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Os 90 anos da elegante Jacqueline Laurence, uma dama francesa nas artes brasileiras


Com uma extensa carreira, Jacqueline Laurence emprestou seu talento e sofisticação para diversos filmes, novelas e peças de teatro. A premiada atriz e diretora geralmente é escalada para interpretar mulheres refinadas, muitas vezes de origem francesa, o seu país natal.



Jacqueline Juliette Laurence é francesa, nascida em Marselha, em 10 de outubro de 1932. Ela mudou-se para o Brasil ainda adolescente, acompanhando o pai, o jornalista Albert Laurence, que foi editor chefe de esportes do jornal Última Hora.

Jacqueline é irmã do também jornalista esportivo Michel Laurence (1938-2014), e também de Bruno e Gerald Laurence, jornalistas que trabalharam para o Grupo Globo.


Michel Laurence

Jacqueline integrou a primeira turma da Fundação Brasileira de Teatro (FTB), entre 1955 e 1957. A escola pertencia a Dulcina de Morais, e tinha professores como Adolfo Celi, Henriette Morineau, Gianni Ratto, Maria Clara Machado, Zimbinksi e a própria Dulcina.

Ao deixar o curso, continuou sua formação no Tablado, atuando em diversas montagens do teatro-escola de Maria Claro Machado.


Germano Filho, Ivan de Albuquerque e Jacqueline Laurence em O Jubileu (1958)


Isabel Ribeiro, Jacqueline Laurence e Shulamith Yaari, em 1964


Já consagrada nos palcos, a atriz ingressou no grupo A Comunidade, de Amir Haddad, onde destacou-se na peça O Marido Vai à Caça (1971), de Georges Feydeau. Jacqueline Laurence contracenava com Fernanda Montenegro, e foi premiada como a melhor atriz coadjuvante do ano.


Jacqueline Laurence e Fernanda Montenegro em O Marido Vai à Caça


Em 1982, recebeu o Troféu Mambembe como Melhor Atriz por dois trabalhos: Madame de Sade, de Yukio Mishima, e As Criadas, de Jean Genet. Em 1984, passou a atuar também como diretora, assinando espetáculos estrelados por Fernanda Montenegro e Miguel Falabella, entre outros. Ainda na década de 1980 se envolveu com o chamado teatro besteirol, que invade a cena carioca. E em 1985 foi consagrada com o Troféu Moliére por seu desempenho em Tupã, a Vingança.


Paulo Gracindo, Jacqueline Laurence e Pietro Mario em Gata em Telhado de Zinco Quente (1976-1977)


Jacqueline estreou na televisão na década de 1960, atuando em alguns teleteatros da TV Tupi. Ela ingressaria nas novelas somente uma década depois, quando atuou na novela Uma Rosa Com Amor (1972).

Seis anos depois, fez sua segunda novela, Dancin' Days (1978) interpretando Solange, a dona da companhia responsável por transformar Julia (Sônia Braga) em uma mulher sofisticada.


Jacqueline Laurence e Sônia Braga em Dancin' Days


Jaqueline Laurence e Gracinda Freire em Dancin' Days

Jacqueline havia estreado no cinema no filme O Mundo Alegre de Helô (1967). Na década de 1970, também fez outros filmes, atuando em Parafernália, o Dia da Caça (1970), Gente Fina é Outra Coisa (1977), A Batalha dos Guararapes (1978) e Nos Embalos de Ipanema (1978).


Jacqueline Laurence em Os Embalos de Ipanema


Na década de 1980 Jacqueline atuou em diversas novelas, geralmente interpretando grã-finas ou governantas refinadas. Na Globo, ela atuou em Água Viva (1980), As Três Marias (1980), Sétimo Sentido (1982) e Guerra dos Sexos (1983).

Mas apesar de interpretar mulheres sofisticadas, a atriz desenvolveu uma veia cômica, o que também marcou sua carreira, principalmente na televisão.


Jacqueline Laurence e Cláudio Correa e Castro em As Três Marias


Jacqueline Laurence em Guerra dos Sexos


Em 1984 ela deixou a Globo, indo atuar na Manchete, onde participou de Marquesa de Santos (1984), Antônio Maria (1985), Tudo em Cima (1985) e Dona Beija (1986).


Jacqueline Laurence com o elenco do remake de Antônio Maria, na Manchete


De volta a Globo, atuou em Cambalacho (1986), Bambolê (1987) e Top Model (1989), onde viveu Simone Bourier, uma das muitas francesas que ela interpretou.

Nesta época, também fez os filmes Menino do Rio (1982) e Natal da Portela (1988).


Jacqueline Laurence e Suzana Faini em Top Model


Jacqueline Laurence em Menino do Rio


Após uma breve passagem pelo SBT, onde atuou em Brasileiras e Brasileiros (1990), Jacqueline Laurence voltou para a Globo, onde fez O Dono do Mundo (1991). Ela ainda atuaria em Incidente em Antares (1994), e depois atuaria na novela Salsa e Merengue (1996), a primeira de muitas produções escritas por Miguel Falabella na qual ela trabalhou.

Jacqueline e Miguel Falabella são grandes amigos, desde os tempos do teatro.


Jorge Pontual, Daniela Perez e Jacqueline Laurence em O Dono do Mundo


Jacqueline Laurence em Salsa e Merengue


Miguel Falabella e Jacqueline Laurence


Ela também atuou em As Filhas da Mãe (2001), Senhora do Destino (2004), Da Cor do Pecado (2004), A Lua Me Disse (2005), Cobras & Lagartos (2006), Desejo Proibido (2007) e fez participações em Toma Lá, Dá Cá (2007), também de Miguel Falabella.


Bete Coelho, Andrea Beltrão e Jacqueline Laurence em As Filhas da Mãe


Em 2008 a atriz fez a novela Água na Boca, na TV Bandeirantes. Depois, assinou contrato com a TV Record, onde assumiu o importante papel de Madame Eleonora Durrel, uma das protagonistas de Ribeirão do Tempo (2010).


Jacqueline Laurence em Ribeirão do Tempo


Mas ela ficou pouco tempo no canal, pois foi chamada por Falabella para trabalhar em sua nova novela, Aquele Beijo (2011). A atriz ainda atuaria em Babilônia (2015) e em Salve-se Quem Puder (2020).


Jacqueline Laurence em Babilônia


Jaqueline Laurence também esteve no elenco dos filmes Sonho de Verão (1990), Estação Aurora (1991), Veja Esta Canção (1994), Dente por Dente (1994), Butterfly (1995), Polaróides Urbanas (2008) e Jovens Polacas (2020), que lhe rendeu uma indicação ao prêmio de Melhor Atriz no Festival Sesc de Melhores Filmes.


Jacqueline Laurence em Jovens Polacas



E em 2022 dirigiu a peça O Doente Imaginário, de Moliére.



Jacqueline Laurence e Luciana Braga, em 2022


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