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Suzanne Kaaren, a atriz que enfrentou Donald Trump, e venceu!


Suzanne Kaaren hoje é um nome quase esquecido da história do cinema. Apesar de ter sido contratada pela MGM, o maior estúdio cinematográfico da época, e de ter contracenado com astros como Spencer Tracy, William Powell, Bela Lugosi e Adolphe Menjou, Suzanne é mais lembrada por uma batalha judicial que travou com o então empresário do setor imobiliário Donald Trump, que anos mais tarde se tornaria o 45º presidente dos Estados Unidos.


Suzanne Kaaren nasceu no bairro do Brooklyn, em Nova York, em 21 de março de 1912. Em 1931 ela foi campeã de salto em altura pelo colégio, e garantiu uma vaga nas Olimpíadas de Berlin de 1932, mas seus país impediram-na de participar do torneio.

Anos antes, a bela jovem havia chamado a atenção do empresário teatral Florez Ziegfield, que havia a convidado para integrar o elenco de seu espetáculo Ziegfeld Follies. Suzanne tinha 15 anos na época, e seus pais também a impediram.

Aos 20 anos, contrariando os pais, Suzanne começou a trabalhar como modelo, e logo começou a atuar no teatro. Em 1932 ela passou tornou-se uma Rockette, as dançarias dos espetáculos do Radio City Music Hall.

No ano seguinte ela mudou-se para Hollywood, estreando em um curta-metragem da Vitaphone. Vitaphone era um sistema sonoro que permitiu a introdução do som no cinema, patenteado pela Warner Brothers. Muitos curta-metragens musicais foram feitos para demonstrar o sistema, eram basicamente o que anos mais tarde chamaríamos de videoclipe.

O primeiro filme de Suzanne foi no curta Seasoned Greetings (1933), que era estrelado por Nita Grey (ex-senhora Charles Chaplin) e o menino prodígio Sammy Davis Jr., então com 8 anos de idade, fazendo seu segundo filme.

 Sammy Davis Jr. em Seasoned Greetings

Após fazer um segundo curta com Fatty Arbuckle, Suzanne Kaaren foi contratada pela Fox, onde fez seu primeiro longa, Lua de Mel para Três (Three on a Honeymoon, 1934). Mas ela não foi muito aproveitada pelo estúdio, que a escalou para pequenos papéis, como uma das coristas em Sedução do Ouro (Wild Gold, 1934).

Em 1935 ela foi dispensada da Fox, e passo a trabalhar como freelancer, em produções de baixo orçamento. Como freelancer, ela ainda fez Os Amores de Suzana (The Affair of Susan, 1935) na Universal, e Ondas Sonoras de 1936 (The Big Broadcast of 1936, 1935), na Paramount. Ondas Sonoras de 1936 tinha no elenco o cantor de tangos Carlos Gardel.


Em 1936 ela foi contratada pela MGM, fazendo sua estreia no estúdio em Ziegfeld, o Criador de Estrelas (The Great Ziegfeld, 1936), produção vencedora do Oscar de Melhor Filme em 1937. Mas ela ainda era figurante no estúdio. 

A atriz então foi emprestada para a Columbia, onde participou do primeiro dos três episódio de Os Três Patetas em que apareceu, Papagaiadas (Disorder in the Court, 1936).

 Suzanne Kaaren em Papagaiadas

Embora contratada pela MGM, o estúdio não a escalava, e a atriz era emprestada para diversos estúdios menores. Foi nesses empréstimos que ela fez seu primeiro papel de destaque, no western Cruzada Heroíca (White Legion, 1936). Em um desses estúdios pequenos, Suzanne atuou em A Million to One (1937), onde disputava o amor do ex atleta olímpico Herman Brinx (depois conhecido como Bruce Bennett) com a estreante Joan Fontaine, em seu segundo filme.

Bruce Bennett, ao centro, e Joan Fontaine e Suzanne Kaaren (na direita) em A Million to One

Emprestada para a Warner, atuou em curta-metragem chamado Romance of Louisiana (1937), que testava a técnica do cinema em cores, uma das primeiras produções feitas em Technicholor.

Suzanne Kaaren em Romance of Louisiana

A atriz seguia sendo emprestada, geralmente fazendo pequenos papéis, muitas vezes nem creditado. Foi no pequeno estúdio Monogram que ela protagonizou seu primeiro filme, o western O Fantasma da Planície (Phantom Ranger, 1938), onde fazia par romântico com Tim McCoy.

 Tim McCoy, Suzanne Kaaren e John St. Polis O Fantasma da Planície

Contratada pela MGM desde 1936, ela só faria seu segundo filme no estúdio dois anos depois, quando fez figuração em Canção de Amor (Sweethearts, 1938), estrelado por Nelson Eddy e Jeanette MacDonald. Ela também faria uma ponta em Este Mundo Louco (Idiot's Delight, 1939), estrelado por Clark Gable.

Em 1940 Suzanne atuou no seu filme mais famoso, A Volta de Drácula (The Devil Bat, 1940), ao lado de Bela Lugosi.


Mas sua carreira não deslanchava, e ela continuava sendo emprestada para diversos estúdios. De volta a Columbia, atuou no segundo filme dos Três Patetas, Cavadores de Encrencas (Yes, We Have No Bonanza, 1939). Ela ainda faria mais um filme com o "trio mais maluco do cinema", O Grande Matador (What's the Matador?, 1942).

 Suzanne Kaaren, a primeira mulher da esquerda para a direita, em Cavadores de Encrencas

Embora não tivesse tido muito destaque, logo a imprensa começou a elogiar seu corpo esculpido nos anos em que ela fazia atletismo. Suzanne passou a ser considerada a dona de um dos mais belos pares de pernas de Hollywood, chegando a colocá-las no seguro, no valor de um milhão de dólares.


A publicidade chamou a atenção do seu estúdio, que resolveu finalmente aproveitá-la. A MGM a escalou para um papel pequeno, mas importante, no filme Casei com um Anjo (I Married an Angel, 1942) e o produtor Pete Smith anunciou que ela estrelaria um filme no estúdio, ao lado do cantor Harry Barris, mas a produção nunca foi concretizada. O produtor Louis B. Mayer, o todo poderoso do estúdio ficou furioso quando ela se casou com o ator Sidney Blackmer, e resolveu que não iria promover uma artista casada a estrela.


Suzanne já havia começado a gravar Agora Seremos Felizes (Meet Me in St. Louis, 1944), fazendo a irmã de Judy Garland nesta super produção do estúdio. Mas devido ao se casamento, ela foi demitida da produção, sendo substituída por Lucille Bremmer. Para completar a humilhação, ela foi novamente escalada como figurante em Rationing (1944), uma produção menor do estúdio, que nem chegou a ser exibida no Brasil.

Descontente com Hollywood, Suzanne abandonou o cinema, mas continuou atuando no teatro por alguns anos, geralmente ao lado do marido. Sua última peça seria The Royal Family, ao lado de Linda Darnell e Karyn Kupcinet. Em 1963 Kupcinet seria assassinada, com apenas 22 anos de idade. (leia está história aqui).

Em 1973 seu marido, Sidney Blackmer, mais lembrado por seu papel como o marido de Ruth Gordon em O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968), faleceu. Ela então se mudou para um apartamento alugado em Nova York, após um incêndio ter destruído sua casa na Califórnia.

Suzanne Kaaren já não atuava há anos, e estava esquecida da grande mídia. Mas em 1984 o então empresário do ramo imobiliário Donald Trump comprou o prédio onde Suzanne morava, e queria despejá-la. Suzanne se recusou a sair do apartamento, e como morava há muitos anos no local, a lei imobiliária de Nova York lhe garantia o direito de não se mudar.

 Suzanne Kaaren em seu apartamento, em 1987

Trump queria derrubar o edifício, já degradado, e construir um prédio de luxo no local. Foi então travada uma grande batalha judicial, que se estendeu por anos. A história inspirou o filme O Milagre Veio do Espaço (*batteries not included, 1987), onde Jessica Tandy e Hume Cronyn se recusam a sair do prédio onde moravam por anos.

O caso só foi concluído em 1998, quando a justiça deu ganho de causa a atriz. Trump foi autorizado a demolir o prédio, desde que cedesse um apartamento para Suzanne morar no novo empreendimento, além de ter que pagar uma indenização para ela.

Ela morou no local até 2003, quando mudou-se para uma casa de repouso para antigos artistas de Hollywood, onde teria mais cuidados médicos. Suzanne Kaaren faleceria no ano seguinte, em 27 de agosto de 2004, aos 92 anos de idade.

Donald Trump enviou uma coroa de flores ao seu funeral.



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