Três meses após sofrer AVC, Milton Gonçalves recebe alta


O ator Milton Gonçalves, de 86 anos, recebeu alta do Hospital Samaritano Barra, na Zona Oeste do Rio, nesta quinta-feira (14). Milton estava internado havia 95 dias na unidade, depois de sofrer um acidente vascular cerebral isquêmicoNa internação, em 10 de fevereiro, o ator passou por uma cirurgia e foi transferido para a unidade neurointensiva. Três dias depois, segundo boletim, Milton estava ligado a aparelhos para respirarNo dia 2 de março, o ator foi para a unidade semi-intensiva.

A carreira de Milton Gonçalves

Com sua voz grave e um enorme carisma e talento, o ator Milton Gonçalves é um dos mais importantes nome da dramaturgia brasileira, brilhando nos palcos, cinema e televisão. Ele é contratado da Rede Globo desde antes de sua inauguração, em 1965.


Milton Gonçalves nasceu em Monte Santo, Minas Gerais, em 09 de dezembro de 1933. Filho de camponeses que trabalhavam nas lavouras de café, Milton mudou-se com a mãe para São Paulo, quando ela e seu pai se separaram.

Sua mãe casou novamente, e o padrasto do menino achava que ele era um estorvo na modesta casa de apenas um comodo. Aos sete anos de idade, ele foi mandando para a casa de um delegado de polícia, para ser babá do filho do casal. Milton morava no emprego, e muitas noites tinha de dormir ao relento, com frio, porque o filho mais velho da família o expulsava para poder transar com a empregada no quartinho.

Aos 11 anos de idade, passou a trabalhar em uma alfaiataria. Um dia, enquanto fazia uma entrega de um terno, foi roubado. O menino foi levado a delegacia, acusado de ser ele o autor do roubo. Com poucos negros morando em seu bairro, ele era constantemente chamado de ladrão pelos vizinhos.

Milton ainda foi aprendiz de sapateiro, antes de ingressar em uma gráfica, aos 17 anos de idade. Certo dia um amigo, o ator Egídio Écio, o levou para assistir uma peça de teatro, e o rapaz ficou encantando. Ele resolver que seria ator, e entrou para um grupo de teatro amador, que fazia peças infantis.

Em 1957 o diretor Augusto Boal procurara um ator negro para atuar na peça Ratos e Homens, de John Steinbeck, e contratou Milton Gonçalves para o elenco. O ator ingressou no lendário Teatro de Arena. "Lá encontrei Gianfrancesco Guarnieri, Flavio Migliaccio, Oduvaldo Viana e tantos outros. Estudavam história do teatro, impostação de voz e postura, filosofia, arte e política". Relembrou em uma entrevista.

Milton Gonçalves em Chapetuba Futebol Clube (1959), no Teatro de Arena

Milton Gonçalves em A Mandrágora (1962)

Foi com Ratos e Homens que o ator também estreou na televisão, representando o mesmo texto no Grande Teatro Tupi, ainda em 1957. Na emissora, participou de outros teleteatros, como Apenas o Faraó Tem Alma (1958) e A Canção Sagrada (1959).


Ainda no Teatro de Arena, por intermédio de Gianfrancesco Guarnieri, estreou no cinema, fazendo um pequeno papel em O Grande Momento (1958), de Roberto Santos. Apesar de uma estréia modesta, ao longo de sua carreira, o ator apareceria em mais de 60 filmes, alguns deles, clássicos importantes de nossa filmografia.

Em 1958, após uma turnê pelo Rio de Janeiro, Milton Gonçalves deixou o elenco da companhia, para permanecer no Rio de Janeiro, ingressando Teatro Nacional de Comédia. Consagrado no teatro, atuou em peças como Eles Não Usam Black-Tie (1957), Arena Contra Zumbi (1963) e Memórias de Um Sargento de Milícias (1966). Também escreveu quatro peças, uma delas montada pelo Teatro Experimental do Negro.

De volta a televisão, participou do seriado O Vigilante Rodoviário, em 1961.

Milton Gonçalves em O Vigilante Rodoviário

No cinema, atuou em Cidade Ameaçada (1960) e Cinco Vezes Favela (1962), considerado o marco inicial do Cinema Novo. Também esteve em Gimba (1963) e Procura-se Uma Rosa (1964). Também dublou Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, no filme O Rei Pelé (1962).

Reginaldo Farias e Milton Gonçalves em Cidade Ameaçada

Em 1964 Milton Carneiro, Célia Biar e Milton Gonçalves foram os primeiros atores contratados pela Rede Globo de Televisão, que seria inaugurada no ano seguinte. Ele havia sido convidado para ingressar na emissora pelo diretor Otávio Graça Mello, que havia conhecido durante as filmagens de Grande Sertão (1965).

Milton atuou em Rua da Matriz (1965), a primeira experiência em teledramaturgia feita pela Globo. Em seguida atuou na novela Rosinha do Sobrado (1965). 

De volta a Tupi, participou de diversos "Tele-Revista", espécie de teleteatros, mas dedicados as revistas musicais, em 1966.

Retornou a Globo para atuar em Balança Mais Não Cai (1968) e atuou na novela A Cabana do Pai Tomás (1968).


Na Rede Globo atuou em diversas novelas, programas de humor e dirigiu as primeiras versões de Irmãos Coragem (1970) e A Grande Família (1972), e Escrava Isaura (1976), além de séries como Carga Pesada (1979) e Caso Verdade (1982-1986). 

Milton Gonçalves atuou em novelas como O Bem-Amado (1973), Gabriela (1975), Saramandaia (1976), Roque Santeiro (1985) e tantas outras. Também esteve no infantil Vila Sésamo (1972).




Por sua atuação como Pai José na segunda versão da novela Sinhá Moça (2006) lhe valeu a indicação para o prêmio de Melhor Ator no Emmy Internacional. Na cerimônia, apresentou o prêmio de Melhor Programa Infanto-juvenil ao lado da atriz americana Susan Sarandon. Foi o primeiro brasileiro a apresentar o evento.

Susan Sarandon e Milton Gonçalves

No cinema, é um dos artistas brasileiros com maior carreira, tendo atuado em filmes importantes como Toda Donzela Tem um Pai que é Uma Fera (1966), Mineirinho Vivo ou Morto (1967), O Homem Nu (1968), Macunaíma (1969), A Rainha Diaba (1974), Lúcio Fávio, O Passageiro da Agonia (1977), Eles Não Usam Black-Tie (1981), Quilombo (1984), Um Trem Para As Estrelas (1987), O Que É Isso, Companheiro? (1997), Carandiru (2003) e Billi Pig (2012). O ator estava gravando Pixinguinha, Um Homem Carinhoso, onde interpretaria o compositor.

Em Rainha Diaba

Também atuou em produções internacionais, como O Beijo da Mulher Aranha (Kiss of the Spider Woman, 1985),  Luar Sobre Parador (Moon over Parador, 1988),  Orquídea Selvagem (Wild Orchid, 1989), Kickboxer 3: A Arte da Guerra (Kickboxer 3: The Art of War, 1992) e Cobrador (Cobrador: In God We Trust, 2006), estrelado por Peter Fonda.

Seu último trabalho como ator foi no especial de natal Juntos A Magia Acontece (2019).

Em Juntos A Magia Acontece







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