Lloyd Bridges, o astro de Aventura Submarina se reinventou no humor


Com uma carreira de mais de 60 anos, e 150 filmes, o ator Lloyd Bridges viveu várias fases em frente as câmeras: de figurante; galã de westerns b; perseguido pelo Machartismo, astro da série Aventura Submarina (Sea Hunt, 1958-1961) e  rei do humor, já maduro.

Lloyd Bridges também é pai dos atoes Beau e Jeff Bridges.


Lloyd Vernet Bridges Jr. nasceu em San Leandro, Califórnia, em 15 de janeiro de 1913. Seu pai era proprietário de um cinema, e desde pequeno Lloyd Bridges ficava encantando com os filmes.

Em 1936 ele estreou no cinema na Warner, trabalhando no filme Amor de Calouro (Freshman Love, 1936), na Warner. Lloyd era apenas um figurante, e após fazer figuração em mais um filme, voltou-se para o teatro, onde teve melhores oportunidades.

Foi trabalhando na Broadway também que ele conheceu a atriz Dorothy Simpson (depois Dorothy Bridges), com se casou em 1938. Dorothy é mãe de seus quatro filhos, incluindo os atores Beau e Jeff Bridges. O casal permaneceu junto até a morte do ator, em 1998.

Dorothy Simpson, Lloy Bridges e os filhos Beau e Jeff Bridges

Em 1940 o ator retornou ao cinema, quando foi contratado pela Columbia. Mas continuava como figurante, os bons papéis iam para Glenn Ford ou William Holden, os astros do estúdio. Lloyd chegava a fazer quatro ou cinco filmes por semana, e até apareceu em um curta dos Três Patetas, Enfrentando o Inimigo (They Stooge to Conga, 1943).

Lloyd Bridges em Os Três Patetas

Na Columbia, ele basicamente fez pequenas pontas não creditadas, e quando teve algum papel de maior destaque era em produções de baixo orçamento, que nem mesmo o estúdio fazia questão de divulgar, como Não te Fie nas Mulheres (Two Latins From Manhttan, 1941).

Lloyd Bridges como um piloto em Que Espere o Céu (Here Comes Mr. Jordan, 1941)

Durante a Segunda Guerra Mundial ele pediu o afastamento da Columbia para se alistar, servindo na Guarda Costeira. Algum tempo mais tarde, seu personagem em Aventura Submarina foi retratado como membro da Guarda Costeira.

Ao deixar o exército, sua carreira de ator começou a melhorar. Na Universal, atuou na série Agente Secreto X-9 (Secret Agent X-9, 1945), em um papel de destaque. Na Universal, ainda fez Estranha Revelação (Strange Confession, 1945).

Lloyd Bridges e Jan Wiley em Agente Secreto X-9

Bridges atuou sem contrato em filmes independentes como Um Passeio ao Sol (A Walk in the Sun, 1945) e Rua dos Conflitos (Abilene Town, 1946). Em estúdios maiores, apareceu em A Vida é Uma Só (Miss Susie Slagle's, 1946), na Paramount, e fez um pequeno papel em Os Inconquistáveis (Unconquered, 1947), de Cecil B. DeMille 

Na Republic fez alguns papéis principais em filmes como Investigador Secreto (Secret Service Investigator, 1948) e Esconderijo (Hideout, 1949). 


Os papéis começavam a melhorar, mas sempre em estúdios pequenos. O ator chegou a fazer um filme na MGM, mas era um curta metragem. Lloyd trabalhava muito, as vezes como astro em filmes de aventura de baixo orçamento como Da Terra à Lua (Rocketship X-M, 1950), as vezes como coadjuvante em produções melhores como Justiça Injusta (The Sound of Fury, 1950).


Mas sua carreira foi afetada quando em 1950 Lloyd Bridges foi colocado na lista negra do Machartismo. Liderado pelo senador Charles Macharty, o movimento baniu diversos atores e profissionais cinematográficos da indústria do entretenimento, por supostas ligações comunistas.

Bridges era membro de um sindicato de atores teatrais, e por isto foi considerado subversivo. Mas o ator fez um acordo com as autoridades do comitê, e aceitou delatar outros colegas. Como prêmio, voltou a atuar, e ganhou papéis melhores, como um xerife no clássico Matar ou Morrer (High Noon, 1952), ou o Noah Curry de Lágrimas do Céu (The Rainmaker, 1956).

Lloyd Bridges, Katy Jurado, Gary Cooper e Grace Kelly em Matar ou Morrer

Katharine Hepburn e Lloyd Bridges em Lágrimas do Céu

Em 1958 interpretou um esportista inspirado em Joe di Maggio em A Deusa (The Goddess, 1958). Com roteiro de Paddy Chayefsky, o filme era inspirado na vida de Marilyn Monroe, e tinha Kim Stanley como estrela feminina.

Kim Stanley e Lloyd Bridges em A Deusa

E embora tenha feito muitos filmes na década de 1950, e também tendo feito bons trabalhos na Broadway (que lhe valeu até uma indicação ao Tony), foi na televisão que ele conseguiu seus melhores trabalhos.

Em 1958 ele ganhou o papel do mergulhador Mike Nelson na série Aventura Submarina (Sea Hunt, 1958-1961), que fez muito sucesso. Seu filho Jeff Bridges estreou como ator neste programa. No Brasil o programa estreou na TV Tupi, sendo exibido depois em outras emissoras, e também conquistou o público por aqui.



Com o fim de Aventura Submarina Lloyd protagonizou o The Lloyd Bridges Show (1962-1963), que era produzida por Aaron Spelling. Seus filhos Beau e Jeff também fizeram aparições. Na TV, ainda protagonizou The Loner (1965-1968).

No cinema, esteve em Fortaleza do Inferno (Attack on the Iron Coast, 1968) e Tempo Para Amar, Tempo Para Esquecer (The Happy Ending, 1969). Também interpretou mergulhadores em dois filmes, A Volta ao Mundo Sob o Mar (Around the World Under the Sea, 1966) e Aventura Submarina (Daring Game, 1968), que apesar do título em português, não tinha nenhuma relação com sua antiga série de televisão.


Na década de 1970 continuou bastante ativo na televisão, atuando em séries e telefilmes. No cinema, destacou-se como o Aramis em O Quinto Mosqueteiro (The Fifth Musketeer, 1979). Seu filho Beau Bridges interpretava o Rei Luís XV.

Beau e Lloyd Bridges em O Quinto Mosqueteiro


Em 1980 Lloyd Bridges deu um rumo completamente diferente em sua carreira, tornando-se um dos ícones do humor das décadas seguintes, assim como aconteceu com Leslie Nielsen, antigo galã secundário da década de 1950.

Bridges e Nielsen fizeram parte do elenco da comédia Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (Airplane!, 1980), uma paródia dos filmes de catástrofes com aviões que haviam feito sucesso algum tempo antes. Eles já haviam trabalhado juntos em 1965, em um episódio da série The Loner.

Lloyd Bridges em Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu

Leslie Nielsen e Lloyd Bridges em 1965

O ator até então nunca tinha feito comédias em sua longa carreira, com exceção de uma participação na série Here Lucy, em 1972.

Lloyd Bridges e Lucille Ball em Here Lucy

Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu fez um tremendo sucesso, e ganhou uma sequência dois anos depois, e abriu as portas para Lloyd Bridges, o comediante. O ator então fez Loucademia de Pilotos (Weekend Warriors, 1986), atuou com o filho Beau em Dupla Selvagem (The Wilkd Pair, 1987) e participou de Joe Contra o Vulcão (Joe Versus Volcano, 1990).

Em 1991 atuou em outra comédia muito bem sucedida, Top Gang! Ases Muito Loucos (Hot Shots!, 1991), que também ganhou uma sequência, em 1993.



O ator ainda faria atuou em Um Toque de Infidelidade (Cousins, 1989), Querida, Estiquei o Bebê (Honey, I Blew Up The Kid, 1992) e Tucker: Um Homem e Seu Sonho (Tucker: The Man and His Dream, 1987) e Contagem Regressiva (Blow Away, 1994), ao lado do filho Jeff Bridges. Também continuou trabalhando em séries, como Seinfeld e foi o Papai Noel no telefilme Procura-se Um Papai Noel (In the Nick of Time, 1991).

Lloyd Bridges em Seinfeld

Em 1998 Lloyd Bridges estrelou a comédia Máfia! (Jane Austen's Mafia!, 1998), um paraódia de O Poderoso Chefão, e que foi o último filme que ele ele viu ser lançado nos cinemas. Em 10 de março de 1998 o ator faleceu em sua casa, de causas naturais, aos 85 anos de idade.

Lloyd Bridges em Máfia!

Seu último filme, Meeting Daddy (2000), foi lançado dois anos após a sua morte.

Jeff, Lloyd e Beau Bridges

Lloyd Bridges e o pequeno Jeff (sim o ator está a cara de Sean Penn nesta foto)

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