A inesquecível Dina Sfat


Dina Sfat foi uma das atrizes mais importantes da dramaturgia brasileira, e apesar de sua vida breve (ela faleceu com apenas 50 anos de idade), tornou-se uma das atrizes mais queridas do país.



Dina Kutner de Sousa nasceu em São Paulo, em 28 de outubro de 1938. Filha de judeus poloneses, que migraram para o Brasil fugindo do nazismo, Dina sempre sonhou em ser artista.

Ela estreou nos palco em 1962, fazendo um pequeno papel na peça Antígone América, dirigida por Antônio Abujmara. 

Logo ingressou no Teatro de Arena, onde estreou com a personagem Manuela em Os Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht. Em 1963 se casou com o ator Paulo José, seu colega de Teatro Arena.

Dina Sfat com Renato Borghi no Teatro Oficina em O Rei da Vela (1968), de Oswald de Andrade, direção de josé Celso Martinez Correia

Neste mesmo ano adotou o nome artístico Sfat, em homenagem a cidade natal de sua mãe. No Teatro, participou de montagens lendárias como Arena Contra Zumbi (1965), que lhe valeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de Melhor Atriz.

Dina Sfat e Paulo José

Em 1966 a atriz estreou no cinema, atuando em Corpo Ardente (1966). Neste mesmo ano, estrelou nas telenovelas, participando de Ciúmes (1966), na TV Tupi. Ciúmes foi a única novela em que atuou a atriz Cacilda Becker.

No cinema, atuou em diversos filmes, alguns de extrema importância para a cinematografia nacional, como Edu, Coração de Ouro (1968), Anuska, Manequim e Mulher (1968), Macunaíma (1969), Os Deuses e os Mortos (1970), e Eros, o Deus do Amor (1981). Seu último trabalho na tela grande foi em O Judeu (1995), que devido a problemas e atrasos na produção, só foi lançado anos após a morte da atriz.

Dina Sfat e Grande Otelo em Macunaíma

Na televisão, destaca-se em inúmeros papéis, geralmente brilhando em textos escritos por Janete Clair, como nas novelas Selva de Pedra (1972), Fogo Sobre a Terra (1974), O Astro (1977) e Eu Prometo (1983). Com outros autores, destacou-se em Os Ossos do Barão (1973), Gabriela (1975) e Saramandaia (1976). Em 1988 atuou em Bebê a Bordo (1988), a última novela em que participou.


 Dina Sfat e Armando Bogus em Gabriela (1975)

Dina Sfat começou a lutar contra um câncer de mama em 1986, e perdeu a batalha em 29 de março de 1989, quando nos deixou. A atriz tinha apenas 50 anos de vida, mas deixou uma carreira impecável, e o exemplo de uma vida extraordinária.

Duas das suas três filhas, também se tornaram atrizes (Bel e Ana Kutner).

Dina Sfat e as filhas



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Bella Darvi, a trágica Cinderella de Hollywood


A história de vida de Bella Darvi talvez seja mais interessante que a sua própria carreira cinematográfica. Descoberta por Darryl F. Zanuck e sua esposa Virginia Fox em um cassino em Monte Carlo, Darvi foi levada a Hollywood para ser uma "nova Ingrid Bergman", mas foi uma das muitas beldades européias que fracassaram na terra do cinema.


Bayla Weigier nasceu em Sosnowiec, na Polônia, em 23 de outubro de 1928. Filha de uma família judia, de origem pobre, ela foi enviada para um Campo de Concentração quando jovem, onde sofreu torturas e perdeu um irmão executado na câmara de gás.

Libertada em 1943, ela casou-se com um homem de negócios em 1950, e com ele mudou-se para Monte Carlo. De origem humilde, Bella Darvi tornou-se uma frequentadora do jet set europeu. Em Monte Carlo porém, começou a beber e apostar, acumulando muitas dívidas de jogo. Em 1952 seu marido pediu o divórcio e ela se viu numa situação financeira complicada, mas não abandonou os cassinos.

No mesmo ano Virginia Fox, a esposa de Darryl F. Zanuck (o todo poderoso executivo da Twentieth Century Fox), a viu em uma mesa de jogos num cassino, e indicou a bela mulher ao marido. Zanuck se encantou com ela, e lhe ofereceu um contrato cinematográfico, além de pagar suas dívidas de jogo.

Virginia Fox, Zannuck e Bella Darvi

Como seu nome não era muito sonoro, a atriz inventou um nome artístico, Darvi é a junção dos nomes de DARryl Zannuck e VIrginia Fox, seus padrinhos e mentores. Ela não só ganhou um contrato cinematográfico, mas mudou-se para a residência do casal. Virginia a apresentava como sua sobrinha, e ambas tornaram-se melhores amigas, indo frequentemente almoçar juntas e indo as compras, enquando a atriz tomava aulas de inglês para perder seu forte sotaque.

Em 1954 ela finalmente estreou no cinema, como protagonista de Tormenta Sob os Mares (Hell and High Water, 1954), onde fez par romântico com Richard Widmark.

Richard Widmark e Bella Darvi em Tormenta Sob os Mares

Em seguida ela foi escalada para viver a cortesã Nefer na super produção O Egípcio (The Egypytian, 1954). Mas o filme que era a grande aposta do estúdio foi um grande fracasso. Marlon Brando havia sido escalado para protagonizar a obra, e o estúdio já havia gasto uma fortuna confecionando os figurinos do ator. 

O papel de Nefer seria originalmente de Marilyn Monroe, mas Zannuck a tirou do papel para dar oportunidade a sua nova protegida. Brando não gostou disto, e abandonou as filmagens se recusando a contracenar com Darvi, que era uma atriz inexperiente que havia tido um fraco desempenho em seu filme de estréia. Jean Simmons, sua colega de elenco, também não gostava dela, e declarou publicamente que ela era "a melhor pessoa para interpretar uma cortesã".

Após abandonar o filme, o jovem Edmund Purdom assumiu o papel. Porém, ele foi escolhido por ser não por seu grande talento ou fama, mas por ser o único ator da Fox que cabia perfeitamente no caro figurino feito inicialmente para Brando. Para promover Purdon a Fox investiu muito em publicidade para o ator, e conseguiu que ele colocasse suas mãos na calçada da fama. Mas o filme foi um fracasso, e Purdom tornou-se um ator problemático. Demitido da Fox, teve sua calçada da fama destruída a britadeiras, para dar lugar as mãos da nova estrela Debbie Reynolds (ele foi o único artista cuja homenagem na calçada da fama foi removida).

Cartaz de O Egípcio


A atuação de Darvi foi duramente criticada, e seu forte sotaque polonês não ajudou em nada a sua carreira. Sua vida pessoal conturbada fazia a festa dos tablóides, mas também pouco a favoreceram artisticamente. Ela teve relacionamentos amorosos com Jean-Pierre Aumont, Alexandre D'Arcy, Robert Stack, o príncipe Aly Khan, Brad Dexter, Erich Maria Remarque, Renato Grassi, Marc Michel, Jerry Haskell, Philippe Lemaire, John Ireland. Também se envolveu rapidamente com Robert Wagner, o novo galã da Fox, mas Zannuck tratou logo de terminar o romance.

Mas o caso amoroso mais famoso da atriz foi mesmo com seu descobridor, Darryl Zannuck. Susan, a filha do produtor com Virginia Fox, descobriu o caso, e contou para sua mãe. Virginia empacotou as malas da atriz, e a mandou embora de sua casa. Darvi ainda estrelou Caminhos Sem Volta (The Racers, 1955), ao lado de Kirk Douglas, e depois sua carreira em Hollywood chegou ao fim.

Kirk Douglas e Bella Darvi em Caminhos Sem Volta

De volta à Europa, passou a estrelar uma série de filmes inexpressivos na Itália e França. Seu primeiro trabalho após o retorno ao velho continente foi em Eu Sou Um Sentimental (Je Suis un Sentimental, 1955), feito na França.

Zannuck foi atrás dela, e viveram alguns meses juntos, mas após descobrir traições da atriz, inclusive com mulheres, voltou a viver com Virgina Fox.

Seus papéis foram se tornando cada vez menos importantes. A atriz também voltou a beber e perder dinheiro nas mesas de jogos.

John Hudson e Bella Darvi no filme Caminhos Sem Volta

Em 1959 ela sofreu um acidente de carro, e ficou gravemente ferida. Ela ficou três meses internadas em um hospital, e precisou controlar ainda mais seus gastos, já que seu dinheiro havia acabado.

Para sobreviver, Bella Darvi penhorou suas jóias, casacos de peles, roupas e móveis. Ela chegou mesmo a entregar seus dois cães poodles para abater do valor de suas dívidas de jogo.

Apesar de ter se casado novamente, e ter tido relacionamentos com outros homens ricos, Zannuck continuou lhe enviando dinheiro até 1970. Seu último trabalho no cinema foi em um pequeno papel em Les Petites Filles Modèles (1971). 

Após pedir novo socorro a Zannuck, e ter seu pedido negado, a atriz cometeu suícidio 11 de setembro de 1971. Bella Darvi ligou o gás de cozinha, e colocou a cabeça dentro do forno. Seu corpo só foi descoberto após duas semanas, quando os vizinhos chamaram os bombeiros devido ao cheiro de seu apartamento em Monte Carlo.

Bella Darvi tinha apenas 42 anos.



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Por onde anda? Peter Ostrum, de 'A Fantástica Fábrica de Chocolates' (1971)


Em 1970, o jovem Peter Ostrum, de 13 anos, saía da escola quando foi abordado por olheiros que pediram para seus pais se podiam tirar algumas fotos polaroides do garoto. Os pais do menino aceitaram, após perguntarem qual o objetivo disto. Os tais olheiros eram produtores cinematográficos, e estavam em busca de uma criança protagonista para o filme A Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka & the Chocolate Factory, 1971).

Peter, um menino de família pobre, foi escolhido entre milhares de crianças inscritas e selecionadas para os testes do papel.
Com a mãe ele mudou-se então para Munique, na Alemanha, onde o filme foi rodado. Lá permaneceram por seis meses, o tempo que durou as filmagens.
Nascido em 1º de novembro de 1957, Peter Gardner Ostrum é natural da cidade de Dallas, no Texas (EUA), mas foi criado em Cleveland, Ohio. Ele já havia feito algumas atuações em peças escolares, mas nunca sonhará em ser astro de um grande clássico que faz parte do imaginário infantil de diversas gerações.
Das filmagens na Alemanha o ator se recorda com carinho do ator Gene Wilder, o interprete de Willy Wonka. Peter afirma que Wonka era muito paciente e gentil com as crianças, mas mantinha um certo mistério, permanecendo no personagem para criar o encanto.
Muitas das cenas eram surpresa realmente para as crianças, como a cena em que Wonka se apresenta com uma bengala, cai ao chão e salta com uma cambalhota. Esta foi a primeira vez que as crianças do elenco viram o ator durante as gravações.
Outra lembrança do então jovem ator não é tão bonita quanto esta. Ostrum ficou bastante traumatizado com o atentado que matou diversos atletas durante as Olimpíadas de Munique, ocorridos muito próximos dos estúdios onde eles gravavam o filme.

Quando as filmagens foram encerradas, Peter Ostrum retornou para casa com sua mãe. Ele admite que a fama obtida com o filme subiu a sua cabeça na época, deixando o bastante mimado e vaidoso. Porém, seus pais o repreenderam, dizendo que no filme Charlie era um menino bondoso, humilde e doce, e que como protagonista de Charlie, Peter tinha que ser assim também, para se um exemplo para as outras crianças. O menino concordou, e voltou a sua vida normal, retomando seus estudos.
Do dinheiro que ganhou com o filme, seus pais disseram que ele podia gastar comprando apenas uma coisa, e o resto seria guardado para sua faculdade, pois a família era humilde e não tinha condições de pagar por estes estudos.

Ele escolheu um cavalo, e a sua paixão pelo animal fez com que ele desejasse ser veterinário. Atualmente, ele possui um doutorado nesta área, tudo pago com seu cachê em A Fantástica Fábrica de Chocolates.

Peter Ostrum nunca mais atuou, tendo feio apenas um filme, apesar dos convites para atuar que recebeu na época. O único convite que ele aceitou foi para fazer um teste para a Broadway, substituindo Peter Firth em Equs, mas ele não passou no teste.

Casado desde 1987, ele tem três filhos e possui uma clínica veterinária especializada em cavalos atualmente. Em entrevista recente, disse que só aceitaria retornar ao cinema se fosse em um filme do cineasta Quentin Tarantino.

Peter Ostrum atualmente

Veja como está o restante do elenco infantil atualmente 

Atriz Diana Sowle, de A Fantástica Fábrica de Chocolates, morre aos 88 anos


A atriz norte-americana Diana Sowle faleceu na sexta-feira, dia 19 de outubro, aos 88 anos.
 
Sowle interpretou a mãe de Charlie Bucket (papel de Peter Ostrum) no clássico A Fantástica Fábrica de Chocolates (Willy Wonka & the Chocolate Factory, 1971). Com a morte de Gene Wilder, em 2016, a atriz era a última integrante adulta na época das filmagens ainda viva.


Tal como Peter Ostrum, quem interpretou seu filho Charlie, Diana estreou no cinema neste filme, e não deu continuidade na carreira cinematográfica, embora tenha retornado ao cinema em 1994, atuando em pequenos papéis em dois filmes: Perigo Real e Imediato (Clear and Present Danger, 1994) e O Guarda Costas e a Primeira Dama (Guarding Tess, 1994).

Em 2008 ela dublou vozes para o jogo Fallout 3.

Reunião do elenco do filme em 2015: Diana Sowle (Mrs. Bucket), Julie Dawn Cole (Veruca Salt), Peter Ostrum (Charlie Bucket), Michael Bollner (Augustus Gloop), Denise Nickerson (Violet Beauregarde) e Paris Themmen (Mike Teevee)


 
Diana faleceu em sua residência, e sua morte foi divulgada por seu agente.

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Dolores Hart, a atriz que abandonou Hollywood para tornar-se freira

 
Hollywood tem muitas histórias de vida que conseguem surpreender mais do que os roteiros dos filmes que ela produz. A vida de Dolores Hart é uma delas. A atriz ficou famosa ao contracenar com Elvis Presley em dois filmes antes de se dedicar à vida religiosa.
 
 
Nascida Dolores Hicks, em 20 de outubro de 1938, em Chicago, Illinois, ela tinha tudo para ser uma típica criança de Hollywood. Dolores era filha do ator Bert Hicks e a irmã dele, sua tia, era casada com o tenor e ator Mario Lanza.

 
Aos nove anos de idade, a menina estreou no cinema, fazendo um pequeno papel no filme Entre o Amor e o Pecado (Forever Amber, 1947), estrelado por Linda Darnell.

Mas sua mãe não gostava de criar sua filha em Los Angeles, e a enviou para morar com seus avós que a matricularam na St. Gregory Catholic School. Aos dez anos, Dolores converteu-se ao catolicismo.

Linda Darnell, Dolores Hart e Cornel Wilde em Entre o Amor e o Pecado
 
Aos 19 anos, Dolores retornou a Hollywood, e foi contratada para atuar em A Mulher que Eu Amo (Loving You, 1957), estrelado pelo "rei do rock" Elvis Presley, com quem fazia par romântico.
 
Elvis Presley e Dolores Hart em A Mulher que Eu Amo
 
Em seguida, atuou em filmes importantes como A Fúria da Carne (Wild Is the Wind, 1957) e Por um Pouco de Amor (Lonelyhearts, 1958) e voltaria a contracenar com Elvis em Balada Sangrenta (King Creole, 1958), desta vez disputando o amor do cantor galã com a atriz Carolyn Jones.
 
Em 1959 estreou na Broadway, ganhando um Tony de melhor atriz por seu papel em The Pleasure of His Company.

Dolores Hart, Elvis Prelesy e Carolyn Jones em Balada Sangrenta
 
Ela fez um enorme sucesso ao protagonizar Bastam Dois para Amar (Where the Boys Are, 1960), ao lado do ator George Hamilton. Uma comédia adolescente sobre as férias da primavera, com um teor bastante ousado para a época. Neste mesmo ano atou em outra comédia, O Capitão Era um Pirata (Sail a Crooked Ship, 1961), ao lado de Robert Wagner.
 
Em 1961, ela estrelou São Francisco de Assis (Francis of Assisi, 1961), dirigido por Michael Curtiz. O galã Bradford Dillman interpretava São Francisco, e Dolores interpretou Santa Clara. A seu pedido teve os cabelos raspados ao interpretar a personagem. Nesta época, a atriz passou a desenvolver ainda mais sua religiosidade e até esculpiu uma estátua de São Francisco.
 



 
 Ela ainda faria mais alguns filmes, como Vem Voar Comigo (Come Fly with Me, 1963), antes de abandonar definitivamente a carreira.

Seu último trabalho como atriz foi na série de televisão O Homem de Virgínia (The Virginian), em 1963. Curiosamente ela atuou em um episódio onde interpretava uma missionária católica muito devota. Aos 24 anos, e no auge da carreira, ela deixou Hollywood para tornar-se reclusa na Abadia Beneditina de Regina Laudis, tornando-se posteriormente freira. Na época ela estava noiva de Don Robinson, um arquiteto de que ela é amiga até hoje.


Dolores Hart vive até hoje na abadia, onde cumpre seus votos religiosos. Em 2012, participou do documentário God Is the Bigger Elvis (2012), que foi indicado ao Oscar. Nele ela conta sua vida e como tomou a decisão de trocar o estrelato pela vida religiosa. Sobre beijar Elvis, ela declarou em uma entrevista "Um beijo dura cerca de 15 segundos, mas este já dura 40 anos" e completou "Eu beijei Elvis, quanto mais perto do paraíso eu poderia chegar?"

O filme não ganhou o Oscar, mas irmã Dolores voltou aos tapetes vermelhos da Acadêmia, usando o hábito que lhe condiz. Ela nunca deixou de ser associada da Acadêmia de Artes e Ciências Cinematográficas, e é membro votante entre as pessoas que escolhem os vencedores do Oscar.


 
 
Dolores Hart atualmente
 
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O comediante Orlando Drummond, o rei da dublagem brasileira


Orlando Drummond é um dos comediantes mais queridos do Brasil, eternizado como o Seu Peru na Escolinha do Professor Raimundo, apresentado por Chico Anysio na Rede Globo, a partir da década de 90. Também tem um longo trabalho como dublador, que também cativou o carinho do público.

Orlando Drummond em 1953

Orlando Drummond Cardoso nasceu eno Bairro de Todos os Santos, na cidade do Rio de Janeiro, em 18 de outubro de 1919. Vindo de família humilde, apesar de ser descendente do Barão de Drummond (fundador do Jardim Zoológico do Rio e criador do Jogo do Bicho), queira ser engenheiro, mas sem condições de fazer uma faculdade, começou a trabalhar cedo, atuando como frentista, comerciante e vendendor de materiais de construção.

Em 1942, sonhando também em ser cantor, foi até a Rádio Tupi para fazer um teste. Mas ficou com vergonha diante do microfone, e desistiu de cantar. Porém, o diretor Olavo de Barros o convidou para trabalhar na emissora, como contra-regra.

Orlando fazia os efeitos sonoros das rádios novelas, e aos poucos começou a imitar animais ao microfone, fazendo com perfeição galos, cavalos, cachorros e gatos. Aos poucos, começou também a fazer pequenas pontas nas rádios novelas, fazendo uma ou duas falas.

Paulo Gracindo, seu colega radiôfonico do Grande Teatro Tupi, viu nele a veia humorística, e o convidou para ingressar como comediante em seu programa de auditório.

Orlando Drummond no rádio

Em 1951 a televisão chegou ao Rio de Janeiro, contratado da Rádio Tupi, Orlando foi escalado para participar também do novo veículo de comunicação que surgia no Brasil.

Ele estreou na Tupi do Rio ainda nos primeiros dias da emissora, participando do programa Escolinha do Barulho (1951), com Chiquinho Salles como professor. Em 1952 o personagem Seu Peru passou a fazer parte dos alunos da escolinha.

Na Tupi participou de inúmeros programas, mas ficou eternizado com os personagens Taca-Nanuka, um garçom japonês atrapalhado em Ali Babá e os 40 Garções, e o índio Pataco-Taco de Uma Pulga na Camisola. Também atuou em programas como PRK30, Um Dia de Feira, Marmelândia, Fora do Ar, Em Casa de Família de Todo o Respeito, Rua do Ri Ri Ri e Espetáculos Tonelux.

Com Otávio França em Uma Pulga na Camisola

Em 1954, apesar de estar no rádio e em quatro programas na televisão (todos escritos por Max Nunes), estreou no cinema atuando no filme O Rei do Movimento (1954), uma comédia estrelada por Ankito. No ano seguinte atuou em Angu de Caroço (1955), novamente ao lado de Ankito. Mas apesar da grande popularidade, fez pouco cinema.

Os outros filmes que atuou foram Bonga, o Vagabundo (1971), O Doce Esporte do Sexo (1971), o Sarcófago Macabro (2005) e Um Lobisomem na Amazônia (2005), os dois últimos dirigidos pelo cineasta Ivan Cardoso. Recentemente foi anunciado que o ator estará no elenco do filme De Perto Ela Não É Normal (leia mais sobre isto aqui).

Na década de 50, apesar da fama e dos inúmeros trabalhos, o salário não era suficiente para sustentar a família (Orlando é casado com Glória Drummond desde 1951), e o ator precisava fazer trabalhos extras para complementar a renda. Vendia tinta automotiva, e prestava serviços burocráticos para uma tia, e foi nesta época também que começou a trabalhar em dublagem.

Em 1951 ele dublou a Lebre de Março na animação da Disney Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 1951). Ele dublaria outros desenhos da Disney, e gravou discos infantis para a Coleção Disquinho. Com a chegada da televisão ao país, este trabalho ficou cada vez mais intenso, chegando a ser diretor de dublagem nos estúdios Hebert Richards. Entre os personagens que ele emprestou sua voz estão o Sargento Garcia em Zorro; Popeye; Pepe Legal; Alf, o Eteimoso; O Vingador de Caverna do Dragão; O Gato Guerreiro em He-Man e o cachorro Scooby-Doo, que lhe valeu a entrada no Guinnes Books por dublar a personagem por mais de 35 anos.

Ouça Orlando Drummond dublando o Sargento Garcia em Zorro

Em 1990  Chico Anysio convocou diversos veteranos da comédia para compor o elenco da Escolinha do Professor Raimundo, e Orlando Drummond retornou a televisão, interpretando o Seu Peru, criado por ele em 1952.


Em 1996 ele participou da novelinha infantil Caça Talentos. Também participou do programa Zorra Total.

Orlando Drummond atualmente


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Nunca houve mulher como Rita Hayworth


Rita Hayworth foi uma das mais icônicas atrizes da história do cinema, sendo considerada uma das atrizes mais bonitas de Hollywood.

Rita nasceu Margarita Carmen Cansino, em 17 de outubro de 1918, no Brooklyn, Nova York. Seu pai era o dançarino de flamenco Eduardo Cansino, e sua mãe Volga Hayworth era dançarina de vaudeville e uma show girl na Broadway no começo século XX.


Eduardo era de uma família de ciganos espanhóis, com uma forte tradição na dança. Ele começou a carreira se apresentando ao lado da irmã Elisa Cansino, com quem atuou em filmes na década de 20, antes de formar a dupla Os Cansinos com sua esposa.

Volga Hayworth, por sua vez, era irmã do ator Vinton Haywort, que ficou conhecido como o General Winfield Schaeffer na série Jeannie é Um Genio (Im Dream off Jeannie).
Seu pai queria que ela fosse dançarina, mas sua mãe sonhava que a filha seguisse carreira em Hollywood. Aos três anos de idade a menina iniciou seus estudos de dança, e embora anos mais tarde confessasse que odiasse estudar dança, frequentou por anos as aulas sob a supervisão de seu tio Angel Cansino, no Carnegie Hall.

Rita Haywort e seu irmão Eduardo Cansino Jr. quando crianças

Em 1926 sua família se mudou para Hollywood, onde seu pai fez sua estréia como dançarino no cinema. Mas a maior fonte de renda da família vinha de sua escola de dança, onde ele deu aulas para astros como James Cagney e Jean Harlow. Porém em 1929, com a Grande Depressão, os negócios da família foram a falência. Para ajudar a família, Rita aceitou substituir uma prima em um espetáculo musical, que havia sido afastada após quebrar uma perna.

Ela então passou a fazer dupla com o pai, mas como era menor de idade, e ainda não podia se apresentar nas casas noturnas e boates na Califórnia. Eles então viajavam para a fronteira com o México para se apresentar nas casas noturnas de lá, repletas de turistas de Los Angeles, apresentando-se nas famosas casas Foreign Club e Caliente Club, no começo da década de 30.

Margarita  Cansino e Eduardo Cansino

Ainda com o nome Margarita Cansino, abela jovem começou a chamar a atenção. Dizem que o drink Margerita, surgido na  Foreign Club, foi batizado em sua homenagem. Foi lá também que Winfield Sheehan, da Fox Film Corporation a descobriu e a levou para Hollywod, para fazer um teste na Fox. Sheehan gostou do teste, e lhe ofereceu um contrato de seis meses.

Rita começou a fazer figuração em filmes de lingua latina, versões esapanholas de filmes de sucesso destinadas ao público latino-americano. Sua estréia no cinema foi em Sob o Luar dos Pampas (Under the Pampas Moon, 1935), entretando ela já havia participado de um curta metragem, da Vitaphone chamado La Fiesta (1926), onde aparecia dançando com seus pais.


Warner Baxter, Rita Hayworth e Paul Porcasi em  Sob o Luar dos Pampas

Durante as gravações de Piernas de Seda (1935), o ator brasileiro Raul Roulien se encantou com a jovem, e a convenceu a adotar um nome menos latino, sugerindo ela encurtar o nome para Rita e passar a adotar o sobrenome de sua mãe.

Porém a Fox não aproveitou a jovem atriz. Ela chegou a ser escalada para estrelar Ramona (Idem, 1936), mas acabou sendo substituída pela atriz Loretta Young, que ela classificou como a "maior decepção de sua carreira".

Dispensada da Fox, Rita se submeteu a eletrólise, tratamento para aumentar a testa, alterando suas feições latinas. Em 1937 ela se casou com Edward Judson, que era seu empresário e tinha o dobro de sua idade. Foi ele quem conseguiu para ela um contrato na Columbia, onde Harry Cohn, o chefão do estúdio, resolveu transformá-la em estrela.

Cohn pressionou o diretor Howard Hawks para que ele a escalasse para um pequeno, mas importante papel em Paraíso Infernal (Only Angels Have Wings, 1939), que foi um grande sucesso de bilheteria.

Rita Hayworth e Cary Grant Paraíso Infernal

Rita fez na sequência grandes filmes do estúdio, como Melodias do Meu Coração (Music in My Heart, 1940), A Protegida do Papai (The Lady in Question, 1940), Anjos da Broadway (Angels over Broadway, 1940), mas o estrelato começou a aparecer quando foi emprestada para a MGM para fazer o terceiro papel feminino em Uma Mulher Original (Susan and God, 1940), estrelado por Joan Crawford. Emprestada para a Warner, atuou em Uma Loira com Açúcar (The Strawberry Blonde, 1941), estrelado por James Cagney e Olivia de Havilland. O filme fez um grande sucesso de bilheteria, e aumentou sua popularidade. A Warner tentou mesmo comprar seu contrato, mas a Columbia foi irredutível.

Rita Hayworth e Joan Crawford em Uma Mulher Original

Emprestada agora para a Fox, estúdio que a dispensara, interpretou Donã Sol em Sangue e Areia (Blood And Sand, 1941), estrelado por Tyrone Power e Linda Darnell. O filme transformou Rita em um símbolo sexual das telas.

Rita Hayworth em Sangue e Areia

De volta a Columbia, Rita então retornou ao genero musical, que a revelara. Ela estrelou Ao Compasso do Amor (You'll Never Get Rich, 1941) e Bonita Como Nunca (You Were Never Lovelier, 1942), ambos com Fred Astaire, que era parceiro habital de Ginger Rogers nas telas (Ginger e Rita eram primas distantes). Na Columbia ainda fez Modelos (Cover Girl, 1944), ao lado de Gene Kelly. Estes filmes tornaram a atriz uma referência nos filmes musicais da década.

O sucesso profissional chegou ao mesmo tempo de seu primeiro divórcio, em 1942. Neste ano foi convidada para estrelar Casablanca (idem, 1942), mas pediu um salário alto demais, e acabou perdendo o papel para Ingrid Bergman, que estreava em Hollywood.

O  auge da atriz chegou a estrelar o clássico Noir Gilda (Idem, 1946), ao lado do ator Glenn Ford, com quem ela já havia atuado em A Protegida do Papai. O casal protagonizou a famosa cena do strip tease.



Rita tirava apenas uma luva, mas a cena fez um enorme sucesso e alavancou sua carreira. Mas apesar de saber cantar, foi dublada pela cantora Anita Ellis, que a dublaria em outros filmes posteriormente.

O filme foi seu maior sucesso, e o popularizou o slogan "nunca houve uma mulher como Gilda". Porém, marcou também seu declínio. Era difícil repetir o mesmo sucesso, e nenhuma campanha publicitária conseguia repetir tamanha popularidade.

Em 1947 ela estrelou A Dama de Xangai (The Lady From Shanghai, 1947), dirigido por Orson Welles, com quem ela se casara em 1943. O filme não agradou a a crítica, e os fãs detestaram que a atriz cortou os cabelos e apareceu loira, ao invés de ostentar os cabelos ruivos que a tornaram famosa (mesmo não sendo a sua cor de cabelo natural).

Rita Hayworth em A Dama de Xangai
 
Ela voltou a atuar com Glenn Ford em Os Amores de Carmen (The Loves of Carmen, 1948), que também fez sucesso. Eles voltariam a contracenar em Uma Viúva em Trinidad (Affair in Trinidad, 1952). Em 1953 causou escandâlo ao protagonizar Salomé (Salome, 1953), a personagem bíblica que pede a cabeça de São João Batista. Também causou furor em A Mulher de Satã (Miss Sadie Thompson, 1953), onde interpretou uma pecadora que seduz um reverendo. 
 
Rita Hayworth em Salomé
 
Seu último grande sucesso foi em Meus Dois Carinhos (Pal Joey, 1957), ao lado de Frank Sinatra e Kim Novak, que passou a ser a nova "Rainha da Columbia". Sinatra exigiu que o nome Rita aparecesse em primeiro lugar, em homenagem a estrela que ela era. 

Em 1964 ela foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz por seu trabalho em O Mundo do Circo (Circus World, 1964), sua única indicação a um prêmio em Hollywood. Rita interpretava uma mulher mais madura, fazendo a mãe da atriz Claudia Cardinale. Em O Dinheiro é a Armadilha (The Money Trap, 1966), atuou pela última vez ao lado de Glenn Ford.

Rita Hayworth e Glenn Ford em O Dinheiro é a Armadilha

Rita Hayworth faria ainda outros filmes, mas sem muita importância em sua carreira. Chegou a trabalhar em produções menores na Europa. Seu último filme foi A Ira Divina (The Wrath of God, 1972), ao lado de Robert Mitchum.
 
Em 1983 sua vida foi contada no filme A História de Rita (Rita Hayworth: The Love Goddess, 1983), estrelado pela antiga Mulher Maravilha Lynda Carter.

 Desde a década de 60 Rita sofria do Mal de Alzheimer, uma doença desconhecida na época. No final da vida, suas crises e lapsos de memória derivados da doença foram muitas vezes confundidas com bebedeiras, o que lhe causavam grande tristeza em momentos de lucidez. A princesa Yasmin Kahn, filha de seu casamento com Aly Kahn, é uma das maiores doadoras de verbas para pesquisas  do tratamento da doença.


 
 Rita Hayworth faleceu em 14 de maio de 1987, aos 68 anos de idade. Infeliz em seus cinco casamentos, ela dizia que os seus maridos "iam para a cama com Gilda, mas acordavam com Rita Hayworth".

 
Leia também: Por onde anda? Lynda Carter, "A Mulher Maravilha"
 
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