Lídia Brondi, a estrela reclusa, completa 61 anos de idade


Na história do entretenimento, seja no cinema, teatro ou televisão, muitas estrelas abandonaram a carreira no auge da fama, afastando-se dos holofotes e deixando os fãs com saudades. Lídia Brondi é um destes casos, e talvez seja uma das atrizes afastadas mais queridas no Brasil.


Lídia Brondi Resende Mendes nasceu em Campinas, em 29 de outubro de 1960, mas aos dois anos de idade mudou-se com a família para Ribeirão Preto, e aos nove foi para o Rio de Janeiro, após seu pai conseguir uma emprego na capital carioca.

Jonas Neves Rezende, o pai de Lídia, era um pastor da Igreja Presbiteriana de Ipanema, e ainda criança a menina começou a atuar em produções amadoras da igreja. Paralelamente seu pai também era funcionário da TV Educativa (TVE), e ele levou a filha para fazer testes para o seriado educacional Márcia e Seus Problemas (1975), que a emissora estava produzindo. A série pedagógica era apresentada pelo psicólogo Vilena de Moraes, e Lídia, aos 15 anos de idade ficou com o papel.

Após atuar três meses na produção, a jovem chamou a atenção do diretor Walter Avancini, que mandou chamá-la para um teste para a novela O Grito (1975), na Rede Globo. Lígia agradou ao diretor, e ficou com o papel da jovem Estela.

Lídia Brondi e Guto Franco em O Grito

Em seguida ela atuou em duas novelas da faixa das 18 horas, O Feijão e o Sonho (1976) e À Sombra dos Laranjais (1977). Mas ganha notoriedade como a adolescente rebelde Beatriz, em Espelho Mágico (1977), papel que lhe rendeu o prêmio APCA de atriz revelação.

Tarcísio Meira, Lídia Brondi e Glória Menezes em Espelho Mágico

A sua consagração como atriz veio com a novela Dancin' Days (1978-1979), de Gilberto Braga, uma das mais bem sucedidas telenovelas brasileiras. Lídia interpretava a órfã Vera Lúcia, par romântico de Lauro Corona, outra jovem promessa da emissora.

Lauro Corona e Lídia Brondi em Dancin' Days

Após o sucesso na novela, Lídia Brondi estreou no cinema, atuando em Perdoa-me Por Me Traíres (1980), baseado na obra de Nelson Rodrigues. Contudo, seu filme mais famoso é O Beijo no Asfalto (1981), também baseado na obra do polêmico dramaturgo. O Beijo no Asfalto fez um grande sucesso de bilheteria, levando quase um milhão de espectadores as salas de projeção.

No cinema a atriz atuaria somente em mais uma ocasião, quando estrelou Rádio Pirata (1987), de Lael Rodrigues.



Conciliando cinema e televisão, a atriz também estreou nos palcos, atuando na peça Passageiros da Estrela (1980), e por seu segundo trabalho no teatro, a peça Calúnia (1981), recebeu o Prêmio Mambembe de Atriz Revelação. Calúnia, baseada no texto de Lilian Hellman, era dirigida por Bibi Ferreira. Lídia Brondi interpretava uma das alunas de um internato, acusada de ter um romance homossexual com uma colega da escola.

Na televisão, brilhou nas novelas Baila Comigo (1981), O Homem Proibido (1982), Final Feliz (1982-1983) e Transas e Caretas (1984). Também retornou aos palcos em diversas ocasiões, na década de 1980.

Calúnia, 1981

Na segunda metade dos anos 1980 Lídia se consolidou com uma das atrizes mais bem sucedidas de sua geração. Ela atuou em três das mais bem sucedidas novelas da época, Roque Santeiro (1985-1986), Vale Tudo (1988) e Tieta (1989-1990).

Lídia Brondi e Lima Duarte em Roque Santeiro

Lídia Brondi e Glória Pires em Vale Tudo

Entre 1990 e 1991 atuou em sua última novela, Meu Bem, Meu Mal, na qual contracenava com o ator Cássio Gabus Mendes, com quem já tinha feito par romântico em Vale Tudo. Eles passaram a viver juntos em 1991, mas só oficializaram relação em 2013, numa cerimônia realizada pelo pai da atriz.

Anteriormente, ela havia sido casada com o direto Ricardo Waddington (entre 1982 e 1988). Ele é pai de sua única filha, Isadora, nascida em 1985.




Ao lado de Cássio Gabus Mendes ela ainda atuou na peça Parsifal (1992), seu último trabalho como atriz. Sofrendo de síndrome do pânico, Lídia Brondi abandonou a carreira, para tristeza de seus fãs.

Durante o tratamento, descobriu o amor pela psicologia, e acabou formando-se na área, e possui seu próprio consultório em São Paulo. Lídia Brondi não cogita voltar a atuar, embora sempre receba convites de Gilberto Braga, autor de alguns de seus maiores sucessos na televisão.

Lídia Brondi em Parsifal

Lídia Brondi e Cássio Gabus Mendes atualmente



Lídia Brondi Antes e Depois

Isadora Waddington, a filha de Lídia Brondi




A tragédia e ruína da atriz Lída Baarová, a amante de Goebbels



Lída Baarová foi uma das maiores estrelas do cinema da Tchecoslováquia da década de 1930. Sua fama transcendeu seu país de origem, e fez dela uma atriz renomada no mundo inteiro, sendo muito comentada inclusive no Brasil durante este período.

Grande nome cinematográfico, ela chamou a atenção de produtores alemães, que a levaram para filmar no país, onde também foi promovida a um dos maiores nomes das produções da Alemanha.

No país, que vivia sob o regime de Adolf Hitler, ela conheceu o infame ministro da propaganda Joseph Goebbels, e acabou se tornando a amante favorita do político. Isto promoveu ainda mais sua carreira, mas destruiu a sua vida.


Lída Baarová na imprensa brasileira


Lída Baarová


Ludmila Babková nasceu em Praga, em 14 de setembro de 1914. Filha de um funcionário público, ainda criança Lída Baarová começou a estudar no Conservatório Estadual de Praga, e aos 14 anos estreou no teatro interpretando Julieta em uma montagem de Romeu e Julieta.

Aos 17 anos de idade ela estreou no cinema, atuando em Kariéra Pavla Camrdy (1931), e logo se tornou uma grande estrela do cinema local. Tanto que conseguiu papéis para sua mãe, Ludmila Babková e sua irmã, Zorka Janu, que também fez um relativo sucesso cinematográfico.


A atriz Zorka Janu


O sucesso da atriz chamou a atenção dos produtores da UFA, o maior estúdio cinematográfico da Alemanha na época. Diante da proposta irrecusável, Lída mudou-se para à Alemanha, onde também iniciou uma bem sucedida carreira cinematográfica.




O auge de sua carreira veio com o sucesso mundial de Barcarola (Barcarole, 1935), que ela protagonizou ao lado do ator Gustav Fröhlich, um astro do cinema alemão desde os tempos do cinema mudo (ele foi o protagonista masculino do clássico Metrópolis, 1927, de Fritz Lang), e que chegou a filmar em Hollywood.


Matéria sobre Barcarola, publicada na imprensa brasileira


Baarová e Fröhlich fizeram diversos filmes juntos, inclusive outro sucesso internacional, Hora da Tentação (Die Stunde der Versuchung, 1936)., e tornaram-se um casal queridinho do público alemão. A parceria se estendeu além das telas, e eles passaram a morar juntos em uma luxuosa vila modernista que a atriz mandou construir na Alemanha, onde também morava sua mãe e irmã.

A casa, feita pelo famoso arquiteto Ladislav Zák, tinha o formato de um navio.



A mansão de Lída Baarová (que ainda existe)


Lída Baarová e Gustav Fröhlich



A residência náutica era vizinha de uma das propriedades de Joseph Goebbels, o poderoso ministro de propaganda de Adolf Hitler. Goebbles era o responsável por todo departamento de comunicação do governo nazista.

A UFA, estúdio em que Baarová reinava, estava sofre controle estatal, e era Goebbels quem decidia que filmes seriam produzidos, e mesmo quais as produções internacionais poderiam ser exibidas no país. A grande maioria das produções cinematográficas da época eram feitas com o intuito de fazer propaganda do regime, e ele também era o responsável por dizer que atores poderiam filmar no país.

Goebbels também tinha relações com praticamente todas as estrelas do estúdio, que também tinham de estar disponíveis para casos com outros oficiais do alto escalão nazista.

Mas Goebbels e Baarová foram além de um caso nos bastidores do estúdio. Ela se tornou sua amante favorita, e chegou a comparecer com o ministro em eventos públicos durante quase 2 anos.


Lída Baarová, Gustav Fröhlich e Joseph Goebbels


Lída Baarová e Joseph Goebbels



Certo dia Fröhlich chegou em casa sem avisar, e flagrou Baarová e Goebbels na cama. Ele acabou discutindo e insultando o ministro, e desferiu um soco em seu rosto, arrancando um dente de sua boca. Como resultado, um dos maiores astros do cinema alemão acabou banido das telas da UFA, e chegou a ficar um tempo preso em um Campo de Concentração.

Magda Goebbels, a esposa de Joseph sabia dos casos extra conjugais do marido, e nada fazia em relação a isto. Porém, com medo do escândalo após seu esposo ter apanhado de um astro de cinema, procurou Adolf Hitler, que era seu amigo pessoal, e pediu para ele intervir e proibir o romance com a atriz.

Vendo que a coisa ficava séria, e pior, era de conhecimento do público, Hitler ordenou que Goebbels se afastasse da atriz. Ordem dada era ordem cumprida, e Goebbels não só se afastou da atriz, como a baniu do cinema alemão.

Hitler mandou retirar seu filme mais recente, Os Homens Devem Ser Assim (Männer Müssen So Sein, 1939) dos cinemas, e destruiu todo material publicitário envolvendo o nome da atriz, que anos antes havia recusado uma oferta milionária da MGM, em Hollywood, para continuar sendo um grande cartaz do cinema alemão.


Lída Baarová e Adolf Hitler



A atriz foi proibida de fazer aparições públicas, e passou a ser vigiada e perseguida pela Gestapo. E quando a Segunda Guerra Mundial estourou, ela conseguiu fugir com a família para Praga.

Mas não foi bem recebida em sua terra natal, por ser considerada uma traidora e colaboracionista. Ela então foi para à Itália, onde foi bem recebida por Mussolini, e atuou no país durante o regime fascista, retomando o status de estrela.



Lída Baarová no cinema italiano


Quando as tropas aliadas chegaram à Itália, Lída foi presa e extraditada para seu país de origem. Em Praga, ela foi presa por ter colaborado com os nazistas. Sua mãe foi morta durante um interrogatório e Zorka Janu, sua irmã, acuada, cometeu suicídio, jogando-se da janela do prédio onde morava.

Após 18 meses na cadeia, Lída sofreu um colapso nervoso, e acabou internada em um sanatório psiquiátrico. Ela foi solta as vésperas do natal de 1946. Ela então se casou com um produtor teatral, que era parente do Ministro do Interior Tcheco, e com ele fugiu para à Argentina.

Na América do Sul, a atriz passou necessidades financeiras, chegando a viver em situação de miséria.


Na década de 1950 ela retornou à Itália, onde conseguiu pequenos papéis no cinema, inclusive em Os Boas Vidas (I Vitelloni, 1953), de Federico Fellini.


Lidá Baarová e Franco Fabrizi em Os Boas Vidas



Sem fazer muito sucesso na Itália, tentou a carreira teatral na Áustria, mas também não foi recebida no país, devido ao seu envolvimento com os nazistas. Foi na Espanha, sob o regime de Franco, que ela conseguiu seus últimos papéis, atuando em filmes menores do país, até 1958.



Lída Baarová no filme espanhol Rapsodia de Sangre



Depois ela desistiu de atuar, e viveu no ostracismo nos anos seguintes. Ela morreu na Áustria, vítima de Mal de Parkinson, em 28 de outubro de 2000, aos 86 anos de idade.


Em 2016 sua vida foi contada no filme tcheco Lída Baarová (2016), estrelado pela atriz Tatiana Pauhofová. A obra está disponível na Netflix.













Morre a cantora e atriz Milita Meireles, do trio português Irmãs Meireles



A cantora e atriz portuguesa Milita Meireles morreu no dia 27 de outubro, aos 93 anos de idade. Milita era integrante do famoso trio Irmãs Meireles, que era composto por suas irmãs Rosária e Cidália Meireles. O trio, que foi um dos nomes mais famosos do rádio português, também fez muito sucesso no Brasil, e chegou a ser contratado pela Rádio Record, em 1947, que as apresentava como grandes cartazes internacionais.


Milita Meireles

As Irmãs Meireles


Emiloa Meireles Seabra nasceu na cidade do Porto, em 25 de setembro de 1928, e era a irmã do meio do trio. As Irmãs Meireles começaram a carreira em 1941, na Rádio Nacional de Lisboa, e logo se tornaram um dos grandes nomes do meio artístico português.

A fama das irmãs atravessou os oceanos, e elas fizeram turnês em diversos países, inclusive no Brasil, onde tiveram uma sólida carreira. O Trio também conquistou o cinema, e Milita foi a irmã que mais fez filmes, aparecendo sozinha ou com as outras Meireles nos filmes Um Homem ás Direitas (1944), O Diabo São Elas (1945), Os Vizinhos do Rés-do-Chão (1947), Aqui Portugal (1947) e Bola ao Centro (1947).



As Irmãs Meireles no filme Bola ao Centro





Milita teve também uma breve carreira solo, mas deixou de cantar quando a irmã Cidália Meireles deixou o trio para se casar. Cidália chegou a apresentar o programa Adega da Cidália, na TV Record.

Milita Meireles também se casou em 1952, com um empresário Ricardo Seabra, com quem teve três filhos. Após o casamento, ela se aposentou da vida artística definitivamente. Milita Meireles morreu no Rio de Janeiro, de causas naturais.









A morte de Milita Meireles nos foi informada pelo pesquisador português Paulo Borges, autor do livro Irmãs Meireles, os Rouxinóis de Portugal. Colaboraram também para está nota o pesquisador português Luís Miguel Ribeiro e a pesquisadora e editora brasileira Thais Matarazzo.




Para conhecer mais o trabalho de Thais Matarazzo, acesse aqui.

Com agradecimento especial aos pesquisadores portugueses Luis Miguel Ribeiro  e Paulo Borges, especialista em cinema português. Eles são os donos do acervo fotográfico aqui apresentado.


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Relembrando a breve e talentosa Anecy Rocha


Irmã do cineasta Glauber Rocha, Anecy Rocha trilhou sua própria carreira, tornando-se uma grande estrela do cinema brasileiro, atuando em diversos filmes em sua breve carreira. "Musa do Cinema Novo", ela priorizou os trabalhos cinematográficos, embora também tenha feito sucesso em sua curta passagem pela televisão.

Infelizmente, a talentosa atriz nos deixou muito cedo, aos 34 anos de idade, no auge da fama.


João Paulo Adour e Anecy Rocha

Anecyr de Andrade Rocha nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia, em 26 de outubro de 1942. Filha de Lúcia Mendes de Andrade Rocha e Adamastor Bráulio Silva Rocha, ela era a mais nova de quatro irmãos, sendo o mais velho o mítico cineasta Glauber Rocha.



Anecy começou a atuar cedo, fazendo teatro desde os 5 anos de idade, mas só se profissionalizou quando cursou a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nesta época, ela recebeu um convite do diretor Nelson Pereira dos Santos para estrear no cinema, mas teve de recusar a oferta devido a proibição do pai, que era super protetor.

Foi em 1964, quando protagonizava a peça Antígona nos palcos que ela também acabou estreando no cinema, atuando no curta metragem Moleques de Rua (1964). No ano seguinte, pelas mãos de Walter Lima Júnior, ela brilhou no filme Menino de Engenho (1965), dando início a uma longa e bem sucedida carreira cinematográfica.


Sávio Rolim e Anecy Rocha em Menino de Engenho

A parceria com Walter Lima Júnior renderia mais do que outros trabalhos cinematográficos, pois ambos se casariam no mesmo ano (1965), e juntos tiveram um filho, Jorge.

Anecy logo tornou-se uma das mais requisitadas atrizes do cinema nacional, emendando diversos projetos. Dirigida por Cacá Diegues, ela retornou às telas em A Grande Cidade (1966), e depois fez As Amorosas (1968), de Walter Hugo Khouri. E pelas mãos do marido fez Brasil Ano 2000 (1969) e Na Boca da Noite (1971). 

Ela também esteve no elenco de Pecado Mortal (1970), Os Herdeiros (1970), Em Família (1970) e Faustão (1970).


Anecy Rocha e Antônio Pitanga em A Grande Cidade


Anecy Rocha e Paulo José em As Amorosas


Ênio Gonçalves e Anecy Rocha em Brasil Ano 2000

Em 1971 o talento e o rosto expressivo da atriz chamou a atenção da Rede Globo, que a contratou para viver a sofrida Licinha na novela Bandeira 2 (1971). Ela também atuou em um Caso Especial, História de Subúrbio (1971), na mesma emissora.

Mas apesar de fazer sucesso também na TV, preferiu não renovar o contrato, para dedicar-se a sua paixão que era atuar no cinema.



Anecy Rocha preferiu iniciar as filmagens de O Amuleto de Ogum (1971), onde finalmente trabalhou com Nelson Pereira dos Santos. Com o diretor ela ainda faria Tenda dos Milagres (1977), e em seguida começou a filmar A Líra do Desejo (1978), novamente sob a direção de seu marido.


Nara Leão e Anecy Rocha em A Líra do Desejo


A atriz entretanto não concluiu as filmagens de seu último projeto. No dia 27 de março de 1977 Anecy Rocha saiu para comprar pão para o lanche do domingo a tarde. Ela chamou o elevador do prédio onde morava, no bairro do Botafogo (no Rio de Janeiro), mas não percebeu que o elevador não estava no andar quando a porta abriu.

Ela caiu no fosso do elevador, e como estava no décimo andar, não resistiu a queda, falecendo imediatamente, com apenas 34 anos de idade. Meses depois, ela ganhou o Candango de Melhor Atriz póstumo, no Festival de Cinema de Brasília de 1978.





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