Hilary Farr, a atriz que virou designer de interiores


Os programas de decoração e reforma fazem muito sucesso na TV a cabo brasileira. Um dos programas mais queridos pelos apreciadores do estilo é o Ame-a ou Deixei-a, apresentando por Hilary Farr e David Visentin.

Hilary e David, em Ame-a ou Deixe-a

Porém, poucos fãs do programa conhecem a carreira de Hilary como atriz, antes de se tornar uma bem sucedida designer de interiores. Hilary Elizabeth Labow nasceu em Toronto, no Canadá, em 31 de agosto de 1951.

Mas embora nascida no Canadá, Hillary foi educada na Inglaterra. Em 1971 atuou na primeira montagem inglesa da polêmica Oh! Calcutá!, uma revista musical de vanguarda, que falava de sexo e rompia com paradigmas comportamentais.

Hilary Farr em Oh! Calcutá!

Usando seu nome de solteira, Hilary Labow, ela estreou no cinema no filme Layout for 5 Models (1972), um filme de baixo orçamento que se passava nos bastidores de uma revista erótica.


Em seguida atuou em Never Mind the Quality: Feel the Width (1973), uma comédia inglesa, produzida pela MGM. Em seguida atuou em Frustated Wives (1974) e no psicodélico Stardust (1974), que tinha no elenco Keith Moon, o baterista original dos Rolling Stones.

Hilary Farr em Frustated Wives

Hilary Farr em Never Mind the Quality: Feel the Width

Ao lado de Peter Cushing, atuou no filme de terror A Lenda do Lobisomen (Legend of the Werewolf, 1975), ainda na Inglaterra. Nos palcos Londrinos, ainda atuou na montagem de Grease.

Hilary Farr (a esquerda) em A Lenda do Lobisomem

Hilary Farr, sentada, em Grease

Em 1975 ela fez seu filme mais importante, o clássico undeground Rocky Horror Picture Show (1975), onde interpretou a personagem Betty Monroe.

Hilary Farr em Rocky Horror Picture Show (1975)

Sua primeira produção norte-americana foi o filme catástrofe Cidade em Chamas (City on Fire, 1979), fazendo um pequeno papel em meio a astros como Shelley Winters, Henry Fonda, Ava Gardner e Leslie Nielsen. O filme foi rodado no Canadá, por questões orçamentárias.

Depois, atuou com Jan-Michael Vincent e Cybill Sheperd em O Retorno (The Return, 1980). Após fazer uma participação na série Super-Herói Americano (The Greatest American Hero) ela se casou, em 1982, com o roteirista Gordon Farr, que escrevia a série We Got It Made, na qual ela fez seu último trabalho como atriz.

Casada, Hilary deixou de atuar. Ela teve um filho com Gordon, e passou a comprar e renovar casas para vendas. Ela já havia feito o cenário para peças e filmes de baixo orçamento nas quais trabalhou, e acabou fazendo disto uma bem sucedida profissão, usando o nome de casada, Hilary Farr.

Entre as celebridades das quais ela projetou a casa estão as atrizes Jenna Elfman e Jennifer Hudson. Em 2008 ela se divorciou e mudou-se para Toronto, onde criou a Hilary Farr's Designs. Foi também em 2008 que ela começou a trabalhar no programa Ame-a ou Deixe-a (Love It or List), que ainda é produzido.


Em 2016 ela voltou a atuar, fazendo a Bruxa Má na montagem teatral de A Bela Adormecida, em Toronto.

Hilary Farr em A Bela Adormecida (2016)

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Morre a atriz Valerie Harper, aos 80 anos de idade


Morreu no dia 30 de agosto a atriz Valerie Harper, que ficou famosa por interpretar Rhoda Morgenstern, a melhor amiga de Mary Tyler Moore na série estrelada por ela (que tinha o seu nome). Sua personagem fez tanto sucesso, que Valerie ganhou a própria série, Rhoda, que ficou no ar de 1970 a 1974. O papel lhe valeu um Globo de Ouro e um prêmio Emmy, e diversas indicações.

Valerie Harper e Mary Tyler Moore

Nascida em Nova York, em 22 de agosto de 1939, ela começou a carreira como dançarina do Radio City Music Hall, migrando posteriormente para a Broadway. Ela estreou no cinema em Ritmo Alucinante (Rock Rock Rock!, 1956), e fez pequenos papéis no cinema até ser chamada para atuar na série Mary Tyler Moore, que a levou ao estrelato.


No cinema, atuou em filmes como Duas Ovelhas Negras (Freebie and the Bean, 1974), Capítulo Dois: Em Busca da Felicidade (Chapter Two, 1979), O Último Casal Casado (The Last Married Couple in America, 1980), e Feitiço do Rio (Blame It on Rio, 1984), último filme do diretor Stanley Donen, filmado no Brasil.

Seus últimos trabalhos foram como dubladora em desenhos como Os Simpsons e Uma Família da Pesada (Family Guy).

Valerie Harper, Michelle Johnson, Demie Morre, Joseph Bologna e Michael Caine em Feitiço do Rio

Valerie Harper lutava contra um câncer de pulmão desde 2009, e faleceu oito dias após completar 80 anos.



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O filme que inspirou o Coringa


Batman, um dos heróis mais populares das histórias em quadrinhos surgiu nas páginas da revista Detective Comics #27, em maio de 1939. Já o Coringa (Joker), seu arqui-inimigo, é um pouco mais novo, tendo surgido na primeira edição de Batman, em abril de 1940.

Criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane, o personagem deveria morrer em sua primeira aparição, mas a editora (futura DC Comics) achou que o personagem poderia render mais, e claro, estavam certos.

Mas você sabia que o Coringa teve os traços inspirados em um antigo filme mudo?


A imagem de um dos maiores vilões dos quadrinhos foi inspirado no personagem Gwynplaine, interpretado pelo ator Conrad Veidt, no filme O Homem Que Ri (The Man Who Laughs, 1928). O personagem, por sua vez, é baseado no livro de mesmo nome do escritor Victor Hugo (o mesmo de Os Miseráveis O Corcunda de Notre Dame).

Gwynplaine, é filho de um nobre Inglês que teria traído o Rei James II da Inglaterra. As sentenças do monarca foram a execução do pai de Gwynplaine na Dama de ferro e a solicitação a um cirurgião, Dr. Hardquannone, que desfigurasse o rosto do menino, condenado a "rir" para sempre.

Conrard Veidt em O Homem que Ri

Primeira aparição do Coringa (Joker), nos quadrinhos

Assista a um trecho de O Homem Que Ri (1928)

O próprio visual do personagem Batman também foi inspirado em um filme mudo, O Morcego (The Bat, 1926), estrelado por Charles Herzinger


O livro de Victor Hugo, publicado em 1869, teve inúmeras adaptações para o cinema, sendo a primeira de 1909. Mas as mais famosas são as versões de 1921, feita na Alemanha, com  Franz Höbling, a versão de 1928, com Veidt, a de 1966, com Jean Sorel (rebatizado de Angelo no filme), a de 1971 (feita para a televisão) e estrelada por Philippe Bouchet e a de 2012, com  Marc-André Grondin como Gwynplaine, e Gerard Depardieu como seu amigo e protetor.

Em 1921 o ator John Barrymore também interpretou o personagem, mas nos palcos teatrais.

1) Marc-André Grondin, 2)  Franz Höbling, 3) John Barrymore,
4) Philippe Bouchet, 5) Conrard Veidt

Cartaz da versão de 1966, com Jean Sorrel

No cinema, o Coringa já foi vivido por Cesar Romero, Jack Nicholson, Heather Ledger, Jared Leto e Joaquin Phoenix


Qual o seu Coringa favorito?


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Por Onde Anda? A italianinha Rita Pavone!


Na década de 60 a cantora adolescente Rita Pavone tornou-se uma grande febre mundial. Baixinha, sardenta e de cabelos curtos, Rita chegou a ser chamada de "The International Teen-Age Sensation" (a sensação internacional adolescente), durante uma turnê pelos Estados Unidos.


Nascida em 23 de agosto de 1945, em Turim, Rita começou a cantar aos 13 anos de idade, e apresentou-se pela primeira vez ao público imitando o cantor Al Jolson. Apesar de sua mãe querer que ela dedique-se a profissão de costureira, em 1962, aos 17 anos ela participou de um concurso para promover novos talentos, promovido pelo cantor Teddy Reno, que passou a ser seu empresário. Ainda em 62, ela gravou seu primeiro disco.

No ano seguinte, colocou pela primeira vez uma música sua na trilha sonora de um filme, Quem Trabalha Está Perdido (Até o Fim do Mundo) (Chi Lavora è perduto (In Ca´po al mondo), 1963).

Em 1964 ela passou a protagonizar uma série na televisão italiana Il Giornalino di Gian Burrasca (1964-1965).

Rita Pavone em Il Giornalino di Gian Burrasca 

Nesta época, Rita também começa uma turnê internacional, apresentando alguns de seus hits, como Alla mia etàCome te non c’è nessuno, CuoreDatemi un martello, Che m'importa del mondo, Viva la pappaIl geghegè e Fortissimo.


Ed Sullivan, Rita Pavone, Pat Kennedy (irmã do presidente John Kennedy), Paul Anka e o presidente da BBC, nos Estados Unidos.


Em junho de 1964 a cantora também passou pelo Brasil, fazendo um enorme sucesso em seu show nos palcos da TV Record. O blog Brazilian Rock 1957 - 1964, fez uma matéria excelente falando sobre o assunto, que pode ser lida aqui.


Rita Pavone, com Pelé e Garrincha

No Brasil, Rita brilhou com sua inesquecível Datemi un martello. Ela voltaria ao Brasil no seguinte, também com muito sucesso.


Rita Pavone visitando Juca Chaves no hospital, após ele passar por uma cirurgia para retirada de pedras nos rins


Em 1965 ela estreou no cinema italiano, no filme Rita, La Figlia Americana (1965), ao lado do cômico Totó. Dirigida por Lina Wertmüller, a primeira mulher indicada a um Oscar de melhor direção, ela estrelou Rita o Mosquito (Rita la Zanara, 1966). Wertmüller precisou assinar a obra usando o nome de um homem, George H. Brown, para poder lançar a obra na época.




Ela também atuou na sequência do filme, Não Brinque com o Mosquito (Non Stuzzicate la zanzara, 1967). Também dirigido por Wertmüller, que agora pode usar seu nome nos créditos. No filme, Rita Pavone dança ao lado da lendária atriz Giulietta Masina.


Giulietta Masina e Rita Pavone

Ao lado do astro Terence Hill, estrelou o western spaguetti A Rainha do Gatilho (Little Rita Nel West, 1968). O filme ainda tinha Teddy Reno no elenco. Com Hill, também atuou em Trinity Vai à Guerra (La Feldmarescialla, 1967).


Em 1968 ela se casou na Suíça com o seu produtor, Teddy Reno, que era muitos anos mais velho que a contra. Foi um escândalo na época, porque além de o cantor ser muitos anos mais velho, ele era casado, e não existia divórcio na Itália na época. Eles se casaram oficialmente em seu país em 1971.

Na década de 70 sua carreira decaiu um pouco, mas ela continuou cantando e fazendo shows por todo o mundo. Em 1976 fez seu último filme, Due Sul Pianerottolo (1976). Ela ainda atuaria em duas obras feitas para a televisão.


Em 2006 ela chegou a anunciar a sua aposentadoria, mas isto nunca ocorreu. No mesmo ano concorreu ao senado italiano, mas não foi eleita. Ainda casada com Teddy Reno, ela mora em Chiasso, na Suíça. Seu filho Alessandro é apresentador na televisão daquele país, e Giorgio, seu outro filho, é um cantor de rock.

Em 2018 ela retornou ao Brasil, fazendo uma série de shows e participações na televisão. Ela chegou a passar mal nos palcos brasileiros, devido a uma queda de pressão, e saiu carregada do palco. Mas não era nada grave, apenas emoção diante da empolgação dos fãs brasileiros.

Rita Pavone atualmente



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Morre o ator francês Michel Aumont, aos 82 anos


O ator francês Michel Aumont faleceu no dia 28 de agosto, aos 82 anos de idade. Sua morte foi anunciada por sua figurinista e amiga Pascale Bordet, e foi confirmada pelos membros da Comédie-Française.

Nascido em 15 de outubro de 1936, Aumont era filho da atriz Élène Gerber. Aos 18 anos, ele ingressou no Conservatório Nacional das Artes, em Paris. Com longa carreira teatral, foi premiado com diversos prêmios Molière.

Estreou no cinema em La Femme en Bleu (1973), ao lado de Lea Massari e Michel Picolli, e atuou em quase 200 filmes, destacando-se em obras como Exterminação Grupo Zero (Nada, 1974), A Morte de Um Corrupto (Mort d'Un Pourri, 1977), O Closet (Le Placard, 2001), Contratado Para Amar (La Doublure, 2006) e na mini série O Conde de Monte Cristo (Le Comte de Monte Cristo, 1998).

Michel Aumont e Alain Delon em A Morte de Um Corrupto

Michel Aumont recebeu três indicações de melhor ator coadjuvante no Cesar, o mais importante prêmio do cinema francês, por suas atuações em Des Enfants Gâtés (1977), Courage Fuyons (1979) e Um Sonho de Domingo (Un Dimanche à la Campagne, 1984).

Michel Aumont em O Closet

O ex presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, escreveu sobre a morte do ator nas redes sociais. "Um grande comediante do teatro e cinema, clássico e moderno. (...) Um Mestre!"

Bob Nelson, o vaqueiro alegre do Brasil


Os filmes de faroeste, também conhecido como Bang Bangs, encantaram gerações de cinéfilos ao longo das décadas. Mas entre os anos 30 a 50, o gênero era uma verdadeira febre mundial. O público torcia pelos mocinhos norte-americanos, e se admiravam com a voz dos cowboys cantores, como Gene Autry e Roy Rogers.

O Brasil também teve o seu próprio cowboy cantor, Bob Nelson, que com seu chapéu, garrunchas, roupa típica do oeste e seu boi Barnabé (e a vaquinha Salomé), foi um dos mais populares artistas nacionais da década de 40, fazendo principalmente, a alegria da criançada.


Nelson Roberto Perez, ou melhor, Bob Nelson, nasceu em Campinas, em 12 de outubro de 1918. Seu pai, que era espanhol, era dono do Hotel Dalva, em Campinas. Muitos artistas se hospedavam no estabelecimento da família, durante as turnês que executavam pela cidade do interior paulista. O jovem Bob Nelson conheceu diversos deles, e gostava de cantar para os hóspedes famosos que por lá passavam. Na década de 20, chegou a brincar com o pequeno Grande Otelo, então em viagem acompanhando a companhia de Abigail Parecis.

Bob também cantava na escola, e chegou a formar um conjunto na época, o Grupo Cacíque, com alguns colegas. Um dia, Geraldo Ladeira, diretor da Rádio Educadora os viu cantar, e levou os rapazes para os microfones da estação. Lá, chegaram a acompanhar Carmen Miranda, durante um show em em Campinas.

Mas de família humilde, o rapaz precisou deixar o canto. Ele terminou o secundário, onde estudou contabilidade, e começou a trabalhar como escriturário. Porém com o advento da Segunda Guerra Mundial, sua empresa fechou, e ele ficou desempregado.

Bob então tornou-se caixeiro viajante, percorrendo o interior como vendedor ambulante. Nesta época, a canção Cowboy do Amor, do conjunto Anjos do Inferno, fazia muito sucesso. Por brincadeira, ele fez uma versão da música com o ritmo tirolês (também conhecido como yodel), que ele vira no filme Idílio nos Alpes (Everthing Happens at Night, 1939), estrelado por Sonja Heine e Ray Milland.

Bob também fez uma versão brasileira da canção Oh Suzana, do folclore norte-americano. Um dia, enquanto pulava um baile de carnaval em um clube em Taubaté, cantou a música em uma roda de amigos. Mas a canção agradou tanto aos foliões, que o dono da Rádio auto-falante da cidade o convidou para trabalhar.

Convencido pelo amigo Paulo Magalhães, que havia ganho alguns concursos radiofônicos na capital como imitador de Orlando Silva, Bob Nelson foi para São Paulo, cantar em programas de calouros. Ele venceu o prêmio Rádio Cultura, cantando na Hora da Peneira. Com o prêmio, comprou um maço de cigarros e bilhetes de bonde.

Com os bilhetes, percorreu todas as rádios paulistas que permitiam calouros. Até que em 1943 foi cantar na Rádio Tupi, e Dermeval Costa Lima lhe ofereceu um contrato após ouvir a sua versão de Oh Suzana. Foi na Tupi que ele passou a se chamar Bob Nelson, afinal um cowboy não podia chamar Roberto Perez, nome de cantor de boleros.

Bob Nelson, no rádio

Quando estava na Tupi, o General MacArthur veio ao Brasil, durante a política da Boa Vizinhança adotada na Segunda Guerra Mundial. Assis Chateubriand, que era dono da rádio, achou que seria uma boa ideia fazer um show de Bob Nelson, o cowboy brasileiro, para o famoso general, nascido no Kansas. Foi Chateubriand que sugeriu a Bob cantar com chapéu, colete e pistolas na cintura, como os mocinhos do cinema hollywoodiano.


A apresentação para o militar promoveu a sua carreira, fazendo Bob Nelson tentar a vida no rádio carioca. Ele primeiro ingressou na Rádio Guanabara, assinado com a famosa Rádio Nacional em 1945.

No carnaval de 1946, Bob foi a grande sensação com a canção Aloh Sheriff, e também foi o tema de muitas fantasias carnavalescas da meninada. Bob Nelson não era um grande cantor, e a crítica fazia questão de reafirmar isto, porém, era muito popular e querido pelos fãs, sendo um dos artistas brasileiros mais famosos daquela época. Tanto que em 1948 surgiu em Aracaju, um time chamado Bob Nelson Futebol Clube.


A popularidade do cantor, chamado por aqui de "O Vaqueiro Alegre" (nome de uma de suas canções de maior sucesso) o levou para o cinema. Bob Nelson estreou no filme Segura Esta Mulher (1946), uma das famosas chanchadas da Atlântida.

Nos anos seguintes, atuou em Este Mundo é Um Pandeiro (1947) e É Com Este Que Eu Vou (1948). Neste último, foi acompanhado por Adelaide Chiozzo (e seu irmão Afonso) e seu famoso acordeon. Na Atlântida, ele ainda faria Estou Aí (1949) e Malandros em Quarta Dimensão (1954).

Bob Nelson e Adelaide Chizzo em
É Com Este Que Eu Vou (1948)


Bob Nelson, na capa da revista de cinema A Cena Muda

Mas apesar do enorme sucesso, no final da década de 40 Bob Nelson deixou o rádio um pouco de lado. Ele não ganhava um salário tão bom quanto desejava na Nacional, e percebeu que poderia fazer mais dinheiro apresentando-se em shows pelo Brasil. Durante vários meses, ele viajou por 18 estados brasileiros, apresentando-se em diversas cidades, algumas delas muito longínquas e desconhecidas, carentes de atrações artísticas. A criançada comparecia em peso para ver o cowboy brasileiro.



Em 1949, seu afastamento do rádio, permitiu o surgimento de um "rival", o novo cowboy brasileiro Paulo Bob. Nelson já estava com 31 anos, e Paulo Bob, muito mais novo, tinha apenas 19 anos de idade.

Paulo Bob

Paulo Bob também inicio no rádio, mas atingiu o sucesso na televisão. Em 1957, ao lado de Nelson Batinga e Abelardo Barbosa, o inesquecível Chacrinha, Paulo Bob tornou-se o popular cowboy do programa Rancho Alegre, exibido nas manhãs da TV Tupi. Este foi o primeiro programa de televisão no qual Chacrinha, vindo do rádio, trabalhou. Mas em 1959 eles brigaram, e seguiram rumos diferentes.

Chacrinha e Paulo Bob

Paulo Bob seguiu apresentando programas infantis, inclusive o Rancho Alegre, agora tendo como parceiro (ou melhor, rival), o vilão Big Jones (papel interpretado por Nestor de Holanda). O sucesso de Paulo Bob na televisão reviveu a carreira de Bob Nelson na grande mídia, que estreou na televisão apresentando o infantil O Mundo é da Criança (1960), na TV Rio. Curiosamente, ele havia trabalhado com Chacrinha no programa Racho Alegre, nos tempos do rádio.

 Bob Nelson, na televisão

Chacrinha, Elizeth Cardoso e Bob Nelson, no Rádio

Paulo Bob nunca fez cinema, e mais tarde deixou a vida de cowboy para se tornar um popular radialista. Mas embora nunca tenha enfrentado índios nas telonas, protagonizou sua própria história em quadrinhos. Atualmente aposentado, ele reside em Niterói.


Existiram outros cowboys brasileiros que seguiram os passos de Bob Nelson, como o mineiro Pato Preto (Alípio de Miranda Silva), que ganhou este nome após cantar no programa de calouros A Hora do Pato e o gaúcho Jack Jony. Pouco se sabe sobre sobre Jack Jony, que iniciou na rádio gaúcha e foi contratado pela gravadora Star em 1952, e também pela Rádio Mayrink Veiga na mesma época. Ele é mais lembrado por participar das primeiras gravações de Anísio Silva. Seu nome desaparece da mídia em 1953.

Pato Preto (1928-2005) fez sucesso no rádio, e depois como humorista na televisão, e atuou no filme Um Marciano em Minha Cama (1981). Aposentado, tornou-se servidor público.

Pato Preto e Jack Jony

Bob Nelson passou a chefiar o departamento de gravações na Rádio Nacional na década de 60. Entre seus fãs, que o admiravam quando criança, estão os cantores Martinho da Vila, Wilson Simonal o escritor Plínio Marcos e Roberto e Erasmo Carlos. Roberto já declarou mais de uma vez que começou a cantar imitando Bob Nelson, e Eramos Carlos compôs em 1974  a canção A Lenda de Bob Nelson, cujo refrão diz assim:

"Lutando contra os índios daqui mesmo 
Sem nenhum dólar furado pra furar 
Sem desfazer dos demais heróis 
Fica sendo o mais teimoso dos cowboys 
Que eu vi Bob Nelson, o único cowboy daqui..."

Na década de setenta, ele ainda aparece em mais dois filmes, Os Herdeiros (1970) e Vale do Canaã (1970).


Bob Nelson nunca aposentou o chapéu e as esporas. E sempre que convidado, apresentava-se trajado em programas de televisão. Fã de carnaval, desfilou pela Império Serrano por mais de 40 anos.

Myriam Pérsia e Bob Nelson desfilando no carnaval de 1990

Bob Nelson faleceu em 28 de agosto de 2009, após sofrer uma parada cardíaca, aos 90 anos de idade.



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