Daniel Pilon, o ator que disse não a James Bond para trabalhar com Buñel


Em 1967 o ator Sean Connery disse adeus ao personagem James Bond, após atuar em cinco filmes da saga. Connery deixou o papel após atuar em Com 007 Só se Vive Duas Vezes (You Only Live Twice, 1967).

Albert Broccoli, o produtor dos filmes, partiu então em busca de um novo ator para substituir Connery. Mais de 400 atores foram testados, incluindo Michael Caine, Terence Stamp, Adam West, Thimothy Dalton (que anos mais tarde interpretaria Bond nas telas) e até mesmo Dick Van Dyke. Broccoli gostou de um jovem ator canadense, que havia feito poucos trabalhos no cinema, chamado Daniel Pilon, e que estava entre os finalistas.

Porém, para a sua surpresa, Pilon recusou continuar os testes, preferindo partir para à Europa, para atuar em um pequeno papel em O Estranho Caminho de São Tiago (La Voie Lactée, 1969). Ele preferiu o papel menor, por ser uma obra do diretor espanhol Luis Buñel, cuja obra ele admirava. O ator George Lazenby então interpretou Bond, mas este não agradou o público.


Daniel Pilon, a esquerda, em O Estranho Caminho de São Tiago

Connery ainda retornaria ao personagem em 007 - Os Diamantes São Eternos (Diamonds Are Forever, 1971), sendo depois substituído por Roger Moore. Antes de Moore aceitar o papel, ele foi novamente convidado para ser Bond, e novamente recusou.

Daniel Pilon nasceu em 13 de novembro de 1940, em Montreal, Quebec, no Canadá. Em 1968 ele participou de um concurso que iria eleger "O Homem Mais Bonito do Canadá", ficando entre os finalistas. Apesar de não vencer o pleito, chamou a atenção do diretor Giles Carle, que o chamou para estrelar, junto com seu irmão Donald Pilon, o filme Terna e Violada (Le Viol D'Une Jeune Fille Douce, 1968). Apesar de ser um ano mais novo, Donald interpretava seu irmão gêmeo.




No ano seguinte, o ator estreou no cinema norte-americano, interpretando um pequeno papel em Inferno no Deserto (Play Dirty, 1969), dirigido por André De Toth e estrelado por Michael Caine.

Nigel Davenport, Daniel Pilon e Harry Andrews em Inferno no Deserto

Foi então que surgiu o teste para o agente secreto 007, mas Pilon preferiu trocar o sucesso por um filme de arte. Após filmar com Buñel, voltou para o Canadá, e atuou em Red (1970), novamente com o diretor Giles Carle.

Com Geneviève Robert em Red

Ainda no seu país natal, atua em Après-Ski (1971), uma comédia de teor erótico, parecida com as "pornochanchadas" brasileiras. Em 1971 retornou à Europa, filmando Malpertuis (1971) na Bélgica, o filme tinha no elenco um já decadente Orson Welles.

Pilon e Susan Hampshire em Malpertuis

Depois retornou ao seu país, onde fez muitos filmes, alguns deles, novamente ao lado de seu irmão.

Daniel Pilon e Louise Laparé em Les Smattes (1972)

Em 1975 atuou em A Morte Segue Seus Passos (Brannigan, 1975), um dos últimos filmes do ator John Wayne. E atou com Robert Vaughn e Christopher Lee em Invasão Extra-Terrestres (Starship Invasion, 1977).

Com Lesley Ann- Dow em A Morte Segue Seus Passos

Na década de oitenta, dividiu sua carreira entre produções canadenses e norte-americanas. Passou também a atuar com frequência na televisão, em séries como Casal 20 (Harto to Hart) e na versão televisiva de Casablanca (Idem, 1983). Também atuou na novela Days of Our Lives, em 1992.

Entre 1984 e 1985 interpretou o vilão milionário Renaldo Marchetta, na série Dallas (Idem).

Em Dallas

Nos anos seguinte, sem muito sucesso, atuou em filmes de baixo orçamento, alguns destinados diretamente para o vídeo e distribuição doméstica. Embora tenha atuado em Mandando Bala (Shoot 'Em Up, 2007), ao lado de Clive Owen e Monica Bellucci.

Como o senador em Mandando Bala

Participou de obras como Scanners III - O Duelo Final (Scanners III: The Takeover, 1991), Marcados Pela Traição
(Suspicious Minds, 1997), Deixados Para Trás
(Left Behind,  2000), e Jogos Estratégicos
(Krach, 2010), que foi seu último trabalho
no cinema.

Daniel Pilon faleceu em 26 de junho de 2018.
 Sua morte foi divulgada nas redes sociais
pelo seu irmão Donald Pilon, que não
 divulgou a causa da morte, mas revelou
que o irmão já sofria de uma doença há
três anos. Ele tinha 77 anos de idade.

Daniel e Donald Pilon



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