Morre Antonio Leão da Silva Neto, incansável pesquisador do Cinema Brasileiro


Morreu no dia 18 de novembro o pesquisador Antonio Leão da Silva Neto, um dos maiores escritores sobre a memória do cinema brasileiro, aos 63 anos de idade.

Nascido em São Paulo, em 1957, Antônio Leão era formado em economia, e trabalhou a vida inteira em áreas administrativas, mas sempre foi um amante apaixonado pelo cinema, com um carinho todo especial pela produção brasileira.

Ainda criança, frequentava as sessões de cinema no bairro do Ipiranga, nesta época também já montava seus primeiros projetores, feitos com caixas de papelão e lentes de óculos velhos. Aos 12 anos, ganhou do pai o primeiro projetor de verdade e começou a colecionar rolos de filmes.

Grande defensor da cinematografia nacional, começou a guardar informações sobre nossos atores, diretores, e dava uma atenção a nomes pouco lembrador, como os técnicos e profissionais por trás das telas.

A paixão pelo cinema brasileiro surgiu graças aos filmes de Mazzaropi e a série O Vigilante Rodoviário. Junto com outro apaixonado pelo cinema brasileiro, Archimedes Lombardi, seu grande amigo, fundou em 1992 a Associação Brasileira de Colecionadores de Filmes de 16 mm, com a finalidade de preservar filmes raros, e promover a exibição dos mesmos, em sessões gratuitas.

Em 1998 publicou seu primeiro livro, Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro: dicionário de atrizes e atores, com mais de 1400 biografias. A pesquisa havia começado em 1990. Em 2010 o livro foi relançado, revisado, atualizado e com novos verbetes.

Em 2002 ele lançou outra obra vital para a memória do cinema brasileiro, Dicionário de Filmes Brasileiros, que listava todas as produções nacionais feitas até então, com resenhas e fichas técnicas completas de todas as obras. Em 2006 lançou o Dicionário de Filmes Brasileiros: Curta e Média Metragens, similar ao livro de 2002, mas dedicado a filmes de curta duração, muitas vezes desprezados na historiografia brasileira.

Também escreveu a biografia de Ary Fernandes, criador e diretor de O Vigilante Rodoviário e do cineasta Miguel Borges. Entre seus diversos livros também escreveu o Dicionário dos Fotógrafos do Cinema Brasileiro e uma obra dedicada a produção em Super 8.

No ano passado, de forma independente, escreveu a Enciclopédia Mazzaropi de Cinema (2019), que listava todos os profissionais que trabalharam com o comediante Amácio Mazzaropi. Eu não costumo falar em primeira pessoa por aqui, mas perdoem-me pois tenho que fazê-lo.


Tive a honra de contribuir com seu último livro, fornecendo informações para alguns verbetes.

Conheci o trabalho de Antonio Leão em 1998, quando eu tinha 17 anos de idade. Eu queria muito seu livro Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro, mas morava em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, e nenhuma livraria possuía o exemplar. Minha mãe viajou para São Paulo para um congresso, e conseguiu comprar o livro para mim, de presente de natal.

Por muitos anos foleei a obra para minhas pesquisas, li e reli este livro tantas vezes, e ele foi o responsável pela minha introdução profunda no cinema brasileiro. Meu exemplar, tadinho, está gasto, amarelado, mas fica em um lugar de destaque na estante. Quando estava na faculdade, conheci Antônio Leão pessoalmente, e posso dizer que foi um grande amigo que fiz em minha jornada.

Constantemente trocávamos informações, e as vezes ele me pedia para ajudá-lo a pesquisar algum ator mais esquecido. Quando lancei meu livro em 2015, Cá e Lá, o Intercâmbio Cinematográfico Entre o Brasil e Portugal, tive a honra de ter um prefácio escrito pelo querido Leão.

Ele também me presenteou com uma brilhante palestra, na tarde do lançamento.

Vá em paz meu querido amigo! Por aqui, serei sempre grato por seu trabalho essencial para todo pesquisador sério. Também nunca esquecerei sua atenção, carinho e generosidade, e tenha certeza que você foi fundamental para a minha formação, e por quem sou hoje.

Um grande abraço querido, e obrigado por tudo!

Saudades do amigo e fã, Diego Nunes.





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2 comentários:

  1. Diego, excelente artigo para honrar a memória do nosso amigo.
    Por todo o sentimento que ele traduz que aponto essa correção: o nome do Archimedes tá com um pequeno erro de grafia...
    Pode apagar este comentário depois
    Abraço!

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  2. Obrigado, passou batido na hora que escrevia, já corrigi, obrigado por alertar.

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