Virginia Lane, ou melhor, o Coelhinho Teco-Teco, a primeira apresentadora infantil da TV Brasileira


Virginia Lane (1920-2014) foi a mais famosa vedete brasileira, sendo chamada de "A Vedete do Brasil", embora já fosse cantora antes de estrear no Teatro de Revistas, na peça Um Milhão de Mulheres (1947), ao lado de Salomé Parísio.

Quem não lembra de Virginia cantando o clássico Sassaricando? Mas sabia que Virginia Lane foi também a primeira apresentadora de programas infantis da televisão brasileira?


Inaugurada em 1950, a TV Tupi foi a primeira emissora de TV do Brasil. Ainda em 1950 estreou o primeiro programa infantil, O Clube Papai Noel, apresentado por Homero Silva. Depois chamado de Clube do Guri, o programa teve versões em diversos estados, e revelou talentos como Sonia Delfino e Elis Regina.


Mas em 1955, Virginia Lane, que já era um estrela das revistas, passou a apresentar o programa O Coelhinho Teco-Teco Conta Histórias Para Você, criado e dirigido por Rubens Monteiro. Isto na década de 50, muitos anos antes das apresentadoras sensualizadas  da década de 80, que tem em Xuxa sua maior expoente.


Virginia, vestida com um maio estilizado como uma roupa de coelho, apresentava o programa, onde vivia o Coelhinho Teco-Teco, e contava historinhas infantis. Como a televisão era ao vivo, não havia possibilidade de gravar os programas (e por isto eles não sobreviveram ao tempo). Também não era possível exibi-lo em rede nacional, e então a artista apresentava o programa na Tupi de São Paulo as segundas-feiras (as 19:00) horas, e na Tupi do Rio as terças-feiras (as 18:30). Os dias de folga dos teatros, na época.

As terças ela também apresentava, no Rio, o programa Espetáculos Tonelux, que havia estreado em 1954. O programa, agora para adultos, era uma espécie de Teatro de Revistas, na Televisão. 


Virginia Lane sempre começava o programa saindo de dentro de uma árvore, onde Teco-Teco morava. O programa tinha meia-hora de duração, onde ela cantava e contava historinhas infantis para uma platéia de crianças, cujos os pais faziam questão de levar seus filhos ao espetáculo.


A artista passou a ser também muito popular com as crianças. Patrocinado pelas Casas Valentim, muitas crianças o chamavam de O Coelhinho Valentim. O programa era tão famoso, que rendeu até imitações da comediante Nádia Maria, nos programas humorísticos.










Mas o programa, apesar da boa audiência, não teve longa duração. Confirmado para continuar em 1956, ele acabou saindo do ar, após um acidente de filmagens.

Em um dos programas, ao vivo, a alça do maio de Virginia arrebentou, deixando a mostra, brevemente, parte de seu seio. Foi um assombro, como diziam os versos de Sassaricando. Mães revoltadas escreveram e telefonaram até a Tupi cancelar o programa.

Com o fim do programa, Virginia Lane ainda gravou um disco contando histórinhas, chamado O Coelinho (Teco-Teco era propriedade da Tupi), lançado em 1956. O disco foi relançado outras duas vezes (1978, 1985), desta vez só usando a voz da artista, sem estampar sua foto na capa como no original. E em 1957 ela fez uma revista infantil, para crianças, no Teatro Follies, onde novamente vestia a roupa do famoso coelhinho.





Os programas da Tupi infelizmente não existem mais, mas é possível ouvir a gravação dos discos, e apreciar Virginia Lane contado histórias infantis.

Virginia Lane faleceu em Volta Redonda, em 10 de fevereiro de 2014, aos 93 anos de idade.



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Coadjuvantes que Amamos: Carlos Kurt


Na década de 80, o programa humorístico Os Trapalhões fazia muito sucesso. E além do quarteto amalucado formado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, muitos coadjuvantes também alegravam o público fã das esquetes do programa. Entre eles Ted Boy Marino, Terezinha Elisa, Roberto Guilherme (o Sargento Pincel) e Carlos Kurt, o alemão mal humorado, alto (medindo 1,97), com voz grossa e olhos esbugalhados.


José Carlos Kunstat, mais conhecido como Carlos Kurt, nasceu no Rio de Janeiro em 10 de fevereiro de 1933. Antes de se tornar ator, Kurt trabalhou para a CEDAE, Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. Depois, ingressou no rádio, como técnico.

Na rádio, começou a fazer pequenos papéis no rádio teatro. Do microfone migrou para os palcos teatrais, antes de estrear no cinema. Em 1966 um personagem de Carlos Kurt no espetáculo Cocó My Darling, estrelado por Dercy Gonçalves, foi censurado. Segundo o censor, o figurino do ator apresentava as cores da bandeira do Peru, o que já foi suficiente para sofrer repressão estatal.

Carlos Kurt, no teatro de revista

Em 1967 ele estreou na TV Excelsior, onde fazia diversos personagens, geralmente nos programas humorísticos. Sua estréia no cinema, entretanto, ocorreu no filme O Carrasco Está Entre Nós (1968), um drama sobre nazistas escondidos no Brasil. Seu filme seguinte, 2000 Anos de Confusão (1969), era uma comédia, estrelada por Agildo Ribeiro.

Em 1970 Kurt era um dos atores do programa infantil Psulino, um boneco de fantoche levado ao ar pela TV Tupi, para tentar concorrer com o Ratinho Topogigio. No elenco de Psulino também estava a atriz Terezinha Elisa, que mais tarde seria sua colega em Os Trapalhões.

No cinema ainda atuou nas comédias Tô na Tua, Ô Bicho (1971) e Costinha, O Rei da Selva (1975) antes de aparecer em Simbad, o Marujo Trapalhão (1976), o primeiro filme dos Trapalhões no qual ele atuou.

Simbad, O Marujo Trapalhão

Em 1978 ele ingressou no elenco do programa Os Trapalhões, onde fez os mais diversos papéis de antagonista, até 1992. Na Globo ainda atuou nas novelas Champagne (1983) e Que Rei Sou Eu? (1989).

No cinema fez 27 filmes, muitos deles com Os Trapalhões, incluindo clássicos como O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), Os Saltimbancos Trapalhões (1981) e A Filha dos Trapalhões (1984). Mas também atuou em outros filmes como Sexo e Sangue (1979) e O Inseto do Amor (1980).

Também atuou em duas produções internacionais, rodadas no Brasil. Em 1979 fez uma participação em 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, 1979), estrelada por Roger Moore. E também atuou em Eu, Você, Ele e os Outros (Non C'è Due Senza Quatrro, 1984), estrelado por Bud Spencer e Terence Hill.

Veja Carlos Kurt em 007 Contra o Foguete da Morte

Bud Spencer e Carlos Kurt Eu, Você, Ele e os Outros

Na década de 90 foi diagnosticado com Alzheimer, ficando impossibilitado de trabalhar. Em 1996 passou a residir no Retiro dos Artistas, junto com sua esposa. Em 04 de março de 2003, ele faleceu após sofrer uma parada cardíaca, aos 70 anos de idade.




Leia também: Relembrando Bud Spencer. 

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Ben Cooper, de Johnny Guitar, morre aos 86 anos


O ator Ben Cooper, que atuou em diversos westerns, incluindo o clássico Johnny Guitar (1954), faleceu no dia 24 de fevereiro, aos 86 anos de idade.


Benjamin Austin Cooper Jr. nasceu em 30 de setembro de 1933, em Hartford, Connecticut. Ele estreou como ator aos nove anos de idade, atuando em Life With Father (1939), na Broadway.

Entre a infância e adolescência, atuou em diversos programas radiofônicos, mas só iria aparecer no cinema aos dezessete anos, quando atuou em Pecado Sem Mácula (Side Street, 1950), onde tinha um pequeno papel, não creditado.

Após sua estréia no cinema, fez muitos trabalhos na televisão, retornando a tela grade apenas em Grito de Sangue (Thunderbirds, 1952). Contratado pela Republic Pictures, começou a atuar em diversos westerns e filmes de aventura, como A Renegada (Woman They Almost Lynched, 1953) e O Manto da Perdição (A Perilous Jorney, 1953).

Ben Cooper, o segundo a esquerda, em A Renegada 

Ainda na Republic, fez seu papel mais famoso, Turkey Ralston em Johnny Guitar (Idem, 1954), clássico estrelado por Joan Crawford.

Ben Cooper nos braços de Joan Crawford

Nos anos seguintes continuaria atuando em westerns, e em diversas séries de televisão, como Caravana, Túnel do Tempo, Além da Imaginação e Bonanza. Também atuou no clássico A Rosa Tatuada (The Rose Tattoo, 1955).

Ben Cooper em Bonanza

Ben Cooper e Marisa Pavan em A Rosa Tatuada

Na década de 80, teve um papel regular na série Duro na Queda (The Fall Guy, 1981-1983), estrelada por Lee Majors. Seu último filme foi Rapidinho no Gatilho (Lightning Jack, 1994), estrelada por Paul Hogan.

Em 2005 ele foi homenageado com um prêmio pro sua carreira nos filmes westerns. Entre 1960 e 2008 foi casado com a atriz Pamela Raymond, até a morte dela. O casal teve duas filhas.

Nos últimos anos de vida, Ben Cooper sofria de demência, e vivia em um clínica especializada.




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A bela, breve e trágica Miroslava, a atriz que morreu por amor


Miroslava apensar da breve vida (ela viveu apenas 30 anos), atuou em trinta e dois filmes e nove anos de carreira. Além de ser linda, era talentosa, tendo inclusive trabalhado com o grande Luís Buñel.


Miroslava Šternová nasceu em Praga, na Checoslováquia, em 26 de fevereiro de 1925. Mas ainda criança mudou-se para o México, com a família, onde se tornaria uma das maiores estrelas da Era de Ouro do Cinema Mexicano.



Seu padrasto era judeu, e com a família, fugiu da perseguição nazista (eles haviam sido mandados para um campo de concentração em 1939, mas conseguiram fugir), fixando residência em Los Angeles, onde Miroslava tomou aulas de atuação. Depois, mudou-se para o México e no novo país, a bela jovem chamou a atenção, e venceu alguns concursos de belezas. E logo ela recebeu convites para ingressar no cinema.




Seu primeiro filme, já como protagonista, foi Bodas Trágicas, de 1946.


Roberto Silva e Miroslava em Bodas Trágicas


Ainda em começo de carreira, já era uma estrela popular em seu país, e dois anos após a sua estreia, foi convidada para atuar em uma produção Hollywoodiana, Casanova Aventureiro (Adventures of Casanova, 1948), ao lado do também mexicano Arturo de Córdova.



De volta ao México, continuou atuando com sucesso nas produções locais, mas em 1951 Hollywood lhe deu outra chance, e desta vez em um estúdio maior, a Columbia, que lhe deu o principal papel feminino em Touros Bravos (The Brave Bulls, 1951), que ela estrelou ao lado de Mel Ferrer e Anthony Quinn. Na época das filmagens, ela também foi capa da famosa revista norte-americana Life.


Miroslava e Anthony Quinn em Touros Bravos


Contracenando com Joel McCrea, ainda faria outro filme nos Estados Unidos, Cavaleiro Misterioso (Stranger on Horseback, 1955).


No cinema mexicano, brilhou em filmes como As 3 Perfeitas Casadas (Las Tres Perfectas Casadas, 1953), Vingança Brutal (La Bestia Magnifica, 1953) e Escola de Vagabundos (Escuela de Vagabundos, 1955). Mas o melhor papel de sua carreira sem dúvida foi em Ensaio de Um Crime (Ensayo de un Crimen, 1955), de Luís Buñel.


Mas o filme foi lançado somente após a sua morte. Em 09 de março de 1955 Miroslava cometeu suicídio, após ingerir uma forte dose de remédios. Ela havia tido um tórrido romance com o toureiro Luis Miguel Dominguín, mas este a deixou para se casar com a atriz Lucia Bosè. Além disto, Miroslava havia perdido o papel no próximo filme de Buñel, Assim é a Aurora (Cela S'Appelle L'Aurore, 1956), para a própria Bosè.

O corpo de Miroslava, de apenas 30 anos de idade, foi encontrado caído no chão, com uma foto de Dominguín em suas mãos. Embora a atriz Katy Jurado, sua amiga pessoal, afirme que foi ela quem encontrou o corpo de Miroslava, e a foto que estava com ela era de Cantiflas, com quem havia atuado em Vamos Voar, Moço! (A Volar Joven!, 1947).

Cantinflas e Miroslava

Em sua biografia Jurado escreveu que a amiga tinha uma foto do comediante nas mãos, mas sua empresária trocou os retratos, colocando uma foto de Dominguín no lugar. Em 1942 Miroslava já havia tentando o suicídio, quando foi enganada por um namorado soldado, enquanto morava nos Estados Unidos.

E em 1945, ela ficou casada por poucas semanas com o ator e cantor Jesus Jaime Obregon. Ela pediu a anulação do casamento ao descobrir que o marido era gay.

Miroslava foi cremada no dia da estreia de Ensaio de Um Crime. Curiosamente, no filme, o protagonista queimava uma boneca de cera com suas feições.

Sua vida foi contada no filme Miroslava (1993), estrelado por Arielle Dombasle.


Miroslava Stern



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Benjamin de Oliveira e Eduardo das Neves, os primeiros palhaços negros do Brasil (e talvez do mundo)


Benjamin de Oliveira é um nome um tanto esquecido da história, mas foi um dos artistas mais populares do Brasil no começo do século XX, a chamada Bellé Époque Brasileira. Ator, compositor, cantor, diretor, escritor, produtor, ele também foi o primeiro palhaço negro do país, e encantou gerações com seu talento.


Benjamin Chaves nasceu em Patufufu (hoje chamada Pará de Minas, interior de Minas Gerais), em 11 de junho de 1870. Seus pais eram escravos na fazenda de Roberto Evangelista, e sua mãe, era uma "escrava de estimação", que vivia dentro da casa grande.

Por isto, seu "dono" deu alforria a seus filhos, como Benjamin, que nasceu 18 anos antes da abolição da escravatura.

Quando os circos passavam pela cidade, o menino aproveitava para vender broas feitas por sua mãe na porta do espetáculo, e ficava fascinado com os artistas que ele via na vida circense. O pai, capitão do mato, era violento com ele e seus irmãos, e Benjamin acabou fugindo de casa aos 12 anos de idade, acompanhando o Circo Sotero.

Mas no Circo Sotero ele também era espancado pelo proprietário, e acabou fugiu da companhia pouco tempo depois. Na fuga, foi capturado por um bando de ciganos que queriam vende-lo como escravo. Novamente ele fugiu, e um fazendeiro então alegou ser seu proprietário. Benjamin para provar que era artista, fez acrobacias que aprendeu no circo, e acabou sendo solto.

Ele passou por diversos circos até fazer seu nome. E teve sua primeira chance como palhaço quando o um artista adoeceu e não havia ninguém para substituí-lo. Benjamin, agora chamado Oliveira (em homenagem ao empresário circense Severino de Oliveira) subiu ao picadeiro, mas o público odiou sua apresentação, deixando a lona do circo sob vaias.

Negro, ele então passou a pintar o rosto de branco, o que agradou a platéia.

Benjamin de Oliveira e Dona Leandra, sua mãe (que teria vivido 119 anos)

Mas a vida no circo era difícil, e os artistas chegavam a passar fome quando não tinha bom público. Foi no Circo Caçamba que as coisas começaram a mudar. Eles se apresentavam em uma favela do Rio de Janeiro, quando o então presidente da república, Floriano Peixoto, foi ver a apresentação.

Ele ficou encantado com Benjamin de Oliveira, e transferiu o circo para o terreno em frente ao palácio do governo, na Praça da República. A partir de então, os caravanas dos shows de Benjamin Oliveira passaram a ser escoltadas pelo exército brasileiro.


Benjamin então passou a atuar na Companhia Spinelli, onde se tornou um astro, percorrendo quase todo o Brasil. Além de palhaço, ele era ator, e criou os espetáculos teatrais nos picadeiros, exibindo peças pelo interior do país, onde não haviam salas de espetáculos.

Mesmo famoso, era tratado pejorativamente pela imprensa

Além de adaptar grandes textos, também passou a escrever suas próprias peças teatrais. Em 1910, interpretou Jesus Cristo, com o rosto pintando, em O Mártir do Calvário.


Um dos maiores sucessos de Benjamin de Oliveira no Circo Teatro foi a opereta A Viúva Alegre, encenada nos palcos do Spenelli. A peça, de Franz Lehar, era muito popular no Brasil, e foi levada as telas do cinema em 1910, tendo Eduardo das Neves, também com o rosto pintado de branco, como protagonista.


E embora tenha perdido o papel no cinema para Eduardo das Neves, Benjamin estreou no cinema em Os Guaranis (1908), ao lado de Ignez Cruzette. Ele interpretava o índio Pery, e ela Cecy, da obra de José de Alencar. O filme foi gravado a partir de uma apresentação no Circo Spinelli.

Benjamin de Oliveira e Ignez Cruzette em Os Guaranis

Por muitos anos, foi seu único trabalho no cinema. Mas continuou fazendo sucesso nos palcos, com peças como O Diabo e o Chico, Vingança Operária, Matutos na Cidade e A Noite do Sargento. E em 1921 escreveu e encenou a revista Sai Despacho!, desta vez nos palcos do Teatro Gynástico.

Também chegou a ser sócio do Circo Olimecha, onde Oscarito iniciou sua vida artística.

Benjamin de Oliveira foi responsável por lançar o cômico Pinto Filho, e trabalhou com grandes nomes como Aracy Cortês e Brandão, o Popularíssimo (pai do também ator Brandão Filho).

Pioneiro na discografia brasileira, gravou dois discos, um dele em parceria com Mário Pinheiro.

Ouça Benjamin de Oliveira cantando, em 1910

Embora continuasse atuando, a partir da década de 30 entrou em declínio, passando por dificuldades financeiras nos anos seguintes.


Na década de 40, foi reconhecido por um grupo de turistas, em Minas Gerais, quando pedia dinheiro. Isto acabou se tornando notícia, e por pressão da imprensa, em 1947 ele passou receber uma pensão paga pelo estado.



Ao saber da situação do artista, a pioneira cineasta Carmen Santos o convidou para retornar ao cinema, atuando em sua super produção Inconfidência Mineira (1948). O filme teve muitos problemas, principalmente por questões financeiras, e demorou anos para ser concluído. Benjamin de Oliveira interpretava um escravo, em seu segundo trabalho no cinema. Algumas fontes o creditam em Alma do Brasil (1932), mas na verdade é um ator homônimo.

Benjamin de Oliveira em Inconfidência Mineira

Infelizmente, Os Guaranis, seu primeiro filme, perdeu-se com o tempo.

Benjamin de Oliveira, aos 70 anos, trabalhando no Circo Dorby





Benjamin de Oliveira faleceu no Rio de Janeiro, em 03 de maio de 1954, aos 83 anos de idade.

Em sua cidade natal há uma estátua em sua homenagem, inaugurada em 2013. A obra foi vandalizada, com uma pichação nazista, em 2017.





Eduardo das Neves, o outro palhaço


Eduardo Sebastião das Neves (1874-1919) nasceu no Rio de Janeiro, e foi contemporâneo de Benjamin de Oliveira. Ele hoje é mais conhecido como cantor, ou cançonetista (como era chamado na época), e junto com Baiano foi um dos pioneiros das gravações sonoras (em discos mecânicos) no Brasil.


Anúncio de 1904

Eduardo era bombeiro, mas foi expulso da corporação por frequentar os círculos dos "chorões", os grupos de cantores boêmios da época. Ele então passou a trabalhar como cantor, violonista de circo e também foi palhaço de circo, com no nome Palhaço Dudu, na mesma época que Benjamin de Oliveira.

Mas eles não eram rivais, na verdade, eram amigos, e frequentavam as mesmas rodas musicais, ao lado de compositores como Catulo da Paixão Cearense e Bororó. Além de cantor, também é compositor, e são deles os versos "Oh Minas Gerais, Oh Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais, Oh Minas Gerais". Mas embora hoje usada para exaltar o estado brasileiro, a canção na verdade, foi feita em homenagem ao Encouraçado Minas Gerais, quando este foi agregado a esquadra da Marinha Brasileira.

Em 1902 a canção A Conquista do Ar, feita em homenagem a Santos Dumont, correu o mundo após os feitos na aviação por parte do brasileiro.


No cinema, além de estrelar A Viúva Alegre (1910), também atuou nas operetas cantantes Valsa da Moda (1908), O Pronto (1909) e a Condessa Descalça (1910). Infelizmente, todos perdidos com o tempo.

Poucas fotos do artista, que é pai de Cândido das Neves, também são conhecidas nos dias atuais.

Eduardo das Neves faleceu em 11 de novembro de 1919, ele passou mal após se apresentar no Circo Norte-Americano. Como morava longe, foi para a casa do filho, Cândido das Neves, e posteriormente levado ao hospital, onde faleceu, com apenas 48 anos de idade.

Para conhecer mais sobre Eduardo das Neves, acessem o Blog Estrelas Que Não Se Apagam, do pesquisador Marcelo Bonavides, aqui.


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