Fredi Washington, a atriz negra que recusou-se a pintar-se de branca



Fredi Washington foi uma das primeiras atrizes negras a ganhar reconhecimento e desafiar o racismo em Hollywood, o que acabou limitando sua carreira.

Fredericka Carolyn Washington nasceu na Georgia em 23 de dezembro de 1903. Ela ficou famosa por seu papel de Peola Johnson no filme Imitação da Vida (Imitation of Life, 1934), a filha que esconde sua identidade racial por vergonha da mãe negra.
O filme foi um grande sucesso, e a atriz recebeu excelente críticas por seu papel. Mas a comunidade negra odiou sua personagem, chegando a confundir sua interpretação com ruas intenções reais, achando que a atriz também desejava se passar por branca. Mas eles não podiam estar mais enganados.
Os produtores do filme disseram que fariam dela uma grande estrela, tal como Norma Shearer, Joan Crawford ou Greta Garbo. Mas a com a condição de que ela pintasse o rosto para ficar mais clara, tal como fez Lena Horne anos depois, no começo de sua carreira. Fredi se sentiu humilhada, e acabou recusando qualquer oferta que dependesse disto. Em uma entrevista na época declarou: "como atriz eu posso me passar por qualquer coisa, menos como branca."
Louise Beavers e Fredi Washington em Imitação da Vida

Trailer de Imitação da Vida

Fredi Washington foi criada em um colégio de freiras em Nova York. Estrou nos palcos como dançarina em 1922, ao lado de Josephine Baker. Durante uma apresentação em um clube noturno o produtor Lee Shubert (o mesmo que anos mais tarde contrataria Carmen Miranda) a viu e a recomendou para atuar com Paul Robeson na peça Black Boy (1926), na Broadway. Ao final da temporada, partiu para uma turnê na Europa, que durou mais de um ano.
Ao retornar aos Estados Unidos, participou de várias produções teatrais. Fredi estreou no cinema em Black and Tan (1929), um curta musical com Duke Ellington. Em seguida atuou em A Carta (The Letter, 1929), estrelado pela atriz Jeanne Eagels, que tornou-se a primeira indicada póstuma ao Oscar (leia sobre ela aqui). Depois fez um pequeno papel em Os Galhofeiros (Animal Crackers, 1930), estrelado pelos Irmãos Marx.
Seu primeiro (e único) papel como protagonista foi em O Imperador Jones (The Emperor Jones, 1933), um filme independente baseado em um texto de Eugene O'Neill e estrelado por Paul Robeson. A censura norte-americana não permitia casais inter-raciais na época, e consideraram que a atriz era clara demais para fazer par romântico com Robeson, então ela teve que ser maquiada para ter a pele escurecida. No ano seguinte, faria sua estréia em um filme oficial de Hollywood, Imitação da Vida.
Com Paul Robeson em O Imperador Jones

Após atuar no seu grande sucesso, percebeu que não haveriam outros papéis para ela em Hollywood. Recusou-se a interpretar empregadas ou escravas, e começou a militar pela igualdade de direitos para atores negros em filmes e no teatro. Foi membro fundadora do Negro Actor's Guild (o sindicato para os artistas negros), no ano de 1937.
Com Cab Calloway em um curta musical 

Sua recusa ao seguir os padrões impostos lhe custou a carreira no cinema. Ela atuou em mais alguns curtas musicais e no filme "B" Ela é Minha (One Mile Fron Heaven, 1937), onde interpretava uma mulher negra que adotava uma criança branca, abandonada pela mãe (interpretada por Claire Trevor).
Com Claire Trevor em Ela é Minha

Depois, deixou o cinema definitivamente, passando a atuar no teatro. Seu último contato com o cinema foi como consultora de elenco do filme britânico Os Deserdados (Cry, the Beloved Country, 1951), com Canada Lee e Sidney Poitier (em um de seus primeiros filmes).
Na década de cinquenta casou-se com Anthony H. Bell, e mudou-se para Stamford. Passou a dedicar-se a luta pelos direitos civis. Em 1975 ela finalmente teve sua carreira reconhecida, e foi incluída no Black Hall of Fame, dedicados aos artistas negros da América.

Fredi Washington morreu em 28 de junho de 1994, aos 90 anos.

Com o marido nos anos cinquenta


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