o considerou um ator limitado, mas as fãs se encantaram com a beleza do rapaz, que logo foi promovido a astro. No ano seguinte, o ator estrelou o drama The Victory of Conscience (1916).

Leo Tellegen e Cleo Ridgely em The Victory of Conscience

Em 1916 a fama do ator aumentou ainda mais quando ele se casou com a estrela do cinema mudo Geraldine Farrar. O casal passou a estampar diversas revistas destinadas aos fãs do cinema, pelo mundo inteiro. Ele já havia sido casado antes com Jeanne De Brouckère, uma condessa holandesa, que o ajudou no começo de carreira. Jeanne era escultora, e havia conhecido Tellegen quando ele era modelo artístico.

Leo Tellegen e Geraldine Farrar

Com Farrar, ele fez três filmes, incluindo Chama do Deserto (Flame of the Desert, 1919), que tinha no elenco o ator Syn de Conde, o primeiro brasileiro a trabalhar em Hollywood. (Leia mais sobre Syn de Conde aqui).

Geraldine Farrar, Lou Tellegen em Chama do Deserto,
o brasileiro Syn de Conde está ao fundo da foto



Ainda casado, publicou sua autobiografia, chamada "Mulheres Foram Gentis", onde contava suas aventuras e seu estilo "bon vivant" que fez com que ele fosse ajudado por mulheres poderosas. A revista Vanity Fair fez uma crítica, dizendo que o livro deveria se chamar "mulheres foram gentis com um idiota". E embora muito de sua biografia encontrada por ai seja atribuída a suas memórias, alguns autores acreditam que Tellegen tenha inventando muitas de suas aventuras.

O casamento com Geraldine Farrar acabou em 1923, após a atriz o acusá-lo de diversos adultérios. Mas sua carreira não foi abalada. Lou Tellegen seguiu estrelando filmes mudos como Pecado Redentor (The Redeeming Sin, 1925), Noites Parisienses (Parisian Nights, 1925), O Que a Esposa Não Deve Fazer (After Business Hours, 1925) e Tesouro de Prata (The Silver Treasure, 1926), a maioria deles feitos no estúdio Vitagraph.

Alla Nazimova e Leo Tellegen em Pecado Redentor

Helena D'Algy, estrela portuguesa no cinema mudo de Hollywood, e Leo Tellegen

No final de 1923 o ator se casou novamente com a atriz Nina Romano, com quem ficou junto até 1928. 

Em 1927 Lou Tellegen atuou em seu último papel importante no filme Lições em Amor (Married Alive, 1927), ainda mudo. No mesmo ano, o sistema de som chegou em Hollywood, que logo começou a fazer filmes falados. Com um forte sotaque holandês, Tellegen não passou no teste para atuar em produções sonoras, e sua carreira acabou vertiginosamente.

No ano seguinte, decadente, sem trabalho e cheio de dívidas, o ator decretou falência. Com quase 50 anos de idade, ele já não era mais o galã queridinho de Hollywood, que pouco fez para tentar salvar sua carreira. 

Tellegen começou a fazer testes para atuar no teatro, em cidades distantes de Nova York ou Los Angeles, para não ser reconhecido como uma estrela de outrora em busca de emprego. E sua situação piorou na noite de natal de 1929. O ator adormeceu enquanto fumava, em um quarto de hotel. O cigarro queimou seu bigode, e seu rosto ficou desfigurado. Nos meses seguintes, ele se submeteu a diversas cirurgias plásticas para tentar recuperar seu antigo rosto.

Tellegen inclusive tentou ser estrela de cinema na Grécia, onde produziu, dirigiu e estrelou o filme To Oneiron Tou Glyptou (1930), que não fez grandes alterações em sua carreira. Na época, ele estava casado com a aspirante a atriz Eve Casanova (de quem se separou em 1932).

Eve Casanova e Lou Tellegen


Após fazer diversas operações no rosto, Tellegen conseguiu um novo papel em Hollywood, em Enemies of the Law (1931), uma produção de baixo orçamento, em um estúdio desconhecido. Ele só retornaria ao cinema em Caravane (1934), estrelado por Anabella e Charles Boyer.

O filme foi lançado em 26 de outubro de 1934. Ao assistir a sessão, Leo Tellegen percebeu que seu pequeno papel havia ficado ainda menor na ilha de edição, que cortou quase todas as suas cenas. Ele nem mesmo foi creditado na produção, que o reduziu a uma figuração.

Leo Tellegen em seu último filme


No dia 29 de outubro Lou Tellegen saiu do cinema deprimido, e foi para a casa de sua admiradora Edna Cudahy, uma viúva rica de meia idade, que havia lhe dado abrigo após o ator ser despejado. Ele se trancou no banheiro e espalhou suas fotos e recortes de jornais que retratavam o auge de sua carreira pelo local. Se vestiu elegantemente, fez a barba e passou pó de arroz no rosto.

Em seguida pegou uma antiga tesoura de ouro, que usava para recortar as notas que saiam sobre ele na imprensa na época da fama, e esfaqueou o coração até a morte, diante de um enorme espelho.

Lou Tellegen tinha 52 anos de idade. 



E embora sua vida nunca tenha sido levada para as telas de cinema, o ator foi vivido brevemente por Michael York no especial Parade of Stars (1983), feito para a televisão.

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