Imogene Coca, a primeira imitadora de Carmen Miranda


Quando a estrela luso-brasileira Carmen Miranda chegou aos Estados Unidos, em 1939, tornou-se uma sensação na América do Norte. Carmen trabalhou primeiro na Broadway, antes de estrear em Hollywood, no filme Serenata Tropical (Down Argentine Way, 1940).

Além de se tornar uma das artistas mais bem pagas do show business do país, protagonista de diversos filmes hollywoodianos, a artista tornou-se referência para moda, publicidade e também teve uma série de imitadores, em produções que não podiam contatar com a presença da "pequena notável", que estava sob contrato da Fox.



Joan Bennett foi a primeira artista norte-americana a imitar Carmen no cinema, no filme Amada Por Três (The House Across the Bay, 1940). Mas a cantora e atriz, famosa por seus chapéus exóticos repletos de frutas, foi imitada por nomes como Bob Hope, Lucille Ball, Curly Howard (de Os Três Patetas), Jerry Lewis e Mickey Rooney. Também por personagens de desenhos, como Olivia Palito e Tom e Jerry.

Curly Howard, Lucille Ball, Mickey Rooney, Jerry Lewis e Bob Hope como Carmen Miranda

Olivia Palito como Carmen Miranda

Até filmes indianos tiveram suas versões de Carmen Miranda, como Mangamma Sapatham (1943) e Mangala (1951), que apresentavam uma versão dI, Yi, Yi, Yi, Yi.. I Like You Very Much, canção que Carmen Miranda cantou no filme Uma Noite no Rio (That Night in Rio, 1941).


Há também o caso do sargento Sacha Brastoff, que imitava Carmen Miranda para os soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial, e que apareceu no filme repetindo o número em Encontro nos Céus (Winged Victory, 1944), dirigido por George Cuckor e também filmado na Fox, estúdio da artista. Brastoff mais tarde se tornaria figurinista e posteriormente ceramista, e chegou a fazer figurinos para Carmen usar no cinema.

Sascha Brastoff

Mas a primeira imitadora de Carmen Miranda nos Estados Unidos foi a comediante Imogene Coca.  Apesar de ter atuado no cinema, em filmes como Don Juan Era Aprendiz (Under the Yum Yum Tree, 1963) e Ele Vai Ter Um Bebê (Rabitt Test, 1978), a atriz é pouco conhecida no Brasil.

Os cinéfilos brasileiros possivelmente lembrem dela como a rabugenta Tia Edna na comédia Férias Frustradas (National Lampoon's Vacation, 1983) e os mais antigos talvez recordem da série Grindl (1963-1964), protagonizada pela artista, e que foi exibida na TV Excelsior a partir de 1964.

Imogene Coca em Férias Frustradas 


Matéria sobre a série Grindl, publicada na Revista Intervalo, em 1964

Embora pouco conhecida por aqui, Imogene Coca é uma lenda da comédia da televisão norte-americana. Nascida Imogene Fernandez de Coca, em 18 de novembro de 1908, ela era filha de artistas de Vaudeville, e começou a atuar ainda criança, nos palcos dos Estados Unidos.

Imogene estreou na Broadway em 1925, mas começou a destacar-se quando atuou em New Faces of 1934, que marcou a estréia de Henry Fonda no Teatro. No cinema, ela estreou em 1937.

Henry Fonda, na fila de cima (o segundo homem da esquerda para a direita)
Imogene Coca, na fila do meio (a primeira mulher, da direita para a esquerda)

Em 27 de dezembro de 1940 estreou na Broadway o espetáculo All in Fun (1940), onde Imogene aparecia vestida de Carmen Miranda, ao lado de James Shelton e Robert Burton, que foi seu primeiro marido.

Na peça, Imogene imitava os números apresentados por Carmen Miranda no espetáculo Streets of Paris, que ficou em cartaz na Broadway entre 19 de junho de 1939 a 10 de fevereiro de 1940, fazendo um enorme sucesso.



No elenco ainda o barítono Bill Robinson e Kirk Alyn, que posteriormente tornaria-se o primeiro ator a interpretar o Superman.


All in Fun ainda contava com a presença ilustre,  o cantor e ator brasileiro Cândido Botelho, que também havia ido para os Estados Unidos em 1939, para se apresentar na Feira Mundial de Nova York. No espetáculo Botelho aparecia cantando "Brazil", que nada mais era que a versão em inglês de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Botelho foi o primeiro interprete da canção, lançada no espetáculo de revistas Joux Joux e Balangandãs (1939), no Rio de Janeiro.

Cândido Botelho em All In Fun (1940)

Imogene Coca, como Carmen Miranda, em All in Fun (1940)

Apesar do elenco estrelar, a peça só ficou em cartaz por três dias. Imogene Coca se tornaria uma grande estrela da TV norte-americana nos anos seguintes, numa carreira que se estendeu até 1996, mesmo após sofrer um acidente de carro em 1972, onde perdeu o olho direito (passando a usar um olho de vidro).

A atriz fez poucos filmes, dedicando-se mais a televisão. Ela também é conhecida no Brasil por ter interpretado uma atrapalhada Fada dos Dentes em alguns episódios da série A Feiticeira (Bewitched).

Imogene Coca, Elizabeth Montgomery e Dick Sargent em A Feiticeira

A atriz faleceu de causas naturais em 02 de junho de 2001, aos 92 anos de idade.





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Coadjuvantes que Amamos: Rui Rezende


Alto e magro, Rui Rezende ficou marcado por interpretar personagens estranhos e exóticos, e talvez seja mais lembrado como o misterioso Professor Astromar Junqueira, na novela Roque Santeiro (1985).

Na lendária novela de Dias Gomes, Rui Rezende interpretava um personagem que se transformava em lobisomem na obra.


José Pereira Rezende Filho nasceu em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1937. A carreira de ator surgiu por acaso, quando Rezende vendia livros nas ruas, oferecendo aos clientes que frequentavam bares próximos a teatros.

Certo dia um diretor de TV gostou do seu tipo exótico, e disse que o levaria para a televisão. Mas como este estava um pouco embriagado, Rezende não acreditou no convite. Até que um dia, um assistente do diretor o localizou trabalhando como ambulante, e disse que estava há dias o procurando.

Rezende foi fazer um teste de câmera na TV Tupi, e foi aprovado, estreando na novela Somos Todos Irmãos (1966). Antes dele, havia um apresentador e produtor de nome Rui Rezende, muito famoso na década de 50, com quem sua carreira por vezes é confundida.
Rui Rezende, em pé, no centro, em sua primeira novela

Em seguida, o ator atuou em Angústia de Amar (1967) e depois migrou para a Excelsior, onde atuou em O Tempo e o Vento (1967) e Os Tigres (1968).

Rui Rezende e Fúlvio Stefanini em Os Tigres

De volta a Tupi, atuou em novelas como o sucesso Beto Rockfeller (1968), A Gordinha (1970) e Simplesmente Maria (1970).

Rui Rezende e Nicete Bruno gravando uma cena de A Gordinha

Em 1972, estreou no cinema no filme Jogo de Vida e Morte (1972). No cinema, o ator atuou em quase 30 filmes, entre eles Motel (1974), O Casal (1975), O Pistoleiro (1976), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), Kuarup (1989), Menino Maluquinho 2 - A Aventura (1998), Amor & Cia (1998), Narradores de Javé (2003), Noel - Poeta da Vila (2006), O Homem Que Desafiou o Diabo (2007) e O Segredo dos Diamantes (2014), seu último filme, até o momento.

Ele também atuou em Luar Sobre Parador (Moon Over Parador, 1988), filme norte-americano, dirigido por Paul Mazursky, que tinha no elenco os astros Raul Julia, Richard Dreyfuss e Sammy Davis Jr., além dos brasileiros Sônia Braga, Milton Gonçalves e José Lewgoy.

Betty Faria e Rui Rezende em O Casal

João Carlos Barroso e Rui Rezende em O Pistoleiro

Rui Rezende em O Segredo dos Diamantes

Mas apesar da extensa filmografia, o ator é mais lembrado por seus papéis na televisão. Além do professor de Roque Santeiro, ele também destacou-se como o fotógrafo lambe-lambe Bob Lamb em A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990), produzida pela TV Manchete, e como o pianista Menandro Olinda na minissérie Incidente em Antares (1994).

Rui Rezende e Lucinha Lins em Roque Santeiro

Diogo Villela, Elias Gleiser, Paulo Betti, Fernanda Montenegro, Rui Rezende, Marília Pêra e Gianfrancesco Guarnieri em Incidente em Antares

Na televisão, também atuou em novelas como O Casarão (1976), Chega Mais (1980), Hipertensão (1986), Olho Por Olho (1988), Kananga do Japão (1989), Aquarela do Brasil (2000), Bang Bang (2006) e A Favorita (2008). Também participou de diversas minisséries e programas como Você Decide, Zorra Total e do humorístico A Grande Família, onde fez seu último trabalho na TV.

Também atuou em A Grande Família - O Filme (2007), filme derivado da serie da Rede Globo.

Rui Rezende e Marieta Severo em A Grande Família

Em 2008 o ator lançou sua biografia, Um Lobisomem Passado a Limpo & Outras Histórias, que fazia referência ao seu personagem em Roque Santeiro.



Em novembro de 2019, aos 81 anos de idade, Rui Rezende reapareceu na mídia, após anunciar que era o mais novo residente do Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro.




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O centenário do Gato Felix


O Gato Felix foi um dos primeiros personagens dos desenhos animados a atingir tanta popularidade como os astros de carne e osso do cinema, e até hoje é um ícone da história da animação mundial, encantando diversas gerações de pessoas. Em 2002 Felix foi eleito pela revista TV Guide como o vigésimo oitavo personagem dos desenhos animados mais famosos de todos os tempos.

O Gato Felix surgiu primeiro nas telas dos cinemas, em 09 de novembro de 1919, no desenho animado Feline Follies (1919), produzidos pelos estúdios de Pat Sullivan.

Veja Feline Follies, o primeiro desenho do Gato Felix no cinema

Existe uma confusão de quem seria o criador do famoso gato. Muitos creditam Pat Sullivan como "o pai de Felix", mas na verdade ele foi criado pelo desenhista Otto Messmer.

Messmer trabalhava para Sullivan, quase no anonimato. Por ser funcionário do estúdio, muitas vezes Sullivan ficou erroneamente com o crédito, ainda mais porque em 1917 ele havia criado outro personagem felino, no desenho The Tail of Thomas Kat (1917), o gato era chamado Master Tom (Mestre Tom), e posteriormente também foi rebatizado de Felix.


Foi Messmer também quem levou Felix para as páginas dos quadrinhos, a partir de 1923, desenhando o personagem até 1951.

O Gato Felix, que transforma sua cauda em uma pá, ou em um ponto de exclamação quando surpreso, e cuja maleta mágica se transforma no que ele quiser, e que comporta o o espaço, o tempo e até o universo dentro dela, logo conquistou o público com suas histórias surreais e nonsenses. 

Entre 1919 e 1931 foram produzidos mais de cem desenhos estrelados por Felix, e muitos deles foram exibidos nos cinemas brasileiros, para a alegria da criançada.


E embora fosse chamado de Gato Felix nos cinemas brasileiros, quando suas histórias em quadrinhos passaram a ser publicadas no Brasil, a partir de 1929, nas páginas da revista Mundo Infantil, ele foi rebatizado de Miau Miau. Também foi chamado de Gato Estopim na revista Gazetinha, sendo chamado de Felix somente após ser publicado nas páginas do Tico-Tico.

Primeira história de Felix publicada no Brasil, com o nome de Miau Miau

Em 1928 ele já havia aparecido na literatura brasileira no livro O Gato Felix, de Monteiro Lobato, onde um gato farsante se faz passar pelo famoso gato do cinema. E no ano seguinte foi citado no desenho Macaco Feio, Macaco Bonito (1929), uma animação brasileira feita por João Stamato e Luiz Steel, antes claro, das leis de direitos autorais.

Gato Felix, de Monteiro Lobato

Gato Felix sendo referenciado em Macaco Feio, Macaco Bonito (1929)

Em 1928, nos Estados Unidos, Felix foi escolhido para ser a primeira estrela da televisão mundial. Um boneco do famoso gato foi usado nas primeiras transmissões de TV feitas pela Radio Corporation of America (RCA), tornando-se a primeira imagem televisionada no mundo.



Mas apesar do pioneirismo, o ano de 1928 não foi muito bom para o personagem. Seus desenhos ainda eram mudos, e neste ano Walt Disney lançou o primeiro desenho animado sonoro, protagonizado pelo camundongo Mickey.

Felix também passou a ganhar sua versão falada, mas não fez sucesso, sendo cancelado em 1932. Em 1936 outros três curta-metragens com o personagem foram lançados, onde ele finalmente falava, dublado por Mae Questel, a mesma dubladora da Betty Boop e Olivia Palito.

Após quase desaparecer, Joe Oriolo criou novas animações em 1953, agora faladas e em cores. Oriolo também é famoso por ser o criador do Gasparzinho.

Foram nos desenhos de Oriolo que surgiu sua bolsa mágica, além de incluir novos personagens. Foram estas animações que foram exibidas na televisão brasileira, sendo a TV Tupi a primeira emissora a transmitir os desenhos do Gato Felix, em 1965.


Posteriormente Felix foi exibido na TV Gazeta, Bandeirantes, Record e Rede Globo, e também em alguns canais a cabo.

Gato Felix, uma das estrelas da TV Bandeirantes, em 1967

No Brasil, ele foi dublado por Márcia Gomes (a versão brasileira mais famosa), mas também recebeu as vozes de José Luiz Barbeito e Leda Figueiró (irmã da cantora e atriz Luely Figueiró).

Com a morte de Oriolo, seu filho Don assumiu os direitos do personagem. E foi Don quem produziu As Aventuras do Gato Felix - O Filme (Felix the Cat: The Movie, 1988), o primeiro longa-metragem do personagem. Ele retornaria ao cinema em Felix the Cat Saves Christmas (2004).


E embora não seja produzido atualmente, o personagem ainda estampa diversos produtos e linhas de brinquedos.



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Produtora trará James Dean de volta em um filme, utilizando computação gráfica


James Dean, o astro de Juventude Transviada (Rebeld Without a Cause, 1955) faleceu em 1955, com apenas 24 anos de idade. E apesar de uma curta carreira, ele é até hoje um dos maiores mitos da história do cinema.

Falecido há mais de 60 anos, o ator norte americano reaparecerá em um novo filme, graça a efeitos digitais, que recriarão sua imagem, através de fotos e filmes de arquivo. Dean estará em um papel secundário no filme Finding Jack, que conta história de cães de guerra abandonados pelos soldados norte-americanos após a guerra do Vietnã.

A produtora Magic City Films adquiriu os direitos de imagem do ator com sua família, e está recriando uma versão digital do ator, sem sobrepor sua imagem ao corpo de um dublê.

Artistas falecidos, como Paul Walker e Carrie Fisher, foram recriados usando efeitos especiais, mas para finalizar obras que deixaram inacabadas. 

A decisão gerou polêmica, e foi criticada nas redes sociais por atores como Chris Evans e Elijah Wood.




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María Perego, a criadora do Topo Gigio, morre aos 95 anos de idade



María Perego, a criadora do ratinho Topo Gigio, faleceu em sua residência em Milão, no dia 08 de novembro, aos 95 anos de idade.

María nasceu em Veneza, em 1923, e criou outros personagens além do ratinho mundialmente famoso, surgido em 1958. Mas foi Topo Gigio o personagem mais famoso, fazendo sucesso em diversos países do mundo, incluindo o Brasil, onde estreou na televisão em 1969.

María Perego faleceu vítima de um infarto.

Conheça mais sobre a trajetória de Topo Gigio nesta matéria, que publicamos anteriormente. (Só clicar no link abaixo)

O ratinho Topo Gigio




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Christopher Dennis, o Superman das ruas de Hollywood, morre aos 52 anos


Nas ruas de Los Angeles, próximo a calçada da fama, muitos artistas de rua vestem-se de personagens de filmes para tirar foto com turistas, em troca de algumas moedas.

Christopher Dennis foi um dos pioneiros. Em 1991, após perder o emprego de garçom, vestiu-se como Superman e foi para as ruas. Os amigos diziam que ele parecia com o ator Christopher Reeve, e era com o traje similar do astro, usado em Superman - O Filme (Superman - The Movie, 1978), que ele encontrou uma forma de sobreviver.

Dennis chegou em Los Angeles sonhando em se tornar ator, mas o sonho do estrelato nunca chegou. Ele dizia em entrevistas que era filho da atriz Sandy Dennis (1937-1992), mas seus parentes sempre negaram a relação. Oficialmente a atriz nunca teve filhos.

Morador de rua, Dennis foi assaltado e quase morreu. Os ladrões levaram tudo, inclusive sua fantasia de trabalho. Através de uma campanha de financiamento coletivo, ele conseguiu comprar outro uniforme.


Dennis chegou a fazer pequenos papéis em filmes como Prontos Para Detonar (Ready to Rumble, 2000) e A Noisy Delivery (2013). Em 2007 foi o tema do documentário Confessions of a Superhero (2007).

O corpo de Christopher Dennis foi encontrado em uma caçamba usada para doar roupas. A polícia acredita que o ator tentava pegar roupas para ele, quando ficou preso e acabou morrendo asfixiado. Ele tinha 52 anos de idade.




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Gig Young, o astro das telas, era um marido abusivo, violento e assassino na vida real


Gig Young ingressou no cinema em 1940, mas talvez seja mais lembrado como o mestre de cerimônias alcoólatra e ganancioso no clássico A Noite dos Desesperados (They Shoot Horses, Don't They?, 1969), que lhe valeu um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.


Nascido Bryon Elsworth Barr, em Minessota, em 04 de novembro de 1913, Gig Young se interessou por teatro ainda na escola. Após terminar o colégio, ele trabalhava como vendedor de carros durante o dia e a noite fazia aulas de interpretação.

Um amigo o convidou para mudar para Hollywood, com a condição de ajudar a pagar o combustível da viagem. Na terra do cinema, o ator conseguiu um pequeno papel no filme independente Misbehaving Husbands (1940), onde foi creditado como Bryon Barr

Após fazer mais um filme de curta-metragem, conseguiu papel em uma peça. George Reeves, o ator principal do espetáculo e Gig Young foram vistos por um agente de talentos da Warner Brothers, que ofereceu um contrato para ambos os atores. Seu primeiro papel no estúdio foi uma pequena ponta no filme Sargento York (Seargent York, 1941), estrelado por Gary Cooper.

Após seis meses no estúdio, onde só havia feito figurações, recebeu um papel maior no filme As Três Herdeiras (The Gay Sisters, 1942). Seu personagem, que chamava Gig Young no filme fez sucesso, e o público se referia a ele como o ator que interpretou Gig Young. Como já havia um outro ator de nome Bryon Barr, a Warner rebatizou seu contratado como Gig Young, personagem que o popularizara.

Julie Bishop e Gig Young em As Três Herdeiras

O ator Byron Barr

A partir de então seus papéis foram melhorando, mas sempre interpretando papéis de coadjuvantes. Young geralmente era escalado como o vizinho boa praça, um irmão, ou o melhor amigo do mocinho da fita. Em Uma Velha Amizade (Old Acquaintance, 1943), apesar de não ser o protagonista, era o interesse romântico da estrela Bette Davis. Ele havia trabalhado com Bette em Satã Janta Conosco (The Man Who Came to Dinner, 1942), mas neste filme, feito um ano antes, aparecia apenas em uma cena dizendo "como está o gelo?".

Bette Davis e Gig Young em Uma Velha Amizade

Sua carreira parecia se consolidar, mas ela foi interrompida quando o ator precisou se alistar no Exército, para lutar na Segunda Guerra Mundial. No conflito no Pacífico, ele trabalhava como auxiliar de farmácia.

Após dar baixa do exército, só conseguiu retomar a carreira em 1947, ainda na Warner. Ainda em 1947 se divorciou da primeira esposa, a atriz Sheila Stapler, com quem havia se casado em 1940.

Insatisfeito com o salário da Warner, deixou o estúdio em 1948. Contratado como freelancer, interpretou Porthos em Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers, 1948), na MGM. O filme era estrelado por Gene Kelly e Lana Turner.

Van Heflin, Gig Young, Gene Kelly e Lana Turner em Os Três Mosqueteiros

Na Republic, apoiou John Wayne em O Rastro da Bruxa Vermelha (Wake of the Red Witch, 1948). Nesta época, também começou a fazer muitos trabalhos na televisão, e em Caçada Implacável (Hunt the Man Down, 1950), feito na RKO, fez seu primeiro papel como protagonista


Em 1951 ele foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por seu desempenho em Degradação Humana (Come Fill the Cup, 1951), que era estrelado por James Cagney. Young interpretava um jornalista alcoólatra, e recebeu muitos elogios pelo papel.

De volta a MGM, fez um papel coadjuvante em Cedo Para Beijar (Too Young to Kiss, 1951). O estúdio gostou dele, e o contratou a longo prazo. Então ele coadjuvou Peter Lawford em Você Para Mim (You For Me, 1952) e foi promovido a estrela em Assim Quis o Destino (Holiday For Sinners, 1952), que foi um grande fracasso de bilheterias.

Ainda em 1952 Gig Young ficou viúvo. Sua esposa, a professora de interpretação Sophie Ronsenstein, com quem ele se casou em 1950 (ele a havia conhecido na Warner), faleceu de câncer dois anos após o casamento.

Rebaixado na MGM, perdeu o amor de Elizabeth Taylor para o argentino Fernando Lamas em A Jovem que Tinha Tudo (The Girl Who Had Everything, 1953). Ele também apoiou Joan Crawford em Se Eu Soubesse Amar (Torch Song, 1953) e foi novamente protagonista do western O Circo da Morte (Arena, 1953), que foi realizado em 3D.


Mas insatisfeito com os papéis que o estúdio lhe oferecia, ele rompeu seu contrato, passando a atuar na Broadway. Foi na Broadway que ele fez sua primeira comédia, gênero que ele interpretaria no cinema nos anos seguintes. Ele retornou ao cinema em Corações Enamorados (Young at heart, 1954), o primeiro dos cinco filmes que fez com Doris Day. Também esteve em Amor Eletrônico (Desk Set, 1957), estrelado por Katharine Hepburn e Spencer Tracy e foi o instrutor de Elvis Presley em Talhado Para Campeão (Kid Galahard, 1962).

Charles Bronson, Gig Young e Elvis Presley em Talhado Para Campeão

Gig Young recebeu sua segunda indicação ao Oscar (de ator coadjuvante) pela comédia Um Amor de Professora (Teacher's Pet, 1958), também estrelado por Doris Day. No filme, novamente ele interpretava um alcoólatra, mas boa gente.

Gig Young, Doris Day e Clark Gable em Um Amor de Professora

Na vida real, entretanto, Gig Young também tinha problemas com bebidas, mas não era um rapaz gentil como nos filmes que interpretava. Em 1956 ele casou-se pela terceira vez, desta vez com a jovem atriz Elizabeth Montgmery, que anos mais tarde ficaria famosa como a bruxinha Samantha na série de televisão A Feiticeira (Bewitched). Ela era 20 anos mais nova que ele, e eles haviam trabalhados juntos em um programa de televisão, onde se conheceram.

Elizabeth Montgmery e Gig Young

Além das bebedeiras, o ator era violento, e espancava a esposa constantemente. Elizabeth vivia acuada, e chegou a ser proibida de sair de casa pelo marido. Foi preciso que seu pai, o ator Robert Montgomery, intervir. Dizem que Robert chegou a dar uma surra em Gig Young, para obrigá-lo a assinar os papéis do divórcio, em 1963. O pai de Elizabeth também teria pago uma pequena fortuna para convencer o ator a deixar sua filha em paz. Pouco tempo após a separação, ele casou-se com Elaine Williams, uma herdeira milionária de Nova York.

Após o divórcio, sua carreira foi decaindo, e o ator chegou a ir para Europa, onde estrelou alguns filmes de terror menores.  Com Elaine teve uma única filha, que ele renegou. O casal se separou em 1966, devido ao vício em álcool e a violência do ator.

Após cinco anos brigando para provar que não era pai de Jennifer Young (que se tornou roteirista), exames comprovaram a paternidade. 

Em 1969 Sidney Pollack o convidou para atuar em  A Noite dos Desesperados (They Shoot Horses, Don't They?, 1969), que lhe valeu um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Sua terceira indicação ao prêmio foi novamente num papel de alcoólatra, e durante as filmagens o ator realmente estava bêbado, o que gerou a ira de seus colegas como Jane Fonda e Red Buttons.

Gig Young e Jane Fonda em A Noite dos Desesperados 

Mas apesar do prêmio, sua carreira não deslanchou como ele acreditava que aconteceria. Young ainda fez papéis em filmes como Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Bring Me the Head of Alfredo Garcia, 1974), Elite de Assassinos (The Killer Elite, 1975) e O Dirigível Hindenburg (The Hindenburg, 1975).

Em 1974 ele foi demitido das filmagens de Banzé no Oeste (Blazing Saddles, 1974), após um dia de filmagens. Gig Young teve um colapso devido a uma bebedeira, entrando em coma em seguida. O diretor Mel Brooks então escalou Gene Wilder para o papel.

Em 1978 Gig Young conheceu em Hong Kong sua quarta esposa, a editora alemã Kim Schmidt, enquanto filmava Jogo da Morte (Game of Death, 1978), o último filme do ator Bruce Lee. Eles se casaram em 27 de setembro de 1978. 

Gig Young e Kim Schmidt

Vinte um dias depois, em 19 de outubro do mesmo ano, Gig Young atirou contra a cabeça da nova esposa, se suicidando em seguida. Os corpos dos dois foram encontrados caídos entre o Oscar do ator. Ele tinha 64 anos de idade, e ela 31.

Dias antes, ele havia mudado seu testamento, onde proibia sua filha de receber qualquer coisa de sua herança. Todo seu patrimônio, incluindo seu Oscar, foi deixado para seu empresário, Martin Baum.


Na década de 90 Jennifer Young iniciou uma batalha judicial para ficar com o prêmio de seu pai. Ela e o empresário fizeram um acordo de que ela receberia o Oscar após a morte de Baum, ocorrida em 2010. Em 2015 Jennifer dirigiu o documentário An American Tragedy (2015), sobre a história de seu pai.


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