Por onde anda? A atriz Stella Stevens



Estelle Caro Eggleston nasceu no Mississípi, em 01 de outubro de 1938. E após fazer alguns trabalhos como modelo, a bela loura platinada foi convidada para estrear no cinema. Seu primeiro papel, como corista, foi no filme Prece Para Um Pecador (Say One for Me, 1959), estrelado por Debbie Reynolds. Era uma participação pequena, mas lhe valeu um Globo de Ouro de Atriz Mais promissora, no ano seguinte.

O papel também lhe garantiu uma participação de maior destaque em Aventuras de Ferdinando (Li'l Abner, 1959).




Na década de 1960, consagrou-se como uma loira voluptuosa em filmes como Beco Sem Saída (Man-Trap, 1961) e Canção da Esperança (Too Late Blues, 1961). Em seguida, atuou ao lado de Elvis Presley em Garotas e Mais Garotas (Girls! Girls! Girls!, 1962), mas odiou o papel ao ponto de nunca ter assistido o filme finalizado.


Stella Stevens e Elvis Presley

No ano seguinte interpretou Stella Purdy no filme O Professor Aloprado (The Nutty Professor, 1963), ao lado de Jerry Lewis. Este é um de seus filmes mais famosos.


Jerry Lewis e Stella Stevens

Na década de 1970, atuou em filmes mais sérios, como A Morte Não Manda Recado (The Ballad of Cable Hogue, 1970), Slaughter - o Homem Impiedoso (Slaughter, 1972) e no clássico filme catástrofe O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure, 1972). Também atuou no hoje "cult" Cleópatra Jones e o Cassino de Ouro (Cleopatra Jones and the Casino of Gold, 1975).


Stella Stevens em O Destino do Poseidon

Em 1979 dirigiu um documentário chamado The American Heroine (1979), que contava a história de mulheres fortes em diversas profissões. A partir da década de 1980, trabalhou com menos intensidade no cinema, descontente com os papéis que lhe ofereciam.

Seu único filho, Andrew Stevens, também é ator. Eles contracenaram juntos em quatro filmes, sendo o último o erótico soft Entre Quatro Paredes (Illicit Dreams, 1994).


Andrew e Stella Stevens, em 1981

Stella Stevens e Jerry Lewis, em 2004


Em 2010 Stella atuou em Megaconda (2010), um filme de baixo orçamento, sobre o ataque de uma serpente gigante (que é combatida pelo exército). Em 2012 a atriz fez sua última aparição pública oficial.



Desde então, a atriz passou a viver reclusa, e rumores sobre seu estado de saúde começaram a circular. Em 2015, o guitarrista Bob Kulick, seu companheiro desde 1983 colocou o rancho onde Stella residia (desde 1965) a venda, e em 2017 veio a público dizer que devido o grave estado de Alzheimer, precisou internar a atriz em uma casa especializada, onde Stella tem vivido desde então. 

O dinheiro da venda do imóvel tem ajudado a custear a internação e o tratamento da atriz e é administrado por seu filho, que afirma que a mãe já não tem mais condições de lembrar de pequenas informações e tão pouco consegue se comunicar.




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Cid Moreira, antes do Jornal Nacional, já foi ator


Cid Moreira, que por anos desejou Boa Noite para os telespectadores ao término do Jornal Nacional é dono de uma das vozes mais conhecidas do Brasil.

Porém, seu nome está tão ligado a história do jornal que apresentou durante anos, que sua carreira pregressa é um tanto desconhecida. Entre seus trabalhos anteriores, vamos encontrar inclusive Cid Moreira atuando no cinema brasileiro, na década de 50.

Nascido em 29 de setembro de 1927, Alcides Moreira Alves ingressou no rádio em 1947, na Rádio Difusora de Taubaté, sua cidade natal.

Cid Moreira, em 1947

Em 1949 ele migrou para São Paulo, passando a trabalhar na Rádio Bandeirantes. Em 1951 foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro. No começo, o locutor paulista fazia mais gravações comerciais, e chegou a ser um dos reis do jingle da década de 50. De Kolynos e banha de porco, Cid anunciou de tudo.


Aos poucos, ele foi crescendo na emissora, passando a apresentar programas como Você Me Conhece?, Variedades e muitos humorísticos, como Time de Comédias, Da Boca Prá Fora e Lever-timentos.



O locutor de voz grave e pinta de galã, apelidado nos bastidores da Mayrink de "O Touro de Tabaté", chamou a atenção do diretor Eurides Ramos, que o convidou para atuar no filme Angu de Caroço (1955), estrelado pelo comediante Ankito. O filme tinha um elenco de astros que incluía Adriano Reys, Consuelo Leandro, Agildo Ribeiro, Orlando Drummond e a cantora Mara Abrantes. O papel de Cid era pequeno, como um mestre de cerimônias que anuncia um número da personagem de Anilza Leoni.

Cid Moreira em Angu de Caroço

Cid Moreira e Anilza Leoni, em Angu de Caroço

Trecho de entrevista de Cid Moreira para a revista O Mundo Ilustrado (05 de abril de 1955)


Apesar da curta experiência, Cid Moreira foi um dos mais requisitados locutores dos documentários brasileiros da década de 50. Ele narrou desde os cine jornais do Canal 100, como também emprestou sua voz para obras de Jean Manzon e de muitos outros produtores, mas geralmente como locutor de diversos cine jornais, aqueles exibidos antes das sessões cinematográficas.

Em 1958 ele também foi narrador do longa Traficantes do Crime (1958), de Mário Latini.


Em 1956 Cid estreou na TV, no programa Os Dez da Semana, na TV Rio. Os textos eram escritos por Alberto Dines. Na TV Rio ainda apresentou os comerciais, como uma espécie de garoto propaganda do programa Aí Vem a Dona Isaura (1958), estrelado pela comediante Ema D'Avila.

Em 1960 o locutor assinou com a Rádio Nacional, onde ficou por dois anos, assinando depois contrato com a TV Tupi.

Cid Moreira, identificado na foto, em uma festa na casa de Ângela Maria

Na Tupi, sua estréia foi no programa de Ronald Golias, como anunciante. Foi na Tupi, fazendo publicidade, que ele lançou seu primeiro bordão: "Não é mesmo um estouro?", usando para vender produtos. Também apresentou o programa Noite de Gala e trabalhou no jornalístico Primeiro Plano, ao lado de Luis Jatobá.


Cid Moreira no programa Primeiro Plano, TV Tupi



Seu irmão, o também locutor Célio Moreira, com quem havia trabalhando na Mayrink Veiga, estava na Excelsior, fazendo o personagem Sombra no Jornal Excelsior (1964), que era apresentando por Oswaldo Sargentelli. O programa foi o embrião do famoso Jornal de Vanguarda onde também estavam os principais elementos do telejornalismo da época, como Millor Fernandes, Sérgio Porto, João Saldanha, Luis Jatobá, sob direção de Fernando Barbosa Lima.

Foi Célio quem levou Cid Moreira para integrar o grupo de jornalistas do programa consagrado. Na Excelsior, Cid ainda apresentou o programa O Show é o Rio, mas ficou pouco na emissora, indo para a Tupi, que adquiriu os direitos do Jornal de Vanguarda, e também todo o elenco.

Em 1969 Cid Moreira foi para a Rede Globo, para apresentar o Jornal Nacional. Ele ocupou a bancada até 1996.

Em 2013 ele voltou a trabalhar no cinema, desta vez como dublador. Cid foi o responsável por narrar o filme Tudo Por Um Furo (Anchorman 2: The Legend Continues, 2013), estrelado por Will Ferrell e Steve Carrell.


Atriz Linda Porter, de Superstore, morre aos 86 anos


A atriz Linda Porter, que interpretava a atrapalhada Myrtle na série Superstore faleceu no dia 27, aos 86 anos de idade.

Linda começou a atuar somente no final da década de 80, mas fez poucos filmes, entre eles Irmãos Gêmeos (Twins, 1988), entretanto, participou de diversas séries de TV, como Arquivo X, The Middle, How I Meet Your Mother, e Gilmore Girls

Linda Porter como Fran, em Gilmore Girls

Linda também atuou na versão recente de Twin Peaks (2017) no filme Pee Wee Big Holliday (2016). 

Twin Peaks

Pee Wee Big Holliday 

Desde 2016 ela estava no elenco de Superstore, interpretando uma idosa atrapalhada, que mesmo demitida, continuou trabalhando na loja de departamentos. A série atualmente está em sua quarta e última temporada.



Rob Garrison, de Karate Kid, morre aos 59 anos


Rob Garrison, que interpretou o Tommy, um dos alunos da escola Cobra Kai em Karatê Kid: A Hora da Verdade (Karate Kid, 1984), faleceu no dia 27 de setembro, aos 59 anos de idade.


Nascido Robert Scott Garrison o ator estreou no cinema no filme Invasão dos Extra-Terrestres (Starship Invasions, 1977), mas atuou em poucas produções cinematográficas, como no filme Baile de Formatura (Prom Night, 1980). Também fez participação em diversas séries de TV, como MacGyver. Ele ainda atuou na sequência de seu filme mais famoso, Karatê Kid 2: A Hora da Verdade Continua (The Karate Kid Part II, 1986).

Rob Garrison (o motorista) na série de TV The Best of Times (1983)

Afastado das telas, Garrison trabalhava em um restaurante, mas recentemente o ator voltou a interpretar o personagem na série Cobra Kai (2019), que mostra os personagens atualmente. Na época, ele comemorou o retorno nas redes sociais.

Robert Garrison e William Zabka em Cobra Kai

O ator estava internado há cerca de um mês, devido a problemas renais e hepáticos.


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Sylvia Kristel, a eterna Emmanuelle, fez novela no Brasil


A atriz holandesa Sylvia Kristel ficou eternizada ao protagonizar o clássico do cinema erótico Emmanuelle (Idem, 1974). O filme fez um enorme sucesso mundial, e só na França ficou quase dois anos em cartaz.

Sylvia Kristel em Emmanuelle

Nascida em 28 de setembro de 1952, Sylvia não era uma estreante, já tendo atuado em outras três produções. E embora após o sucesso do filme tenha atuado em outras produções, como O Jogo Com Fogo (Le Jey Ave le Feu, 1975), ficou estigmatizada no papel, que ela retomou em 1975, em Emmanuele 2 (1975).

Sylvia até tentou ter uma carreira mais respeitada, atuando em produções como A Mulher Fiel (Une Femme Fidèle, 1976) de Roger Vadim, e Por Que Agrado os Homens (La Marge, 1976), mas o público queria Emmanuelle. Aliás, ele nem foi a primeira Emmanuelle do cinema, já que a italiana Erika Blanc havia feito Io, Emmanuelle (1969), ao lado de Adolfo Celi.

Em 1977 ela tentou se despedir da personagem em Adeus Emmanuelle (Godbye Emmanuelle, 1977), mas isto não chegou a ocorrer, já que ela voltaria a saga em 1984. Após este breve adeus, atuou com Hutger Hauer em Mistérios (Mysteries, 1978) e com Ursula Andrews e Monica Vitti em Leito Selvagem (Letti Selvaggi, 1979). Com Ursula ainda fez O Quinto Mosqueteiro (The Fith Musketeer, 1979), que ainda tinha a veterana Olivia de Havilland no elenco.

Sylvia Kristel e Beau Bridges em O Quinto Mosqueteiro

O sucesso da atriz a levou a Hollywood, onde ela fez sua estréia no filme catástrofe Aeroporto 79: O Concorde (The Concorde... Airport' 79, 1979), ao lado de Alain Delon. No ano seguinte, substituiu inexplicavelmente a atriz Barbara Feldon no filme A Bomba que Desnuda (The Nude Bomb, 1980), filme que retomava os personagens da série Agente 86.

Sylvia Kristel e Alain Delon em Aeroporto 79

Nos Estados Unidos ainda atuou em filmes como Uma Professora Muito Especial (Private Lessons, 1981), Uma Escola Muito Especial, Para Garotas (Private School, 1983) e foi Mata Hari em um filme de mesmo nome, feito em 1985. Na Europa, neste mesmo período, fez muito sucesso em O Amante de Lady Chatterley (Lady Chatterley's Lover, 1981).

Mas Sylvia administrou mal sua carreira, recusando o protagonismo ou papéis importantes, em filmes como A História de Adèle H. (L'Histoire d'Adèçle H., 1975), King Kong (Idem, 1976), O Inquilino (Le Cocataire, 1976),  Rocky, O Lutator (Rocky, 1976), Menina Bonita (Pretty Baby, 1978), Superman: O Filme (Superman, 1978), Corpos Ardentes (Body Heat, 1981), Blade Runner: O caçador de Androides (Blade Runner, 1982), 007 Contra Octopussy (Octopussy, 1983), Fome de Viver (The Hunger, 1983), Scarface (Idem, 1983), Duble de Corpo (Body Double, 1984), Era Uma Vez na América (Once Upon a Time in America, 1984),  9 1/2 Semanas de Amor (Nine 1/2 Weeks, 1986), Veludo Azul (Blue Velvet, 1986), entre outros.


Mas apesar de recusar convites para filmes que poderiam ter alterado os rumos de sua carreira, em 1977 ela aceitou o convite do diretor Daniel Filho para atuar em uma novela na Rede Globo. Sylvia desembarcou no Rio de Janeiro para fazer uma participação, como ela mesma, na novela Espelho Mágico (1977), uma produção que falava sobre os bastidores da fama.


Carlos Eduardo Dollabela, Sylvia Kristel, Tarcísio Meira, Pepita Rodrigues e Daniel Filho





A chegada da atriz causou furor por aqui, mas também decepção. A imprensa não cansava de dizer como haviam a achado magra, abatida, e que a atriz nada lembrava aquele mulherão do filme Emmanuelle, que ainda não havia sido lançado no país, graças a censura do regime militar vigente.



Sylvia gravou sua participação na telenovela, e antes de patir visitou o senado brasileiro. Ela chegou a pedir a liberação de Emmanuele nos cinemas brasileiros. O então senador Marco Maciel chegou a elogiar o filme, mas quando perguntando pela imprensa onde havia o assistido, já que ele era proibido por aqui, disse não se lembrar da ocasião que permitiu apreciar a obra censurada.

A carreira de Kristel tomou um rumo quase insignificante no final da década de 80, e em 1993 ela retornou a saga de Emmanuelle em uma série de filmes feitos para a televisão. Sylvia interpretava Emmanuele madura, que voltava a ser jovem com um perfume mágico. Marcela Walerstein fazia a jovem Emmanuele, e o veterano George Lazenby, o 007 que não deu certo, também aparecia nos filmes.

Sylvia Kristel e George Lazenby

Sylvia Kristel continuou atuando em filmes europeus, normalmente pouco divulgados até 2010. Em 2004 dirigiu o curta metragem Topor et Moi (2004), que foi premiado no Festival de Tribeca.

Pouco antes de falecer, publicou uma biografia triste, onde relatou diversos abusos sexuais, maridos violentos, e a dependência de bebidas e drogas. Lutando contra um câncer de esôfago, a atriz faleceu enquanto dormia, em 18 de outubro de 2012, com apenas 60 anos de idade.





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Ted Boy Marino, o rei do Telecatch


Na década de 60 os programas de luta livre eram muito populares na televisão brasileira. O público vibrava com os golpes (ensaiados) de lutadores como o Tigre Paraguaio, El Chasque, Verdugo, Rasputin Barba Vermelha, Fantomas e Mongol.

Haviam dois tipos de perfil nos ringues, o lutador mau e trapaceiro, e o bom moço, personificado na imagem de Ted Boy Marino.


Foi a TV Record quem iniciou a febre brasileira, com o programa As Feras do Ringue, em 1959. Logo a transmissão das lutas tornou-se tão popular como o MMA é nos dias de hoje. A Tupi respondeu com o Gigantes do Ringue. A TV Bandeirantes não perdeu tempo e criou o Campeões do 13 e em 1966 a TV Excelsior lançou o Telecatch Vulcan (patrocinado por uma loja de pneus), e apresentado por Edson Cury, o Bolinha.

Para preencher o elenco do programa, o produtor Téti Alfonso viajou para Buenos Aires (onde as lutas livres também eram muito populares) e contratou todo o elenco de lutadores de um empresário local. Entre eles o jovem Ted Boy Marino, um italiano radicado na Argentina.

Ted Boy e a trupe contratada já eram populares na Argentina, e também haviam lutado nos países vizinhos, como Paraguai e Uruguai.


O rapaz atlético, de cabelos loiros, com ar de príncipe e um penteado que faria Justin Bieber morrer de inveja, não fez sucesso só com os fãs de lutas. Ele passou a atrair as moças para o programa, além de fazer a festa da criançada. Originalmente seu contrato era por temporada, mas fez tanto suceso por aqui que estendeu o contrato ainda em 1966 ele fixou residência em São Paulo, e desde então nunca mais deixou o Brasil.


Ted Boy Marino era o apelido de Mario Marino, um italiano nascido em Fuscaldo, na Itália, em 18 de outubro de 1939. Aos 12 anos, ele emigrou com os pais e os cinco irmãos para a Argentina. Viajaram num porão de navio, em condições insalubres, fugindo de uma Itália arrasada pela Segunda Guerra Mundial. Foi somente na Argentina que o lutador galã usou um par de sapatos pela primeira vez.

Aos 14 anos ele começou a lutar, quando ingressou na companhia do lutador Martin Caradajan, que na época era mais popular no país que o presidente Juan Perón. Foi ele quem o apelidou de Ted Boy, nome retirado de uma revista estrangeira. Com o dinheiro que ganhou nas lutas, ainda no país, Ted Boy, que anos antes nunca tivera um par de sapatos, comprou uma fábrica de calçados.


No Brasil, Ted Boy tornou-se uma febre, chegando a receber mais cartas de fãs que Roberto Carlos, no auge da Jovem Guarda. Havia uma espécie de roteiro nas lutas, e Ted Boy era o mocinho injustiçado.

Apesar de ser tudo combinado, o público, que vibrava com suas tesouras voadoras, ficava revoltado com as mazelas sofridas por ele no ringue. Tanto que em certa ocasião, a sua colega de TV Excelsior, a atriz Lourdes Mayer, indignada com a luta, entrou no ringue e bateu em seu adversário com um guarda-chuvas, para corrigir a injustiça. Se Lourdes Mayer, que trabalhava nos bastidores da emissora comprava este enredo do bem contra o mau, imagina o público, ainda iniciante no consumo televisivo.




Ao fim de suas lutas, Ted Boy costumava jogar sua toalha para a plateia. Mas as moças começaram a disputar tal souvenir tão vorazmente, que não era raro a polícia precisar interferir no tumulto criado pelas fãs.


A Excelsior vendo o potencial do rapaz com os fãs (e as fãs), resolveu apostar nele como ator. O produtor Wilton Franco foi incumbido de criar um programa para o galã dos ringues. Ele então resolveu juntá-lo cem um grupo formado pelo comediante Renato Aragão, o cantor Ivon Cury e o cantor galã ídolo da juventude Wanderley Cardoso (o "Bom Rapaz"), e assim surgiu Os Adoráveis Trapalhões (1966-1968), o embrião do que seria o programa Os Trapalhões.


 Os Adoráveis Trapalhões

Nos primeiros programas, Ted Boy agora ator, quase não falava, devido ao seu forte sotaque portenho, com influencia italiana. Mas isto também agradou ao público, e passou a ser explorado artisticamente. Ao mesmo tempo em que atuava, continuava lutando.

Em 1967 a Revista Intervalo, especializada em televisão, fez um concurso da preferência de seus leitores. Ted Boy foi votado como o terceiro ator mais querido do público, ganhando de galãs da época como Tarcísio Meira, Carlas Zara, Hélio SoutoAmilton Fernandes, Geraldo Del Rey e Henrique Martins.

Ainda em 1967, a gravadora Oden convidou Ted Boy Marino para ingressar na carreira de cantor, cantando Iê Iê Iê. Apesar do sucesso de vendas, foi seu único compacto.

Ted Boy Marino cantando





Em 1967 o produtor Herbert Richers convidou Ted Boy para estrear no cinema, ao lado do colega Renato Aragão. Muito antes de Rocky, o Lutador (Rocky, 1976) o lutador galã estrelou o filme Dois Na Lona (1968). Seu nome aparecia nos créditos antes do de Renato Aragão, que já não era estreante no cinema.


No filme Aragão era seu melhor amigo, e seu rival, Lobo, era interpretado por Roberto Guilherme, que anos mais tarde ficaria eternizado como o Sargento Pincel em Os Trapalhões.

Roberto Guilherme em Dois Na Lona

Por problemas diversos (falta de dinheiro, um acidente que quebrou o braço de Renato Aragão e o casamento de Ted Boy Marino), o filme demorou a ser concluído, e não teve nenhuma estratégia de lançamento. Mesmo os astros principais só souberam que o filme já estava em cartaz quando o viram sendo exibido em uma sala de cinema.

Em 1968, quando o filme foi lançado, Ted Boy Marino havia deixado o elenco de Os Adoráveis Trapalhões. Ele tinha um contrato com Tédi Alfonso, e este vendeu os direitos de luta de todo seu casting para a recém criada Rede Globo, que também passou a investir na luta livre, com o programa Telecatch Montilla.


Com a saída de Ted Boy Marino, Wilton Franco colocou a cantora Vanusa no lugar do lutador. Mas o os Adoráveis Trapalhões teve pouca sobrevida na Excelsior, saindo do ar ainda em 1968.

Em 1972 Renato Aragão estrelou, já na Record, o programa Os Insociáveis, que tinha no elenco ainda a cantora Vanusa, mas agora também contava com a presença de Dedé Santana e Mussum, além do colega Roberto Guilherme, que fazia papéis de apoio desde os tempos de Adoráveis Trapalhões. Em 1975 o trio trapalhão migrou para a Tupi, e Vanusa deu lugar a Zacarias, surgia o programa Os Trapalhões, que passaria a ser transmitido na Globo a partir de 1977.

Ted Boy Marino e Vanusa

Na Globo, além de lutar aos sábados e domingos, Ted Boy tornou-se apresentador. Em 1969, toda terça-feira, ao lado da atriz Célia Biar, ele apresentava o programa de variedades Oh, que Delícia de Show! (1968-1969), e em 1969 também passou a apresentar diariamente o matinal Sessão Zás Trás, um programa infantil que exibia desenhos antes do almoço.


Célia Biar e Ted Boy Marino

Ainda em 1969, Ted Boy estrelou a novela infanto-juvenil Ted Boy Contra Orion IV (1969), exibida antes do Jornal Nacional. Orion IV era o nome de sua academia de lutas, situada na Rua Taquari, 666, na Móoca. Pioneira em permitir mulheres em suas aulas, teve alunas como Wanderléa, Vanusa e Débora Duarte, ainda adolescente.

Ted Boy Contra Orion IV

No final de 1969, porém, o patrocinador cortou o patrocínio do programa de lutas. O programa com Célia Biar foi cancelado e sua novela já havia acabado. O público feminino descobriu que Ted Boy havia se casado (com a filha de seu empresário), e o lutador começou a perder seu encanto. Para piorar, a censura proibiu as lutas livres na televisão.

Sem função na Globo, tornou-se jurado do programa Flávio Cavalcanti, por pouco tempo, antes de ter seu contrato rescindido.

Clovis Bornay e Ted Boy Marino, nos tempos de jurados

Ted Boy comprou uma fazenda no interior e anunciou que iria se aposentar. Ele estava financeiramente bem, pois havia investido em uma fábrica de sapatos e outra de camisas no Brasil. Porém, a aposentadoria durou pouco, e ele passou a se apresentar lutando por todo o Brasil, em shows ao vivo.

Apesar da proibição dos programas de luta ter durando muito pouco, o gênero entrou em declínio, e sua popularidade diminui. Com mais de 40 anos, e um pouco acima do peso, Ted Boy também já não era mais o astro que fora,  diante de uma nova geração de lutadores (por muitos anos sua idade foi reduzida em cinco anos, para fins publicitários). E na década de 80 ele reencontrou Renato Aragão, fazendo diversos personagens em quadros cômicos no programa Os Trapalhões, agora na Rede Globo.

Dedé Santana, Renato Aragão, Ted Boy Marino, Zacarias e Mussum,
nos bastidores de Os Trapalhões


Após muitos anos afastado do cinema, onde tivera uma única experiência, ele protagonizou Os Paspalhões em Pinóquio 2000 (1980). E embora nunca tenha feito um filme ao lado dos Trapalhões, ainda atuou em Os Três Palhaços e o Menino (1983), que tinha no elenco o jogador de futebol Zico e a atriz Rosana Garcia.

Ted Boy Marino, Rosana Garcia, Zico e Ary Leite (de terno xadrez), entre outros,
no filme Três Palhaços e o Menino

Na década de 90 ainda fez participações em programas como Você Decide e Escolinha do Professor Raimundo, onde interpretava o segurança da personagem Gardênia Alves, uma cantora interpretada por Fafy Siqueira.

Ted Boy Marino na Escolinha do Professor Raimundo

Seu último trabalho na televisão foi na novela Bang Bang (2005-2006). Nos últimos anos de vida, ele era frequentemente visto jogando vôlei de praia na orla do Leme, no Rio de Janeiro, onde residia.


Em 27 de setembro de 2012 Ted Boy Marino foi levado as pressas para um hospital, para uma cirurgia de emergência devido a uma trombose. O lutador galã não resistiu as complicações da operação, falecendo aos 72 anos de idade.




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