Morre o cantor Roberto Leal, aos 67 anos


Morreu no dia 15 de setembro, aos 67 anos, o cantor português Roberto Leal. 

António Joaquim Fernandes (seu nome verdadeiro), nasceu em Macedo de Cavaleiros e, 27 de novembro de 1951. Em 1962 ele migrou para o Brasil, onde alcançou muito sucesso como cantor a partir da década de 70, vendendo mais de 17 milhões de discos. Entre seus maiores hits estão as músicas Arrebita e Bate o Pé.

Em 1979 Leal estrelou o filme O Milagre O Poder da Fé (1979), dirigido por Hércules Breseghelo, o filme era semi-biográfico, e contou com participações de nomes como Chacrinha, Elke Maravilha e Lolita Rodrigues.


Roberto Leal estava internado desde o dia 11, para tratar um câncer nos olhos, doença que o acometia há dois anos. Ele faleceu no Hospital Samaritano de São Paulo, em decorrência de uma insuficiência renal, aos 67 anos de idade.


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Laura Cardoso comemora 92 anos de vida, em plena atividade


Laura Cardoso é uma das mais aclamadas atrizes brasileiras. Com uma carreira com mais de de 70 anos, Laura brilhou no rádio, teatro, televisão, cinema e até dublagem. 


Filha de imigrantes portugueses, Laurinda de Jesus Cardoso nasceu em 13 de setembro de 1927, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Desde criança, já gostava de atuar, mesmo antes de saber o que era atuação. Aos seis anos de idade, ela e uma amiga vestiam as roupas de suas mães, colocavam brincos e chapéus e fingiam que iam tomar o bonde. Quando o bonde passava, elas subiam e desciam correndo.

Aos 15 anos, escondida dos pais, saiu do colégio e foi fazer um teste para rádio atriz na Rádio Cosmos. Julio Atlas gostou da menina, mas não de seu nome, e a rebatizou de Laura Cardoso. Quando soube, a mãe foi contra, mas o pai acabou apoiando. E assim ela começou sua longa e bem sucedida carreira. Passou pelas Rádios América, Cultura, Bandeirantes, Piratininga e Tupi, onde ingressou em 1954.

Em 1949, conheceu no rádio o ator, diretor, roteirista e produtor Fernando Balleroni, com quem se casou. Em 1951, Laura chegou a abandonar a carreira, para dedicar-se exclusivamente ao lar, mas logo recebeu um convite para atuar na televisão e acabou aceitando por achar que as condições de trabalho eram melhores que no rádio.
Laura Cardoso com Fernando Balleroni e os filhos
Em 1952, estreou na TV Tupi, atuando no programa O Tribunal do Coração, escrito e produzido por Vida Alves, que se tornaria sua amiga por toda a vida. Na Tupi, Laura Cardoso atuou em diversos teleteatros, fazendo desde dramas até comédias.
Lima Duarte e Laura Cardoso, no Grande Teatro Tupi
Patricia Mayo e Laura Cardoso

Laura Cardoso no Clube dos Artistas, em 1957

Laura Cardoso e Tarcísio Meira
Também atuou em inúmeras novelas por quase 20 anos, mas tem um carinho especial pela novela Um Lugar Ao Sol (1953), sua primeira telenovela. A obra era uma versão do filme homônimo estrelado por Elizabeth Taylor e Montgmery Clift. Laura fazia o papel que fora de Shelley Winters no cinema, e durante a cena do afogamento em um rio pegou um resfriado que a deixou de cama por uma semana.
Henrique Martins, Wilma Bentivegna, Laura Cardoso, Flora Geni, Vida Alves e Heitor de Andrade na novela As Quatro Irmãs (1956)
Percy Ayres e Laura cardoso na novela Moulin Rouge, A Vida de Toulose-Lautrec (1963)
Da Tupi, passou pelas emissoras Excelsior, TV Rio, Record e Cultura.
Em 1981, estreou na Rede Globo, onde permanece até hoje, atuando na novela Brilhante (1981), de Gilberto Braga. Entre seus papéis mais marcantes na emissora estão a Isaura Araújo, de Mulheres de Areia (1993), a Guimoar, de A Viagem (1994), e a Maria Doroteia Leal, na série Gabriela (2012). 
Laura Cardoso, Sebastião Vaconcelos e Glória Pires em Mulheres de Areia
Laura Cardoso em Gabriela
No cinema, o primeiro filme em O Rei Pelé (1962), cinebiografia do jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento. Mas sua estréia cinematográfica na verdade, ocorreu em Imitando o Sol (1964), dirigido por Geraldo Vietri, conhecido diretor da TV Tupi. O filme, que foi rodado nos Estúdios da Vera Cruz, começou a ser rodado em 1962, mas só foi lançado nos cinemas em 1964.
Laura Cardoso nos bastidores de Imitando o Sol
Ela trabalharia novamente com Vietri em O Homem das Encrencas (1964) e Quatro Brasileiro em Paris (1965). Ainda na década de 60 atuou em Corisco, o Diabo Loiro (1969).

Laura Cardoso e Abílio Marques em O Homem das Encrencas
Dando mais enfase a televisão, afastou-se do cinema por alguns anos, retornando em Já Não Se Faz Amor Como Antigamente (1976). Ainda trabalhou em Tiradentes, o Mártir da Independência (1977) e no clássico Ariella (1980). Também atuou em Um Casal de 3 (1982),  e Quincas Borba, em 1987.
Laura Cardoso e Sandra Barsotti em Um Casal de 3
Também atuou no importante Terra Estrangeira (1995), que marcou a retomada do cinema brasileiro após anos de crise na industria nacional. Ao longo de sua carreira, atuou em mais de 30 filmes, a maioria deles rodados a partir do ano 2000.  Entre seus filmes, ainda destacamos As Aventuras de Zico (1998), Através da Janela (2000), Copacabana (2001), Muito Gelo em Dois Copos D'Água (2006), Primo Basílio (2007), Muita Calma Nessa Hora (2010), De Onde eu Te Vejo (2016) e Encantados (2018), seu último filme até o momento.
Laura Cardoso em Encantados
A atriz também tem uma extensa carreira teatral e afirma que os palcos são a sua grande paixão. Mas uma curiosidade que poucas pessoas sabem é que Laura Cardoso também se aventurou nos primeiros dias da dublagem, embora tenha feito poucos trabalhos neste ramo, devido aos contantes convites para novelas. Laura inclusive foi a dubladora da Betty Ruble, no desenho Os Flintstones.
Ouça Laura Cardoso dublado Os Flintstones




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Lina Wertmüller, David Lynch, Wes Studi e Geena Davis receberão o Oscar especial


No dia 27 de outubro a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas realizará a cerimônia que entregará o Oscar Especial pelo conjunto da obra a veteranos profissionais do cinema.

A edição do Governors Awards, referente ao ano de 2020, vai homenagear a cineasta italiana Lina Wertmüller, o diretor David Lynch e o ator Wes Studi com um Oscar. Já a atriz Geena Davis vai receber o prêmio Jean Hersholt Humanitarian Award.

Aos 91 anos de idade, Lina Wertmüller vai ser a primeira diretora a receber tal honraria. Ela começou na carreira como assistente de Federico Fellini em  (1963), e precisou dirigir seus primeiros filmes usando nomes masculinos para conseguir que eles fossem produzidos. Ao longo da carreira, fez filmes com temáticas políticas e em 1975 tornou-se a primeira mulher a ser indicada ao Oscar de Melhor Direção, por Pasqualino Sete Belezas (Pasqualino Settebellezze, 1975), que também lhe valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro.

Ao longo da história da Academia, apenas quatro mulheres foram indicadas na categoria de direção, e Kathryn Bigelow foi a única vencedora, por Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008).


Lina Wertmüller


David Lynch, 73 anos, é um aclamado diretor de obras enigmáticas como Twin Peaks. Ele já foi indicado ao prêmio quatro vezes. As primeiras indicações foram de melhor roteiro e direção de O Homem Elefante (The Elephant Man, 1980). Ele ainda foi indicado como diretor por Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) e Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr., 2001).


David Lynch

Aos 71 anos, Wes Studi fará história na Academia, tornando-se o primeiro nativo-americano a vencer um Oscar de ator, mesmo que especial. Studi, além de ator, é um grande defensor dos direitos dos povos indígenas. Sem nunca ter recebido uma indicação ao Oscar, ele atuou em filmes como Dança Com Lobos (Dance with Wolves, 1990), O Último dos Moicanos (The Last of the Mohicans, 1992) e Fogo Contra Fogo (Heat, 1995).

Wes Studi

Por fim, a atriz Geena Davis, com 63 anos, vai receber o The Jean Hersholt Humanitarian, que é concedida aos artistas pelo seus esforços humanitários. Geena será homenageada por seu trabalho na Geena Davis Institute on Gender in Media, uma organização que luta contra os preconceitos e esterótipos sexistas na indústria do entretenimento. Vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por O Turista Acidental (The Accidental Tourist, 1988) e foi novamente indicada por seu desempenho em Thelma & Louise (Idem, 1991).


Infelizmente, por questões de audiência, há alguns anos a premiação aos veteranos foi excluída da cerimônia oficial, que ocorrerá em 09 de fevereiro, privando os fãs de ver a homenagem aos artistas.


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A estilista Elsa Schiaparelli, a pioneira que uniu a moda com a arte


Elsa Schiaparelli entrou para a história como uma importante designer de moda italiana. Ao lado de Coco Chanel, sua maior rival, Elsa é considerada uma das figuras mais proeminentes da moda entre as duas guerras mundiais. Seu trabalho foi fortemente pelas obras dos artistas surrealistas, e ela chegou a trabalhar em parceria com nomes como Salvador Dalí e Jean Cocteau.

Elsa Schiparelli e Salvador Dalí

Elsa Maria Schiaparelli nasceu no Palazzo Corsini, em Roma, em 10 de setembro de 1890. Sua família, aristocrática, era formada por muitos intelectuais. Seu pai era decano na Universidade de Roma, onde ela estudou filosofia. Seu tio, Giovanni Schiaparelli era um astrônomo famoso na época. Ele descobriu os canalis, que afirmava ser canais marcianos construídos em marte (uma teoria muito aceita na época, embora hoje completamente desacreditada). Já Ernesto Schiaparelli, seu primo, era um famoso egiptólogo, conhecido por descobrir o túmulo de Nerfertari, posteriormente, ele foi diretor do museu Egizio, em Turim.

Elsa cresceu em meio a um ambiente multicultural, e tinha fascinação pela tradição das culturas antigas e ritos religiosos.

Elsa Schiaparelli fugiu de casa, indo morar em Londres, para fugir de um casamento arranjado. Lá, ela se apaixonou por William de Wendt, que se apresentava com o nome Wilhem de Kerlor, um charlatão que se apresentava alegando ter poderes psíquicos, além de alegar ter um extenso currículo acadêmico, inexistente. Elsa se casou com ele em 1914, e em 1915 eles foram deportados por ele exercer a prática da adivinhação, que era ilegal no país.

Eles mudaram-se então para Nova York, onde ele continuou apresentando seus "dotes paranormais", mas acabou abandonando Elsa quando ela engravidou da primeira filha do casal, em 1920. Temendo que o marido pudesse exigir a guarda da menina, apelidada de Gogo, Elsa retornou a França, em 1922.

Em Paris, ela teve apoio da amiga Gabrielle "Gaby" Buffet-Picabia, esposa do artista surrealista Francis Picabia. Ela havia conhecido Gaby a durante uma viagem transatlântica, em 1916. Gaby a apresentou a artistas notáveis, com Man Ray, Marcel Duchamp, Aldred Stieglitze e Edward Steichen. Kerlor, após deixar Elsa e a filha, teve relacionamentos com a dançarina Isadora Duncan e com a atriz Alla Nazimova. Eles se separaram legalmente em 1924, e ele foi assassinado no México, em 1928.


Embora recebesse ajuda financeira da mãe, que lhe garantia uma vida confortável em Paris, ela queria ser independente financeiramente. Começou então a trabalhar com Man Ray em sua revista Société Anonyme, de temática dadaísta, mas esta não durou muito tempo. Gaby Picabia então sugeriu a Elsa montarem um negócio, vendendo moda francesa nos Estados Unidos.

O estilista Paul Poiret, que criava coleções de alta costura que permitiam a liberdade de movimento para a mulher moderna, lhe ensinou técnicas de confecção de modelos e construção de roupas. Elsa, usando o conhecimento adquirido, criou seu próprio estilo, colocando o tecido diretamente no corpo da modelo. Em 1927, com sua casa já consolidada, criou uma coleção feita com malhas confeccionadas por refugidos armênios, misturadas com imagens surrealistas. A coleção foi exibida nas páginas da revista Vogue.


Elsa foi a pioneira em fazer roupas plissadas, e foi a introdutora do rosa choque na moda. Em 1931 a tenista Lili de Alvarez chocou o mundo ao usar shorts (proibido para mulheres) feito pela estilista, para ela competir no torneio de Wimbledon.

Lili de Alvarez, em Wimbledon

Na década de 30, durante a Lei Seca, que proibia a venda de álcool nos Estados Unidos, ela criou o vestido speakeasy, que tinha um bolso secreto para esconder frascos de bebida.

A maison de Elsa Schiaparelli também produziu roupas que tendiam a ser mais abstratas e incomuns, principalmente para o que era produzido pela alta costura das décadas de 30, 40 e 50. Ela também colaborou com diversos artistas como Salvador Dalí, Leonor Fini, Jean Cocteau, Méret Oppenheim e Alberto Giacometti.

Coco Chanel se referia a ela como "aquela artista italiana que faz roupas".

Roupa de Elsa Schiaparelli feita em parceria com Jean Cocteau

A parceria com Salvador Dalí gerou muitos frutos, como o chapéu sapato e o vestido de lagosta, vestido de lágrimas e um terno com bolsos simulando gavetas de uma cômoda.

Elsa Schaiaparelli e o chapéu sapato

Vestido Lagosta

O Vestido de lágrimas


Em 1931 ela fez seu primeiro trabalho no cinema, fazendo os figurinos de A Gentleman of Paris (1931). Seu trabalho seguinte como figurinista foi realizado na França, no filme Topaze (1933). Ela seguiu trabalhando para a indústria cinematográfica, principalmente em filmes ingleses como O Galã da Nota (Brewester's Millions, 1935) e Túnel Transatlântico (The Tunnel, 1935). Em 1937 fez os figurinos de Valerie Hobson para o filme Larápio Encantador (Jump for Glory, 1937), que embora feito na Inglaterra, tinha Douglas Fairbanks Jr. como protagonista.

Mae West se encantou com o trabalho de Elsa, e pediu para que ela fizesse seus vestidos para seu próximo filme, A Vida é Uma Festa (Every Day's a Holliday, 1937), sua primeira produção Hollywoodiana. Alguns destes vestidos, anos mais tarde, foram adquiridos por Debbie Reynols, que os expôs em seu museu sobre a história do cinema.




Figurinos de A Vida é Uma Festa, pertencentes a coleção de Debbie Reynolds

Nos Estados Unidos, Elsa Schiaparelli ainda desenhos os vestidos de No Turbilhão Parisiense (Artist and Models Abroad, 1938). Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a moda mudou, influenciada pelo estilo "New Look", criado por Christian Dior. A Casa Schiaparelli sofreu uma rejeição do novo mercado, passando a enfrentar dificuldades financeiras. Endividada, Elsa encerrou as atividades em 1954, mesmo ano que em que Coco Chanel retornou aos negócios.

Ao todo Elsa trabalhou para 29 filmes, incluindo o clássico As Damas do Bois de Boulogne (Le Dames du Bois de Boulogne, 1945), de Robert Bresson. Em 1952 trabalhou em seu último filme, desenhando os vestidos de Zsa Zsa Gabor em Moulin Rouge (Idem, 1952). Os figurinos eram reproduções das roupas de Jane Avril, musa de Henri de Toulouse-Lautrec, uma dançarina do cabaré parisiense que foi retratada pelos artistas em diversas obras. Zsa Zsa dava vida a Jane na obra.




O filme ganhou o Oscar de Melhor Figurino, mas apenas Marcel Vertès, que vestiu os demais personagens da obra, recebeu o prêmio pelo trabalho. Elsa Schiaparelli era creditada na obra como responsável pelos figurinos de Zsa Zsa. Este foi seu último trabalho no cinema.

Sua filha Gogo casou-se com Robert L. Berenson, e teve com ele duas filhas, as atrizes Berry e Marisa Berenson, ambas também trabalharam como modelo no começo de carreira, estampando revistas como a Vogue. Marisa ficou mais famosa, atuando em filmes como Cabaret (Idem, 1972) e Barry Lyndon (Idem, 1975). Já Berry Berenson também tornou-se fotógrafa, e foi casada com o ator Anthony Perkins, com quem teve dois filhos. Berry faleceu nos atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. (leia mais sobre Berry Berenson aqui).

Elsa Schiaparelli faleceu em Paris, em 13 de novembro de 1973, aos 83 anos de idade.



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Pier Angeli morreu por amor a James Dean


A atriz italiana Pier Angeli encantou Hollywood na década de 50, ao lado de sua irmã gêmea, a também atriz Marisa Pavan. Recém chegada a Hollywood, a atriz se apaixonou por James Dean, que a correspondeu. Porém, a atriz foi proibida de casar com seu amado.


Anna Maria Pierangeli nasceu em Cagliari, Itália, em 19 de junho de 1932. Estudando artes em Roma, Pier Angeli chamou a atenção dos diretores Vittorio de Sica e Leonid Moguy, que a convidaram para estrelar Amanhã Será Tarde Demais (Domani è troppo tardi, 1950), filme que retratava a adolescência italiana no pós-guerra.

Pier Angeli e Gino Leurini em Amanhã Será Tarde Demais

Em seguida ela estrelou Teresa (Idem, 1951), uma produção da MGM rodada na Itália, dirigida por Fred Zinneman. Foi o roteirista Stewart Stern quem escolheu Pier Angeli para o papel, após ver a sua audição. Para agradar o público norte-americano, seu sobrenome foi separado. A MGM gostou da garota, e lhe ofereceu um contrato de longo prazo.

Ainda em 1951 ela mudou-se para Hollywood com a mãe e as irmãs, já que seu pai havia falecido enquanto ela filmava Teresa. Sua irmã gêmea, Marisa Pavan, acabou sendo contratada pela Fox, e fez sua estréia no cinema em Sangue Por Glória (What Price Glory, 1952).

Marisa Pavan e Pier Angeli

Em 1952 Angeli ganhou o Globo de Ouro de Atriz Mais Promissora do ano, e em 1953 foi eleita uma das 10 "estrelas do amanhã" pelo estúdio. Ao lado de Debbie Reynolds e Carleton Carpenter (outras das "estrelas do amanhã", veio ao Brasil ainda em 1953, promover os filmes da MGM por aqui. Durante esta viagem, chegou a conhecer o comediante Mazzaropi e outras estrelas do cinema brasileiro (já contamos esta história, que pode ser lida aqui).

Após protagonizar alguns filmes menores do estúdio, ela foi escalada para estrelar a super produção O Cálice Sagrado (The Silver Chalice, 1954), um filme épico que consumiu uma fortuna em orçamento. Para coadjuvar com Pier, foi escolhido o também novado Paul Newman. Mas o filme foi um grande fracasso, tanto de crítica, quando nas bilheterias, dando um enorme prejuízo ao estúdio.

Paul Newman e Pier Angeli em O Cálice Sagrado

O fracasso do filme quase arruinou a carreira de ambos os atores, que ficaram alguns anos longe das telas para recuperarem a imagem. Porém, apesar da experiência devastadora para sua carreira, foi durante as filmagens de O Cálice Sagrado que ela conheceu outro jovem astro do cinema, o eterno rebelde James Dean.

O papel principal de O Cálice Sagrado havia sido oferecido para Dean, mas seu agente não gostou do roteiro. Apesar disto, o jovem Dean foi visitar os bastidores da produção de época, pois era amigo de Paul Newman. Eles quase trabalharam juntos em Vidas Amargas (East of Eden, 1955), mas Newman perdeu o papel para Richard Davalos.

Pier Angeli e James Dean se apaixonaram, e já faziam planos para a vida toda. Porém, o romance arrebatador entre os jovens, ela com 21 e ele com 22 anos, incomodou a mãe da atriz.





A mãe da atriz era contra o namoro, devido ao fato de Dean não ser católico, como elas. Junto com a MGM, ela pressionou a filha a abandonar o rapaz, após três meses de um namoro intenso. 

Em 24 de novembro de 1954, Pier cedeu a pressão, e casou-se com o cantor (e ator eventual) Vic Damone, italiano e católico, para a felicidade de sua mãe. Ela havia conhecido Vic durante as filmagens de O Diabo, A Mulher e a Carne (The Devil Makes Three, 1952).

James Dean, em cima de uma moto, ficou na porta da igreja vendo Pier se casar, talvez esperando que ela dissesse não e fugisse com ele dali.

Pier Angeli e Vic Damone

Pouco tempo depois, o ator morreria em um acidente de carro. Alguns biógrafos acreditam que Dean possa ter batido com seu Porcshe em alta velocidade em uma árvore de propósito, deprimido, por não ter superado a perda de sua amada.

Pier teve um filho com Vic, e divorciou-se dele em 1958. Nesta época também, pediu demissão da MGM, e retornou a Itália. Ela continuou trabalhando no cinema, mas com menos destaque, embora tenha atuado magistralmente no inglês Momentos de Angústia (The Angry Silence, 1960), que lhe valeu uma indicação ao Bafta de Melhor Atriz.

Em 1962 ela casou-se novamente, com o compositor Armando Trovaioli, com quem teve outro filho, mas este matrimônio também não durou muito. Com a carreira cada vez mais em baixa, foi aconselhada pela amiga Debbie Reynolds a retornar a Hollywood, em busca de trabalho.

Mas agora ela já não era mais a estrela do passado. Pier foi contratada para atuar no filme Octaman (1971), uma ficção científica de baixo orçamento, ao lado de Kervin Matthews (de Simbad e a Princesa, 1958). Uma bobagem desnecessária em sua carreira, que ela nem chegou a ver o filme estrear nos cinemas.

Pier Angeli em Octaman

A atriz também havia assinado contrato para entrar no elenco de Bonanza, mas em 10 de setembro de 1971 ela foi encontrada morta em seu apartamento. Pier Angeli tomou uma dose letal de remédios para dormir.

Rumores na época diziam que a atriz deixou um bilhete acusando a mãe de ter promovido uma infelicidade que ela nunca superou, embora a carta suicída nunca tenha aparecido publicamente. Porém, dias antes de morrer Pier Angeli enviou uma carta para uma amiga (que chegou após a sua morte) onde escreveu:

"... meu amor morreu no volante de um Porsche. Faz 17 anos que estou sozinha, desesperadamente sozinha. Quero encontrar paz e ser livre, e finalmente estar com meu pai e Jimmy novamente."

Aos 39 anos de idade, Pier Angeli não aguentou mais a saudade.

Em Fairmouth, a antiga casa de James Dean tornou-se um museu. Nele, é possível ver um medalhão com fotos da atriz e algumas das cartas que ela escreveu ao amado.


Em 1974 a atriz Judith Rawlins, a segunda esposa de Vic Damone (com quem ele ficou casado de 1963 a 1971) também cometeu suicídio, aos 37 anos de idade.

Pier Angeli e James Dean

Em 1972, após a morte da irmã, Patrizia Pierangeli também passou a trabalhar como atriz, mas teve uma carreira bem menos sucedida que a das irmãs mais velhas.

Patrizia Pierangeli

Pier e a irmã Patrizia

Vic Damone faleceu em 2018, aos 89 anos de idade. Marisa Pavan ainda vive, estando com 87 anos. Ela aposentou-se em 1992.

Marisa Pavan atualmente




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