A estilista Elsa Schiaparelli, a pioneira que uniu a moda com a arte


Elsa Schiaparelli entrou para a história como uma importante designer de moda italiana. Ao lado de Coco Chanel, sua maior rival, Elsa é considerada uma das figuras mais proeminentes da moda entre as duas guerras mundiais. Seu trabalho foi fortemente pelas obras dos artistas surrealistas, e ela chegou a trabalhar em parceria com nomes como Salvador Dalí e Jean Cocteau.

Elsa Schiparelli e Salvador Dalí

Elsa Maria Schiaparelli nasceu no Palazzo Corsini, em Roma, em 10 de setembro de 1890. Sua família, aristocrática, era formada por muitos intelectuais. Seu pai era decano na Universidade de Roma, onde ela estudou filosofia. Seu tio, Giovanni Schiaparelli era um astrônomo famoso na época. Ele descobriu os canalis, que afirmava ser canais marcianos construídos em marte (uma teoria muito aceita na época, embora hoje completamente desacreditada). Já Ernesto Schiaparelli, seu primo, era um famoso egiptólogo, conhecido por descobrir o túmulo de Nerfertari, posteriormente, ele foi diretor do museu Egizio, em Turim.

Elsa cresceu em meio a um ambiente multicultural, e tinha fascinação pela tradição das culturas antigas e ritos religiosos.

Elsa Schiaparelli fugiu de casa, indo morar em Londres, para fugir de um casamento arranjado. Lá, ela se apaixonou por William de Wendt, que se apresentava com o nome Wilhem de Kerlor, um charlatão que se apresentava alegando ter poderes psíquicos, além de alegar ter um extenso currículo acadêmico, inexistente. Elsa se casou com ele em 1914, e em 1915 eles foram deportados por ele exercer a prática da adivinhação, que era ilegal no país.

Eles mudaram-se então para Nova York, onde ele continuou apresentando seus "dotes paranormais", mas acabou abandonando Elsa quando ela engravidou da primeira filha do casal, em 1920. Temendo que o marido pudesse exigir a guarda da menina, apelidada de Gogo, Elsa retornou a França, em 1922.

Em Paris, ela teve apoio da amiga Gabrielle "Gaby" Buffet-Picabia, esposa do artista surrealista Francis Picabia. Ela havia conhecido Gaby a durante uma viagem transatlântica, em 1916. Gaby a apresentou a artistas notáveis, com Man Ray, Marcel Duchamp, Aldred Stieglitze e Edward Steichen. Kerlor, após deixar Elsa e a filha, teve relacionamentos com a dançarina Isadora Duncan e com a atriz Alla Nazimova. Eles se separaram legalmente em 1924, e ele foi assassinado no México, em 1928.


Embora recebesse ajuda financeira da mãe, que lhe garantia uma vida confortável em Paris, ela queria ser independente financeiramente. Começou então a trabalhar com Man Ray em sua revista Société Anonyme, de temática dadaísta, mas esta não durou muito tempo. Gaby Picabia então sugeriu a Elsa montarem um negócio, vendendo moda francesa nos Estados Unidos.

O estilista Paul Poiret, que criava coleções de alta costura que permitiam a liberdade de movimento para a mulher moderna, lhe ensinou técnicas de confecção de modelos e construção de roupas. Elsa, usando o conhecimento adquirido, criou seu próprio estilo, colocando o tecido diretamente no corpo da modelo. Em 1927, com sua casa já consolidada, criou uma coleção feita com malhas confeccionadas por refugidos armênios, misturadas com imagens surrealistas. A coleção foi exibida nas páginas da revista Vogue.


Elsa foi a pioneira em fazer roupas plissadas, e foi a introdutora do rosa choque na moda. Em 1931 a tenista Lili de Alvarez chocou o mundo ao usar shorts (proibido para mulheres) feito pela estilista, para ela competir no torneio de Wimbledon.

Lili de Alvarez, em Wimbledon

Na década de 30, durante a Lei Seca, que proibia a venda de álcool nos Estados Unidos, ela criou o vestido speakeasy, que tinha um bolso secreto para esconder frascos de bebida.

A maison de Elsa Schiaparelli também produziu roupas que tendiam a ser mais abstratas e incomuns, principalmente para o que era produzido pela alta costura das décadas de 30, 40 e 50. Ela também colaborou com diversos artistas como Salvador Dalí, Leonor Fini, Jean Cocteau, Méret Oppenheim e Alberto Giacometti.

Coco Chanel se referia a ela como "aquela artista italiana que faz roupas".

Roupa de Elsa Schiaparelli feita em parceria com Jean Cocteau

A parceria com Salvador Dalí gerou muitos frutos, como o chapéu sapato e o vestido de lagosta, vestido de lágrimas e um terno com bolsos simulando gavetas de uma cômoda.

Elsa Schaiaparelli e o chapéu sapato

Vestido Lagosta

O Vestido de lágrimas


Em 1931 ela fez seu primeiro trabalho no cinema, fazendo os figurinos de A Gentleman of Paris (1931). Seu trabalho seguinte como figurinista foi realizado na França, no filme Topaze (1933). Ela seguiu trabalhando para a indústria cinematográfica, principalmente em filmes ingleses como O Galã da Nota (Brewester's Millions, 1935) e Túnel Transatlântico (The Tunnel, 1935). Em 1937 fez os figurinos de Valerie Hobson para o filme Larápio Encantador (Jump for Glory, 1937), que embora feito na Inglaterra, tinha Douglas Fairbanks Jr. como protagonista.

Mae West se encantou com o trabalho de Elsa, e pediu para que ela fizesse seus vestidos para seu próximo filme, A Vida é Uma Festa (Every Day's a Holliday, 1937), sua primeira produção Hollywoodiana. Alguns destes vestidos, anos mais tarde, foram adquiridos por Debbie Reynols, que os expôs em seu museu sobre a história do cinema.




Figurinos de A Vida é Uma Festa, pertencentes a coleção de Debbie Reynolds

Nos Estados Unidos, Elsa Schiaparelli ainda desenhos os vestidos de No Turbilhão Parisiense (Artist and Models Abroad, 1938). Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a moda mudou, influenciada pelo estilo "New Look", criado por Christian Dior. A Casa Schiaparelli sofreu uma rejeição do novo mercado, passando a enfrentar dificuldades financeiras. Endividada, Elsa encerrou as atividades em 1954, mesmo ano que em que Coco Chanel retornou aos negócios.

Ao todo Elsa trabalhou para 29 filmes, incluindo o clássico As Damas do Bois de Boulogne (Le Dames du Bois de Boulogne, 1945), de Robert Bresson. Em 1952 trabalhou em seu último filme, desenhando os vestidos de Zsa Zsa Gabor em Moulin Rouge (Idem, 1952). Os figurinos eram reproduções das roupas de Jane Avril, musa de Henri de Toulouse-Lautrec, uma dançarina do cabaré parisiense que foi retratada pelos artistas em diversas obras. Zsa Zsa dava vida a Jane na obra.




O filme ganhou o Oscar de Melhor Figurino, mas apenas Marcel Vertès, que vestiu os demais personagens da obra, recebeu o prêmio pelo trabalho. Elsa Schiaparelli era creditada na obra como responsável pelos figurinos de Zsa Zsa. Este foi seu último trabalho no cinema.

Sua filha Gogo casou-se com Robert L. Berenson, e teve com ele duas filhas, as atrizes Berry e Marisa Berenson, ambas também trabalharam como modelo no começo de carreira, estampando revistas como a Vogue. Marisa ficou mais famosa, atuando em filmes como Cabaret (Idem, 1972) e Barry Lyndon (Idem, 1975). Já Berry Berenson também tornou-se fotógrafa, e foi casada com o ator Anthony Perkins, com quem teve dois filhos. Berry faleceu nos atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. (leia mais sobre Berry Berenson aqui).

Elsa Schiaparelli faleceu em Paris, em 13 de novembro de 1973, aos 83 anos de idade.



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