Cantora e atriz Dulce Nunes, interprete de Pobre Menina Rica, morre vítima do Covid-19

Vinícius de Morais, Millor Fernandes, Carlos Drummond de Andrade e Dulce Nunes

A cantora, atriz e compositora carioca Dulce Nunes, uma musa esquecida da Bossa Nova, faleceu no dia 04 de junho, vítima da pandemia mundial do Coronavírus (Covid-19), aos 91 anos de idade. Na década de 50, atuou no cinema brasileiro com seu nome de solteira, Dulce Bressane.


Dulce Pinto Bressane nasceu no Rio de Janeiro em 11 de junho de 1929. Quando era estudante de arquitetura, na década de 1950, começo a fazer trabalhos fotográficos como modelo, usando o nome de Dulce Bressane, e trabalhou nas campanhas dos cigarros Hollywood e dos tecidos da fábrica Braspérola. Logo em seguida, foi convidada para fazer cinema, atuando em A Mulher de Longe (1949), Estrela da Manhã (1950), e no italiano O noivo da minha mulher (1950), com Orlando Vilar. Também atuou em A princesa de Joinville, mas este filme não foi finalizado.

Em 1956 ela se casou com o pianista Benê Nunes, passando a adotar o sobrenome do marido. Com este novo nome artístico, ainda atuou em El ABC do Amor (1967), produção brasileira realizada na Argentina.


Dulce Bressane, Paulo Gracindo e Dorival Caymmi em Estrela da Manhã (1950)

Dulce e Benê Nunes

Em 1963 ela foi escolhida por Antonio Carlos Jobim (que preteriu Elis Regina), para estrelar o espetáculo Pobre Menina Rica, de Carlos Lyra. Ela então deu início a uma carreira da cantora, com o nome de Dulce Nunes.


Dulce gravou dois álbuns pela gravadora Forma, Dulce e Samba do escritor, editados em 1965 e em 1968, respectivamente. Entre um disco e outro, a cantora participou do antológico álbum Os afro-sambas de Baden e Vinicius (1966) com o canto de Tristeza e solidão (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966).

Embora o musical tenha estreado em 1963 na boate carioca Au bon gourmet, com arranjos de Radamés Gnattali (1906 – 1988), esse repertório chegou ao disco somente em 1964 com a edição do LP com a trilha sonora de Pobre menina rica. Além da música-título Pobre menina rica, Dulce Nunes deu voz no disco à Canção do amor que chegou e dividiu com Lyra a interpretação de Valsa dueto.
No primeiro álbum solo, Dulce, gravado pela cantora em 1965 com arranjos orquestrais do maestro Guerra-Peixe (1914 – 1993) e o toque do violão de Baden Powell (1937 – 2000) em produção musical capitaneada por Roberto Quartin (1943 – 2004), Nunes registrou em tom de câmara um classudo repertório dominado por composições de Baden, Jobim e Vinicius.
No segundo e último álbum solo de Dulce Nunes, Samba do escritor, disco em que a cantora se apresentou como compositora ao musicar textos de escritores brasileiros em diversos ritmos, um dos arranjadores foi o pianista Egberto Gismonti, com quem a cantora sedimentou, a partir dos anos 1970, parceria na vida que se estendeu para a música. Ou vice-versa.

Desde então, Dulce Nunes atuou basicamente como cantora (convidada) de discos de Egberto, de quem se tornaria produtora e sócia no gerenciamento do selo Carmo e da empresa Carmo Produções Artísticas.
Tendo atuado também como decoradora por muito tempo, Dulce Nunes sai de cena associada à música dos anos 1960, década em que exercitou com certa assiduidade a bela e cool voz de soprano.

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