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Karamanduka, o falso filho de Cantinflas que enganou o Brasil

Cantinflas, de chapéu, e Karamnduka


Mario Moreno, o Cantinflas, foi um dos comediantes mais famosos do mundo. Astro do cinema mexicano, ele conquistou Hollywood (e o mundo), com seu talento e graça. Na década de 1960 ele era um dos nomes mais famosos do cinema, sendo reconhecido internacionalmente.

Ele chegou a vir ao Brasil em 1961, brevemente, de passagem por aqui rumo a um festival de cinema na Argentina. E em 1964 o público brasileiro conheceu  o jovem comediante Karkamanduka, "o filho do Cantinflas".

A notícia foi amplamente noticiada e comemorada, e diversas portas se abriram para o rapaz, que também era artista, como o pai, e havia atuado em três filmes de seu progenitor. Jovem, com apenas 18 anos de idade (outros jornais diziam 19), especulava-se que ele havia fugido de casa para se aventurar no Brasil.




Alberto Moreno, de nome artístico Karamanduka, foi "descoberto" no Rio de Janeiro pelo apresentador e radialista William Duba. Cantinflas Jr. viu Duba saindo de uma exibição de um filme do astro mexicano na Cinelândia carioca, e se apresentou como filho do ator.

Duba então o levou para a TV Continental, onde ele se apresentou cantando, dublado e imitando os trejeitos do pai. Logo o rapaz tornou-se a sensação do Rio de Janeiro, sendo aclamado pela crítica, que dizia que ele era uma cópia perfeita de Cantinflas, inclusive ressaltando sua semelhança fisica com o pai. Cantinflas Junior, como era chamado, foi contratado para cantar na elegante boate Fred's, no Copacabana Palace e no Teatro Municipal.




Mas quando pediram seu passaporte, para assinatura de contratos, sua história mudou um pouco. Ele se chamava Alberto Moreno Montroy Laos, e era nascido no Peru. O ator logo explicou que na verdade era filho adotivo de Cantiflas, que o teria adotado após uma turnê em seu país natal, e declarou que tinha ainda outros dois irmãos adotivos.



Mesmo com a alteração da biografia, Karamanduka recebeu uma oferta para se apresentar na TV Tupi de São Paulo, e mudou-se para a capital paulista. Ele cantou diversas vezes na Tupi, além de se apresentar no Cine Coliseu, antes de sessões de filmes estrelados por "seu pai". Também se apresentou em diversas casas noturnas da cidade, e foi contratado pelo comediante Gibe, passando a atuar no espetáculo de revista Só Porque Você Qué, que tinha Marly Marlei como a principal vedete.

Em São Paulo, também se apresentou na TV Cultura.




Em São Paulo, Karamanduka teve um breve romance com a vedete Elvira Pagã, indo morar em seu apartamento. Depois, ficou noivo da cantora Martha Mendonça.


O "filho de Cantinflas" e Elvira Pagã


Em agosto de 1964 ele foi contratado pela gravadora Chantecler, onde gravou diversas canções para um disco, que não chegou a ser lançado, porque pouco tempo depois, ele foi acusado de roubar hóspedes do hotel onde estava morando.

O artista então anunciou que estava voltando para o México, para cuidar de seu pai, que estava doente. Antes disto, ele havia dito que Cantinflas se encontraria com ele no Brasil, assim que terminasse de gravar um filme que estava rodando na Espanha.

Mas após deixar São Paulo, supostamente para voltar ao México, ele ainda se apresentou em Belo Horizonte e em Recife, onde foi recebido pelo governador Paulo Guerra, com quem discutiu sobre uma doação para a criação de uma fundação para tratar crianças com problemas cardíacos, que seria construída por seu pai em diversos países da América Latina, tendo hospitais inclusive no Brasil.

Ao deixar o Brasil no final de agosto de 1964, ainda declarou que voltava para o seu país natal para dar inicio a um filme mexicano, do qual também tomariam parte Grande Otelo, William Duba e Anilza Leoni

A Chantecler nunca lançou seu disco, e destruiu as gravações originais.



O filme, chamado Anjos da Rua, claro, nunca foi feito, assim como os três outros filmes que ele alegava ter trabalhado. E tão pouco Cantiflas tinha feito um filme na Espanha na período. Alberto Moreno não tinha nenhum parentesco com Cantinflas, apesar de terem o mesmo sobrenome.

Ele era um imitador do artista, que já havia passado por países como Chile, Bolívia e Argentina fazendo paródias do cômico famoso, e inventou esta história engrandecendo sua biografia, para conseguir melhores trabalhos. Em tempos sem internet, isto era algo muito comum no meio artístico. 

Cantinflas nunca teve filhos, por que era estéril, mas havia adotado uma criança junto com sua esposa, porém a adoção de um bebê, chamado Mario Arturo Moreno, só ocorreu em 1960, muitos anos depois no nascimento de Karamanduka.

E foi o próprio Cantinflas, ao saber do sucesso do farsante no Brasil, que desmascarou-o por aqui.

Karamanduka voltou ao Brasil em 1965, e novamente mudou sua versão da história. Ele admitiu que não tinha parentesco com o ator, mas afirmou que havia conhecido o mesmo quando se apresentava em uma boate em Porto Rico, e que o astro mexicano teria gostado tanto dele que disse "você é como um filho para mim", e por isto assim se apresentava.

Mas desta vez a história não colou, e o falso filho de Cantinflas não conseguiu novos contratos. Depois, desapareceu da mídia brasileira.




Em 1969, usando o nome de Pepe Moreno, ou  Cantinflitas, ele chegou a gravar alguns discos, em seu país natal. Mas não encontrei nenhuma outra referência a ele depois disto.



Cantinflas, o verdadeiro, morreu em 1993, aos 81 anos de idade, e Mario Arturo Moreno, seu filho de verdade, morreu em 2017, aos 57 anos.


Cantinflas e Mario Arturo Moreno


Veja também: Tributo a Cary Grant



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