Glenda Jackson, uma atriz de classe



Vencedora de dois Oscars, a talentosa atriz inglesa Glenda Jackson marcou sue nome na história do cinema. Posteriormente, ela deixou de atuar para ingressas no parlamento britânico.




Glenda May Jackson nasceu em Birkenhead, Cheshire, Inglaterra, em 09 de maio de 1936. Filha de uma faxineira e um pedreiro, Glenda Jackson cresceu em meio a classe operária inglesa, e muito cedo precisou trabalhar para ajudar nas despesas domésticas, atendendo no balcão de uma farmácia.

Glenda começou a atuar em um grupo amador na adolescência, e em 1954 ganhou uma bolsa de estudo da Royal Academy of Dramatic Art. Dois anos depois, ela estreou no cinema, como figurante no filme The Extra Day (1956), e no ano seguinte fez sua primeira peça profissional, dedicando-se aos palcos nos anos seguintes.

Ela voltou ao cinema, ainda como figurante, em O Pranto de Um Ídolo (This Sporting Life, 1963). Com uma carreira modesta no cinema, ela já era uma respeitada atriz de teatro, e em 1964 ingressou na Royal Shakespeare Company, onde trabalhou com o diretor Peter Brook.

E foi Brook quem lhe deu sua primeira grande chance no cinema, como Charlotte Corday, uma interna de um manicômio judicial que assassinou Jean-Paul Marat, no filme A Perseguição e o Assassinato de Jean-Paul Marat Desempenhados Pelos Loucos do Asilo de Charenton Sob a Direção do Marquês de Sade (Marat/Sade, 1967). Glenda já havia feito o mesmo papel no teatro, tendo também apresentado a produção em Paris e na Broadway.


Glenda Jackson em A Perseguição e o Assassinato de Jean-Paul Marat Desempenhados Pelos Loucos do Asilo de Charenton Sob a Direção do Marquês de Sade

Seu filme seguinte, Negatives (1968), não foi bem de bilheteria, mas rendeu a atriz muitas críticas positivas. Glenda também fez alguns trabalhos na televisão, até ser convidada pelo diretor Ken Russell para estrelar Mulheres Apaixonadas (Women in Love, 1969), baseada na obra de D. H. Lawrence.

Glenda recebeu o seu primeiro Oscar pelo filme, e tornou-se uma estrela internacional, embora não estivesse interessada em ser famosa (ela nem mesmo foi na cerimônia que a premiou).


Glenda Jackson e Alan Bates em Mulheres Apaixonadas


Novamente trabalhando com Ken Russell ela atuou em Delírio de Amor (The Music Lovers, 1971), um polêmico filme que mostrava o casamento do homossexual Tchaikovsky (Richard Chamberlain) e a ninfomaníaca Antonina Miliukova. Jackson também atuaria em Os Demônios (The Devils, 1971), mas acabou deixando o projeto porque não queria interpretar três personagens neuróticas na sequência.


Richard Chamberlain e Glenda Jackson em Delírio de Amor

Glenda Jackson então raspou a cabeça para interpretar a Rainha Elizabeth I na minissérie da BBC Elizabeth R (1977). A série passou na TV americana, e rendeu a Glenda dois prêmios Emmy por sua atuação. Ela repetiria o papel da rainha no filme Mary Stuart, Rainha da Escócia (Mary, Queen of Scots, 1971).


Glenda Jackson em Elizabeth R


Glenda Jackson e Vanessa Redgrave em Mary Stuart, Rainha da Escócia


Ainda em 1971 ela teve uma atuação brilhante em Domingo Maldito (Sunday Bloody Sunday, 1971), que lhe valeu uma nova indicação ao Oscar, e lhe deu um Bafta de de Melhor Atriz. 

Neste período, a atriz era uma das 10 estrelas campeões de bilheteria do cinema britânico.



Peter Finch, Murray Head e Glenda Jackson em Domingo Maldito


Ela ainda fez uma participação na comédia musical O 'Boyfriend' (O Namoradinho) (The Boy Friend, 1971), dirigida por Ken Russell e estrelada pela famosa modelo Twiggy.

A atriz também brilhou em Trágica Decisão (The Triple Echo, 1972) e foi a Lady Hamilton em Legado de Um Herói (Bequest to the Nation, 1973).

Em 1974 a atriz estrelou Um Toque de Classe (A Touch of Class, 1974), ao lado de George Segal, que lhe rendeu seu segundo Oscar. Novamente a atriz não compareceu na cerimônia.

Um Toque de Classe lhe rendeu também um Globo de Ouro e uma nova indicação ao Bafta.


Glenda Jackson e George Segal em Um Toque de Classe


Com muitos convites para ir para Hollywood, ela preferiu atuar no modesto filme italiano Il Sorriso del Grande Tentatore (1974). De volta à Inglaterra, fez As Criadas (The Maids, 1975) e A Inglesa Romântica (The Romantic Englishswoman, 1975).


Glenda Jackson e Michael Caine em A Inglesa Romântica


Glenda Jackson também voltou ao teatro, fazendo a peça Hedda Gabler, de Ibsen. Posteriormente, a peça foi leva para o cinema, dirigida por Trevor Nunn, e Hedda (Idem, 1975), lhe deu sua quarta indicação ao Oscar.

Ela então viveu a lendária atriz Sarah Bernhardt em A Incrível Sarah (The Incredible Sarah, 1976), e ainda atuou em Nasty Habits (1977), ao lado das atrizes Melina Mercouri, Sandy Dennis e Geraldine Page. Nasty Habits era uma uma comédia, co-produzida entre os Estados Unidos e a Inglaterra, mas não foi bem sucedida nas bilheterias, apesar do elenco de peso.




Glenda Jackson, Melina Mercouri e Geraldine Page em Nasty Habits


Em 1978 Glenda se rendeu a Hollywood, e fez a comédia Um Viúvo Trapalhão (House Calls, 1978), com Walther Matthau. Foi um grande sucesso de bilheteria, e a dupla Jackson e Matthau voltou a contracenar em O Espião Trabalhão (Hopscotch, 1980), que também fez sucesso.


Glenda Jackson e Walther Matthau em Um Viúvo Trapalhão



Versátil, ela fez algumas comédias também, mostrando que também sabia fazer rir. Glenda Jackson ainda atuou em O Destino de Stevie (Stevie, 1978), Os Alunos da Sra. McMichael (The Class of Miss MacMichael, 1979), Um Toque de Humor (Lost and Found, 1979) e Política do Corpo e Saúde (HealtH, 1980), de Robert Altman.



Carol Burnett, Lauren Bacall, Glenda Jackson e Robert Altman nos bastidores de Política do Corpo e Saúde


Glenda Jackson no Muppet Show



Em 1981 ela recebeu uma nova indicação ao Emmy por seu trabalho no telefilme A História de Patricia Neal (The Patricia Neal Story, 1981), sobre a vida da famosa atriz Patricia Neal. Nos anos seguintes, diminuiu sua atuação no cinema, aparecendo em menos filmes.

Glenda Jackson ainda atuou em O Retorno do Soldado (The Return of the Soldier, 1982), Giro City - A Verdade Proibida (Giro City, 1982) e Além da Terapia (Beyond Therapy, 1987). Ela também retornou aos palcos, e foi indicada a um prêmio Tony em 1985 por seu trabalho na Broadway, e foi muito ativa no teatro até o começo da década de 1990.


Nas telas, ainda fez Pelos Nossos Direitos (Business as Usual, 1988), A Última Dança de Salomé (Salome's Last Dance, 1988), O Despertar de Uma Mulher Apaixonada (The Rainbow, 1989), O Filho da Tempestade (King of the Wind, 1990) e também atuou em alguns filmes feitos para a televisão, como A Casa de Bernarda Alba (The House of Bernarda Alba, 1991) e The Secret Life of Arnold Bax (1992), que era dirigido e estrelado pelo diretor Ken Russell.

Após atuar em The Secret Life of Arnold Bax ela afastou-se da carreira artística.



Ken Russell e Glenda Jackson em  The Secret Life of Arnold Bax


Aposentada da atuação, Glenda Jackson concorreu à eleição para a Câmara dos Comuns, em 1992. Ela se elegeu deputada pelo Partido Trabalhista para tentar conter a onda conservadora que tomava conta do governo inglês.

Em 1996 Glenda foi nomeada ministra dos transportes no governo do primeiro-ministro Tony Blair, mas renunciou ao cargo em 1999, para concorrer a prefeitura de Londres, mas não conseguiu se eleger.

Em 2005 ela voltou ao congresso inglês, como uma das deputadas mais votadas do país. Posteriormente, ela tornou-se uma opositora da política de Blair. E entre 2010 e 2015 presidiu o parlamento.


Glenda Jackson no Parlamento


Em 2015 ela deixou a política, e voltou a atuar. Inicialmente no rádio, e depois nos palcos, onde voltou a ser premiada. Aos 82 anos ela voltou à Broadway, atuando em Theree Tall Women, que lhe deu um prêmio Tony de Melhor Atriz em 2018.

E após 27 anos longe das telas, ela atuou em Elizabeth Is Missing (2019), que lhe rendeu um Emmy e um prêmio Bafta. Depois, ainda fez o filme Mothering Sunday (2021).





Glenda Jackson em Mothering Sunday


Glenda Jackson foi casada do Roy Hodges (entre 1958 e 1976), com quem teve um filho, Dan Hodges (nascido em 1969), que é comentarista político.


Glenda Jackson atualmente





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