Morre o ator Sean Connery aos 90 anos de idade


Sir Sean Connery falecu na manhã de 31 de outubro, aos 90 anos de idade. A famaília do ator confirmou a morte para a rede inglesa BBC, mas a causa da morte ainda não foi divulgada. Seu filho, entretanto, disse que o ator faleceu tranquilo, enquanto dormia.



Sir Thomas Sean Conney nasceu em 25 de agosto de 1930, em Edimburgo, Escócia.

Filho de uma faxineira e um motorista de caminhão, ainda muito jovem começou a trabalhar para ajudar a família e seu primeiro emprego foi como leiteiro. Mais tarde, ingressou na marinha, mas foi dispensando por motivos de saúde. Dispensado da marinha, procurou outras atividades para se sustentar, foi motorista de caminhão, salva-vidas, modelo para estudantes de arte e polidor de caixões.

Quadro pintado por estudante de pintura de Edimburgo, tendo Sean Connery como modelo

Sean Connery nos tempos da marinha

Um amigo sugeriu que ele participasse do concurso de Mr. Escócia. Em 1950 ele acabou participando do concurso de Mr. Universo, ficando em terceiro lugar.

Sean Connery, ao centro, no Mr. Universe (1953)

O começo da vida artística de Sean Connery

Para fazer um dinheiro extra, ele começou a trabalhar nos bastidores das produções do King's Theatre em 1951.

Em 1953, enquanto participava do Mr. Universo, em Londres, fez figuração no filme Lilacs in the Spring (1954). No ano seguinte conheceu o ator Michael Caine em uma festa e ficaram amigos. Foi então que Caine conseguiu papéis melhores para Connery no teatro. Anos mais tarde eles trabalhariam juntos no cinema, atuando nos filmes O Homem que Queria ser Rei (The Man Who Would Be King, 1975) e Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far, 1977).

Michael Caine e Sean Connery em O Homem que Queria ser Rei

A carreira do ator começou a deslanchar, e ele começou a fazer participações em filmes e séries de televisão. Ele teve um papel com algum destaque em A Bruta Aventura (Action of the Tiger, 1957) e fez um jovem que seduz uma mulher mais velha (vívida por Lana Turner) em Vítima de uma Paixão (Antoher Time, Another Place, 1958). 

Na época, dizem que eles tiveram um romance também fora das telas.

Lana Turner e Sean Connery em Vítima de uma Paixão

Seu primeiro papel principal foi na produção da Disney A Lenda dos Anões Mágicos (Darby O'Gill and the Little People, 1959). Connery ainda faria um filme de Tarzan, A Maior Aventura de Tarzan (Tarzan's Greatest Adventure, 1959), estrelado por Gordon Scott. E, embora já fosse um ator conhecido, que trabalhara em filmes importantes como O Mais Longo dos Dias (The Longest Day , 1962), o estrelato só viria quando ele foi escolhido para viver James Bond.

Cartaz de A Lenda dos Anões Mágicos

Meu nome é Bond, James Bond!

Sean Connery foi o primeiro ator a interpretar o agente 007 em um filme oficial, em O Satânico Dr. No (Dr. No, 1962). Foi Dana Broccoli, a esposa do produtor "Cubby" Brocolli, que convenceu o marido que ele era o ator certo para o papel.

Connery interpretaria James Bond nos primeiros cinco filmes da saga, depois deixou o papel em busca de novos desafios. O produtor Alberto Broccolli então testou vários atores para o substituí-lo e enfim interessou-se pelo ator canadense Daniel Pilon, que acabou recusando o papel para ir para à Europa filmar com com Bunñel. George Lazenby acabou sendo o novo Bond, mas seu desempenho foi tão criticado que Brocolli implorou para Connery fazer mais um filme, e ele retornou a viver o agente em 007 - Os Diamantes São Eternos (Diamonds are Forever, 1971).

Connery ainda viveria Bond em mais um filme, desta vez não oficial, em 007 - Nunca Mais Outra Vez (Never Say Never Again, 1983).

Sean Connery e Ursula Andrewss em O Satânico Dr. No

Mas, apesar do sucesso, o ator não ficou marcado com o stigma do personagem, atuando paralelamente em outras produções importantes, como Mulher de Palha (Woman of Straw, 1964), Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marinie, 1964), Shalako (1968), Ver-te-ei no Inferno (The Molly Maguires, 1970), Até Os Deuses Erram (The Offence, 1973) e Robin e Marian (Robin and Marian, 1976).

Alfred Hitchcock dando instruções para Sean Conney durante as filmagens de
Marnie, Confissões de Uma Ladra

Audrey Hepburn e Sean Connery em Robin e Marian

A carreira em Hollywood, pós Bond

Sua carreira continuou estável e o sucesso nunca o deixou de lado. Sean Connery seguiu atuando em filmes consagrados como Highlander: O Guerreiro Imortal (Highlander, 1986), O Nome da Rosa (Der Name der Rose, 1986), Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989), Caçada ao Outubro Vermelho (The Hunt for Red October, 1990) e A Armadilha(Entrapment , 1999). Ele ganhou um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em Os Intocáveis (The Untouchables, 1987) e chegou a fazer um filme rodado no Brasil: O Curandeiro da Selva (Medicine Man, 1992), ao lado do ator José Wilker.

Sean Connery e Kevin Costner em Os Intocáveis

A aposentadoria


Após atuar em A Liga Extraordinária (The League of Extraordinary Gentlemen, 2003), deixou o cinema alegando estar cansando de atuar. Anos antes, ele recusou um papel no filme O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, 2001), mesmo com um cachê de US$ 15 milhões que lhe oferecido.

Sean Connery em A Liga Extraordinária

Porém, ele voltaria brevemente ao cinema ao dublar um personagem na animação Sir Billi (2012), até então, seu último trabalho no cinema.

Como James Bond

Seann Connery, antes e depois

O jovem Sean Connery


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Morre Máximo Barro, um dos mais importantes montadores do cinema brasileiro

Faleceu na noite no dia 30 de outubro um dos mais respeitados profissionais do cinema brasileiro, o pesquisador, montador, escritor e professor de cinema Máximo Barro. Ele havia completado 90 anos em abril, e sua morte foi divulgada pela sua filha, através das redes sociais.

Nascido em São Paulo, a 13 de abril de 1930, no bairro paulistano do Bom Retiro, professor Máximo era filho de um gráfico e de uma dona de casa que, segundo ele mesmo, formou toda sua cultura cinematográfica no Cine Lux, na Rua José Paulino, que apresentava os filmes depois de cinco ou seis meses de seus lançamentos no centro da cidade.

Trabalhou em mais de 50 filmes como montador (sua principal atividade), com seu primeiro longa Se a Cidade Contasse (1953), estrelado por Eva Wilma e John Herbert. Ele colaborou com frequência com diretores nacionais como Mazzaropi, José Mojica Marins, Walter Hugo Khouri, Ozualdo Candeias, Rubem Biáfora, Silvio de Abreu, Fernando de Barros, Rodolfo Nanni e Alfredo Sternheim, entre muitos outros.


Máximo foi editor de quase 50 filmes, como o clássico Cléo e Daniel (1970), e trabalhou em diversos filmes de Mazzaropi, como Zé do Periquito (1960), O Corintiano (1967) e O Jeca e a Freira (1969). Pesquisador, era um grande nome na preservação do cinema brasileiro, tendo escrito diversos livros sobre o tema, além de dar aulas de cinema na FAAP.


Sua biografia, Máximo - Uma Vida de Cinema, foi escrita pelo cineasta Alfredo Sternheim.





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Morre o ator Ricardo Blume, aos 87 anos de idade


Morreu no dia 30 de outubro o ator peruano, radicado no México, Ricardo Blume. Sua morte foi confirmada pela Associação Nacional de Intérpretes do México.

O Conselho Diretivo e o Comitê de Vigilância da Associação Nacional de Intérpretes do México comunicam o lamentável falecimento do nosso sócio e intérprete Ricardo Blume. Nossas mais sinceras condolências à sua família e amigos“, declarou a entidade, por meio do Twitter.


Nascido em Lima, Peru, em 1933, Ricardo iniciou sua carreira como ator aos 19 anos de idade, ainda atuando no teatro de seu país natal, onde também ingressou na televisão, no começo da década de 1960.

Ele estreou no cinema em Intimidad de los Parques (1965) e em 1967 atuou no argentino Mi Secretaria está loca, loca, loca (1967). Em sua carreira cinematográfica, também destacou-se no mexicano Sobrenatural (1996).

Em 1969 foi para o México, convidado para estrelar a novela Simplesmente Maria (1969), ao lado de Victoria Ruffo.

Simplesmente Maria

O ator fez muitas telenovelas mexicanas, e ficou conhecido por aqui após atuar em sucessos como Carrossel (1992), e em duas novelas da cantora Thalia, Marimar (1994) e Maria do Bairro (1995-1996). Outra novela do ator, exibida no Brasil foi Cuidado com o Anjo (2009).

Ricardo Blume em Carrossel

Ricardo Blume e Thalia

O ator estava no elenco do filme mexicano El marlboro y el cucú, onde contracenava com Demián Bichir. A obra encontra-se em fase de pós-produção.


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O doce John Candy


Nos anos 80 e 90 John Candy era sinônimo de boas comédias, muitas delas exibidas na programação da televisão brasileira. Alto, corpulento e bonachão, Candy normalmente interpretava papéis de homens atrapalhados com um grande coração.


John Franklin Candy nasceu em Toronto, Canadá, em 31 de outubro de 1950. Ele iniciou sua carreira em programas infantis do Canadá, em 1976 passou a fazer parte de um talk show local, onde trabalhava com Ricky Moranis, que se tornou um grande amigo. No mesmo ano, a dupla ingressou no programa humorístico Second City, que também tinha Martin Short, Catherine O'Hara e Eugene Levy no elenco.



Martin Short, John Candy, Ricky Moranis, Dave Thomas e Eugene Levy em Second City

A série canadense fazia tanto sucesso no país que em 1981 passou a ser exibida na americana NBC, e Candy passou a ganhar popularidade nos Estados Unidos. O ator não era desconhecido nos EUA, mas foi a série que deixou famoso.

No cinema, estreou em O Verão que Passou (Class of' 44, 1973), depois atuou em filmes de baixo orçamento, como Palhaço Assassino (The Clown Murders, 1976), e foi escalado por Steven Spielberg para a comédia 1941- Uma Guerra Muito Louca (1941, 1979) e recebeu um papel em Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers, 1980). Em 1981 também dublou a animação Haevy Metal (1981).

John Candy em Os Irmãos Cara de Pau 

Em 1981 ele apresentou o famoso Saturday Night Life, e foi convidado para ingressar no famoso programa, mas recusou todas as ofertas, em respeito a seus colegas de Second City, que também era um programa de esquetes.

Popular, Candy fez participações especiais em Recrutas da Pesada (Stripes, 1981) e Férias Frustradas (Vacation, 1983), e garantiu o papel principal em Ficando Louco (Going Bersek, 1983).

Chevy Chase e John Candy em Férias Frustradas

Em 1984 ele foi convidado para estrelar Os Caça Fantasmas (Ghostbusters, 1984), mas recusou o papel, alegando que seu amigo Ricky Moranis seria uma escolha muito melhor que ele. Ricky acabou sendo contratado.

Mas apesar de recusar atuar no filme, apareceu no vídeo clipe da música tema, que ainda tinha participações de atores como Chevy Chase, Jeffrey Tambor e Danny DeVitto, artistas que também haviam se recusados a atuar no filme, ou não passaram no teste de elenco.


Ainda em 1984 interpretou o irmão de Tom Hanks no sucesso Splash - Uma Sereia em Minha Vida (Splash, 1984). O filme fez muito sucesso e Candy recebeu boas críticas, atingindo novos rumos em sua carreira.

Splash - Uma Sereia em Minha Vida 

Candy contracenou com Richard Pryor em Chuva de Milhões (Brewester's Millions, 1985), mas depois fez escolhas erradas e seus filmes seguintes, Aluga-se Para o Verão (Summer Rental, 1985), Os Voluntários da Fuzarca (Volunteers, 1985), A Pequena Loja dos Horrores (Little Shop of Horrors, 1986), Armados e Perigosos (Armed and Dangerous, 1986) e S.O.S.: Tem Um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, 1987) não fizeram sucesso.

John Candy em S.O.S.: Tem Um Louco Solto no Espaço 

Em baixa, o diretor John Hughes o chamou para trabalhar com Steve Martin em Antes Só do Que Mal Acompanhado (Planes, Trains & Atomobiles, 1987). Candy e o Hughes já haviam trabalhado juntos em Férias Frustradas, e após o enorme sucesso de Antes Só do Que Mal Acompanhado acabaram firmando uma longa parceria nos cinemas.

Steve Martin e John Candy em Antes Só do Que Mal Acompanhado

Novamente sob direção de Hughes, atuou em As Grandes Férias (The Great Outdoors, 1988), que também fez muito sucesso. Com o diretor ele ainda trabalharia em Ela Vai Ter Um Bebê (She's Having a baby, 1988), no qual fez uma participação especial, e voltou a estrelar outra comédia, Quem Vê Cara, Não Vê Coração (Uncle Buck, 1989), onde interpretou o tio bonachão de Macaulay Culkin.

E em 1989 recusou outro papel importante, o do cientista em Querida, Encolhi as Crianças (Honey, I Shrunk the Kids, 1989), novamente alegando que Ricky Moranis teria um desempenho melhor.

Macaulay Culkin e John Candy em Quem Vê Cara, Não Vê Coração

Candy e Hughes ainda trabalhariam juntos mais uma vez, quando o ator fez uma participação especial como o líder da banda de polca em Esqueceram de Mim (Home Alone, 1990). No filme sua banda da carona para Catherine O'Hara, a mãe de Kevin (Macaulay Culkin), para ela retornar para casa. O papel originalmente seria menor, e não seria de Candy, mas ele se ofereceu para atuar neste clássico natalino em gratidão ao diretor. Candy não cobrou nem um centavo por esta atuação, fez por amizade ao diretor e a Catherine O'Hara, sua amiga desde os tempos de Second City, ainda no Canadá.


Candy ainda atuou em filmes como Nada Além de Problemas (Nothing But Trouble, 1991), Quem é Harry Crumb? (Who's Harry Crumb?, 1991), e Mamãe Não Quer Que Eu Case (Only the Lonely, 1991), onde contracenou com a veterana Maureen O'Hara.

John Candy e Maureen O'Hara em Mamãe Não Quer Que Eu Case

Ainda em 1991 ele surpreendeu a todos ao atuar no filme JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar (JFK, 1991), aclamado filme do diretor Oliver Stone. John Candy recebeu excelentes críticas pelo papel sério, algo quase inédito em sua carreira.

John Candy em  JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar 

E em 1994 atuou em Jamaica Abaixo de Zero (Cool Runnings, 1994), que foi o maior sucesso de bilheteria de sua carreira.

Jamaica Abaixo de Zero

Este foi o último filme lançando enquanto o ator ainda era vivo. Durante as filmagens de Dois Contra o Oeste (Wagons East, 1994), o ator sofreu um ataque cardíaco fulminante, falecendo com apenas 43 anos de idade.

Com excesso de peso, e fumante inveterado, John Candy já estava preocupado com sua saúde. Seu pai havia morrido de um ataque cardíaco com apenas 35 anos de idade, na época em que o ator tinha apenas 5 anos. Ele chegou a perder peso, e parou de fumar, mas já era tarde demais. O ator morreu no dia do aniversário de 40 anos de Catherine O'Hara.

Ele ainda deixou um outro filme pronto, lançado após a sua morte, a comédia Operação Canadá (Canadian Bacon, 1995), único filme de ficção dirigido por Michael Moore, conhecido pelo seu trabalho como documentarista.


John Candy era casado desde 1979 com Rosemary Margaret Hobor, e tinha dois filhos, os atores Jennifer e Chris Candy.



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Relembrando a talentosa Ruth Gordon



Aos 72 anos de idade, e com uma carreira com mais de cinco décadas, que incluíam três indicações ao Oscar (como melhor roteirista), Ruth Gordon atingiu o estrelato em Hollywood após interpretar Minnie Castevet, a vizinha satanista de Mia Farrow em O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968).

Ruth ganhou um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo desempenho, e agradeceu ao prêmio dizendo ironicamente "Não consigo dizer como isto é encorajador para minha carreira". A plateia não conteve os risos, e Ruth finalizou "E obrigada a todos que votaram em mim, e a todos que não votaram: por favor, com licença".

Mas apesar de tardio, é inegável que o premio deu um novo rumo para sua carreira, e permitiu a veterana atriz protagonizar filmes como o sensível Ensina-me a Viver (Harold and Maude, 1971).

Ruth Gordon e seu Oscar

Ruth Gordon Jones nasceu em Quincy, Massachusetts, em 30 de outubro de 1896. O primeiro trabalho artístico de Ruth Gordon ocorreu quando ela tinha quatro anos de idade, e foi escolhida para estampar o rótulo da Mellin's Food for Infants and Invalids, um tônico vendido pela empresa no qual seu pai trabalhava. O produto era uma espécie de fortificante, similar ao nosso Biotônico Fontoura.

Ruth Gordon, aos quatro anos de idade

Fã de teatro, a menina resolveu escrever cartas para as estrelas dos palcos que ela admirava, pedindo uma foto autografada. A atriz Hazel Dawn não só a respondeu, como também incentivou a menina se tornar atriz.

Apoiando a decisão da filha, em 1914 a família de Ruth Gordon se mudou para Nova York, para que ela pudesse estudar atuação. No ano seguinte ela estrearia no cinema, fazendo pequenos papéis nos filmes The Whirl of Life (1915), Madame Butterfly (1915) e Camille (1915). No mesmo ano, fez sua estreia na Broadway, como Nibs, um dos garotos perdidos na peça Peter Pan.

Nos anos seguintes, Ruth se tornou uma estrela da Broadway.



A jovem Ruth Gordon

Em 1918 ela estrelou a peça Booth Tarlington's Seventeen, na qual contracenava com o ator Gregory Kelly. Eles fizeram diversas peças juntas, e se casaram em 1921.

Meses antes, em dezembro de 1920, a atriz precisou se submeter a um tratamento para endireitar suas pernas arqueadas. Ruth teve as pernas quebras, para que os ossos calcificassem de forma correta. Ela ficou meses internada durante a recuperação. 

Gregory Kelly morreu em 1927, com apenas 36 anos de idade. Dois anos depois, a atriz daria à luz ao seu único filho, Jones Harris, filho do empresário teatral Jed Harris, com quem ela nunca se casou, mas viveu por anos em uma relação estável.

Consagrada nos palcos, Ruth Gordon foi contratada pela MGM em 1932, mas nunca foi aproveitada pelo estúdio, não sendo escalada para nenhum filme. Seu contrato foi encerrado após um ano, sem nunca ter filmado.

A atriz só retornaria ao cinema em 1940, quando participou de O Libertador (Abe Lincoln in Illinois, 1940). Ela atuaria em outros quatro filmes até 1943, sempre em papéis de coadjuvantes. Neste período, seu trabalho mais importante no cinema foi em Duas Vezes Meu (Two-Faced Woman, 1941), o último filme de Greta Garbo.

Greta Garbo e Ruth Gordon em Duas Vezes Meu

Com poucos trabalhos em Hollywood, ela dedicou-se a Broadway. Em 1942 ela havia se casado com o roteirista Garson Kanin, e ele a incentivou a escrever suas próprias peças. No cinema, Irene Dunne protagonizou Passaram-se os Anos (Over 21, 1945), primeira adaptação cinematográfica de um texto escrito por Ruth Gordon.

Gordon foi indicada ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 1947, pelo filme Fatalidade (A Double Life, 1947), co-escrito com o marido. Junto de Garson Kanin ela ainda seria indicada novamente pelos roteiros de A Costela de Adão (Adam's Rib, 1949) e A Mulher Absoluta (Pat and Mike, 1952), ambos estrelados pela dupla Katharine Hepburn e Spencer Tracy, que eram amigos do casal.

Spencer Tracy, Ruth Gordon, Garson Kanin e Katharine Hepburn

Outro filme importante com roteiro de Ruth Gordon foi Papai Não Quer (The Actress, 1953), estrelado por Spencer Tracy e Jean Simmons. Simons interpretava a própria Ruth Gordon, que havia escrito uma peça autobiográfica, mostrando como uma garota convenceu o pai a deixá-la ir para Nova York, para se tornar atriz.

Gordon só voltaria a atuar no cinema em À Procura do Destino (Inside Daisy Clover, 1965), ao lado de Natalie Wood. Por este filme, recebeu sua primeira indicação ao Oscar, na categoria de melhor atriz coadjuvante. Ruth não ganhou o Oscar, mas levou o Globo de Ouro, na mesma categoria.

Ruth Gordon e Natalie Wood em À Procura do Destino

Natalie Wood e Ruth Gordon se tornaram grandes amigas, e a veterana atriz foi convidada para ser a madrinha de Natasha Gregson Wagner, a primeira filha de Natalie, nascida em 1970.

Ruth ainda faria Enganando Papai (Lord Love a Duck, 1966), antes de brilhar como a vizinha intrometida e satanista em O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968), que lhe deu seu Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e seu segundo Globo de Ouro.


Mia Farrow e Ruth Gordon em O Bebê de Rosemary

A atriz voltou ao gênero do terror em A Mansão dos Desaparecidos (What Ever Happened to Aunt Alice, 1969), um filme de terror psicológico no estilo O Que Terá Acontecido com Baby Jane (What Ever Happened to Baby Jane, 1962) e Com a Maldade na Alma (Hush Hush Sweet Charlote, 1964), também estrelado por grandes atrizes já veteranas, no caso Ruth e Geraldine Page.

Ruth Gordon e Geraldine Page em A Mansão dos Desaparecidos

Após atuar em Como Livrar-me da Mamãe (Where's Poppa?, 1970), Ruth Gordon comoveu o público com a doce e idealista Maude, no tocante e sensível Ensina-me a Viver (Harold and Maude, 1971). Ao lado de Bud Cort, ela interpretava uma mulher de terceira idade, que ensina um jovem a aproveitar a vida e descobrir o amor. 

Bud Cort e Ruth Gordon em Ensina-me a Viver

A atriz trabalhou muito nas décadas de 1970 a 1980, participando de diversos filmes e séries de televisão. Na TV, foi indicada ao Emmy por uma participação em Rhoda, e foi agraciada com tal prêmio por sua atuação na série Taxi.

No cinema, ela ainda atuou em filmes como Doido Para Brigar... Louco Para Amar (Every Wich Way But Loose, 1978), Flores e Espinhos (Boardwalk, 1979), Cuidado com Meu Guarda-Costas (My Bodyguard, 1980) e Agente Zero-Zero Nada (The Trouble with Spies, 1987), lançado após a sua morte.

Ruth Gordon em Cuidado com Meu Guarda-Costas

Em 28 de agosto de 1985 a atriz estava com o marido em sua casa de veraneio. Ela caminhou na praia com Garson Kanin pela manhã, conversaram muito e durante o dia trabalharam em uma nova peça que estavam escrevendo. Antes de ir dormir, Ruth Gordon sofreu um derrame, que a matou aos 88 anos de idade.

Glenn Close, com quem ela havia acabado de atuar em Maxie (1985), declarou na época "Ruth Gordon tinha um grande dom para viver o momento, e isto a manteve eterna".

Glenn Close e Ruth Gordon em Maxie

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