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William Phipps, a voz do Príncipe Encantando em Cinderella


William Edward Phipps nasceu em 04 de fevereiro de 1922, em Vincennes, Indiana. William Phipps sempre soube que queria ser ator, e ainda criança começou a atuar em produções escolares no ensino fundamental. Em 1937, aos 15 anos de idade, atuou em sua primeira peça semi-profissionao, Before Morning, baseada em um filme realizado no mesmo ano.

Após terminar o ensino médio cursou a faculdade de contabilidade em Illinois. Popular, atuava como líder de torcida e foi eleito presidente da classe de sua turma. Ao terminar a faculdade, mudou-se para Hollywood, para tentar a carreira no cinema.

Mas era 1939 e os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial. Ele então se alistou na Marinha e combateu os nazistas no Pacífico. Ao deixar o exército no final da Guerra, retornou a Los Angeles para tentar ser ator.

Ele matriculou-se no famoso Actor's Lab, uma escola de atores criada por Roman Bohnen, Jules Dassin, Lloyd Bridges, Danny Mann, Dick Flake, Jeff Corey, Mary Virginia Farmer e J. Edward Bromberg. O elenco do Actor's Lab havia feito muitas apresentações para os soldados nos campos de batalha e gozava de grande popularidade nos Estados Unidos. Porém, um de seus orgulhos eram que tinham "as portas abertas para estudantes de todas as raças", ou seja, permitiam alunos negros. A famosa colunista Hedda Hopper iniciou uma campanha contra a escola, alegando que eles eram contra a segregação racial, e portanto, foras-da-lei. O grupo então foi fechado, e alguns de seus integrantes, como Lloyd Bridges, foram colocados na lista negra do Machartismo.

Phipps foi descoberto por Charles Laughton, que o viu em uma peça do Actor's Lab, e o contratou para a sua companhia teatral. Em 1947 ele enfim fez sua estréia no cinema, atuando em Rancor (Crossfire, 1947), da RKO.

Robert Young, William Phipps e Robert Mitchum em Rancor


Nos anos seguintes, atuou em pequenos papéis em filmes como O Valente do Arizona (The Arizona Ranger, 1948), No Coração do Oeste (Station West, 1948) e Mulher, a Quanto Obrigas (Key to the City, 1950).

Em 1949 ele havia feito um teste para uma produção dos Estúdios Disney, fazendo audição para dublar o Príncipe Encantado (Prince Charming) no longa de animação Cinderela (Cinderella, 1950). Walt Disney assistiu a audição, e o convidou na hora para emprestar sua voz ao personagem. 



Na época, os estúdios Disney utilizavam a técnica de rotoscopia, que consistia em filmar atores reais em cena, e depois desenhar por cima do registro da película. Algumas vezes, era o próprio ator que servirá de modelo quem dublava as personagens, mas nem sempre isto acontecia. O modelo para o Príncipe Encantado foi outro ator, chamado Jeffrey Stone. Ao cantor Mike Douglas, coube dublar a personagem nos números musicais.

 
Jeffrey Stone e Helene Stanley posando para Cinderela

Sem nunca decolar na carreira, atuou frequentemente em muitos filmes, muitos deles westerns como Sangue Bravo (The Outriders, 1950) e Bandoleiros da Vingança (Rider from Tucsom, 1950). Mas foi nos filmes de ficção científica, geralmente de baixo orçamento, que teve maior destaque. 

O primeiro deles foi Os Últimos Cinco (Five, 1951), único filme que ele estrelou. Teve um papel de destaque no clássico A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 1953) e foi um dos astronautas capturados pelas mulheres gatos do filme Mulheres-Gato da Lua (Cat-Women of the Moon, 1953). Também destacou-se em O Terror do Himalaia (Thew Snow Creature, 1954).

William Phipps, Jack Kruschen e Peter Adams em A Guerra dos Mundos

Em Mulheres-Gato da Lua

A partir da década de 50 começou a atuar intensamente em pequenos papéis no cinema e em séries de televisão como As Aventuras de Rin Tin Tin (The Adventures of Rin Tin Tin), Maverick (Idem), Bat Masterson (Idem), Surfiside 6 (Idem), Perry Mason (Idem), Os Monstros (The Munsters) e Batman e Robin (Batman).

Phipps conta com mais de 220 créditos em sua carreira, sejam eles no cinema ou na televisão. Em uma entrevista em 1991 ele declarou: "Eu nunca pensei sobre o que qualquer um dos meus filmes poderia fazer pela minha carreira, nunca pensei se seria um sucesso ou o que faria por mim. Eu nunca tive qualquer tipo de plano ou modelo, nunca tentei capitalizar em nada. Mas eu continuei ocupado ao longo de uma carreira de 40 anos e ainda estou ocupado hoje. Eu sei que sempre fui um bom ator, sei que estou agora e sei que ainda trabalho. E eu tenho o respeito de meus colegas. Ei, o que mais você poderia pedir?"

Após trabalhar muitos anos na indústria do entretenimento, mudou-se para o Havaí, onde passou a apresentar um programa de televisão que exibia filmes antigos. Ele retornou a Hollywood em 1976, para interpretar o presidente Theodore Roosevelt no filme Eleanor and Franklin (1976), feito para a televisão.

David Lynch o contratou para ser o narrador da versão televisiva do clássico Duna (Dune, 1984). Seu último trabalho no cinema foi no filme Uma Família e Tanto (Sordid Lives, 2000), do qual ele também foi o produtor.
Phibbs, a direita, na estréia de Uma Família e Tanto



Ele faleceu em 01 de junho de 2018, aos 96 anos de idade.




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