O assassinato de Karyn Kupcinet, supostamente ligado a morte de JFK


Karyn Kupcinet era uma atriz em franca ascensão em Hollywood, que havia atuado em filmes como A Loja dos Horrores (The Little Shop of Horrors, 1960) e O Terror das Mulheres (The Ladies Man, 1961), mas que acabou entrando para a história do cinema ao ser assassinada em 28 de novembro de 1963, seis dias depois da morte do presidente norte-americano John F. Kennedy, também assassinado.


Roberta Lynn Kupcinet nasceu em 06 de março de 1941, em Chicago, Illinois. Filha de Irv Kupcinet, um famoso comentarista esportivo que trabalhava na televisão, e atuou nos filmes Anatomia de Um Crime (Anatomy of a Murder, 1959) e Tempestade Sobre Washington (Advise & Consent, 1962), foi incentivada pela mãe ainda na infância para ser atriz. Ela estreou no teatro aos 13 anos, ainda em Chicago. Depois, mudou-se para Nova York para estudar no famoso Actors Studio.

Aos 17 anos sua mãe usou os contatos de seu pai, e conseguiu para a sua filha um pequeno papel no filme Antro de Desalmados (The Wild and the Innocent, 1959), uma produção da Universal, estrelada por Audie Murphy e Sandra Dee. Em seguida ela atuou em O Vale das Paixões (This Earth Is Mine, 1959), ainda na Universal.

Após fazer algumas aparições na televisão, atuou em Já Fomos Tão Felizes (Please Don't Eat the Daisies, 1960), uma produção da MGM estrelada por Doris Day. Mas seu primeiro papel de destaque foi em A Loja dos Horrores (The Little Shop of Horrors, 1960), onde interpretou a personagem Shirley. O filme, uma produção de baixo orçamento, hoje é famoso por se um dos primeiros filmes do ator Jack Nicholson nos cinemas.

Jerry Lewis, que era amigo de seus pais, a convidou para interpretar uma das muitas jovens moradoras da pensão em em O Terror das Mulheres (The Ladies Man, 1961).

Karyn e as belas garotas de O Terror das Mulheres

Karyn no camarim durante as filmagens de O Terror das Mulheres

Entre 1960 e 1961 ela fez participações regulares (com personagens diferentes) na série Hawaiian Eye, e depois entrou para o elenco fixo de The Gertrude Berg Show em 1962, onde interpretava a personagem Carol.

Com Robert Conrard em Hawaiian Eye


Com Fabian em The Gertrude Berg Show

Após a série ser cancelada, voltou a fazer aparições em séries como The Red Skelton Show, Wide Country, Going My Way e Death Valley Days.

James Caan, Karyn e Roy Thinnes em Wide Country (1962)

Quando atuou em Wide Country, Karyn conheceu o ator Andrew Pine, e eles começaram a namorar. Mas o relacionamento dos dois era conturbado. A atriz era obcecada com seu peso, e estava viciada em remédios para emagrecer e antidepressivos, e chegou a ser presa roubando medicamentos em uma loja de departamentos. Em 1962, durante uma entrevista sobre sua personagem em em The Gertrude Berg Show, ela conversou com a repórter incessantemente sobre dietas e e seu peso.

Andrew Pine e Karyn

Para piorar a situação, Pine era mulherengo, e a traia constantemente. Em 1963 ela engravidou do ator, e como ele se recusou a assumir a criança, ela acabou fazendo um aborto clandestino. Pine terminou com ela, e arrumou outra namorada. Karyn então começou a seguir e vigiar o novo casal.

Seu último trabalho como atriz foi em um episódio da série Perry Mason, que só foi lançado em janeiro 1964, meses após a sua morte.

Em 30 de novembro de 1963, seu amigo, o ator Mark Goddard (que ficaria famoso como o Major Don West em Perdidos no Espaço), e sua esposa, encontraram o corpo de Karyn em seu apartamento.


No dia 27, três dias antes de encontrarem o corpo da atriz, Goddard e sua esposa havia oferecido um jantar em sua residência para ela, embora Karyn nem tenha tocado na comida. O casal achou seu comportamento estranho, visivelmente alterada e com pupilas constritas (como relataram a polícia).  ela também chorou durante aquela noite, e contou uma história sobre terem abandonado um bebê na porta de sua casa naquela manhã.

Ao fim da noite, ela tomou um táxi para ir para casa, e o ator pediu que a amiga telefonasse assim que chegasse em casa.. Como ela não retornou a ligação, eles resolveram ir até a sua casa alguns dias depois.

A polícia encontrou no apartamento da atriz muitos remédios controlados, e uma nota escrita por ela onde falava sobre sua vida, preocupações com sua auto imagem, o amor que sentia pelos pais e os problemas de relacionamentos com Pine. Karyn estava nua, deitada no sofá, com a televisão ligada, mas sem volume.

Inicialmente sua morte foi considerada uma overdose acidental, mas durante a perícia descobriram que os ossos de sua garganta estavam quebrados, na verdade Karyn Kupcinet havia sido estrangulada.

Durante a investigação, os policiais descobriram que após o jantar com os Goddard, ela foi direto para casa, e ao chegar em casa foi visitada pelo escritor Edward Stephen Robin e pelo ator Robert Hathaway, por volta das 21:30. Eles disseram que passaram a noite conversando, quando então ela se retirou para o seu quarto para dormir. Eles abaixaram o som da televisão, e trancaram a porta, e foram para casa. Ao chegarem em casa, ficaram reunidos com Andrew Pine, que era vizinho de Hathaway, até as 3 da manhã.

Pine tornou-se o principal suspeito do caso, e revelou ter conversando com ela por telefone no dia anterior ao de sua morte. Ela também teria contado a história do bebê deixado em sua porta, o que nunca aconteceu. O ator também contou a polícia que estava recebendo ameaças de morte em bilhetes escritos com recortes de revistas, e que Karyn disse na mesma conversa, estar recebendo as mesmas cartas.


Pine entregou as cartas para a polícia, que achou uma impressão digital na cola de uma delas. Para a surpresa da polícia, a digital era da própria Karyn, que enviara para o antigo namorado, a quem ela perseguia.

A Morte de JFK

O corpo da atriz foi encontrado poucos dias após o assassinato de John Kennedy, durante uma viagem à Dallas, Texas. Logo surgiram teorias conspiratórias de que as mortes estariam relacionadas (assim como a morte de Marilyn Monroe, em 1962).

Mas ao contrário de Marilyn, Karyn nunca conhecera o presidente norte-americano. Minutos antes da morte de JFK, uma mulher não identificada ligou para a polícia dizendo que o presidente seria assassinado. Como ela estava bastante alterada, os policiais ignoraram a ligação (que veio de um telefone público há 80 km de Los Angeles) achando ser um trote. O pesquisador Penn Jones Jr. escreveu no livro Forgive My Grief II que tal mulher seria Karyn, que havia obtido a informação do assassinato através de Jack Ruby, antigo amigo de seu pai dos tempos de Chicago.

Jack Ruby foi o homem que matou Lee Harvey Oswald, apontado como autor do disparo contra Kennedy, minutos após a prisão de Oswald. Para Jones, Karyn fora assassinada pelos mandantes do assassinato de Kennedy, e que os mesmos teriam ameaçado seu pai para que ele permanecesse em silêncio. Ruby faleceu na prisão, no começo de 1967.

Irv Kupcinet ficou indignado, alegando que a especulação não fazia o menor sentido. O ator Earl Holliman, veio a público dizendo que estava com a atriz em Palm Spring quando Kennedy foi assassinado, e disse que Karyn ficou chocada ao ouvir a notícia no rádio, mas que não demonstrou ter nenhum pré-conhecimento sobre sua morte.

A polícia interrogou os atendentes do telefonema, que não reconheceram a voz da Karyn como sendo a mulher do telefonema, embora a ligação não tenha sido gravada. A investigação também acabou inocentando o ator Andrew Pine e seus amigos, e oficialmente, crime permanece sem solução.

Em 1988 Irv publicou um livro de memórias, no qual revelou que ele e a esposa tinham certeza que Pine não havia matado sua filha. Ele declarou suspeitar de uma outra pessoa, ainda viva na época, que não tinha conexão com o ator. Porém, não tinha como provar suas suspeitas. 

Em 1992 o cineasta Oliver Stone lançou o filme JFK, A Pergunta que Não Quer Calar (JFK, 1992), que fazia muitas especulações sobre a morte do presidente. O filme levantou a polêmica sobre o caso, e o jornal NBC Today Show publicou uma lista de mortes suspeitas em novembro de 1963, que estariam relacionadas ao crime, e incluiu o nome da atriz na lista. Indignado, Irv classificou a matéria como uma "calúnia desprezível". Em homenagem a sua filha, Irv e sua esposa criaram uma casa de espetáculo e uma escola com o seu nome.

Irv faleceu em 2003, aos 91 anos, tentando achar provas contra o assassino de sua filha, que ele nunca revelou publicamente quem seria.

Karyn Kupcinet tinha apenas 23 anos quando foi assassinada.


Leia também: Por onde anda?  Mark Goddard, de Perdidos no Espaço
Leia também: O galã Bradford Dillman

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