Por onde anda? Shirley Jones, de A Família Dó Ré Mi


A atriz e cantora Shirley Jones talvez seja mais lembrada como a matriarca Shirley Partridge na série A Família Dó-Ré-Mi (The Partridge Family, 1970-1974), mas ela já era uma atriz consagrada no cinema antes de interpretar a doce mãe da família musical. Shirley havia protagonizado diversos musicais, e tinha um Oscar em sua estante.



Shirley Mae Jones nasceu na Pensilvânia, em 31 de março de 1934. O nome Shirley foi uma homenagem de seus pais a atriz mirim Shirley Temple, grande estrela na época em que Jones nasceu.

Desde muito pequena Shirley já gostava de cantar, e durante uma estada em um acampamento de verão, os conselheiros recomendaram que ela tomasse aulas de canto. Shirley passou a ter aulas de técnica vocal com o famoso cantor e professor Ralph Lawando. Logo ela estaria participando de musicais em Pittsburgh.

Um amigo conseguiu para ela uma audição com o agente da Broadway Gus Sherman, que lhe ofereceu um contrato imediatamente. Ela então mudou-se para Nova York, com 100 dólares no bolso e uma meta, se não obtivesse sucesso em um ano, retornaria para casa e trabalharia como veterinária. Felizmente, ganhamos uma estrela e o mundo perdeu uma veterinária.

Seu primeiro emprego na Broadway foi com substituta de uma das garotas do coro, em South Pacific, de Rodgers e Hammerstein. Mas os autores ficaram encantados com seu talento, e logo a promoveram a estrela do espetáculo.

Jones estreou na televisão em 1950 e em 1952 fez teste para estrelar Cantando na Chuva (Singing' in the Rain, 1952), mas perdeu o papel para Debbie Reynolds.  Sua estréia no cinema só ocorreria anos mais tarde, no musical Oklahoma! (Idem, 1955), convidada pelos próprios autores Rodgers e Hammerstein para ser a protagonista.

Shirley Jones e Gordon MacRae em Oklahoma

Em seguida ela protagonizou outro musical da dupla de autores, Carrossel (Carousel, 1956), novamente ao lado de Gordon MacRae. Seu filme seguinte foi outro musical, Primavera do Amor (April Love, 1957), ao lado do cantor Pat Boone.


Pat Boone e Shirley Jones em Primavera do Amor

A atriz então se mostrou versátil ao trabalhar nas comédias O Rei da Zona (Never Steal Anything Small, 1959) e O Pequeno Gênio (Bobbikins, 1959). Mas o respeito artístico veio quando ela interpretou Lulu Bains, uma jovem "corrompida" por Burt Lancaster, e que desonrada acaba tornando-se uma prostituta em busca de vingança contra o homem que arruinou sua vida em Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry, 1960). Por seu papel dramático Shirley Jones recebeu um Oscar de Melhor atriz Coadjuvante.

Shirley Jones e Burt Lancaster em Entre Deus e o Pecado

Após receber um Oscar ela atuou na comédia Pepe (Idem, 1960) e no western Terra Bruta (Two Rode Together, 1961), ao lado de John Wayne e James Stewart. Ao mesmo tempo, continuava trabalhando em séries de televisão, fazendo participações.

Em 1962 Shirley atuou em seu último grande musical, Vendedor de Ilusões (The Music Man, 1962), gênero que começava a entrar em declínio. No filme, além de contracenar com Robert Preston, ela trabalhou com o jovem Ron Howard, que anos mais tarde se tornaria um grande diretor.

Robert Preston e Shirley Jones em O Vendedor de Ilusões



Após Vendedor de Ilusões ela voltou a trabalhar com Ron Howard em Papai Precisa Casar (The Courtship of Eddie's Father, 1963), que ainda tinha Glenn Ford e Dina Merril no elenco.

 Shirley Jones, Ron Howard e Glenn Ford em Papai Precisa Casar

Shirley passou a estrelar diversas comédias como Operação Matrimônio (A Ticklish Affair, 1963), Dois Farristas Irresistíveis (Bedtime Story, 1964), O Leão Está Solto (Fluffy, 1965) e O Segredo do Meu Sucesso (The Secret of My Success, 1965).


Shirley Jones, Marlon Brando e David Niven em Dois Farristas Irresistíveis

Após atuar no drama Desespero d'Alma (L'intrigo, 1964), com Rossano Brazzi, a carreira de Jones comeou a decair. Ela então foi para o México atuar em Romance em Acapulco (El golfo, 1969), estrelada pelo cantor espanhol Raphael.

De volta aos Estados Unidos ela atuou em Tempo para Amar, Tempo para Esquecer (The Happy Ending, 1969), de Richard Brooks e Cheyenne (The Cheyenne Social Club, 1970), último longa metragem dirigido pelo antigo astro dos musicais Gene Kelly. No elenco ainda James Stewart e Henry Fonda.

 Shirley Jones e James Stewart em Cheyenne

A carreira de Shirley Jones teve uma guinada quando ela foi convidada para estrelar a série A Família Dó-Ré-Mi (The Partridge Family, 1970-1974), onde interpretava uma viúva chefe de uma família musical.

No início, apenas Jones cantaria na série, mas com a entrada de David Cassidy no elenco, os produtores mudaram de idéia. Cassidy não só interpretava o filho de Jones, mas era também seu enteado na vida real.

David tinha seis anos de idade quando a atriz casou-se com o seu pai, o também ator Jack Cassidy. Com Jack Cassidy ela teve três filhos, incluindo o também cantor Shaun Cassidy.

Shaun Cassidy

Além de ser madrasta de David Cassidy na vida real, Shirley Jones também foi parcialmente responsável por criar o ator Danny Bonaduce, que interpretava seu filho Danny Patridge, o menino ruivo, baxista da banda.

Danny tinha um pai violento e sofria abusos em casa, e Shirley, comovida, convidada o menino para dormir na sua casa, alegando para a sua família que a casa dela era mais perto do estúdio, o facilitaria as gravações. Já adulto, após ter problemas com drogas e ir morar na rua, Shirley acolheu novamente Bonadouce em sua casa, até ele se reerguer.

A Família Dó-Re-Mi fez um enorme sucesso em todo o mundo, mas a popularidade de David Cassidy eclipsou a série, que foi cancelada após quatro temporadas. E embora ela tenha se separado de Jack Cassidy em 1975, um ano após a série ser cancelada, ela e David sempre mantiveram uma boa relação, até o fim da vida do ator.


O primeiro trabalho de Shirley Jones após o fim da série foi no telefilme A Família que Ninguém Queria (The Family Nobody Wanted, 1975), com a atriz Katherine Hellmond. Na década de 70 ela praticamente só trabalhou na televisão, fazendo um único filme, Dramático Reencontro no Poseidon (Beyond the Poseidon Adventure, 1979).

 Shirley Jones em Dramático Reencontro no Poseidon

Em 1979 ela estrelou outra série de TV, chamada Shirley (1979-1980), mas está não teve o mesmo sucesso e foi cancelada após 12 episódios. A atriz Rosana Arquette, em começo de carreira, interpretava a sua filha.

Shirley Jones, Peter Barton, Rosana Arquette e Bret Shryer em Shirley

Nos anos seguinte ela continuou atuando, mas sem tanta projeção. Shirley Jones fez diversas participações em séries como Assassinato Por Escrito (Murder She Wrote), O Barco do Amor (Love Boat), Melrose Place (Idem) e Sabrina, Aprendiz de Feiticeira (Sabrina, the Teenage Witch). Ela retornou a década de 70 interpretando a si mesma em That '70s Show.

 Shirley Jones em Sabrina, Aprendiz de Feiticeira

No cinema, sua participação tornou-se cada vez mais escassa, muitas vezes atuando filmes pouco relevantes como Uma Família em Pé de Guerra (Tank, 1984), Gideon - Um Anjo em Nossas Vidas (Gideon, 1998), Um Presente de Deus (Manna from Heaven, 2002), Queridinho da Vovó (Grandma's Boy, 2006), Final de Semana em Família (Family Weekend, 2013) e Noite dos Zumbis (Zombie Night, 2013). Em 2021 ela atuou no western Forgiven This Gun4hire (2021).

Uma das mães mais famosas da televisão, agora tornou-se uma doce avó nos filmes.

Shirley Jones e Cloris Leachman em Um Presente de Deus

Em 2017 a atriz ficou bastante comovida com a morte de David Cassidy, e foi ela quem discurso em seu funeral. Para ela David era como um filho de verdade.


Danny Bonaduce, Shirley Jones e David Cassidy

Ela continua atuando, e está confirmada no elenco de três filmes que serão lançados em 2019.


Shirley Jones, atualmente

Veja também: Mães e Filhas Atrizes

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Warren Beatty, mais que um rosto bonito em Hollywood


Warren Beatty é sem duvida um dos galãs mais bonitos que surgiram nas telas cinematográficas, e poderia ter sido um dos muitos rapazes bonitos que tiveram seu momento e desapareceram, como Troy Donahue ou George Hamilton, mas ele conseguiu reinventar sua carreira, tornando-se também um diretor e produtor premiado, tendo uma carreira de sucesso há mais de 60 anos.


Henry Warren Beatty nasceu e Richmond, Virginia, em 30 de março de 1937. Seus pais eram professores, e durante a adolescência o rapaz atlético tornou-se um astro do futebol americano escolar. Beatty pretendia tornar-se atleta profissional, e tinha grandes chances disto, mas foi convencido por sua irmã, a atriz Shirley McLaine (Shirley MacLean Beaty) a tentar a carreira de ator.


Warren Beatty, em 1955, quando ainda era jogador de futebol americano

 Shirley McLaine e Warren Beatty

Beatty então conseguiu um emprego como assistente de palco em um teatro em Whashington, que lhe permitiu ter contatos com atores e diretores famosos. E foi através destes contatos que ele conseguiu seu primeiro trabalho como ator, atuando em um episódio do programa de televisão Kraft Television Theatre, em 1957. Ele faria outras participações em séries de TV até conseguir um papel regular na série adolescente The Many Loves of Dobie Gillis em 1959. A série era estrelada por Tuesday Weld, e também marcou a estréia de outro galã, Ryan O'Neal.


Tuesday Weld e Warren Beatty em The Many Loves of Dobie Gillis 

Em 1961 ele fez teste para o papel de Tony em Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961), mas perdeu para Richard Breymer.

Foi o diretor Elia Kazan quem deu a primeira oportunidade de Beatty no cinema, no sucesso Clamor do Sexo (Splendor in the Grass, 1961), onde ele era protagonista, ao lado de Natalie Wood, a mesma estrela de Amor, Sublime Amor. O filme tinha grande tensão sexual e psicológica, fugindo do estilo dos romances açucarados da época, e lançou Warren Beatty como um dos mais promissores astros da nova safra de Hollywood.


Seu filme seguinte foi Em Roma na Primavera (The Roman Spring of Mrs. Stone, 1961), onde ele interpretava um jovem que namora uma mulher mais velha, papel de Vivien Leigh. Beatty e Leigh tiveram um romance durante as filmagens, assim como ele havia namorado Natalie Wood durante as gravações de O Clamor do Sexo. O ator tornou-se um famoso conquistador de Hollywood, namorando diversas estrelas e celebridades. Ele também teve um relacionamento com a francesa Leslie Caron, com quem contracenou em A Deliciosa Viuvinha (Promise Her Anything, 1966).

Warren Beatty e Leslie Caron em A Deliciosa Viuvinha

Não querendo ficar marcado apenas como um galã, ele apostou em projetos mais ousados, como O Anjo Violento (All Fall Down, 1962), que falava sobre delinquência juvenil. Também fez filmes mais alternativos como Lilith e o Destino (Lilith, 1964), Mickey One (1965) e  Caleidoscópio (Kaleidoscope, 1966).

Em 1966 ele também resolveu ser produtor de cinema, fazendo a produção da comédia O que é Que Há, Gatinha? (What's New Pussycat?, 1966), com roteiro de Woody Allen, que também protagonizava a fita. Allen manipulou Beatty, que acabou abandonando o projeto e ficando com um grande prejuízo.

Apesar da experiência frustrada, ele investiu em outra produção, desta vez tendo o controle absoluto de tudo, da escolha do elenco a montagem final. Assim, Warren Beatty foi o responsável por todas as decisões de Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967), que também protagonizou, ao lado de Faye Dunaway.

O filme que contava a história real de um casal de assaltantes que aterrorizou os Estados Unidos na década de 20 fez um enorme sucesso, e foi indicado a dez Oscars, incluindo sua primeira indicação ao prêmio.


Apesar do enorme sucesso, e de ter se consolidado entre os grandes em Hollywood, Beatty só retonaria ao cinema três anos depois, quando atuou em Jogo de Paixões (The Only Game in Town, 1970), com Elizabeth Taylor. Seu filme seguinte foi Onde os Homens São Homens (McCabe & Mrs. Miller, 1971), no qual contracenou com Julie Christie, com quem ele teve um longo relacionamento (não monogâmico). Ele moraram juntos entre 1967 e 1973.

Após atuar nos filmes Ladrão que Rouba Ladrão ($, 1971) e A Trama (The Parallax View, 1974), Beatty voltou a produzir, realizando Shampoo (Idem, 1975), que tinha Julie Christie novamente no elenco. Em Shampoo Beatty vivia um cabeleireiro playboy e mulherengo, inspirado na vida de Jay Sebring, o cabeleireiro das estrelas, morto na casa de Sharon Tate pelo grupo de Charles Mason. O filme marcou a estréia de Carrie Fisher no cinema.

 Warren Beatty e Carrie Fisher em Shampoo

Após atuar em O Golpe do Baú (The Fortune, 1975), de Mike Nicholson, voltou a produzir e estrelar outro filme, O Céu Pode Esperar (Heaven Can Wait, 1978), novamente com Julie Christie. O filme fez um grande sucesso de bilheteria, e lhe deu dinheiro suficiente para produzir Reds (Idem, 1981),  épico sobre a vida do revolucionário jornalista comunista americano John Reed durante a Revolução Russa de 1917. O filme ganhou quatro Oscars e deu a ele o prêmio de melhor diretor. 

 Warren Beatty e Diane Keaton em Reds

Warren Beatty então teve uma carreira esporádica, atuando apenas em filmes que produziu, sempre tendo o o controle total da obra. A super produção Ishtar (Idem, 1987), com Beatty, Dustin Hoffman e Isabelle Adjani foi um grande fracasso e lhe deu um grande prejuízo financeiro.

Ele retornou ao cinema como o herói dos quadrinhos Dick Tracy, no filme de mesmo nome, feito em 1990. A obra era co-estrelada pela cantora Madonna, com quem o ator também teve um breve namoro.


Madonna e Warren Beatty em Dick Tracy


Após o sucesso de Dick Tracy ele trabalhou então em Bugsy (Idem, 1991), sobre a vida do mafioso Bugsy Siegel. Durante as filmagens ele conheceu a atriz Annette Bening, com quem se casou em 1992. Chegava ao fim a vida do maior solteirão convicto de Hollywood, na época com 55 anos de idade.


Annette Bening e Warren Beatty em Bugsy


A lista de namoradas do ator ao longo de sua carreira incluem estrelas como Isabelle Adjani, Diane Baker, Brigitte Bardot, Candice Bergen, Maria Callas, Claudia Cardinale, Leslie Caron, Cher, Julie Christie, Marina Cicogna, Joan Collins, Janice Dickinson, Samantha Eggar, Britt Ekland, Princesa Elizabeth da Yugoslavia, Morgan Fairchild, Jane Fonda, Melanie Griffith, Daryl Hannah, Barbara Harris, Goldie Hawn, Joey Heatherton, Lillian Hellman, Margaux Hemingway, Barbara Hershey, Lauren Hutton, Iman, Bianca Jagger, Christine Kaufmann, Diane Keaton, Christine Keeler, Jacqueline Kennedy, Sylvia Kristel, Diane Ladd, Vivien Leigh, Elle Macpherson, Madonna, Princesa Margaret da Inglaterra, Diane McBain, Linda McCartney, Marisa Mell, Mary Tyler Moore, Christina Onassis, Bernadette Peters, Juliet Prowse, Vanessa Redgrave, Diana Ross, Jean Seberg, Serena, Lori Singer, Inger Stevens, Stella Stevens, Susan Strasberg, Barbra Streisand, Twiggy, Liv Ullmann, Mamie Van Doren, Vanity, Diane von Fürstenberg, Veruschka von Lehndorff, Raquel Welch, e as irmãs Lana Wood e Natalie Wood. Ele também namorou a cantora Carly Simon, e há rumores que a música You So Vain (Você é tão egoísta, na tradução) teria sido feita para ele.


Sobre Warren Beatty, Marlene Dietrich disse certa vez: "ele namorou todas as atrizes ruins de Hollywood, com excessão da Lassie."

Com a esposa Annette Bening ele fez Segredos do Coração (Love Affair, 1994), remake de Tarde Demais para Esquecer (An Affair to Remember, 1957), antigo sucesso estrelado por Deborah Kerr e Carry Grant. Segredos do Coração ainda tinha no elenco a veterana Katharine Hepburn.

Katharine Hepburn, Warren Beatty e Annette Bening em Segredos do Coração


O casal teve quatro filhos, e permanece junto até hoje. Ele só voltaria ao cinema em Politicamente Incorreto (Bulworth, 1998). O filme Ricos, Bonitos e Infiéis (Town & Country, 2001), foi seu primeiro trabalho como ator desde a década de 70 em uma obra que ele não produzia. 

Diane Keaton e Warren Beatty em Ricos, Bonitos e Infiéis

Seu último trabalho no cinema foi em Regras Não Se Aplicam (Rules Don't Apply, 2016), que ele dirigiu, produziu e atuou, fazendo o papel do produtor Howard Hughes, que ele conheceu no começo de sua carreira.

Warren Beatty em Regras Não Se Aplicam
Embora indicado ao Oscar de melhor ator três vezes, nunca venceu o premio, mas em 2000 recebeu um prêmio especial pelo conjunto de sua obra.

Faye Dunaway e Warren Beatty na entrega do Oscar de 2018


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Terence Hill, o eterno Trinity


O ator Terence Hill foi um dos atores mais bem pagos da Itália nas décadas de 70 e 80. Seus filmes, geralmente westerns spaghetti, eram a sensação das matines por todo mundo, inclusive no Brasil.


Terence Hill é o nome artístico do ator italiano Mario Guisepe Girotti, nascido em Veneza, em 29 de março de 1939. Seu pai era italiano e sua mãe alemã, e durante sua infância ele morou em Dresden, na Alemanha, e sua casa chegou a ser bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial.

De volta à Itália, Hill foi descoberto aos 12 anos de idade pelo cineasta Dino Risi, que o viu em uma competição de natação, e o convidou para atuar em Um Salto para a Vida (Il viale della speranza, 1953), estrelado por Marcello Mastroianni

 Terence Hill, ator mirim


No anos seguintes o menino cresceu em frente as telas, ainda usando o nome de Mario Girotti. Ele não pretendia seguir a carreira de ator, apenas via nos filmes a oportunidade de ganhar dinheiro para financiar seus estudos, e bancar seus hobbies, como comprar motocicletas.

Seus papéis foram crescendo ao longo do tempo, mas ele ainda era bastante desconhecido, apesar de ter contracenado com astros hollywodianos, que desempregados, buscavam papéis na Europa. Ele trabalhou com Donald O'Connor em As Maravilhas de Aladim (Le meraviglie di Aladino, 1961) e Yvonne de Carlo em A Espada e a Cruz (La Spada e La Croce, 1958). Este último, um filme sandálias e espadas (ou peplum, no termo em inglês). 

 Mário Bava, Donald O'Connor e Terence Hill em As Maravilhas de Aladim


O belo galã de olhos azuis já tinha feito 27 filmes, mas só foi ficar mundialmente conhecido quando o diretor Luchino Viscontti lhe deu um papel no clássico O Leopardo (Il gattopardo, 1963), onde Hill interpretou o conde Cavriaghi. O ator e o diretor haviam trabalhado juntos em As Maravilhas de Aladim, que também tinha De Sicca como ator no elenco.

 Lucilla Morlacchi e Terence Hill em O Leopardo


Em 1964 ele assinou contrato com um estúdio alemão para protagonizar diversos filmes de aventuras baseados no autor alemão Karl May, como Carne para Abutres (Unter Geiern, 1964) e Flechas Ardentes (Der Ölprinz, 1965).

De volta à Itália, o produtor Giuseppe Colizzi o convidou para estrelar o filme Deus Perdoa... Eu Não (Dio Perdona... Io no!, 1967). Originalmente, Colizzi queria outro astro de filmes italianos no elenco: Franco Nero. Mas como ele já estava comprometido, optou por Mario Girotti, que tinha certa semelhança com Nero.

Visando o mercado irternacional, ele deu uma lista de nomes inglêses para o ator, e 24 horas para decidir qual seria seu novo nome artístico. Mario Girotti escolheu Terence Hill por ter as mesmas iniciais que o nome de sua mãe (Hildegard Thieme).

Quando morava na Alemanha, ele havia se casado com garota americana de ascendência germânica, Lori Zwicklbauer, que era a treinadora de diálogos de seus filmes. Foi dito a imprensa, entretanto, que Hill era o sobrenome de sua esposa. Em tempos de revoluão feminista, um ator famoso de filmes de ação adotar o nome da mulher era uma revolução e um grande golpe publicitário.

Mas Deus Perdoa... Eu Não não deu a Terence Hill só um nome artístico, mas um parceiro cinematográfico, Bud Spencer. A dupla formada pelo filme tornou-se uma das mais famosas e populares da história do cinema, e ao longo dos anos os amigos fizeram 18 filmes juntos. Entre eles destacamos Chamam-me Trinity (Lo Chiamavamo Trinità..., 1970), Trinity Ainda é Meu Nome (Continuavano a chiamarlo Trinità, 1971) e Dois Missionários do Barulho (Porgi L'Altra Guancia, 1974).

 Bud Spencer e Terence Hill em Deus Perdoa... Eu Não

Curiosamente, eles já haviam atuado em um filme antes, quando fizeram papéis em  Aníbal, O Conquistador (Annibale, 1959), uma produção italiana estrelada por Victor Mature. Mas neste filme, eles não contracenam um com o outro.

Bud Spencer e Terence Hill em Aníbal, o Conquistador

O sucesso da dupla gerou até imitações, com os atores Michael Colby e Paul L. Smith, que estrelaram Carambola (Idem, 1974). O filme era um Western Spaguetti, que repetia a mesma fórmula de Spencer e Hill, o barbudo grandão zangado e o loiro metido a galã.

Michael Colby e Paul Smith e Terence Hill e Bud Spencer

No cartaz, em italiano, lia-se a seguinte frase: "Nem Trinity, nem Bambino: nos chamam Carambola”, numa alusão aos personagens de Hill e Spencer no filme Trinity Ainda é Meu Nome (Continuavano a chiamarlo Trinità, 1971). Eles ainda fariam a sequência, repetindo os mesmos personagens em   Trinity e Carambola - A Dupla Invencível (Carambola, filotto... Tutti in Buca, 1975).


No Brasil, a dupla Bud Spencer e Terence Hill era extremamente popular, e chegaram a filmar Eu, Você, Ele e os Outros (Non C'è due senza quattro, 1984), produzido pela Renato Aragão filmes, e com atores brasileiros no elenco, como Dary Reys, Fernando Amaral e Ataíde Arcoverde.

Roberto Roney, Bud Spencer, Terence Hill e Ataíde Arcoverde em Eu, Você, Ele e os Outros

Nesta época, chegou-se a anunciar que a dupla atuaria em outro filme brasileiro, ao lado do quarteto Os Trapalhões, de Renato Aragão, mas tal projeto nunca se concretizou. Porém, Spencer e Hill participaram do programa Os Trapalhões, e Bud respondeu as perguntas em português, idioma que aprenderá muitos anos antes, quando morou no Brasil.

Bud Spencer e Terence Hill no programa Os Trapalhões



Em 1985 a dupla se desfez após atuarem em Os Dois Super-Tiras em Miami (Miami Supercops, 1985). E embora tenham trabalhado juntos por quase 20 anos, Terence Hill também tinha uma carreira solo muito bem sucedida, estrelando filmes como Viva Django! (Preparati la bara!, 1968) e Meu Nome é Ninguém (Il mio nome è Nessuno, 1973), ao lado de Henry Fonda.


Henry Fonda e Terence Hill em Meu Nome é Ninguém

Em 1976 ele assinou contrato com Hollywood, onde estreou em Marcha ou Morre (March or Die, 1977), ao lado de Gene Hackman e Catherine Deneuve. E seguida fez Mr. Billion (Idem, 1977), com Valerine Perrine.


 Catherine Deneuve e Terence Hill em Marcha ou Morre

Hill então passou a se revezar em produções norte-americanas e italianas. Em 1984 ele também estreou como diretor, na comédia Don Camilo (1984), que tinha seu filho Ross Hill no elenco. Ross co-estrelou com o pai o filme Um Osso Duro de Roer (Renegade, 1987). Mas a dupla promissora infelizmente não pode continuar, já que o jovem Ross faleceu em um acidente de carro em 1990, com apenas 16 anos de idade.

 Ross e Terence Hill em Um Osso Duro de Roer

Em 1991 Hill protagonizou Lucky Luke (Idem, 1991), onde personificou o cowboy dos quadrinhos criado por Morris. O filme fez tanto sucesso que virou uma série de televisão no ano seguinte.




Em 1994 ele voltou a atuar ao lado de Bud Spencer em A Volta de Trinity (Botte di Natale, 1994), cujo roteiro foi escrito por seu outro filho, Jeff Hill.


Bud Spencer e Terence Hill em A Volta de Trinity

O último encontro da dupla ocorreria na entrega do prêmio Donatello (o mais importante da Itália) em 2010. Na cerimônia Bud Spencer e Terence Hill receberam um prêmio especial pelo conjunto de sua obra.

Bud Spencer faleceu em 2016.

 Bud Spencer e Terence Hill em 2010

A partir da década de 90, o ator passou a trabalhar mais em produções da televisão italiana, atuando em telefilmes e séries como Un passo dal cielo (2011-2015) e Don Matteo (2000-2020), da qual era protagonista. Este papel rendeu a Hill um prêmio internacional de "Melhor Ator do Ano" no 42º Festival de Televisão de Monte Carlo, ao lado dos da série, e do produtor Alessandro Jacchia naquele festival. 

Na série, Hill interpretava um paroco que ajuda a polícia local a resolver crimes.

Terence Hill como o padre Don Matteo

Em 2018, ano em que a série foi cancelada, Hill voltou a direção com My Name Is Thomas (2018), sétimo filme que dirigiu, e que ele também estrelou.

Apesar de trabalhar na Itália, Terence vive em Massachusetts, Estados Unidos, com sua esposa Lori, com quem se casou em 1967.


Terence Hill, atualmente

Leia também: Relembrando Bud Spencer. 

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Morre a cineasta Angès Varda, aos 90 anos


A cineasta e fotógrafa belga Agnès Varda, uma das precursoras da novelle vague, faleceu em Paris, aos 90 anos de idade.


Agnès Varda nasceu em Bruxelas em 30 de maio de 1928. Suas fotografias, filmes e instalações abordam questões referentes à realidade no documentário, ao feminismo e ao comentário social. Tais temas são comumente tratados através de um estilo que flerta com a experimentação. 

Multipremiada ao longo de uma carreira iniciada em 1955 com La Pointe-Courte, rodado quando ela tinha 25 anos, e não possuía experiência alguma por trás das câmeras. O filme apresenta elementos como o radicalismo narrativo e visual que, posteriormente, tornariam o movimento da novelle vague relevante, embora muitas vezes seja esquecida pelos historiadores do cinema francês.

Sua carreira começou a destacar-se após o sucesso de Cléo das 5 às 7 (Cléo de 5 à 7, 1962), que venceu a Palma de Ouro em Cannes daquele ano. Com uma carreira multipremiada, com mais de 60 anos, sua obra inclui mais de 50 filmes e documentários. Agnès dirigiu filmes como As Duas Faces da Felicidade (Le bonheur, 1965) e Os Renegados (Sans toit ni loi, 1985).

Casada com o cineasta Jacques Demy (até a morte dele em 1990), Agnés recebeu sua primeira indicação ao Oscar pelo documentário Olhares Lugares (Visages villages, 2017), quando tinha 89 anos de idade.

Ela não venceu o prêmio, mas no mesmo ano recebeu um Oscar especial pelo conjunto da obra, tornando-se a primeira (e até o momento única) mulher cineasta a receber tal honraria. 

Agnès Varda recebendo seu Oscar das mãos de Angelina Jolie

"A cineasta  e artista Agnès Varda morreu na sua casa na noite de quinta-feira, em consequências de um câncer", anunciou a família em comunicado.

Agnés Varda faleceu em 28 de março de 2019. 

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